segunda-feira, 17 de maio de 2021

... das Capas da TV Guia para filmes VHS

 

capa tirada de Enciclopediadecromos

Uma das coisas que eu mais gostava era o de colocar uma capa na cassete VHS que tinha gravado, e ter em casa o meu vídeoclube.

Ainda sou do tempo em que a pirataria era algo comum, em plena década de 80 era possível comprar cópias de jogos em muitas lojas e tínhamos ainda a TV Guia, que promovia a gravação de filmes para cassetes de vídeo com a oferta de capas para os identificar melhor.

Muitas vezes pedíamos para comprarem a revista, para ver se eles ofereciam as capas para aquele filme que queríamos gravar. Lembro-me que a dada altura, eles publicavam mais que duas capas em frente e verso, e era o cabo dos trabalhos quando queríamos gravar os dois filmes. E as capas tinham qualidade, dava gosto olhar para a prateleira e ver tudo ali bem alinhado como se fosse mesmo um videoclube. Depois era só ir a qualquer hipermercado e comprar umas quantas caixas de plástico para colocar a K7 e a capa, ocupavam mais espaço na prateleira é certo, mas havia filmes que mereciam esse esforço.

O Jumbo de Cascais era o meu lugar de eleição para isso, e o maior problema era quando se tinha que comprar caixas de cores diferentes e ficar com uma grande mistura de cores na prateleira. Por norma eu colava lá dentro imagens do que gravava junto com o filme, episódios de Simpsons, Já Tocou ou algo do género e assim ficava com uma caixa toda xpto.

Isto ainda durou um bom par de anos e começaram inclusive a aparecerem outras revistas com o mesmo tipo de oferta (mas não com a qualidade gráfica da Tv Guia). Cheguei a gravar filmes que não pretendia ter numa caixa, apenas por causa da qualidade da capa que a revista oferecia, mas por norma usava isto nos que gostava mesmo.









segunda-feira, 10 de maio de 2021

... dos Brinquedos da Pepe

 

Um clássico que atravessou gerações, muitos de nós brincaram com algum brinquedo desta empresa.

Quase todos que foram criança até a geração de 90, brincaram com brinquedos fabricados pela Pepe, uma empresa Portuguesa, que deu todo o tipo de brinquedos que uma criança podia querer para se divertir. Ainda se conseguem encontrar brinquedos desta empresa, mas está já longe do sucesso que teve noutros tempos.

José Augusto Júnior era um homem talentoso, que fabricava brinquedos em folha e madeira em 1928, abrindo na década seguinte uma fábrica que foi evoluindo e mudando de nome, até se tornar na década de 70 a maior produtora de brinquedos em Portugal. Brinquedos coloridos, com um charme próprio castiço e que todos podiam comprar, era raro o menino que não tivesse um carro desta marca, ou uma menina que tivesse um ferro de engomar, ou um acessório de cozinha de brincar da Pepe.

Máquinas de costura, tábuas e ferros de engomar, táxis, carros variados, havia um pouco de tudo para a nossa diversão. Lembro-me de ter um dos produtos "comuns" desta marca, um jovem em cima de uma pequena mota que puxava uma espécie de cesta atrás, como se fosse uma "carrinha caixa aberta", onde podíamos colocar algo e nos divertirmos a andar com aquilo de um lado para o outro.



Em 1977, e já com o nome de Pepe, começa a dedicar-se exclusivamente à produção de material feito em plástico, continuando assim pelos anos 80 com algum sucesso ainda, mesmo já com a concorrência de muita marca estrangeira e mais "apelativa". A dada altura começou a ser proibido a fabricação de brinquedos com este tipo de material, levando ao fecho da fábrica, mas não ao desaparecimento dos seus brinquedos, que costumam aparecer ainda por qualquer feira ou mercado do nosso País.

Lembro-me das minhas primas terem umas máquinas costura e umas pequenas tábuas e ferros de engomar, e de eu brincar muito com uma ambulância e a tal mota com o cesto atrás. As cores daquilo apaixonavam-me sempre, um plástico muito colorido e que fascinava qualquer criança naquela altura.














segunda-feira, 3 de maio de 2021

... do Tom & Jerry

 



Um daqueles desenhos animados intemporais, que atravessam gerações, conquistando tudo e todos.


Sou um fã da dupla de criadores William Hanna e Joseph Barbera pelas diversas horas de diversão que me proporcionaram ao longo dos anos, sendo que muitas dessas horas pertencem a uma das suas melhores criações, a dupla Tom & Jerry.

