sexta-feira, 14 de outubro de 2022

... do Mofli, o último Koala

 


Tenho boas memórias afectivas deste desenho animado, apesar de ter visto poucos episódios. Foi mais um produto dos anos 80, que capitalizava a febre sobre a Austrália que se deu a dada altura em todo o planeta.


Uma produção da Televisão Pública Espanhola, a TVE, Mofli foi produzido em 1986, tendo sido feitos 13 episódios que foram transmitidos pela RTP na segunda metade dos anos 80, aos Sábados de manhã numa versão dobrada em Português. Tinham sido encomendados 26 episódios, mas a fraca qualidade da animação fez com que o canal espanhol reduzisse a sua duração, isto apesar de algum sucesso do programa entre os mais novos.

Lembro-me de apanhar isto na versão espanhola, na TVE numas férias em Penamacor, Castelo Branco, e algum tempo mais tarde no programa Juventude e Família no canal 1. Do que me recordo, ele próprio escapava dos perigos de uma forma simples e sem muito esforço, e ficando ali sempre na sua vidinha com um ar fofo e sereno

A ideia que tinha era que tudo se centrava em torno de um pequeno Koala que vivia isolado numa reserva, protegido de pessoas que queriam raptar o animal a qualquer custo.

Mais do que qualquer outro koala dos outros desenhos animados, este tinha um ar super fofo e meigo, sempre muito pachorrento e abraçado à sua árvore ou à sua melhor amiga humana. Pelo que li na Wikipedia, a acção desenrolava-se no começo do século XXI, numa pequena povoação da Austrália onde se encontrava o último espécime vivo desta espécie Australiana. Logicamente que isso atraiu a atenção de caçadores e homens de negócio duvidosos que queriam lucrar com este pequeno animal.

Um dono de um circo, um milionário excêntrico e sua neta, um caçador, exploradores, tudo tentava chegar perto do pequeno koala, que contava com a ajuda de Corina, uma menina que sabia o caminho secreto para a localização de Mofli e o ajudava contra todos estes perigos.

Foram também editados diversos vhs, com outra dobragem, e chegou a ser repetido anos depois na RTP.












quinta-feira, 1 de setembro de 2022

... da Peça Teatro "Aqui há fantasmas"

 


Uma daquelas memórias marcantes, esta peça repetiu várias vezes na RTP, e recordo-me sempre de ver com a minha mãe e nos rirmos bastante com tudo o que acontecia. Um dos melhores papéis de Henrique Santana, apoiado por um elenco fantástico e com diálogos que nos faziam rir sem parar.

A RTP estreou isto a 16 de Fevereiro de 1988, mas repetiu por diversas vezes nos seus dois canais nos anos 90, e sempre que davam era sucesso garantido. Pedro Martins realizou este programa, que transmitia uma peça da autoria de Henrique Santana que também protagonizava e brilhava na interpretação do seu papel, mas nela entravam outros grandes nomes como Rita Ribeiro, Carlos Quintas, António Feio e José Raposo entre outros. Desde que existe a RTP Memória, que tem sido por lá que podemos ver e recordar esta excelente peça de teatro.

Consta que uma casa senhorial está assombrada. Então o Professor Hermes (Henrique Santos) decide fazer uma experiência em que anda a magicar há muito tempo: testar a pílula da coragem. Escolhe um pobre diabo, o Chichas (Henrique Santana), para cobaia, e promete-lhe 150 contos em troca de ele passar lá a noite. Leva o Chichas e a uma enfermeira (Rita Ribeiro) para a casa assombrada e pede a um colega que se disfarce de fantasma para assustar o homem.

