quinta-feira, 26 de maio de 2022

... da série O Polvo



Uma série policial intensa mostrando como a Máfia controlava o crime e a Itália nas décadas de 70 e 80, e com a participação de grandes nomes do cinema e do audiovisual Italiano tendo tido um enorme sucesso em todos os Países onde foi transmitida.

O Polvo (La Piovra) foi uma série Italiana que marcou o país década de 80, só o primeiro episódio teve uma audiência de 8 Milhões de Telespectadores e fez a Itália ficar colada ao ecrã durante anos. Foi transmitida em horário nobre pela RTP1 no final da década de 80, e também por cá atingiu bastante sucesso.

RAI produziu a série que teve 10 temporadas, entre 1985 e 1999, que a dada altura chegava a atingir os 15 Milhões de telespectadores e o seu último episódio continua como o programa mais visto de sempre na história televisiva Italiana. Michele Plácido era um excelente actor, com um grande carisma que nos cativava, lembro-me de ser uma criança quando isto dava, e de mesmo assim me interessar pelo que aparecia no ecrã devido à presença deste grande actor. Andei a rever a série pelos DVD's que a Prisvídeo editou (com uma péssima qualidade de imagem infelizmente), e as 4 primeiras temporadas são uma verdadeira obra prima que nos faz ver aquilo de uma forma apaixonada e que nos cativa do princípio ao fim.

Corrado Cattani, um comissário da polícia Italiana, é enviado para a Sicília para chefiar a Brigada Móvel da policia local, ao mesmo tempo que é encarregue de chefiar a investigação da morte do seu antecessor. Ele preocupa-se com o tráfico de droga, e percebe que tudo aquilo tem ramificações profundas na sociedade local onde existe uma espécie de conspiração de silêncio que lhe dificulta o trabalho e a própria investigação. Percebe-se que a Máfia é como um Polvo, que estende os seus tentáculos pela sociedade e este comissário corajoso decide começar uma verdadeira cruzada contra os traficantes locais, sem olhar ás consequências para si e para os seus. Ele encontra aliados como a corajosa Juiza Silvia Conti  que o ajuda a enfrentar os seus inimigos que crescem de episódio para episódio. A série era perfeita em mostrar o sofrimento dos seus protagonistas, ali o herói também sofria, e mais para a frente iríamos ver coisas que até então eram impensáveis numa série do género, e que ainda hoje não é comum de se encontrar.

Como já disse Michele Plácido foi fenomenal como Corrado Cattani, um comissário forte e corajoso, mas a Juíza Sílvia Conti também era bem representada pela actriz Patrícia Milardet, que assumiu o papel de protagonista a partir da 5ª temporada. Isto porque no final da Quarta assistimos a algo impensável e muito corajoso por parte de quem escrevia a série, que foi a morte do justo comissário Corrado, assassinado a tiro por aqueles que perseguia e que dominavam o seu País. Esse episódio foi transmitido a 20 de Março de 1989 e detém o recorde do Guiness de maior audiência da Europa, e cá não foi excepção, com a RTP a conseguir 80% na noite desse episódio.

A trama toda é baseada em acontecimentos reais, e quer mostrar como a Máfia é constituída por homens perigosos, e não aquela imagem quase apaixonada de homens de honra que nos era transmitida em algumas produções. O argumento da série é fantástico em mostrar como a Máfia é verdadeiramente um Polvo, com os seus tentáculos espalhados por toda a parte, um simples assassinato tem ligações ao tráfico de droga que por sua vez também está ligado ao tráfico de armas, que se liga às movimentações de dinheiro e subornos entre estado e bancos com dinheiros pertencentes à Máfia.

Uma série que ainda hoje mantém a qualidade e o realismo que tinha na altura e que é uma obra obrigatória para todos aqueles que gostam de TV de qualidade e que sejam apreciadores de uma boa trama relacionada com o mundo fascinante dos mafiosos.

