sábado, 10 de julho de 2021

... do filme Os Deuses devem estar loucos

 







Os Deuses devem estar Loucos (The Gods must be Crazy) foi um dos grandes sucessos do cinema dos Anos 80, um filme simples sem uma grande história ou grandes efeitos mas que deliciou o público e foi um sucesso de bilheteira.




O filme foi escrito e realizado por Jamie Uys, e apesar de ter sido uma produção de África do Sul, foi lançado como se fosse do Botswana devido ao embargo Internacional à África do Sul. Foi lançado em 1980 e anos mais tarde saiu uma sequela, não tão divertida, que me lembro de ir ver ao mítico cinema Oxford.

O filme mostra a história de Xixo, um bosquímano do Kalahari (protagonizado por N!xau, um fazendeiro Namibiano) cuja tribo não tinha contacto ou conhecimento do mundo além desta. Quando um avião passou pela tribo deixa um presente inesperado, uma garrafa de vidro de Coca-Cola. Inicialmente esse artefacto estranho parece ser um presente dos deuses, com muitos usos a serem descobertos, mas só ajudou a gerar conflitos devido a só existir um frasco para dividir entre todos da tribo. Decide-se então que este deve ser jogado fora do planeta. Xi oferece-se para a tarefa e e é nesta viagem que a diversão começa, quando ele encontra membros da civilização ocidental pela primeira vez. O filme apresenta uma visão diferente da civilização vista por Xi.

Xi acidentalmente encontra um lugar chamado Janela dos Deuses, atirando a garrafa de lá. Aquela região está entre as escarpas das terras altas da África do Sul. Xi descobriu que havia uma camada contínua de nuvens que obscureciam a paisagem, dando uma ilusão e convencendo Xi de que era ali que ele devia jogar o frasco.

Era um filme clássico para as matinés de Domingo, dava para toda a família divertir-se e rir com as desventuras daquele homem ingénuo que caía sempre em situações hilariantes. Apesar do filme render mais de 100 Milhões de Dólares, ele recebeu pouco menos que 2000 Dólares, mas mais tarde o realizador corrigiu esse erro dando-lhe mais dinheiro e uma mesada até a sua morte.











domingo, 4 de julho de 2021

... do Capitão Planeta

 




Ainda sou do tempo em que não havia muita preocupação com coisas como reciclagem, ecologia e protecção do ecossistema, mas no começo da década de 90 isso tudo começou a mudar. 

Havia uma intenção de nos incutir essa preocupação desde crianças, e para esse efeito foi criado um desenho animado cheio de acção, cores e com uma forte mensagem ecológica. Em 1991 no Canal 1 pelo Sábado de manhã, surgiu Capitão Planeta e os Planetários (Captain Planet and the Planeteers) na sua versão original e com legendas.

O magnata Ted Turner utilizou a sua produtora, Turner Program Services, e em conjunto com a DIC Entertainement idealizaram o cartoon que iria ser transmitido no seu próprio canal, TBS, em Setembro de 1990 e duraria até Dezembro de 1992, com bastante sucesso a nível mundial. O programa primava pelo politicamente correcto, promovia a união entre povos, o civismo, a ecologia e no final de cada episódio existia sempre uma moral a exaltar isso mesmo. Foram 6 séries com 113 episódios, as últimas 3 tiveram a colaboração da Hanna-Barbera e não atingiu o sucesso das primeiras 3.

O genérico era fantástico, deixando-nos logo entusiasmados. A história mostrava como Gaia, espírito da terra e com a voz da estrela Whoopi Goldberg, era incomodada no seu descanso pelas perfurações constantes de Hoggish Greedly (Ed Asner), e decidiu que era altura de começar a combater esta ganância Humana criando para isso cinco anéis, que podiam controlar os elementos da Natureza, distribuindo por 5 jovens do planeta.