O Dr. Branco (Carlos Quintas), ajudante do Professor Hermes, tratava de tudo, mas não contavam com uma coisa, é que a casa estava mesmo assombrada com outros fantasmas. Entrava então em cena o procurador Cardoso (António Feio), que queria que a dona do palacete, Margarida (Maria Helena Matos), o vendesse por metade do preço, contando para isso com a ajuda do seu fantasma Liberato (Armando Cortez). Ainda tínhamos a sobrinha da proprietária (Cristina Oliveira) e o jornalista Alvarinho (Francisco Vaz). As autoridades entraram em acção para resolver este mistério, o Inspetor Pais Neto (Luís Alberto) e o seu agente Faísca (José Raposo)..


Eram mais de 2 horas de pura diversão, as expressões faciais de Henrique Santana eram hilariantes e asseguravam a que se o texto não nos divertisse, elas definitivamente nos arrancariam umas gargalhadas. Muitos momentos ficaram na memória de todos, como o mítico jogo de cartas e a voz do fantasma com o seu "irmãoooo". Eis a peça completa para reverem


















quinta-feira, 25 de agosto de 2022

... da consola Sega Saturn

foto de revista pushstart
 

Já aqui falei da consola que mais joguei na minha vida, hoje falo da que tive a seguir, a Sega Saturn.

Tudo começou em 1991, com os rumores da nova consola Gigadrive por parte da Sega, que iria se basear e apoiar no sistema 32 bits, uma evolução lógica do sucesso que tinha tido baseando-se nos 16 bits. Usando as placas das máquinas arcade, o aparelho tinha tudo para ter sucesso, mas foi sofrendo evoluções com as notícias da nova máquina que iria aparecer, a Sony Playstation.

Depois do lançamento um pouco atabalhoado do Sega 32x, que usava cartuchos, em 93, a Sega anunciou na mesma que teria uma máquina potente com processadores que poderiam usar tanto da tecnologia para jogos 3D, como o uso de polígonos. O lançamento no Japão, a 22 de Novembro de 1994, foi um sucesso com a venda de 600 mil unidades ainda antes do Natal, prometendo assim um futuro auspicioso para a consola.

Nos Estados Unidos a coisa não correu tão bem, com um lançamento antecipado para Maio de 1995, o que prejudicou as vendas porque haviam poucos jogos, e o preço era um pouco salgado (quase 400 dólares), algo que não aconteceu com a Sony, que lançou no Natal desse ano, a 299 dólares e com muitos jogos por onde escolher.

Foi em Junho de 1995 que os europeus puderam experimentar a consola, meses antes do lançamento da Playstation. Por Portugal, o desconhecimento que o público tinha das notícias de videojogos, aliados ao bom trabalho da Ecofilmes, fizeram com que o nosso pais fosse um dos que recebeu melhor o aparelho na Europa. O sucesso foi tanto que só no final de 1997 que as vendas começaram a descer, e muito por culpa da prórpria Sega que já tinha abandonado o aparelho e deixado de enviar jogos.



Foi sempre mais bem recebida no Japão, com um total de 600 jogos lançados, e com alguns dos seus maiores sucessos a nunca terem deixado o continente nipónico, muito para desespero de alguns fãs. Na América não ultrapassou os 250 títulos, enquanto que na Europa o interesse da emrpesa ainda foi menos, com o último jogo a ser lançado em 1998, enquanto que nos Estados Unidos isso só aconteceu em 1999 e no Japão em 2000.

No Brasil, um mercado sempre muito apetecível, a Saturn sofreu mais por causa da sua política anti pirataria e ter feito com que fosse impossível usar jogos piratas nela. Num país com pouco poder de compra, isso é fatal e a facilidade com que a PSOne deixar usar esses tipo de jogos, selou o destino naquele país.

O sucesso vinha dos jogos de arcade, que beneficiavam dos excelentes processadores da consola, alguns títulos RPG e os shoot m up. Curiosamente esses processadores também dificultaram a vida ao aparelho, já que para desenvolver um jogo para a mesma, exigia muito por parte dos programadores de jogos, que começaram a concentrar-se mais na Sony.

