quinta-feira, 29 de outubro de 2020

... da série Modelo e detective

 


Hoje relembrar uma série de bastante sucesso no nosso país, que misturava acção, comédia e romance.

Nos anos 80 era comum existirem séries no horário nobre da RTP, e muitas vezes nem as podia ver, já que passava hora de me deitar, mas em algumas noites conseguia apanhar um bocado, e ficar interessado na mesma. Modelo e Detective foi uma dessas séries, uma comédia que nos deu a conhecer aquele que se viria a tornar uma estrela dos filmes de acção, o Bruce Willis.

Modelo e Detective (Moonlighting no original e A Gata e o Rato no Brasil) teve 5 temporadas, entre 3 de Março de 1985 e 14 de Maio de 1989, com 84 episódios que ajudaram a consolidar e lançar as carreiras de Bruce Willis e Cybill Shepperd. É considerada a primeira série do género Dramedy (Comédia e Drama).

Foi transmitido pela RTP a um dia qualquer da semana na segunda metade da década de 80, na sua versão original e com legendas em Português, tendo algum sucesso entre o público Português.. No Brasil fez um enorme sucesso na sua versão dobrada e com um nome muito caricato, A Gata e o Rato, que acaba por se adequar bem ao que acontecia no decorrer da série.

Afinal foi a relação entre os 2 protagonistas que tornou o programa um sucesso junto do público, existia sempre uma tensão romântica, e até sexual, entre os 2 actores, sempre com algum humor à mistura.

A série mostrava como a ex-Modelo Maddie Hayes (Cybill Shepperd) dava a volta à sua vida depois de ir à falência, e como começou a olhar melhor para algumas empresas que detinha, como a agência de Detectives chefiada por David Addison (Bruce Willis).

Para além destes dois, o programa dava destaque ainda a Agnes DiPesto (Allyce Beasley), a recepcionista tímida e leal e a Herbert Viola (Curtis Armstrong), um temporário algo desastrado que acaba por ganhar um espaço próprio na agência. Os dois acabaram por se juntar, isso foi usado pelos argumentistas como forma de dar mais destaque aos dois, e a evitar a tensão que existia no estúdio devido à má relação pessoal entre Willis e Shepperd, que começava também a notar-se na química entre os 2 no pequeno ecrã.

A Fantasia era algo comum nesta série, vários episódios foram produzidos de forma elaborada para representar uma fantasia com o elenco do programa. Para além disso era também comum o quebrar da barreira com o público, várias vezes fazendo alusões à vida pessoal do elenco, de problemas com a produção ou canal, etc.

O tema de Al Jarreau tornou-se um hit, ajudando ao sucesso do programa, adequando-se na perfeição ao espírito que se queria transmitir, algo leve e descontraído. Uma pena que o mesmo não acontecia nos bastidores da série, os problemas entre os protagonistas davam azo a muitas discussões, que provocavam mau estar no elenco.

Quando os dois protagonistas consumaram a relação a coisa piorou, e o facto de Willis estar mais preocupado com a sua carreira cinematográfica e Shepperd com o nascimento dos seus 2 gémeos, foi natural que o cancelamento da série fosse inevitável.

Mesmo assim marcou uma época na televisão e muitos de nós continuamos a recordar com saudades as peripécias deste casal.








quinta-feira, 15 de outubro de 2020

... das Fábulas da floresta verde

 


RTP esmerava-se nas suas dobragens em todos os seus desenhos animados nas décadas de 70 e 80, e As Fábulas da Floresta Verde foram mais um brilhante exemplo de como isso podia ajudar ao sucesso do programa.

Era mais um produto vindo de estúdios Japoneses de animação, e que eram baseados nuns livros do escritor Norte-Americano, Thorton W,Burgess,  editados entre 1910 e 1930. Foram apenas 52 episódios, produzidos entre 1972 e 1973, mas que marcaram toda uma geração. A RTP transmitiu isto pela primeira vez em 1985, mas (como em outros casos) foram repetidos por diversas vezes ao longo dessa década, chegando inclusive a ser transmitido pela RTP2 em 1994.


No Brasil foi transmitido também na segunda metade da década de 80, no canal SBT (após o programa do Bozo) e também na TV Record.

As Fábulas da Floresta Verde mostravam as aventuras de um grupo de animais de ar fofinho que viviam numa floresta, todos tentavam fugir do Raposinho (João Perry) que os queria sempre caçar e era por isso o maior inimigo do grupo. Era um bando bastante animado, e tinha entre outros as Marmotas Joca (Luisa Salgueiro) e Marta (Isabel Ribas), o Coelho Pompom (Irene Cruz), o Rato Rodolfo (José Gomes), o Esquilo Quico (José Gomes) ou o Pássaro Avelar (António Feio).

Tinha mais um daqueles genéricos que ficavam no ouvido, com uma música animada e uma letra que ainda hoje sabemos de cor..


É bom ver na floresta o sol nascer,
é bom imaginar o que irá acontecer,
são tantas amizades,
são histórias de amizades,
que vão nossos amigos animais viver.