Kwane (Levar Burton) vinha de África, e possuía o poder da Terra o que lhe ajudava a proteger toda a vida Vegetal com a qual sentia uma grande afinidade. Acaba por ser o líder do grupo e é muitas vezes a voz da razão quando as coisas fogem do controle em especial quando Wheeler (Joey Dedio), o Norte-Americano que tinha o anel que controlava o Fogo, e que "fervia" em pouca água. Wheeler era o que tinha menos conhecimento sobre ecologia e o cuidado que se devia ter com a Terra, achando sempre que o que nós fazemos não afecta assim tanto o planeta, funcionando também como o alívio cómico do programa.

GI (Janice Kawaye) vinha da Ásia e tinha o poder sobre a Água, o que tinha sentido já que era uma Bióloga Marinha, e preocupava-se em demasia com os Animais, marítimos ou não. Linka (Kathie Soucie) controlava o Vento e vinha da Rússia e era bastante inteligente sendo sempre a pessoa que inventava os planos e estratégias do grupo. Sofria constantes avanços por parte de Wheeler que tinha uma paixoneta por ela, mas os recusava sempre apesar de aparentar sentir algo por ele também.

Por fim Ma-Ti (Scott Menville) vinha da Floresta Amazónica no Brasil e tinha o poder do Coração, que promovia compaixão e simpatia pelo Planeta podendo ainda comunicar telepaticamente com os animais. Quando eles todos usavam os seus anéis em conjunto com a frase, "Let our powers combine", criavam um Super-Herói chamado Capitão Planeta (David Coburn) que podia assim derrotar mais facilmente os vilões que aterrorizavam o nosso Planeta.



Esse grupo de Vilões actuava sozinho normalmente, e cada um representava um perigo ecológico de modo a poder chamar a atenção para essa questão. Para além disso, cada um tinha a voz de uma estrela de Hollywood, o que ajudava a chamar a atenção para o desenho animado (não era muito habitual na altura esses voice-overs) e assim para a mensagem Ecológica. Hoggish Greedly (Ed Asner), era um humano com um ar de Porco e que representava a ganância e o perigo de consumirmos em demasiado a energia e os recursos naturais. Já Sly Sludge (Martin Sheen), era um tratador de resíduos sem escrúpulos e ignorante que mostrava os perigos de se pensar apenas a curto prazo.

Verminous Skumm (Jeff Goldblum) era uma criatura tipo Rato, que representava a falta de higiene e o crime mas mesmo assim ficava atrás da criatura que era Duke Nukem (Dean Stockwell), um doutor que se transformou numa criatura poderosa radioactiva provando assim os perigos da energia Nuclear. Era também o único que conseguia enfrentar quase de igual para igual o Capitão Planeta.

Como em muita coisa dos anos 80, apareceram os vilões que eram contra-parte dos Heróis. Tínhamos Zarn (Sting) que era outro espírito da Terra mas que representava a Guerra e a Destruição, e ainda um Capitão Poluição (David Coburn) que tinha super poderes e dava bastante trabalho ao nosso Super Herói. Também ele era invocado por anéis usados pelos vilões e que representavam perigos ecológicos.

Apesar da moral no fim, eu era fã deste programa, era bem animado e colorido e sempre que os 2 Capitães se enfrentavam a coisa ganhava um ritmo frenético e com a acção necessária para prender alguém ao ecrã. Hoje nota-se que envelheceu um pouco mal, são demasiados clichés e uma animação um pouco "presa" de movimentos. Isso não é o suficiente, apesar das boas mensagens que o programa passa e o elenco de estrelas que o compõe.












terça-feira, 29 de junho de 2021

... do Sítio do Picapau Amarelo

 




O Sítio do Picapau Amarelo foi um dos melhores programas infantis já produzidos, ainda hoje é lembrado com saudade pela qualidade das histórias de Monteiro Lobato e do elenco que interpretou este fantástico universo.

A série que nos lembramos melhor foi a quarta tentativa de colocar na Televisão todo o imaginário de um dos melhores escritores de livros infantis do Brasil, o autor Monteiro Lobato. Teve produção da Rede Globo sendo transmitido durante 9 anos, desde 1977 a 1986, com 1.436 episódios produzidos, e que foram transmitidos pela RTP a partir de 1981 e ao longo da década de 80.

