sábado, 24 de abril de 2021

... da série Uma Casa na Pradaria

 


Uma série que conquistou todos os portugueses, talvez por se reverem nas dificuldades desta família, e se apaixonarem pelas suas aventuras.

Uma Casa na Pradaria (Little House on the Prairie) era uma daquelas séries de fazer chorar as pedras das calçadas, carregadinha de drama mas sabiamente temperada com alguns momentos de humor e acima de tudo uma mensagem de união familiar e valores como a Amizade e a Honestidade.

RTP transmitiu-a no final da década de 70 e começo da década de 80, mas foi algo que nunca me interessou muito, as únicas séries do Michael Landon que eu gostava eram o Bonanza ou o Um Anjo na Terra. Foi aquando da sua repetição na SIC Gold que pude apreciar mais esta série e ficar completamente viciado nela, os dramas aguentam-se bem no meio daquele elenco maravilhoso de actores, e a cumplicidade que eles transmitem para o público.

Foi transmitida pela NBC entre 1974 e 1983, com 9 temporadas e cerca de 203 episódios adaptados dos livros Little House de Laura Ingalls Wilder. Comprei os dvd's que saíram por cá, e só tenho pena do preço salgado que essas edições tiveram e especialmente a má qualidade de imagem dessas edições.

Charles Ingalls (Michael Landon) e a sua esposa Caroline (Karen Grassle) decidiram pegar nas suas filhas Mary (Mellisa Sue Anderson), Laura (Mellisa Gilbert) e Carrie (Lindsay e Sidney Greenbush) e tentarem a sorte em Walnut Grove, uma localidade onde puderam construir uma pequena casa e uma quinta onde viviam com dificuldades mas sempre de uma forma honrada e honesta.


Charles era um trabalhador por natureza, para além do trabalho na sua quinta, começou logo a procurar emprego na cidade e fazia de tudo um pouco, mesmo sendo enganado em algumas ocasiões e recebendo muito pouco por esse mesmo trabalho. Honesto e amigo do seu amigo, fazia de tudo para ajudar alguém em apuros e para proteger a sua família com a ajuda da sua esposa Caroline que partilhava destes ideais e era uma exímia cozinheira.




Como já disse, gostava muito dos momentos de humor  que apareciam nos episódios,  e a comédia maior vinha da família Oleson, que era proprietária do "supermercado" da cidade e tinha um estilo de vida acima das possibilidades dos Ingalls, algo que a Senhora Harriet Oleson (Katherine MacGregor) fazia questão de esfregar na cara de Caroline, muito para desagrado do seu marido Nells (Richard Bull), que tinha outra educação e sentido moral,  chegando a sentir inveja do amor que existia na família Ingalls.

Esta rivalidade era transporta para os mais novos, a Nellie (Alison Arngrim) era uma menina mimada que tinha inveja da inteligência da filha mais velha dos Ingalls, a Mary, e de todos preferirem estar com elas mesmo eles sendo pobres. Já o filho Willie (Jonathan Gilbert) pegava-se com a Maria Rapaz que era a Laura Ingalls, muitas das vezes instigado por Nellie que também não gostava nada de Laura. Outro foco de humor vinha do amigo de Charles, Isaiah Edwards (Victor French) e de alguns dos habitantes da cidade como o bom médico Hiram Baker (Kevin Hagen) ou   o bondoso Reverendo Robert Alden (Dabbs Greer).

Mas a série retratava as dificuldades daquela altura, em especial como quando a natureza estragava as colheitas e obrigava as famílias a procurar outros rendimentos. Existiram episódios onde Charles teve que viajar e procurar empregos perigosos como o de transportar Nitroglicerina, de modo a poder sustentar a sua família. Amor, Família, Amizade, Alcoolismo, Deficiências físicas, diferenças raciais, de tudo um pouco era abordado de uma forma séria, mas ao mesmo tempo muito humana e leve, podendo ser vista por toda a família e servindo como uma boa lição. Era também interessante ver a relação entre Charles e Laura, muito unidos e sempre em grande destaque.

Adorava os episódios que envolviam os Oleson, em especial um em que ambas as famílias disputam várias provas numa feira da cidade, ou aqueles em que Charles conseguia saldar a sua dívida no mercado para regozijo de Nels e arreliação de Harriet. É uma série que aconselho a todos, já que ao longo das temporada soube sempre se reinventar bem com a adopção de meninos por parte da família Ingalls e do casamento das suas filhas mostrando assim o seu crescimento e amadurecimento.









quinta-feira, 15 de abril de 2021

... dos Cigarrinhos de chocolate

 



Quem nunca fingiu fumar com um destes? Parecíamos todos mais cool, com mais estilo. Mas eram outros tempos.

O tempo do politicamente incorrecto, onde era possível colocar uma criança a fingir que fuma num pacote de cigarrinhos de chocolate, para aliciar a sua compra.

Nos anos 70 ainda era considerado chique fumar, era ver os homens um pouco por todo o Mundo (Portugal e Brasil não foram excepção) a fumar em cadeia. Foi por isso normal que ninguém levasse a mal quando alguém se lembrou de colocar no mercado uns cigarrinhos de chocolate de leite, para qualquer criança poder imitar o seu pai (e quem não gostava de fazer isso?) mas em vez de colocar um cigarro na boca, podia então "deliciar-se com este pedaço de chocolate enrolado e fingir que fumava. As aspas são por causa da qualidade deste chocolate, que não era da melhor.