Podemos também realçar que nunca saiu um jogo do Sonic de raiz para esta consola, algo impensável para um aparelho da Sega, e parecendo que não ajudou a que a mesma nunca decolasse nas vendas. O facto da Namco só lançar jogos para a Sony, fez com que alguns títulos populares nunca fossem lançados para a Saturn.

Apesar disto tudo, ela é recordada com saudade por muitos, e Portugal não é excepção. Eu tive uma, por intermédio de um amigo meu que ao comprar a PS1 decidiu desfazer-se dela, e joguei muito o Bomberman e o Sega Rally, mas confesso que não teve o mesmo efeito que a Mega Drive tinha tido.




















terça-feira, 9 de agosto de 2022

... da novela Araponga

 

Uma novela bem divertida, que foi transmitida como se fosse uma série, tendo tido mais sucesso em Portugal que no Brasil.

Araponga foi transmitido primeiro pela RTP ao fim de semana (numa altura que o canal experimentou novelas nessa altura) em 1992 e depois pela SIC. Dias Gomes voltou a fazer algo mais virado para o humor, e a Globo decidiu emitir a novela às 21h30, depois de ter tido alguma dificuldade com a Rainha da Sucata devido ao seu humor. A novela estreou em 1990, competindo com o sucesso Pantanal da Manchete, e teve poucas hipóteses. Por cá, e depois do sucesso de Sassaricando, não houve esse problema, e a novela teve algum sucesso, com o presidente Mário Soares a confessar-se fã da personagem.

Tudo começa com a morte do Senador Petrônio Paranhos enquanto era entrevistado por Magali Santana (Christiane Torloni), deixando a mesma numa situação embaraçosa e abrindo espaço para a  entrada em cena do detective Aristênio Catanduva, vulgo Araponga (Tarcísio Meira), que tinha uma mentalidade de antigo regime e era bastante atrapalhado. O cognome dele mostrava isso mesmo, já que Araponga é um ave estridente (o oposto do que um detective/agente secreto devia ser), e ele fazia jus ao nome sempre metido em situações cómicas, ou com as ilações que ele tirava acerca das informações erradas que recebia de alguém.

Uma das suas características era o constante fascínio por calcinhas femininas, e a forma como se apresentava à lá James Bond, "O meu nome é Ponga, Araponga". Tarcísio estava em grande forma, as suas expressões faciais ajudavam a que o argumento ganhasse outra piada, e o seu timing de comédia estava em grande, sabendo sempre onde deixar a "punch line". Gostava de rever para ver se isto envelheceu bem, mas é bem complicado de encontrar, foi a última novela das 21h30 da Globo (deixou de emitir novelas nesse horário) e nunca mais foi repetida.

Mais alguém era fã?






























quinta-feira, 28 de julho de 2022

... do Mighty Max

 


Os canais privados também apostavam em desenhos animados, e tiveram alguns sucessos consideráveis, no caso do canal Quatro, este foi um bom exemplo de como ainda se podia conquistar o público mais novo.

A TVI, na altura ainda o Canal Quatro, seguia a RTP e a SIC na ânsia de tentar conquistar mais público para os seus canais, e isso incluía os mais novos. Então era normal a aposta em alguns desenhos animados quando começou as suas transmissões, e um dos que teve mais sucesso foi o Mighty Max. O rapaz de chapéu vermelho conquistou os mais jovens e tornou-se numa imagem de marca da estação e da sua programação para os mais novos.

Mighty Max foi baseado numa linha de brinquedos de sucesso, sendo uma co-produção entre os Estados Unidos, a França e o Reino Unido. Foi transmitida originalmente em 1992, tendo duas temporadas num total de 40 episódios que foram emitidos pela TVI em 1994, numa dobragem portuguesa com nomes como João Lagarto a abrilhantar o elenco.