O elenco teve diversas alteração ao longo do tempo, mas isso não impediu o sucesso e a química que existia entre grande parte deles. Lembro-me de ver isto aos Sábados de manhã na RTP 1, de achar que a Dona Benta era uma Avó para todos, que o Visconde Sabugosa era como um tio porreiro e que a Cuca metia um medo do caraças.

A acção desenrolava-se no Sitio do Pica-Pau Amarelo, onde viva a Dona Benta (Zilka Salaberry), uma velhota simpática e muito acessível . Mas ela não é a única habitante do Sítio, também podíamos ver lá a Tia Anastácia (Jacyra Sampaio), que tratava dos cozinhados da casa, e a sua neta ,Lúcia, mais conhecida como Narizinho (Rosana Garcia até 1980, Daniela Rodrigues de 81 a 82, Izabella Bicalho de 83 a 84 e Gabriela Serra de 85 a 86). Para além delas também viviam por lá o velho Tio Barnabé (Samuel dos Santos) e os seus ajudantes Zé Carneiro (Tonico Pereira) e Malazarte (Canarinho), responsáveis pela manutenção do sítio.

A Narizinho era uma criança que se sentia muito sozinha mas que tinha muita imaginação, e por isso cria um mundo de fantasias, no qual a personagem principal é a sua boneca Emília (Dirce Migliaccio em 1977, Remy de Oliveira de 78 a 82 e Suzana Abranches de 83 a 86), feita pela Tia Anastácia com restos de panos.

Um dia Narizinho conhece o Príncipe Escamado do Reino das Águas Claras, que fica encantado com a menina e a convida para conhecer o seu reino, que por coincidência, fica localizado no ribeirão do sítio. No reino, Narizinho conhece entre outras personagens o Doutor Caramujo, um cientista, que dá a Emília a pílula falante que a permite falar depois de a ter ingerido.

Uma das melhores coisas da série, ou seriado já que os episódios eram apresentados em vários arcos com as histórias a começarem e a terminarem num determinado número de episódios, era de que a realidade e fantasia se confundiam e ali tudo era possível. Não conseguíamos perceber o que era real ou fruto da imaginação, já que por vezes as coisas pareciam se fundir e colocar mesmo em perigo diversas personagens.

O primo Pedrinho (Júlio César até 1980, Marcelo José de 81 a 84 e Daniel Lobo de 85 a 86), que estuda na cidade grande onde vive com a sua mãe, vinha nas férias escolares para brincar com a sua prima Narizinho. O Menino também tem um amigo feito pela tia Anastácia, o Visconde de Sabugosa (André Valli), feito de uma espiga de milho velha que também ganha vida, e que tinha uma admirável sabedoria, por ter sido esquecido durante muito tempo no meio dos livros, tornando-se assim intelectual e cientista.


Duas grandes personagens tomavam conta da série, o Saci Pererê (Romeu Evaristo) e a maligna Cuca (Dorinha Duval em 1977 e alguns episódios em 1980, Stela Freitas de 78 a 80, Catarina Abdala de 81 a 84 e Rosana Israel em 1986), que nos assustava a todos com os seus planos para maltratar os dois meninos. A Cuca Vai pegar e o Minotauro são dois dos melhores episódios da série, e foram repetidos diversas vezes pela Globo e pela RTP, devido ao sucesso desses episódios junto do público.

Em 1979 a Unesco elegeu o programa com um dos melhores programas infantis do mundo, e a Globo editou alguns dos episódios mais populares (como os que falei acima) em DVD sendo sempre um sucesso absoluto em vendas. Havia algumas diferenças em relação aos livros, como os cabelos da boneca Emília e o facto de na TV não usarem o pó perlimpimpim, que era o que as crianças utilizavam para navegar de um mundo para o outro na versão escrita da obra.

 Uma série brilhante que puxava pelo nosso imaginário e nos divertia como muitos programas de maior orçamento não o conseguiam.