Em 1940 começaram a surgir as primeiras curta-metragens pelos estúdios Metro-Goldwyn-Mayer, e aquilo começou a pegar de tal forma que era um dos principais motivos para as pessoas irem ao cinema ver um filme, o facto de poderem ver uma animação onde um gato e um rato protagonizavam uma divertida luta. A dupla Hanna-Barbera realizou 114 curta-metragens entre 1940 e 1958, sendo que sete ganharam o Óscar da academia de melhor curta de Animação igualando assim o recorde das Silly Simphonies de Walt Disney. Eles moldaram a dupla de tal forma, que a evolução que tiveram nesses 18 anos pouco se alterou nos restantes anos. Tom (o gato) mudou a sua aparência e forma de estar e foi o que sofreu mais alterações da dupla,.ele era bastante mais peludo e quadrúpede nas primeiras aparições, algo que se foi alterando e foi ficando mais dependente de se apoiar em 2 patas como o seu adversário.

Era impressionante a forma como algo tão básico, como a perseguição entre um gato e um rato, conseguia se tornar uma experiência intensa e divertida. Existia sempre algo diferente em cada episódio e as variantes eram mais que muitas de algo que parecia ter uma premissa tão simples. A dada altura notou-se um aumento na velocidade e energia dada em cada curta-metragem, levando até a um aumento na violência das perseguições (o que muitos atribuem à entrada para os estúdios de um tal de Tex Avery).

Em Agosto de 1958 com o abrandar do interesse das pessoas nas curta metragens cinematográficas e com o sucesso da produções televisivas, os estúdios cortaram drasticamente os orçamentos para que se mantivesse uma qualidade aceitável nos episódios, levando assim à saída dos talentosos autores e a consequente mudança destes para que começassem a criar programas televisivos.




Foi a fase de ouro das personagens e alguns dos meus episódios favoritos saíram destas 114 curta-metragens. O pequeno sobrinho de Jerry como Mosqueteiro, o cão Spike e mais tarde o seu filhote, a dona de Tom e os seus ultimatos para que este apanhasse o rato, e em especial um pequeno patinho que dava cabo da paciência a ambos os protagonistas,, tudo isto chegava a atingir para mim píncaros de genialidade.

Em 1960 a MGM decidiu reviver a dupla do Gato e do Rato de modo a tentar aproveitar a onda de sucesso que as curtas dos Looney Tunes iam tendo, e encomendaram a um estúdio do outro lado da cortina de ferro (em Praga) 13 curtas-metragens. Gene Deitch entregou umas animações que podiam ser consideradas, no mínimo, bizarras com a típica imagem acelerada e efeitos sonoros algo atribulados tão típicos das animações de Leste (que podíamos comprovar no programa do saudoso Vasco Granja).

Apesar de não terem a qualidade anterior quer na animação quer na escrita, estes episódios atingiram o seu objectivo e destronaram os Looney Tunes do primeiro lugar das bilheteiras. Não consegui gostar muito desta fase, odeio o novo dono do Tom, a animação usada e os constantes diálogos em algo que devia ser quase mudo.

Em 1963 é dada a oportunidade a um dos melhores realizadores da Warner e dos Looney Tunes, Chuck Jones. Até 1967 e em 34 curta-metragens não há dúvidas que ele deixou a sua marca no legado Tom & Jerry, seja no estilo de histórias produzidas seja pelo factor de que introduziu mudanças bastante significativas no visual das personagens, especialmente em Jerry que ganhou uma cabeça muito mais expressiva em conjunto com os seus olhos. O estilo psicótico e psicadélico de Jones deu azo a algumas das minhas histórias preferidas como o episódio na praia ou o da ópera.

Em todo o caso esta dupla continua a ser dos melhores desenhos animados que já vi na minha vida, é impossível ainda hoje não soltar uma ou outra gargalhada e fiquei para sempre fã incondicional deles. A dada altura a editora Abril lançou por cá também a revista em banda desenhada que ambos estrelavam, e apesar de longe do glamour destas produções, tinha os seus bons momentos.

Por cá vimos isto pela primeira vez no programa do Vasco Granja, tendo depois se tornado um dos cartoons preferidos da RTP para dar naqueles momentos mortos entre um programa e outro, ou ainda quando a emissão parava por algum problema inesperado.