A história consistia num rapaz que não gostava muito de ir à escola (algo normal), e que preferia passar os dias fora a passear ou brincar. Max (Carlos Macedo) vê a sua vida mudar quando recebe uma encomenda que tinha uma estatueta com um boné, um boné especial que lhe concedia a possibilidade de abrir portais no espaço-temporal, e foi-lhe atribuído por Virgil (João Lagarto), uma ave que tentava que o Universo mantivesse o seu equilíbrio cósmico.

A sua Mãe (Helena Isabel) e o guerreiro Norman (Jorge Sequerra) ajudavam Max nestas aventuras, especialmente para que o vilão Skullmaster (João Lagarto) não roubasse o boné a Max, e ficasse ele com este poder de viajar pelo espaço-tempo. Uma série muito animada e moderna, muito a ver com a década que estávamos a entrar e diferente dos desenhos que estávamos habituados. Foi normal o seu sucesso e vieram vários semelhantes neste formato que tiveram também o seu espaço. Isto foi ainda repetido pela RTP e pelo Canal Panda, provando que ele continuou a cativar o público noutras décadas.
















quarta-feira, 13 de julho de 2022

... da série A Mulher do Sr. Ministro

 


Uma série divertida, numa altura que a RTP apostava muito em material nacional e que teve aqui um dos seus melhores produtos.


Ana Bola foi uma das melhores aprendizes do mestre Herman José, e que provou ser uma herdeira digna desse género de humor nos seus próprios programas. A Mulher do Sr. Ministro é um bom exemplo disso, uma série baseada na britânica "Yes prime minister" mas com uma personalidade própria e um humor que contava com a ajuda de um País ainda em plena era Cavaquista. Como nos programas do Herman, também Ana Bola soube reunir um elenco com extrema qualidade ao seu redor. 

Vítor de Sousa era o seu parceiro, protagonizando o Ministro Rocha, e esteve perfeito na interpretação de umpolítico incompetente, ingénuo e que se deixava levar por alguém mais forte e com uma personalidade muito mais vincada, como era o caso da sua esposa. Maria Rueff foi a revelação do programa, no papel da criada Rosa, a afilhada de Lola Rocha, uma pessoa simples que vinha da terrinha e se apaixona pelo polícia Manuel, interpretado por João CabralNo escritório Miguel Melo era Alfredo, o fiel assistente do ministro e que tinha pouca paciência para a falta de inteligência do mesmo, enquanto que Maria de Lima era Tita, uma secretária bonita e um pouco "tia".

A primeira temporada durou de 1994 a 96, e acompanhou a ascensão do ministro Rocha sempre apoiado pela sua mulher Lola. O programa foi mudando com os tempos até ao ponto que a própria Lola virou ministra, e o elenco foi sendo mudado (para pior) com a entrada de Cândido Mota e Alexandra Leite para os lugares de assistente e secretária.

O programa era bastante divertido, tinha diálogos inteligentes e engraçados ao que se juntava um elenco que tinha uma grande química e se conheciam muito bem. Eu ria-me bastante com a figura de Ana Bola, em especial a enorme cabeleira que colocava na sua cabeça, e na interacção entre ela e a Maria Rueff. O ar clueless do Vítor de Sousa também ajudava ao sucesso do programa que era sempre passado ou no apartamento do Rocha, ou no seu escritório.

A RTP Memória repete bastante este programa que foi transmitido pelo Canal 1 entre 94 e 97 e as suas duas primeiras temporadas continuam a ser do melhor humor que já se viu por cá. Mais recentemente chegou a haver uma nova série, chamada "A Mãe do Sr. Ministro" que também não conseguiu recapturar o charme da original.
















terça-feira, 7 de junho de 2022

... do iogurte Yoplait

 


Sempre fomos um país de iogurtes, e muitos ficaram para sempre na nossa memória, por todas as boas lembranças do nosso tempo de infância. O Yoplait é um desses, pelos seus passatempos, pela sua embalagem simples, e claro pelo seu sabor.