Em 2001 foi feita uma nova série, que durou até 2007, tendo passado na SIC, e teve relativo sucesso por cá com vário merchandising a ser vendido um pouco por todo o lado. Em 2012 foi produzido uma série animada, que esteve no ar durante 4 anos.







quinta-feira, 24 de junho de 2021

... do Gelado O Dedo

 

foto de anúncio brasileiro

Existem produtos que aparecem e ficam para sempre na nossa memória, por mais fugazes que sejam, e este gelado em forma de dedo é um bom exemplo disso.


A Olá nunca teve receio de inovar ou de colocar novos sorvetes à venda todos os anos, e em 1981 aparecia no cartaz dos produtos da marca algo muito diferente do que estávamos habituados, um gelado em forma "humana", como se fosse uma mão fechada com um dedo esticado.

Custava 15 escudos e era um daqueles que agradavam à petizada, quer pelo seu aspecto, quer pelo seu sabor. Afinal e sempre seguro fazer algo com sabor a Morango, é sucesso garantido. Lembro-me que gostava bastante dele, mas não me recordo completamente como é que ele "era", mas presumo ser um daqueles que era mais gelo que sabor. Tinha direito a um anúncio de televisão e tudo, com uma música toda mexida.

No Brasil também teve sucesso, e reproduzo em baixo o cartaz deles.



foto do Mistério Juvenil

foto do site Muzeez




domingo, 13 de junho de 2021

... da Balada de Hill Street

 


Uma série de excelência, com um grande elenco e uma música de genérico fantástica.


A produtora MTM contratou os escritores Steven Boccho e Michael Kozoll para escreverem uma série para a NBC.  A Balada de Hill Street (Hill Street Blues) abordava o dia a dia de uma Esquadra numa das zonas mais complicadas da cidade, abordando os conflitos profissionais e pessoais de quem trabalhava junto lado a lado numa das profissões mais complicadas de sempre. Foram 7 temporadas entre 1981 e 1987 num total de 144 episódios, e por cá a RTP transmitiu a mesma em pleno horário nobre. Uma série altamente premiada e elogiada pela crítica, recebendo 8 Emmys na sua primeira temporada, um recorde só batido por West Wing anos mais tarde.

Nas primeiras temporadas duas coisas eram comuns, no começo de cada episódio era mostrado o "Roll Call", uma chamada ao serviço onde o Sargento explicava os pontos mais importantes do seu dia de trabalho, e no final de cada episódio tínhamos o Capitão Furillo e a promotora pública Davenport a discutir o seu dia de trabalho numa situação doméstica normal (normalmente na cama, antes de dormirem).

A série vivia dos seus carismáticos personagens, para além de nos mostrar situações sociais e reais de uma forma sóbria e utilizando linguagem simples e urbana. Por vezes até abusando do "calão" e da "gíria", para percebermos as situações todas das gangues e do crime naquela cidade. E foi mais uma daquelas séries que tinha um genérico fantástico que nos fazia logo ficar excitados ainda antes do episódio começar a sério (por norma o roll call era antes disso).


Muitos adoravam o Detective Belker (Bruce Weltz) que estava quase sempre em missões à paisana e vestido quase como um mendigo e com a barba por fazer. Para além disso fervia em pouca água e adorava morder como um cão os suspeitos que não cooperavam muito com a polícia. Outros gostavam do calmo e sereno Sargento Esterhaus (Michael Conrad) que dirigia a chamada (roll call) pela manhã e que era visto por todos como o "pai/avô", aquele que transmitia a calma e tinha os conselhos que necessitavam. A morte do actor que o representava levou à substituição (óbvia) da personagem na série.