No Inverno lembro-me de tudo fingir que soprava o fumo deste "tabaco", usando a condensação do hálito que o ar frio permitia, o que nos fazia ter mais pinta. Era comum ficarmos com este cigarro na boca quase até o chocolate derreter, só para o estilo, e só depois é que comíamos. A marca PAN foi uma das mais populares, com as suas embalagens com um menino negro e outro branco a darem um ar de fumantes e a entusiasmarem-nos a usá-lo daquela forma.

Curiosamente nem todos os que andavam com isto viravam fumadores, provando por isso que o politicamente incorrecto dos anos 70 e 80 não era assim tão descabido, dependia um pouco da educação e do bom senso incutido em nós pelos nossos progenitores.







quinta-feira, 8 de abril de 2021

... da série Pretender

 


Era a minha série preferida, todas as sextas eu fazia de tudo para não perder um episódio, já que adorava o seu conceito.


TVI (ou o 4º canal como era conhecido na altura), no seu começo enchia o horário nobre com séries, todos os dias da semana era uma diferente e à Sexta-Feira era o dia do Pretender. Era completamente viciado nesta série, com um protagonista cheio de carisma, já que não é qualquer um que vende a ideia de todas as semanas ser um Ás nas mais diferentes profissões, desde Médico a piloto de carros de corrida.

Jarod (Michael T.Weiss) era um jovem que tinha sido raptado enquanto criança por uma organização chamada The Center. Esta impediu-o de ter uma infância normal, fechando-o num quarto e criando-o para que este se tornasse um Pretender, alguém com capacidade de integrar qualquer tipo de personalidade, tornando-se um expert em qualquer tipo de área profissional. Com o seu elevado QI e capacidades acima da média, ele revelou-se uma escolha ideal para este tipo de trabalho desde tenra idade.

Quando ele descobre que as suas habilidades eram usadas para experiências com um objectivo maléfico, decide fugir do Center e começar uma viagem pela América, ajudando pessoas no seu caminho, tentando descobrir o destino de seus pais e redescobrindo a infância que tinha perdido. Alguns dos momentos mais engraçados dos episódios, eram quando Jarod encontrava alguma criança a brincar e ficava fascinado com aquele brinquedo, mesmo que fosse algo básico como aquela típica mola elástica para colocar a descer escadas, e viciava-se nele com os olhares espantados pelas suas reacções.


A série tinha bastante acção e um feeling "Fugitivo", já que era mostrada a perseguição de agentes do Center, com a Miss Parker (Andrea Parker) à cabeça, a um dos seus activos mais valiosos e onde tinham gasto tanto tempo e dinheiro no seu treino. O maléfico Mr. Raines (Richard Marcus) era uma figura assustadora, completamente careca e tendo que transportar uma garrafa de oxigénio consigo devido a problemas de saúde, que queria a todo o custo Jarod de volta.

A ajudar a Miss Paker encontrávamos o típico sidekick cómico, um nerd inteligente viciado em computadores chamado Broots (Jon Gries) que morria de medo de Miss Parker, mas que gostava do seu trabalho, e ainda o psiquiatra Sydney (Patrick Bauchau), que tinha sido como um pai para Jarod e que mantinha contacto às escondidas com o seu protegido que o procurava para conselhos. Sydney tem sentimentos paternalistas e nunca se esforça muito nesta procura pelo regresso de Jarod, embora no fundo também queira isso no começo.

As duas primeiras temporadas são bem interessantes, mostram profissões interessantes para o Jarod, a sua loucura sempre que encontra um brinquedo novo e o gosto que lhe dá escapulir e brincar com a vontade de Miss Parker o prender. A série depois complica um pouco, com twists sobre quem é mau e é bom, sobre relações familiares com descobertas de irmãos e afins, e começa  ter muitas pessoas no elenco, o que numa série com feeling "Fugitivo" nunca é boa coisa.

A série teve 4 temporadas e foi cancelada sem ter tido um final certo, foram então filmados dois telefilmes que ajudaram a pelo menos fechar as storylines da série. Foram 86 episódios, de 1996 a 2000, tendo sido transmitidos pela TVI às Sextas pelas 21h30 começando em 1997. Mais tarde o canal voltou a transmitir isto de madrugada.











sexta-feira, 2 de abril de 2021

... da Nota de 5.000 escudos Antero de Quental

 


5 Contos era já uma pequena fortuna nos anos 80, e ainda era assim na década de 90, quando surgiu esta.


A primeira nota saiu de circulação em 1992, entrando para o seu lugar esta com o Antero de Quental. Esta nota era do mesmo tamanho da sua antecessora, 170 mm x 75 mm, mantendo assim a imponência que o seu valor exigia, e no verso tinha algo que algo simbolizava o esforço conjugado da Liberdade e Trabalho. Tinha uma cor esverdeada, e apesar de continuar a ser muito valiosa quando apareceu pela primeira vez, a 7 de Agosto de 1987, esta já não era tão rara de aparecer nas mãos dos adultos, e em algumas raras ocasiões até podíamos ter a sorte de receber uma.

Lembro-me bem de um dia em que ao andar na rua com os meus pais no típico passeio de Domingo, encontrei uma toda enrolada no passeio e a qual me deixaram ficar com ela para poder gastar como quisesse. Isto em 1988 fazia-me sentir como o homem mais rico do mundo.

A nota só foi retirada de circulação em 1996, quando infelizmente pegou a moda em Portugal de se ter notas muito pequenas e com aquela coisa de terem um símbolo que brilhava aquando se aproximava da luz.