A Yoplait surgiu no mercado Francês em 1967, quando mais de 100 Mil fazendeiros Franceses de seis corporativas diferentes juntaram-se para desta forma venderem melhor os seus produtos. As seis pétalas no símbolo da companhia representam os seis fundadores, enquanto que o nome era uma junção de dois nomes dessas corporativas.

Em 1971 começaram a sua odisseia no mercado Norte-Americano, e aos poucos foram conquistando um lugar no mercado com as suas ideias inovadoras e revolucionárias. Foram os primeiros a produzir iogurtes com baixo índice de gordura (os low fat) e a criar um iogurte líquido pronto a beber. Eu lembro-me bem quando o Yop apareceu cá em Portugal, era uma loucura poder beber assim um iogurte de Morango, e aquilo era mesmo bom, ainda hoje continua a ser o meu preferido e a minha forma favorita de comer iogurte.

Depois de entrar nos mercados Africanos e Asiáticos, foi na década de 80 que começou a sua grande expansão pelo mercado Europeu, e Portugal foi um desses países. Foi fabricado e distribuído pela Gelgurte, uma fábrica da Guarda que produziu isto até 2010, quando não foi renovado a parceria com a marca Francesa.

A marca continua a ter sucesso noutros Países, está presente em mais de 50 países ao redor do mundo, sendo a número 1 e 2 do mercado em 39 desses países, comercializando uma linha de produtos composta por 2.500 intens. Seus maiores mercado são a França, Estados Unidos (onde são vendidos diariamente cerca de 8.5 milhões de embalagens do produto) e Reino Unido, tendo ainda forte presença no Canadá, Austrália e México. Mundialmente, a cada minuto, são consumidos cerca de 15.000 potes de YOPLAIT.






quinta-feira, 2 de junho de 2022

... do jogo Bomberman

 


Bomberman é um dos jogos mais viciantes de sempre, um jogo de estratégia onde tínhamos que andar por labirintos a colocar bombas e a rebentar com tudo, como podíamos resistir a isto? 

O jogo foi idealizado por Hudson Soft e foi lançado em 1983 para o computador, mas foram as versões para o Spectrum, e especialmente as da Nintendo que deixaram o jogo extremamente popular. Pela Europa chegou a ser lançado com o nome Eric and the Floaters, para evitar alguma conotação terrorista.

O jogo não tinha nenhuma história, basicamente tínhamos que puxar pela cabeça e ver onde podíamos deixar as bombas de modo a que estas fossem abrindo um caminho por onde podíamos andar, que nos deixasse chegar ao fim ou apanhar as coisas que devíamos apanhar. A Nintendo tratou de popularizar o jogo no NES e SNES e deu-lhe um conceito e história, tornando o boneco parte de uma espécie de polícia Inter-Galáctica que protegia o universo.

Um boneco pequeno, com uma cabeça grande e um ar simpático, que tinha que usar as suas bombas para eliminar os seus inimigos e abrir caminho conquistou-nos a todos na década de 80 e voltou a entrar nos nossos corações na década de 90 com o sucesso das suas edições para a Super Nintendo ou para a Sega Saturn.










quinta-feira, 26 de maio de 2022

... da série O Polvo



Uma série policial intensa mostrando como a Máfia controlava o crime e a Itália nas décadas de 70 e 80, e com a participação de grandes nomes do cinema e do audiovisual Italiano tendo tido um enorme sucesso em todos os Países onde foi transmitida.

O Polvo (La Piovra) foi uma série Italiana que marcou o país década de 80, só o primeiro episódio teve uma audiência de 8 Milhões de Telespectadores e fez a Itália ficar colada ao ecrã durante anos. Foi transmitida em horário nobre pela RTP1 no final da década de 80, e também por cá atingiu bastante sucesso.