O Capitão Frank Furillo (Daniel J. Travanti) era a pessoa que comandava este grupo de profissionais, um homem honesto e com bom senso para as decisões complicadas que por vezes tinha que tomar. Tinha que aturar a sua ex-mulher, Fay Furillo (Barbara Bosson) que aparecia constantemente para o chatear e o Chefe Fletcher Daniels (Jon Cypher) que não concordava com muitas da suas opiniões, mas acabava por respeitar as convicções de Furillo. A promotora pública Joyce Davenport (Veronica Hamel) era chamada constantemente à esquadra e tinha algumas divergências com alguns dos seus polícias pela forma como tratavam os suspeitos, e isso complicava também a relação amorosa que mantinha com Furillo.

Mas eram muitas as personagens para gostarmos nesta série, tínhamos a dupla polícia negro-polícia branco que eram Bobby Hill (Michael Warren) e Andy Renko (Charles Haid) que se metiam constantemente em sarilhos, o louco por armas Howard Hunter (James B. Sikking) que comandava a SWAT ou o super calmo negociador Henry Goldblume (Joe Spano) que tentava sempre acalmar as coisas e encarava a vida de forma mais serena. Tínhamos ainda também a mulher polícia, Lucille Bates (Betty Thomas) que tentava sobreviver numa esquadra dominada por homens ou o tenente latino Ray Calletano (Rene Enriquez) que servia basicamente como intérprete ou "arma" para acalmar os suspeitos latinos, entre tantas outras personagens.


Incrível como conseguíamos nos preocupar com todos estes elementos, percebermos os seus problemas, as suas nuances e como as resolviam. Esse era um dos maiores feitos da série, e os casos apresentados eram quase sempre interessantes, umas vezes dramáticos, outros mais cómicos e por vezes com tiroteios e muita acção à mistura. Uma das melhores séries de todos os tempos e um must see para os fãs de séries policiais.







terça-feira, 1 de junho de 2021

... do David, o Gnomo

 


Quem é que chorou com o último episódio?

Toda a criança da década de 80 conhecia o logo da BRB International, alguns dos desenhos animados mais divertidos vinham dessa produtora e o do David, o Gnomo era um bom exemplo disso.

David é um Gnomo de 15 centímetros com 399 anos que vive num bosque com a sua esposa Lisa, A história é baseada no livro do autor holandes Wil Huygen e do ilustrador Rien Poortvliet, com 26 episódios produzidos em 1985 que foram transmitidos pela RTP em 1986 aos fins de semana de manhã com dobragem em Português. Este Gnomo era um médico que dedicava a sua vida a tomar conta e a tratar dos animais do bosque, tendo que enfrentar os ataques dos Trolls, os maiores inimigos dos gnomos.

Lembro-me que gostava da calmaria que rodeava a série, era serena como a idade e sabedoria do Gnomo, e em especial lembro-me dos beijinhos que eles davam roçando os seus narizes e da tristeza que foi o último episódio da série, quando David e Lisa morrem e viram árvores no bosque onde sempre viveram.












segunda-feira, 17 de maio de 2021

... das Capas da TV Guia para filmes VHS

 

capa tirada de Enciclopediadecromos

Uma das coisas que eu mais gostava era o de colocar uma capa na cassete VHS que tinha gravado, e ter em casa o meu vídeoclube.

Ainda sou do tempo em que a pirataria era algo comum, em plena década de 80 era possível comprar cópias de jogos em muitas lojas e tínhamos ainda a TV Guia, que promovia a gravação de filmes para cassetes de vídeo com a oferta de capas para os identificar melhor.

Muitas vezes pedíamos para comprarem a revista, para ver se eles ofereciam as capas para aquele filme que queríamos gravar. Lembro-me que a dada altura, eles publicavam mais que duas capas em frente e verso, e era o cabo dos trabalhos quando queríamos gravar os dois filmes. E as capas tinham qualidade, dava gosto olhar para a prateleira e ver tudo ali bem alinhado como se fosse mesmo um videoclube. Depois era só ir a qualquer hipermercado e comprar umas quantas caixas de plástico para colocar a K7 e a capa, ocupavam mais espaço na prateleira é certo, mas havia filmes que mereciam esse esforço.

