sábado, 10 de julho de 2021

... do filme Os Deuses devem estar loucos

 







Os Deuses devem estar Loucos (The Gods must be Crazy) foi um dos grandes sucessos do cinema dos Anos 80, um filme simples sem uma grande história ou grandes efeitos mas que deliciou o público e foi um sucesso de bilheteira.




O filme foi escrito e realizado por Jamie Uys, e apesar de ter sido uma produção de África do Sul, foi lançado como se fosse do Botswana devido ao embargo Internacional à África do Sul. Foi lançado em 1980 e anos mais tarde saiu uma sequela, não tão divertida, que me lembro de ir ver ao mítico cinema Oxford.

O filme mostra a história de Xixo, um bosquímano do Kalahari (protagonizado por N!xau, um fazendeiro Namibiano) cuja tribo não tinha contacto ou conhecimento do mundo além desta. Quando um avião passou pela tribo deixa um presente inesperado, uma garrafa de vidro de Coca-Cola. Inicialmente esse artefacto estranho parece ser um presente dos deuses, com muitos usos a serem descobertos, mas só ajudou a gerar conflitos devido a só existir um frasco para dividir entre todos da tribo. Decide-se então que este deve ser jogado fora do planeta. Xi oferece-se para a tarefa e e é nesta viagem que a diversão começa, quando ele encontra membros da civilização ocidental pela primeira vez. O filme apresenta uma visão diferente da civilização vista por Xi.

Xi acidentalmente encontra um lugar chamado Janela dos Deuses, atirando a garrafa de lá. Aquela região está entre as escarpas das terras altas da África do Sul. Xi descobriu que havia uma camada contínua de nuvens que obscureciam a paisagem, dando uma ilusão e convencendo Xi de que era ali que ele devia jogar o frasco.

Era um filme clássico para as matinés de Domingo, dava para toda a família divertir-se e rir com as desventuras daquele homem ingénuo que caía sempre em situações hilariantes. Apesar do filme render mais de 100 Milhões de Dólares, ele recebeu pouco menos que 2000 Dólares, mas mais tarde o realizador corrigiu esse erro dando-lhe mais dinheiro e uma mesada até a sua morte.











domingo, 4 de julho de 2021

... do Capitão Planeta

 




Ainda sou do tempo em que não havia muita preocupação com coisas como reciclagem, ecologia e protecção do ecossistema, mas no começo da década de 90 isso tudo começou a mudar. 

Havia uma intenção de nos incutir essa preocupação desde crianças, e para esse efeito foi criado um desenho animado cheio de acção, cores e com uma forte mensagem ecológica. Em 1991 no Canal 1 pelo Sábado de manhã, surgiu Capitão Planeta e os Planetários (Captain Planet and the Planeteers) na sua versão original e com legendas.

O magnata Ted Turner utilizou a sua produtora, Turner Program Services, e em conjunto com a DIC Entertainement idealizaram o cartoon que iria ser transmitido no seu próprio canal, TBS, em Setembro de 1990 e duraria até Dezembro de 1992, com bastante sucesso a nível mundial. O programa primava pelo politicamente correcto, promovia a união entre povos, o civismo, a ecologia e no final de cada episódio existia sempre uma moral a exaltar isso mesmo. Foram 6 séries com 113 episódios, as últimas 3 tiveram a colaboração da Hanna-Barbera e não atingiu o sucesso das primeiras 3.

O genérico era fantástico, deixando-nos logo entusiasmados. A história mostrava como Gaia, espírito da terra e com a voz da estrela Whoopi Goldberg, era incomodada no seu descanso pelas perfurações constantes de Hoggish Greedly (Ed Asner), e decidiu que era altura de começar a combater esta ganância Humana criando para isso cinco anéis, que podiam controlar os elementos da Natureza, distribuindo por 5 jovens do planeta.



Kwane (Levar Burton) vinha de África, e possuía o poder da Terra o que lhe ajudava a proteger toda a vida Vegetal com a qual sentia uma grande afinidade. Acaba por ser o líder do grupo e é muitas vezes a voz da razão quando as coisas fogem do controle em especial quando Wheeler (Joey Dedio), o Norte-Americano que tinha o anel que controlava o Fogo, e que "fervia" em pouca água. Wheeler era o que tinha menos conhecimento sobre ecologia e o cuidado que se devia ter com a Terra, achando sempre que o que nós fazemos não afecta assim tanto o planeta, funcionando também como o alívio cómico do programa.

GI (Janice Kawaye) vinha da Ásia e tinha o poder sobre a Água, o que tinha sentido já que era uma Bióloga Marinha, e preocupava-se em demasia com os Animais, marítimos ou não. Linka (Kathie Soucie) controlava o Vento e vinha da Rússia e era bastante inteligente sendo sempre a pessoa que inventava os planos e estratégias do grupo. Sofria constantes avanços por parte de Wheeler que tinha uma paixoneta por ela, mas os recusava sempre apesar de aparentar sentir algo por ele também.

Por fim Ma-Ti (Scott Menville) vinha da Floresta Amazónica no Brasil e tinha o poder do Coração, que promovia compaixão e simpatia pelo Planeta podendo ainda comunicar telepaticamente com os animais. Quando eles todos usavam os seus anéis em conjunto com a frase, "Let our powers combine", criavam um Super-Herói chamado Capitão Planeta (David Coburn) que podia assim derrotar mais facilmente os vilões que aterrorizavam o nosso Planeta.



Esse grupo de Vilões actuava sozinho normalmente, e cada um representava um perigo ecológico de modo a poder chamar a atenção para essa questão. Para além disso, cada um tinha a voz de uma estrela de Hollywood, o que ajudava a chamar a atenção para o desenho animado (não era muito habitual na altura esses voice-overs) e assim para a mensagem Ecológica. Hoggish Greedly (Ed Asner), era um humano com um ar de Porco e que representava a ganância e o perigo de consumirmos em demasiado a energia e os recursos naturais. Já Sly Sludge (Martin Sheen), era um tratador de resíduos sem escrúpulos e ignorante que mostrava os perigos de se pensar apenas a curto prazo.

Verminous Skumm (Jeff Goldblum) era uma criatura tipo Rato, que representava a falta de higiene e o crime mas mesmo assim ficava atrás da criatura que era Duke Nukem (Dean Stockwell), um doutor que se transformou numa criatura poderosa radioactiva provando assim os perigos da energia Nuclear. Era também o único que conseguia enfrentar quase de igual para igual o Capitão Planeta.

Como em muita coisa dos anos 80, apareceram os vilões que eram contra-parte dos Heróis. Tínhamos Zarn (Sting) que era outro espírito da Terra mas que representava a Guerra e a Destruição, e ainda um Capitão Poluição (David Coburn) que tinha super poderes e dava bastante trabalho ao nosso Super Herói. Também ele era invocado por anéis usados pelos vilões e que representavam perigos ecológicos.

Apesar da moral no fim, eu era fã deste programa, era bem animado e colorido e sempre que os 2 Capitães se enfrentavam a coisa ganhava um ritmo frenético e com a acção necessária para prender alguém ao ecrã. Hoje nota-se que envelheceu um pouco mal, são demasiados clichés e uma animação um pouco "presa" de movimentos. Isso não é o suficiente, apesar das boas mensagens que o programa passa e o elenco de estrelas que o compõe.