RAI produziu a série que teve 10 temporadas, entre 1985 e 1999, que a dada altura chegava a atingir os 15 Milhões de telespectadores e o seu último episódio continua como o programa mais visto de sempre na história televisiva Italiana. Michele Plácido era um excelente actor, com um grande carisma que nos cativava, lembro-me de ser uma criança quando isto dava, e de mesmo assim me interessar pelo que aparecia no ecrã devido à presença deste grande actor. Andei a rever a série pelos DVD's que a Prisvídeo editou (com uma péssima qualidade de imagem infelizmente), e as 4 primeiras temporadas são uma verdadeira obra prima que nos faz ver aquilo de uma forma apaixonada e que nos cativa do princípio ao fim.

Corrado Cattani, um comissário da polícia Italiana, é enviado para a Sicília para chefiar a Brigada Móvel da policia local, ao mesmo tempo que é encarregue de chefiar a investigação da morte do seu antecessor. Ele preocupa-se com o tráfico de droga, e percebe que tudo aquilo tem ramificações profundas na sociedade local onde existe uma espécie de conspiração de silêncio que lhe dificulta o trabalho e a própria investigação. Percebe-se que a Máfia é como um Polvo, que estende os seus tentáculos pela sociedade e este comissário corajoso decide começar uma verdadeira cruzada contra os traficantes locais, sem olhar ás consequências para si e para os seus. Ele encontra aliados como a corajosa Juiza Silvia Conti  que o ajuda a enfrentar os seus inimigos que crescem de episódio para episódio. A série era perfeita em mostrar o sofrimento dos seus protagonistas, ali o herói também sofria, e mais para a frente iríamos ver coisas que até então eram impensáveis numa série do género, e que ainda hoje não é comum de se encontrar.

Como já disse Michele Plácido foi fenomenal como Corrado Cattani, um comissário forte e corajoso, mas a Juíza Sílvia Conti também era bem representada pela actriz Patrícia Milardet, que assumiu o papel de protagonista a partir da 5ª temporada. Isto porque no final da Quarta assistimos a algo impensável e muito corajoso por parte de quem escrevia a série, que foi a morte do justo comissário Corrado, assassinado a tiro por aqueles que perseguia e que dominavam o seu País. Esse episódio foi transmitido a 20 de Março de 1989 e detém o recorde do Guiness de maior audiência da Europa, e cá não foi excepção, com a RTP a conseguir 80% na noite desse episódio.

A trama toda é baseada em acontecimentos reais, e quer mostrar como a Máfia é constituída por homens perigosos, e não aquela imagem quase apaixonada de homens de honra que nos era transmitida em algumas produções. O argumento da série é fantástico em mostrar como a Máfia é verdadeiramente um Polvo, com os seus tentáculos espalhados por toda a parte, um simples assassinato tem ligações ao tráfico de droga que por sua vez também está ligado ao tráfico de armas, que se liga às movimentações de dinheiro e subornos entre estado e bancos com dinheiros pertencentes à Máfia.

Uma série que ainda hoje mantém a qualidade e o realismo que tinha na altura e que é uma obra obrigatória para todos aqueles que gostam de TV de qualidade e que sejam apreciadores de uma boa trama relacionada com o mundo fascinante dos mafiosos.

Lembro-me de tentar ver isto às escondidas, e foi uma das responsáveis por me apaixonar por produções relacionadas com a Máfia.
















sexta-feira, 20 de maio de 2022

...do Nelson Piquet

 



Nelson Piquet foi um dos meus pilotos preferidos na Fórmula 1, com o seu estilo quase Kamikaze     que fazia dele um dos maiores protagonistas durante uma corrida. Tricampeão, chegou ao pódio por 60 vezes, conseguindo 23 vitórias e ficou para a história como um dos melhores de sempre.