O Jumbo de Cascais era o meu lugar de eleição para isso, e o maior problema era quando se tinha que comprar caixas de cores diferentes e ficar com uma grande mistura de cores na prateleira. Por norma eu colava lá dentro imagens do que gravava junto com o filme, episódios de Simpsons, Já Tocou ou algo do género e assim ficava com uma caixa toda xpto.

Isto ainda durou um bom par de anos e começaram inclusive a aparecerem outras revistas com o mesmo tipo de oferta (mas não com a qualidade gráfica da Tv Guia). Cheguei a gravar filmes que não pretendia ter numa caixa, apenas por causa da qualidade da capa que a revista oferecia, mas por norma usava isto nos que gostava mesmo.









segunda-feira, 10 de maio de 2021

... dos Brinquedos da Pepe

 

Um clássico que atravessou gerações, muitos de nós brincaram com algum brinquedo desta empresa.

Quase todos que foram criança até a geração de 90, brincaram com brinquedos fabricados pela Pepe, uma empresa Portuguesa, que deu todo o tipo de brinquedos que uma criança podia querer para se divertir. Ainda se conseguem encontrar brinquedos desta empresa, mas está já longe do sucesso que teve noutros tempos.

José Augusto Júnior era um homem talentoso, que fabricava brinquedos em folha e madeira em 1928, abrindo na década seguinte uma fábrica que foi evoluindo e mudando de nome, até se tornar na década de 70 a maior produtora de brinquedos em Portugal. Brinquedos coloridos, com um charme próprio castiço e que todos podiam comprar, era raro o menino que não tivesse um carro desta marca, ou uma menina que tivesse um ferro de engomar, ou um acessório de cozinha de brincar da Pepe.

Máquinas de costura, tábuas e ferros de engomar, táxis, carros variados, havia um pouco de tudo para a nossa diversão. Lembro-me de ter um dos produtos "comuns" desta marca, um jovem em cima de uma pequena mota que puxava uma espécie de cesta atrás, como se fosse uma "carrinha caixa aberta", onde podíamos colocar algo e nos divertirmos a andar com aquilo de um lado para o outro.



Em 1977, e já com o nome de Pepe, começa a dedicar-se exclusivamente à produção de material feito em plástico, continuando assim pelos anos 80 com algum sucesso ainda, mesmo já com a concorrência de muita marca estrangeira e mais "apelativa". A dada altura começou a ser proibido a fabricação de brinquedos com este tipo de material, levando ao fecho da fábrica, mas não ao desaparecimento dos seus brinquedos, que costumam aparecer ainda por qualquer feira ou mercado do nosso País.

Lembro-me das minhas primas terem umas máquinas costura e umas pequenas tábuas e ferros de engomar, e de eu brincar muito com uma ambulância e a tal mota com o cesto atrás. As cores daquilo apaixonavam-me sempre, um plástico muito colorido e que fascinava qualquer criança naquela altura.














segunda-feira, 3 de maio de 2021

... do Tom & Jerry

 



Um daqueles desenhos animados intemporais, que atravessam gerações, conquistando tudo e todos.


Sou um fã da dupla de criadores William Hanna e Joseph Barbera pelas diversas horas de diversão que me proporcionaram ao longo dos anos, sendo que muitas dessas horas pertencem a uma das suas melhores criações, a dupla Tom & Jerry.

Em 1940 começaram a surgir as primeiras curta-metragens pelos estúdios Metro-Goldwyn-Mayer, e aquilo começou a pegar de tal forma que era um dos principais motivos para as pessoas irem ao cinema ver um filme, o facto de poderem ver uma animação onde um gato e um rato protagonizavam uma divertida luta. A dupla Hanna-Barbera realizou 114 curta-metragens entre 1940 e 1958, sendo que sete ganharam o Óscar da academia de melhor curta de Animação igualando assim o recorde das Silly Simphonies de Walt Disney. Eles moldaram a dupla de tal forma, que a evolução que tiveram nesses 18 anos pouco se alterou nos restantes anos. Tom (o gato) mudou a sua aparência e forma de estar e foi o que sofreu mais alterações da dupla,.ele era bastante mais peludo e quadrúpede nas primeiras aparições, algo que se foi alterando e foi ficando mais dependente de se apoiar em 2 patas como o seu adversário.

