terça-feira, 29 de dezembro de 2020

... do Porta-Chaves Executor com sons

 





Uma das melhores memórias da minha infância, adorava brincar com este porta-chaves que emitia sons de tiros e de bombas.

Quando era criança a ida à Praça de Cascais, vulgo mercado, às Quartas de manhã eram sempre uma boa notícia. Podia ser que conseguisse cravar um brinquedo ou uma bugiganga electrónica baratinha, e quando assim era já sabia que tinha diversão garantida. Numa dessas viagens consegui um porta-chaves electrónico que emitia sons diferentes, desde algo tipo tiros de metralhadora, ao silvo de uma bomba a cair, aqueles pequenos botões coloridos davam bom material de entretenimento para uma criança de 7 anos.

Uma das minhas brincadeiras preferidas, era agarrar nos meus soldadinhos (também comprados nessa praça) e fingir uma guerra com a banda sonora a cargo do porta chaves. Sempre que um amigo nosso tinha um porta-chaves igual era garantida uma barulheira desgraçada em guerras imaginárias com muitos tiros e bombas à mistura.

Uma das piores sensações vinha quando as pilhas começavam a chegar ao fim e o som começava a aparecer de uma forma muito manhosa. Em todo o caso é uma das melhores recordações que guardo da minha infância.














segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

... do programa Perdoa-me

 


Um dos programas que marcou o começo da SIC, conquistando audiências e lançando para o estrelato uma jovem Fátima Lopes.

Em 1994 estreava na SIC o Perdoa-me, um programa que visava conquistar uma fatia do público ainda um pouco distante da estação, o público feminino. A estação era já conhecida pela sua irreverência e originalidade, sendo por isso era um sucesso entre o público mais novo, mas o mais velho ainda estava um pouco distante do canal, e por isso decidiram enveredar pelos programas que apelavam à emoção e ao espectáculo que queria fazer chorar as pedras da calçada.

O programa foi transmitido em horário nobre a um dia da semana, e tinha como objectivo tentar reconciliar pessoas que estavam desavindas, ou até mesmo reaproximar familiares que não se falavam devido a alguma discussão do passado. O programa foi apresentado por Alexandra Lencastre e foi um sucesso absoluto, tinha público ao vivo e um cenário simples, com cores fortes como se fosse saído de uma revista Sabrina ou algo do género, juntamente com uma música calma, que ajudava a puxar pelo sentimento das pessoas de modo a realçar o que acontecia no ecrã.

Por vezes eram situações amorosas, um casal que estava chateado e um dos membros pedia ajuda então ao programa para pedir perdão à sua cara metade. Isso por vezes originava situações como alguém a cantar uma música para outra pessoa no meio do trabalho desta, ou uma entrega de ramo de flores e um pedido de joelhos por exemplo. tudo coisas que começavam a agradar às mulheres do outro lado do ecrã e assim a ajudar o canal a cimentar a liderança.

Poucos anos depois Alexandra Lencastre foi substituída por uma cara nova na estação, a Fátima Lopes, que se mostrou muito mais à vontade com o que o programa pretendia e tornou-se um dos rostos mais fortes do canal ao longo do tempo. Esteve no ar apenas 2 anos, mas foi um dos programas mais marcantes da história da estação sendo que continua a ser algo lembrado nos programas da manhã que utilizam por vezes a mesma premissa deste programa.









segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

... do filme Lagoa Azul

 

Um clássico da sessão da tarde, um filme que encantava pela sua simplicidade e que reunia a família em frente da televisão.

Lagoa Azul (The Blue Lagoon) é baseado no romance do mesmo nome de Henry De Vere Stacpoole, estreando em 1980 pelas mãos de Randal Kleiser, e lançando para o estrelato uma adolescente de 14 anos de seu nome Brooke Shields. Ela e o outro protagonista, Christopher Atkins, apareciam nus em muitas cenas, o que causou alguma polémica na altura, com a actriz a usar o cabelo dela sempre por cima dos seios, de modo a evitar mais problemas.