Lembro-me de tentar ver isto às escondidas, e foi uma das responsáveis por me apaixonar por produções relacionadas com a Máfia.
















sexta-feira, 20 de maio de 2022

...do Nelson Piquet

 



Nelson Piquet foi um dos meus pilotos preferidos na Fórmula 1, com o seu estilo quase Kamikaze     que fazia dele um dos maiores protagonistas durante uma corrida. Tricampeão, chegou ao pódio por 60 vezes, conseguindo 23 vitórias e ficou para a história como um dos melhores de sempre.

Filho de um diplomata Brasileiro, Nelson Piquet Souto Maior nasceu a 17 de Agosto de 1952, chegou a jogar Ténis profissionalmente durante um breve período de tempo, até que decidiu abandonar este desporto, por não o achar suficientemente emocionante. Foi então para o Karting, à revelia do pai e chegando a correr disfarçado para que este não descobrisse o que fazia. Mas nos seus primórdios na Fórmula 1 chegou a usar um capacete estilizado que fazia lembrar uma bola de ténis, relembrando assim o seu começo na vida desportiva.

Foi campeão na Fórmula 3 batendo o recorde de vitórias de Jackie Stewart, e conseguindo assim um lugar numa pequena escuderia da Fórmula 1, a BS. Piquet mostrou logo o seu talento ao volante do Mclaren desta equipa Inglesa, conseguindo um nono lugar e fazendo boas corridas mostrando a sua velocidade sendo por isso contratado pela Brabham em 1979, para que fosse o seu segundo piloto tendo como companheiro de equipa o mítico Nikki Lauda.

Após um primeiro ano marcado por muitos abandonos, em 1980 começou a conquistar as suas primeiras vitórias e acabou como vice campeão, um aquecimento para o ano seguinte onde viria a conquistar o título com uma diferença de 1 ponto sobre o piloto Argentino Carlos Reutemann. O ano de 1982 foi um ano problemático para toda a F1 e por isso só em 1983 que Piquet voltou a vencer o campeonato, levando assim pela primeira vez um carro com motor turbo à vitória.


Os anos seguintes foram cheios de altos e baixos, e o piloto decide então que era hora de mudar de equipa e ingressou na Williams, tendo sido este o período que acompanhei com mais interesse este desporto motorizado.

Em 1986 a Williams tinha motores turbo da Honda e tinha outro piloto talentoso na sua equipa, o britânico Nigel Mansell. O carro era bastante competitivo, mas perderam o campeonato para o Francês Alain Prost e isso deveu-se em parte a uma pequena rivalidade que existia entre os 2 pilotos da escuderia britânica.

Piquet usava da típica malandragem Brasileira, num grande prémio Nigel Mansell encontrava-se com o carro instável chegando a sair da pista, prejudicando o rendimento dos seus pneus. O piloto avisou pelo rádio para colocarem pneus novos nos boxes e a equipe rapidamente se preparou para o receber, mas quem apareceu no pit foi o Williams número 6 do piloto brasileiro. O brasileiro, de forma brilhante, havia antecipado sua parada para trocá-los. 

Dentro do pit, pelo rádio, Patrick Head comunica ao piloto inglês para não entrar, forçando-o a completar mais uma volta com os pneus bem gastos, já que a equipe estava comprometida com a execução do carro do seu companheiro de equipe.

Em 1987, ano onde voltou a ser campeão, Piquet voltou a usar desta malandragem, dizia-se que ele configurava o carro de uma certa maneira para que os técnicos de Mansell copiassem essa configuração, mas depois mudava-a toda em cima da hora para algo mais adequado ao carro. Curiosamente foi um ano em que venceu poucas corridas, ganhando pontos estratégicos e usando de algumas manobras mais "sujas" para levar a melhor sobre o seu companheiro, que era mais rápido do que ele. Isto levou a que a amizade entre ambos sofresse um revés e nunca mais fosse a mesma.

Mesmo assim na primeira edição do Grande Prêmio da Hungria, Piquet realizou sobre Ayrton Senna, a ultrapassagem que muitos consideram como a mais bela de todos os tempos na Fórmula 1 – no fim da recta dos boxes, pelo lado de fora de uma curva de 180 graus, escorregando nas quatro rodas. O tricampeão Jackie Stewart, comentando a cena, disse que era "como fazer um looping com um Boeing 747".