Era impressionante a forma como algo tão básico, como a perseguição entre um gato e um rato, conseguia se tornar uma experiência intensa e divertida. Existia sempre algo diferente em cada episódio e as variantes eram mais que muitas de algo que parecia ter uma premissa tão simples. A dada altura notou-se um aumento na velocidade e energia dada em cada curta-metragem, levando até a um aumento na violência das perseguições (o que muitos atribuem à entrada para os estúdios de um tal de Tex Avery).

Em Agosto de 1958 com o abrandar do interesse das pessoas nas curta metragens cinematográficas e com o sucesso da produções televisivas, os estúdios cortaram drasticamente os orçamentos para que se mantivesse uma qualidade aceitável nos episódios, levando assim à saída dos talentosos autores e a consequente mudança destes para que começassem a criar programas televisivos.




Foi a fase de ouro das personagens e alguns dos meus episódios favoritos saíram destas 114 curta-metragens. O pequeno sobrinho de Jerry como Mosqueteiro, o cão Spike e mais tarde o seu filhote, a dona de Tom e os seus ultimatos para que este apanhasse o rato, e em especial um pequeno patinho que dava cabo da paciência a ambos os protagonistas,, tudo isto chegava a atingir para mim píncaros de genialidade.

Em 1960 a MGM decidiu reviver a dupla do Gato e do Rato de modo a tentar aproveitar a onda de sucesso que as curtas dos Looney Tunes iam tendo, e encomendaram a um estúdio do outro lado da cortina de ferro (em Praga) 13 curtas-metragens. Gene Deitch entregou umas animações que podiam ser consideradas, no mínimo, bizarras com a típica imagem acelerada e efeitos sonoros algo atribulados tão típicos das animações de Leste (que podíamos comprovar no programa do saudoso Vasco Granja).

Apesar de não terem a qualidade anterior quer na animação quer na escrita, estes episódios atingiram o seu objectivo e destronaram os Looney Tunes do primeiro lugar das bilheteiras. Não consegui gostar muito desta fase, odeio o novo dono do Tom, a animação usada e os constantes diálogos em algo que devia ser quase mudo.

Em 1963 é dada a oportunidade a um dos melhores realizadores da Warner e dos Looney Tunes, Chuck Jones. Até 1967 e em 34 curta-metragens não há dúvidas que ele deixou a sua marca no legado Tom & Jerry, seja no estilo de histórias produzidas seja pelo factor de que introduziu mudanças bastante significativas no visual das personagens, especialmente em Jerry que ganhou uma cabeça muito mais expressiva em conjunto com os seus olhos. O estilo psicótico e psicadélico de Jones deu azo a algumas das minhas histórias preferidas como o episódio na praia ou o da ópera.

Em todo o caso esta dupla continua a ser dos melhores desenhos animados que já vi na minha vida, é impossível ainda hoje não soltar uma ou outra gargalhada e fiquei para sempre fã incondicional deles. A dada altura a editora Abril lançou por cá também a revista em banda desenhada que ambos estrelavam, e apesar de longe do glamour destas produções, tinha os seus bons momentos.

Por cá vimos isto pela primeira vez no programa do Vasco Granja, tendo depois se tornado um dos cartoons preferidos da RTP para dar naqueles momentos mortos entre um programa e outro, ou ainda quando a emissão parava por algum problema inesperado.














sábado, 24 de abril de 2021

... da série Uma Casa na Pradaria

 


Uma série que conquistou todos os portugueses, talvez por se reverem nas dificuldades desta família, e se apaixonarem pelas suas aventuras.

Uma Casa na Pradaria (Little House on the Prairie) era uma daquelas séries de fazer chorar as pedras das calçadas, carregadinha de drama mas sabiamente temperada com alguns momentos de humor e acima de tudo uma mensagem de união familiar e valores como a Amizade e a Honestidade.