O filme é passado no período Vitoriano, e mostra o naufrágio de 2 primos que ficam isolados numa ilha enquanto crianças. O outro sobrevivente é o cozinheiro do navio, que ensina-os a sobreviver comendo algumas bagas e cozinhando alguns animais, para além de mostrar como podiam construir cabanas rústicas que os abrigassem dos elementos. Quando este morre, os 2 primos encaram esta aventura sozinhos e crescem juntos ali na ilha, com os desejos de adolescentes a tomarem conta deles e entregam-se um ao outro a nível sexual, apaixonando-se e tendo inclusive um filho.

O filme mostra como eles crescem na ilha, com ele a querer sempre sair da Ilha, e ela já sem muito interesse nisso. O filme vive da imagem e a ilha é fantástica, a banda sonora ajuda a que o filme não saia muito daquele estilo de romance e aventura, o que agradava a quase todos menos aos rapazes. 

Eles acabam por ser salvos, e o filme continua ainda hoje como um daqueles marcos de filmes juvenis que todos devem ver em família.










sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

... da Novela Vamp

 


Uma novela que conseguiu conquistar o público adolescente, que já não estava muito interessado em novelas, misturando humor, acção e mistério.

Vamp foi mais uma produção da Rede Globo (de Antonio Calmon), que foi transmitida no horário das 19 horas entre 15 de Julho de 1991 e 8 de Fevereiro de 1992, num total de 179 episódios. Por cá só passaram 130 episódios no segundo canal da RTP, pelas 18 horas, um horário pouco comum por cá.

Em Armação dos Anjos, litoral do estado do Rio de Janeiro, o capitão reformado Jonas Rocha (Reginaldo Faria), viúvo com seis filhos, casa-se com a historiadora Carmem Maura (Joana Fomm), também viúva e com seis filhos. Eles vivem problemas inéditos após a chegada da famosa cantora Natasha (Claudia Ohana), para a gravação de um clipe.

Natasha, uma cantora de rock, vendeu sua alma ao terrível conde Vladymir Polanski (Ney Latorraca), chefe dos vampiros, para brilhar na carreira. Mas ele descobre que em encarnações passadas ela era Eugênia, o seu amor, que preferiu ficar com Rocha, a outra vida do capitão Jonas. O conde passa então a perseguir Natasha e a família do capitão, inclusive usando de seus poderes para envolver Carmem Maura.

Natasha, por sua vez, quer destruir Vlad para se livrar da maldição. A única arma de que dispõe para isso, é a Cruz de São Sebastião, que está escondida em algum lugar em Armação dos Anjos. A cruz deve ser manejada por um homem chamado "Rocha". O herói é portanto o capitão Jonas.

Também está em Armação o bandido Jurandir (Nuno Leal Maia), fugindo de Cachorrão (Paulo Gracindo), um líder de marginais que Jurandir assaltou por engano. Na cidade, ele se esconde nas vestes de um padre, fica amigo da garotada e recebe o apelido de "Padre Garotão". A batina, no entanto, não é tropeço para seu louco namoro com Marina, a protegida de Cachorrão.

Ohana está muito bem nesta novela, mas o que eu gostava mais era de ver o actor Otávio Augusto, que dava vida a um Vampiro frouxo só com um dente. Eram muito engraçadas as suas cenas, especialmente quando estava ao lado da actriz com quem ele fazia par amoroso. 

Em 2017 foi produzido um musical, que também teve sucesso entre os mais novos, e reunia os dois protagonistas. Lembro-me que havia muitos no Liceu a comentar esta novela, que nos conquistava com o seu tema sobrenatural, mas sobretudo por ter muita comédia à mistura.











segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

... do Wiily Fog

 


Mais um desenho animado da BRB, que fez sucesso no nosso país, adaptando a história de Júlio Verne.


Em 1983 foram produzidos 26 episódios de 
Willy Fog (A Volta ao mundo do Willy Fog), uma criação de Claudio Biern Boyd que se baseava no livro "A volta ao mundo em 80 dias" de Júlio Verne. A produtora Espanhola BRB  International S.A. uniu-se à Nipónica Nippon Animation para produzir esta série que teve assim realizadores Espanhóis e Japoneses.