Em 1988, o piloto Brasileiro assina um contrato milionário com a Lotus, que era equipada esse ano pelos motores Honda e que lhe prometeu a posição de piloto número 1 da equipa, algo que o mesmo reclamava da Williams e que esta nunca cumpriu. Mas a instabilidade deste carro nunca deixou o piloto satisfeito, e passados 2 anos este volta a mudar de equipa e ingressa na Benetton, que mesmo sem uns motores tão rápidos como os da Honda, tinha um chassis bastante viável e competitivo.

Na sua primeira temporada Piquet voltou às vitórias nos grandes prémios e acabou o ano no 3º lugar, à frente de um piloto da Mclaren e de outro da Ferrari que tinham carros bastante mais competitivos. Até a sua reforma em 1992, Piquet foi vencendo corridas e animando o paddock com a sua rivalidade com Nigel Mansell, a quem o piloto Brasileiro chamava de "idiota veloz".

Piquet ignorava pedidos de ultrapassagem, levando a um despiste do piloto Inglês, numa corrida em que Mansell fica com o seu carro parado na pista. O piloto Brasileiro passa por ele sorrindo e acenando, confessando no final da corrida que teve um orgasmo em ver ele ali parado. Eu gostava deste temperamento e comportamento de Piquet, mas sei que foi isso também o que o impediu de ir para a Ferrari, já que o seu ego e arrogância o impediam de chegar a acordo com a escuderia Italiana.

Mesmo assim continua a ser um dos meus preferidos, podia não vencer sempre as suas corridas mas deixava a sua marca na grande maioria delas e foi um piloto que marcou o desporto desta categoria.














quarta-feira, 18 de maio de 2022

... do Plastic Man

 


É um dos meus heróis preferidos, seja em desenho animado, seja na banda desenhada. Conhecido pelo seu humor irreverente, e pelo seu poder permitir não apenas esticar-se mas também simular quase na perfeição aquilo que ele quer imitar.

As opiniões dividem-se de como era mostrada a tradução no desenho animado do Plastic Man, transmitido pela RTP em 1983, se se ficou por Homem Elástico ou Homem Plástico (o Homem Borracha é a versão Brasileira da BD), e por isso chamarei pelo nome original apesar de, na minha memória, ser Homem Elástico.

Plastic Man foi criado em 1941 por Jack Cole, para a editora Police Comics, tendo conseguido algum sucesso e popularidade passando depois para a DC Comics, onde chegou a fazer parte da maior equipa da editora, a Liga da Justiça. Foi a Ruby-Spears a adaptar as suas aventuras para o pequeno ecrã em 1979, uma produtora conhecida pelos seus desenhos animados de cores vivas. Foram 35 episódios que deram uma fama mundial à personagem e ao qual pudemos assistir pela 1ª vez em 1983, sendo repetido em 1986 num horário onde davam outros desenhos animados de Super-Heróis como o do Aquaman.

Era fã do tipo de humor apresentado no desenho, dispensava os típicos sidekicks destas animações (o parceiro gorducho incompetente e a menina bonita), mas como fã de super-heróis vibrava ao ver mais uma personagem destas na minha Televisão (mesmo a preto e branco). O poder de se esticar e moldar o corpo em qualquer forma que possamos imaginar não era novo, existiam outros dois heróis com esses poderes, mas o que o diferenciava era que ele assumia a forma de objectos quase impossíveis. Ele podia virar um carro com rodas que o permitiam movimentar-se, um foguete que levantava voo e muitas outras coisas.

Os seus companheiros eram a sua bela esposa Penny, bastante mais inteligente que Plastic, e o seu parceiro trapalhão Hula-Hula, que mesmo assim conseguia ajudar o nosso heróis a escapar de algumas embrulhadas. O humor do programa era logo demonstrado no genérico, a narração era acompanhada por umas imagens cómicas para ficarmos logo prevenidos do que podíamos encontrar pela frente, afinal como podíamos resistir a um marisco pirata?

Isto chegou a dar aos Sábados pelo começo da tarde, e a dada altura era um dos tapa buracos do final de tarde da RTP1.