quinta-feira, 25 de agosto de 2022

... da consola Sega Saturn

foto de revista pushstart
 

Já aqui falei da consola que mais joguei na minha vida, hoje falo da que tive a seguir, a Sega Saturn.

Tudo começou em 1991, com os rumores da nova consola Gigadrive por parte da Sega, que iria se basear e apoiar no sistema 32 bits, uma evolução lógica do sucesso que tinha tido baseando-se nos 16 bits. Usando as placas das máquinas arcade, o aparelho tinha tudo para ter sucesso, mas foi sofrendo evoluções com as notícias da nova máquina que iria aparecer, a Sony Playstation.

Depois do lançamento um pouco atabalhoado do Sega 32x, que usava cartuchos, em 93, a Sega anunciou na mesma que teria uma máquina potente com processadores que poderiam usar tanto da tecnologia para jogos 3D, como o uso de polígonos. O lançamento no Japão, a 22 de Novembro de 1994, foi um sucesso com a venda de 600 mil unidades ainda antes do Natal, prometendo assim um futuro auspicioso para a consola.

Nos Estados Unidos a coisa não correu tão bem, com um lançamento antecipado para Maio de 1995, o que prejudicou as vendas porque haviam poucos jogos, e o preço era um pouco salgado (quase 400 dólares), algo que não aconteceu com a Sony, que lançou no Natal desse ano, a 299 dólares e com muitos jogos por onde escolher.

Foi em Junho de 1995 que os europeus puderam experimentar a consola, meses antes do lançamento da Playstation. Por Portugal, o desconhecimento que o público tinha das notícias de videojogos, aliados ao bom trabalho da Ecofilmes, fizeram com que o nosso pais fosse um dos que recebeu melhor o aparelho na Europa. O sucesso foi tanto que só no final de 1997 que as vendas começaram a descer, e muito por culpa da prórpria Sega que já tinha abandonado o aparelho e deixado de enviar jogos.



Foi sempre mais bem recebida no Japão, com um total de 600 jogos lançados, e com alguns dos seus maiores sucessos a nunca terem deixado o continente nipónico, muito para desespero de alguns fãs. Na América não ultrapassou os 250 títulos, enquanto que na Europa o interesse da emrpesa ainda foi menos, com o último jogo a ser lançado em 1998, enquanto que nos Estados Unidos isso só aconteceu em 1999 e no Japão em 2000.

No Brasil, um mercado sempre muito apetecível, a Saturn sofreu mais por causa da sua política anti pirataria e ter feito com que fosse impossível usar jogos piratas nela. Num país com pouco poder de compra, isso é fatal e a facilidade com que a PSOne deixar usar esses tipo de jogos, selou o destino naquele país.

O sucesso vinha dos jogos de arcade, que beneficiavam dos excelentes processadores da consola, alguns títulos RPG e os shoot m up. Curiosamente esses processadores também dificultaram a vida ao aparelho, já que para desenvolver um jogo para a mesma, exigia muito por parte dos programadores de jogos, que começaram a concentrar-se mais na Sony.

Podemos também realçar que nunca saiu um jogo do Sonic de raiz para esta consola, algo impensável para um aparelho da Sega, e parecendo que não ajudou a que a mesma nunca decolasse nas vendas. O facto da Namco só lançar jogos para a Sony, fez com que alguns títulos populares nunca fossem lançados para a Saturn.

Apesar disto tudo, ela é recordada com saudade por muitos, e Portugal não é excepção. Eu tive uma, por intermédio de um amigo meu que ao comprar a PS1 decidiu desfazer-se dela, e joguei muito o Bomberman e o Sega Rally, mas confesso que não teve o mesmo efeito que a Mega Drive tinha tido.




















terça-feira, 9 de agosto de 2022

... da novela Araponga

 

Uma novela bem divertida, que foi transmitida como se fosse uma série, tendo tido mais sucesso em Portugal que no Brasil.

Araponga foi transmitido primeiro pela RTP ao fim de semana (numa altura que o canal experimentou novelas nessa altura) em 1992 e depois pela SIC. Dias Gomes voltou a fazer algo mais virado para o humor, e a Globo decidiu emitir a novela às 21h30, depois de ter tido alguma dificuldade com a Rainha da Sucata devido ao seu humor. A novela estreou em 1990, competindo com o sucesso Pantanal da Manchete, e teve poucas hipóteses. Por cá, e depois do sucesso de Sassaricando, não houve esse problema, e a novela teve algum sucesso, com o presidente Mário Soares a confessar-se fã da personagem.

Tudo começa com a morte do Senador Petrônio Paranhos enquanto era entrevistado por Magali Santana (Christiane Torloni), deixando a mesma numa situação embaraçosa e abrindo espaço para a  entrada em cena do detective Aristênio Catanduva, vulgo Araponga (Tarcísio Meira), que tinha uma mentalidade de antigo regime e era bastante atrapalhado. O cognome dele mostrava isso mesmo, já que Araponga é um ave estridente (o oposto do que um detective/agente secreto devia ser), e ele fazia jus ao nome sempre metido em situações cómicas, ou com as ilações que ele tirava acerca das informações erradas que recebia de alguém.

Uma das suas características era o constante fascínio por calcinhas femininas, e a forma como se apresentava à lá James Bond, "O meu nome é Ponga, Araponga". Tarcísio estava em grande forma, as suas expressões faciais ajudavam a que o argumento ganhasse outra piada, e o seu timing de comédia estava em grande, sabendo sempre onde deixar a "punch line". Gostava de rever para ver se isto envelheceu bem, mas é bem complicado de encontrar, foi a última novela das 21h30 da Globo (deixou de emitir novelas nesse horário) e nunca mais foi repetida.

Mais alguém era fã?