São mil aventuras entre os animais,
fabulosas fábulas de encantar!
São mil aventuras tão sensacionais,
fabulosas fábulas que nos fazem sonhar,
que nos fazem sonhar,
que nos fazem sonhar.













quinta-feira, 8 de outubro de 2020

... dos Onda Choc

 


Uma das minhas bandas preferidas, ainda hoje sei as músicas de cor.

Ana Faria foi um nome marcante para as pessoas que cresceram nas décadas de 80 e 90, os seus projectos musicais conheceram sempre o sucesso, e era rara a criança que não teve um vinil ou um cd dela, dos Queiinhos Frescos, ou da banda que ela criou na segunda metade dos anos 80, os Onda Choc.

Foi em 1986 que surgiu esta banda infanto-juvenil, constituída por rapazes e raparigas entre os 10 e os 15 anos de idade, que cantavam basicamente covers de músicas conhecidas, muitas delas no top desse ano. Nacionais ou Internacionais. As k7's dominavam todas as praças e feiras do nosso País, e eles eram presença constante de diversos programas televisivos, sendo que a aparição anual na grande gala do Natal dos Hospitais, era um dos momentos mais aguardados pelo público infantil que seguia o programa com a sua família.

O primeiro LP saiu com o nome da banda em 1987, e atingiu logo o Disco de Ouro por vendas superiores a 20 mil unidades. Também saiu em k7, e o seu maior êxito foi a adaptação do "in the army now", chamado "Vais p'rá tropa pá" que tinha a participação da antiga banda de Ana Faria, os Queijinhos Frescos. Coloco aqui a info desse primeiro álbum retirado do excelente blog http://ondachoc.blogspot.pt

1-Azul(True Blue)-Luísa
2-Onda Choc(Letra e Música:Ana Faria)-Patrícia
3-Vais p'rá tropa, pá(In the army now)-Cecília, Maria João, Margarida, Nuno e Pedro(Participação especial dos Queijinhos Frescos)
4-Ao meu lado(Don't leave me this Way)-Ruth e Tiago
5-Contagem final(The final countdown)-João(Participação especial dos Queijinhos Frescos)

Lado B
1-Ser artista não é fácil(You keep me hangin' on)-Tiago, Margarida, Cecília, e participação especial da cantora Dora
2-Rock à moda da casa(Inclui os temas:Chiclete, Chamem a Polícia, Se cá nevasse..., Um café e um bagaço, Olha o Robot, Amor e Efectivamente)-Todos
3-Coisas com que me sinto bem(Letra e Música:Ana Faria)-Patrícia
4-Férias no Algarve(Holiday)-Pedro e Tiago
5-A nossa moda(Thorn in my side)-Cristina

Versões Portuguesa de Ana Faria
Participações especiais da Dora e dos Queiinhos Frescos

Arranjos instrumentais dos temas "Onda Choc" e "Coisas com que me sinto bem":Namouche
Coreografias:Fernanda Martins
Fotografia:Octávio Diaz
Produção:Heduíno Gomes
Editora:CBS Portugal

Elementos dos Grupo:
Cecília, Cristina, Luísa, Margarida, Maria João, Patrícia, Pedro, Ruth e Tiago. 




Em 1988 não havia criança no País que não soubesse a letra do "Na minha idade", o maior sucesso do disco com o mesmo nome que a banda lançou nesse ano, e que chegou a disco de Platina com vendas acima das 50 mil unidades. Era já um dado adquirido que a banda tinha conquistado o seu espaço, apesar de optar por músicas por vezes mais calmas, e com uma letra mais "melosa" do que a sua banda rival, os Ministars.

No ano seguinte a banda lançou 2 álbuns e conseguiu a proeza de chegar ao disco de Platina em ambos os discos. Apesar disso só o segundo dominou as rádios e a TV com uma versão própria do mega hit "Lambada". No começo da década seguinte o sucesso continuou para a banda sediada em Oeiras e, apesar de ter chegado só ao disco de ouro, foi um dos maiores marcos da banda e aquele que muitos hoje ainda se lembram das letras das músicas. O maior sucesso foi aquele que muitos associam logo a banda, "Bikini pequenino às bolinhas amarelas" que era algo muito mais animado do que o habitual repertório dos Onda Choc e até mais na linha do que os Ministars cantavam.

LP e K7

Lado A
1-Bikini Pequenino às Bolinhas Amarelas(It's bitsy teenie weenie yellow polkadot bikini)-Andreia
2-Bater, Tocar, Chamar(I'm gonna knock on your door)-Joana

3-Nada e Niguém(Nothing Compares 2 U)-Susie
4-Oh! Eh! Oh!(Cantando pela praia e dançando)(Letra e Musíca:Ana Faria)-Margarida
5-Tão Pouco Tempo!(Tears on my pillow)-Vera
6-Salvar a Terra(Tossing and turning)

Lado B
1-Começaram as Férias(It's my party)-Margarida
2-Saco Cheio(Pump up the jam)-José Pedro, Sofia, Alexandra e Ana Luísa
3-Dona Elvia(Letra e Musíca:Ana Faria)-Bruno
4-Eu já Dancei o Twist(Letra e Musíca:