Filho de um diplomata Brasileiro, Nelson Piquet Souto Maior nasceu a 17 de Agosto de 1952, chegou a jogar Ténis profissionalmente durante um breve período de tempo, até que decidiu abandonar este desporto, por não o achar suficientemente emocionante. Foi então para o Karting, à revelia do pai e chegando a correr disfarçado para que este não descobrisse o que fazia. Mas nos seus primórdios na Fórmula 1 chegou a usar um capacete estilizado que fazia lembrar uma bola de ténis, relembrando assim o seu começo na vida desportiva.

Foi campeão na Fórmula 3 batendo o recorde de vitórias de Jackie Stewart, e conseguindo assim um lugar numa pequena escuderia da Fórmula 1, a BS. Piquet mostrou logo o seu talento ao volante do Mclaren desta equipa Inglesa, conseguindo um nono lugar e fazendo boas corridas mostrando a sua velocidade sendo por isso contratado pela Brabham em 1979, para que fosse o seu segundo piloto tendo como companheiro de equipa o mítico Nikki Lauda.

Após um primeiro ano marcado por muitos abandonos, em 1980 começou a conquistar as suas primeiras vitórias e acabou como vice campeão, um aquecimento para o ano seguinte onde viria a conquistar o título com uma diferença de 1 ponto sobre o piloto Argentino Carlos Reutemann. O ano de 1982 foi um ano problemático para toda a F1 e por isso só em 1983 que Piquet voltou a vencer o campeonato, levando assim pela primeira vez um carro com motor turbo à vitória.


Os anos seguintes foram cheios de altos e baixos, e o piloto decide então que era hora de mudar de equipa e ingressou na Williams, tendo sido este o período que acompanhei com mais interesse este desporto motorizado.

Em 1986 a Williams tinha motores turbo da Honda e tinha outro piloto talentoso na sua equipa, o britânico Nigel Mansell. O carro era bastante competitivo, mas perderam o campeonato para o Francês Alain Prost e isso deveu-se em parte a uma pequena rivalidade que existia entre os 2 pilotos da escuderia britânica.

Piquet usava da típica malandragem Brasileira, num grande prémio Nigel Mansell encontrava-se com o carro instável chegando a sair da pista, prejudicando o rendimento dos seus pneus. O piloto avisou pelo rádio para colocarem pneus novos nos boxes e a equipe rapidamente se preparou para o receber, mas quem apareceu no pit foi o Williams número 6 do piloto brasileiro. O brasileiro, de forma brilhante, havia antecipado sua parada para trocá-los. 

Dentro do pit, pelo rádio, Patrick Head comunica ao piloto inglês para não entrar, forçando-o a completar mais uma volta com os pneus bem gastos, já que a equipe estava comprometida com a execução do carro do seu companheiro de equipe.

Em 1987, ano onde voltou a ser campeão, Piquet voltou a usar desta malandragem, dizia-se que ele configurava o carro de uma certa maneira para que os técnicos de Mansell copiassem essa configuração, mas depois mudava-a toda em cima da hora para algo mais adequado ao carro. Curiosamente foi um ano em que venceu poucas corridas, ganhando pontos estratégicos e usando de algumas manobras mais "sujas" para levar a melhor sobre o seu companheiro, que era mais rápido do que ele. Isto levou a que a amizade entre ambos sofresse um revés e nunca mais fosse a mesma.

Mesmo assim na primeira edição do Grande Prêmio da Hungria, Piquet realizou sobre Ayrton Senna, a ultrapassagem que muitos consideram como a mais bela de todos os tempos na Fórmula 1 – no fim da recta dos boxes, pelo lado de fora de uma curva de 180 graus, escorregando nas quatro rodas. O tricampeão Jackie Stewart, comentando a cena, disse que era "como fazer um looping com um Boeing 747".