RTP transmitiu-a no final da década de 70 e começo da década de 80, mas foi algo que nunca me interessou muito, as únicas séries do Michael Landon que eu gostava eram o Bonanza ou o Um Anjo na Terra. Foi aquando da sua repetição na SIC Gold que pude apreciar mais esta série e ficar completamente viciado nela, os dramas aguentam-se bem no meio daquele elenco maravilhoso de actores, e a cumplicidade que eles transmitem para o público.

Foi transmitida pela NBC entre 1974 e 1983, com 9 temporadas e cerca de 203 episódios adaptados dos livros Little House de Laura Ingalls Wilder. Comprei os dvd's que saíram por cá, e só tenho pena do preço salgado que essas edições tiveram e especialmente a má qualidade de imagem dessas edições.

Charles Ingalls (Michael Landon) e a sua esposa Caroline (Karen Grassle) decidiram pegar nas suas filhas Mary (Mellisa Sue Anderson), Laura (Mellisa Gilbert) e Carrie (Lindsay e Sidney Greenbush) e tentarem a sorte em Walnut Grove, uma localidade onde puderam construir uma pequena casa e uma quinta onde viviam com dificuldades mas sempre de uma forma honrada e honesta.


Charles era um trabalhador por natureza, para além do trabalho na sua quinta, começou logo a procurar emprego na cidade e fazia de tudo um pouco, mesmo sendo enganado em algumas ocasiões e recebendo muito pouco por esse mesmo trabalho. Honesto e amigo do seu amigo, fazia de tudo para ajudar alguém em apuros e para proteger a sua família com a ajuda da sua esposa Caroline que partilhava destes ideais e era uma exímia cozinheira.




Como já disse, gostava muito dos momentos de humor  que apareciam nos episódios,  e a comédia maior vinha da família Oleson, que era proprietária do "supermercado" da cidade e tinha um estilo de vida acima das possibilidades dos Ingalls, algo que a Senhora Harriet Oleson (Katherine MacGregor) fazia questão de esfregar na cara de Caroline, muito para desagrado do seu marido Nells (Richard Bull), que tinha outra educação e sentido moral,  chegando a sentir inveja do amor que existia na família Ingalls.

Esta rivalidade era transporta para os mais novos, a Nellie (Alison Arngrim) era uma menina mimada que tinha inveja da inteligência da filha mais velha dos Ingalls, a Mary, e de todos preferirem estar com elas mesmo eles sendo pobres. Já o filho Willie (Jonathan Gilbert) pegava-se com a Maria Rapaz que era a Laura Ingalls, muitas das vezes instigado por Nellie que também não gostava nada de Laura. Outro foco de humor vinha do amigo de Charles, Isaiah Edwards (Victor French) e de alguns dos habitantes da cidade como o bom médico Hiram Baker (Kevin Hagen) ou   o bondoso Reverendo Robert Alden (Dabbs Greer).

Mas a série retratava as dificuldades daquela altura, em especial como quando a natureza estragava as colheitas e obrigava as famílias a procurar outros rendimentos. Existiram episódios onde Charles teve que viajar e procurar empregos perigosos como o de transportar Nitroglicerina, de modo a poder sustentar a sua família. Amor, Família, Amizade, Alcoolismo, Deficiências físicas, diferenças raciais, de tudo um pouco era abordado de uma forma séria, mas ao mesmo tempo muito humana e leve, podendo ser vista por toda a família e servindo como uma boa lição. Era também interessante ver a relação entre Charles e Laura, muito unidos e sempre em grande destaque.

Adorava os episódios que envolviam os Oleson, em especial um em que ambas as famílias disputam várias provas numa feira da cidade, ou aqueles em que Charles conseguia saldar a sua dívida no mercado para regozijo de Nels e arreliação de Harriet. É uma série que aconselho a todos, já que ao longo das temporada soube sempre se reinventar bem com a adopção de meninos por parte da família Ingalls e do casamento das suas filhas mostrando assim o seu crescimento e amadurecimento.