Lembro-me de ver isto nos finais de tarde a um dia da semana, numa altura que também davam desenhos animados nesse horário, e de me divertir bastante com aquele genérico em Espanhol e com as vozes em Português de nomes como Irene Cruz (Tico e Romy), António Marques (Willy Fog), António Feio (Repelão), João Lourenço (Dick e Traful) ou João Perry (Buli).

Willy Fog é um abastado inglês que aposta metade da sua fortuna com os membros de um Clube a que pertence, em como é possível dar a volta ao mundo em 80 dias. Isto tudo em 1872, na cidade de Londres, algo que soava completamente louco e impossível de se concretizar.

O pior foi quando um dos membros do Clube, o Sr. Sullivan, decide estragar os planos de Willy Fog e contrata um bandido (o Traful) para seguir Fog e atrapalhar de tal modo a sua viagem de forma a impedir este de fazer a volta ao Mundo. Para além disso, Willy Fog é suspeito de roubar um banco em Londres e acaba por ser seguido durante a sua viagem pelos agentes Dick e Buli. Mas Fog conta com a ajuda dos seus amigos e empregados Repelão e Tico. Fog passa por vários Países como a França, Itália, Japão,e é na Índia que conhece a princesa Romy que acaba por se tornar mais tarde na sua noiva.

A série estreou em Portugal em Outubro de 1984, dobrada em português com direcção do actor e encenador João Lourenço. A série voltou a repetir mais tarde e durante alguns anos nos dois canais da RTP, divertido diversas gerações com as aventuras e desventuras de mais um grupo de animais antropomórficos em que Fog era um Leão, e muitas das personagens eram outros animais de origem felina.

Gostava do estilo calmo e ponderado de Fog, que ao mesmo tempo era muito corajoso e não se deixava abater pelos obstáculos que lhe surgiam. Depois era sempre divertido ver as tropelias dos seus empregados, que funcionavam ali como alívio cómico e ajudavam a aligeirar a série. Em 1993 foram produzidos mais episódios baseados em outros livros de Verne, mas não tinham o mesmo carisma e encanto desta primeira tentativa.










segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

... da série Sandokan

 


Uma das séries com mais sucesso no nosso país, conquistando tanto o público feminino como o masculino.

Havia séries que se tornavam tão populares que davam origem a brincadeiras no recreio da escola, e Sandokan é uma dessas séries. A história do Pirata charmoso e aventureiro agradava ao público feminino mais velho, e apelava também ao público masculino mais novo, que via ali um exemplo a seguir e uma boa ideia para brincadeiras de recreio.

Sandokan era baseado nos livros de Emílio Salgari, conseguindo captar o espírito dos livros e levando assim as aventuras do Tigre da Malásia para o pequeno ecrã. Kabir Bedi foi o actor que deu vida ao pirata, o actor Indiano foi escolhido pela RAI para estrelar a mini-série que estavam a produzir para as estações de Televisão de toda a Europa. A série teve 6 episódios, produzidos em 1976 e transmitidos pela RTP por diversas ocasiões na década de 70 (ainda a preto e branco) e na de 80 (a P&B e a Cores também), na sua versão original e com legendas em Português.

A série foi gravada em localidades de extrema beleza na Malásia e no Bornéu (como eram descritos nos livros), e mostravam as aventuras de Sandokan, um membro da realeza que vítima de uma traição vê-se fora do seu trono, e vira então um pirata aventureiro que todos temiam. Foi mais uma daquelas séries com um genérico fenomenal, que marcou todos os que a viram e que ainda hoje a sabem cantar mal ouvem os primeiros acordes.

Para além de tudo isto foi editada uma caderneta (com 300 fotogramas da série), que ajudou a popularizar ainda mais a personagem junto dos mais novos que para além de quererem brincar como se fossem este temível Pirata, sabiam também cantarolar uma cantilena infantil a brincar com o Sandokan e o facto de não usar cuecas nem sutiã.