Em 1988, o piloto Brasileiro assina um contrato milionário com a Lotus, que era equipada esse ano pelos motores Honda e que lhe prometeu a posição de piloto número 1 da equipa, algo que o mesmo reclamava da Williams e que esta nunca cumpriu. Mas a instabilidade deste carro nunca deixou o piloto satisfeito, e passados 2 anos este volta a mudar de equipa e ingressa na Benetton, que mesmo sem uns motores tão rápidos como os da Honda, tinha um chassis bastante viável e competitivo.

Na sua primeira temporada Piquet voltou às vitórias nos grandes prémios e acabou o ano no 3º lugar, à frente de um piloto da Mclaren e de outro da Ferrari que tinham carros bastante mais competitivos. Até a sua reforma em 1992, Piquet foi vencendo corridas e animando o paddock com a sua rivalidade com Nigel Mansell, a quem o piloto Brasileiro chamava de "idiota veloz".

Piquet ignorava pedidos de ultrapassagem, levando a um despiste do piloto Inglês, numa corrida em que Mansell fica com o seu carro parado na pista. O piloto Brasileiro passa por ele sorrindo e acenando, confessando no final da corrida que teve um orgasmo em ver ele ali parado. Eu gostava deste temperamento e comportamento de Piquet, mas sei que foi isso também o que o impediu de ir para a Ferrari, já que o seu ego e arrogância o impediam de chegar a acordo com a escuderia Italiana.

Mesmo assim continua a ser um dos meus preferidos, podia não vencer sempre as suas corridas mas deixava a sua marca na grande maioria delas e foi um piloto que marcou o desporto desta categoria.














quarta-feira, 18 de maio de 2022

... do Plastic Man

 


É um dos meus heróis preferidos, seja em desenho animado, seja na banda desenhada. Conhecido pelo seu humor irreverente, e pelo seu poder permitir não apenas esticar-se mas também simular quase na perfeição aquilo que ele quer imitar.

As opiniões dividem-se de como era mostrada a tradução no desenho animado do Plastic Man, transmitido pela RTP em 1983, se se ficou por Homem Elástico ou Homem Plástico (o Homem Borracha é a versão Brasileira da BD), e por isso chamarei pelo nome original apesar de, na minha memória, ser Homem Elástico.

Plastic Man foi criado em 1941 por Jack Cole, para a editora Police Comics, tendo conseguido algum sucesso e popularidade passando depois para a DC Comics, onde chegou a fazer parte da maior equipa da editora, a Liga da Justiça. Foi a Ruby-Spears a adaptar as suas aventuras para o pequeno ecrã em 1979, uma produtora conhecida pelos seus desenhos animados de cores vivas. Foram 35 episódios que deram uma fama mundial à personagem e ao qual pudemos assistir pela 1ª vez em 1983, sendo repetido em 1986 num horário onde davam outros desenhos animados de Super-Heróis como o do Aquaman.

Era fã do tipo de humor apresentado no desenho, dispensava os típicos sidekicks destas animações (o parceiro gorducho incompetente e a menina bonita), mas como fã de super-heróis vibrava ao ver mais uma personagem destas na minha Televisão (mesmo a preto e branco). O poder de se esticar e moldar o corpo em qualquer forma que possamos imaginar não era novo, existiam outros dois heróis com esses poderes, mas o que o diferenciava era que ele assumia a forma de objectos quase impossíveis. Ele podia virar um carro com rodas que o permitiam movimentar-se, um foguete que levantava voo e muitas outras coisas.

Os seus companheiros eram a sua bela esposa Penny, bastante mais inteligente que Plastic, e o seu parceiro trapalhão Hula-Hula, que mesmo assim conseguia ajudar o nosso heróis a escapar de algumas embrulhadas. O humor do programa era logo demonstrado no genérico, a narração era acompanhada por umas imagens cómicas para ficarmos logo prevenidos do que podíamos encontrar pela frente, afinal como podíamos resistir a um marisco pirata?

Isto chegou a dar aos Sábados pelo começo da tarde, e a dada altura era um dos tapa buracos do final de tarde da RTP1.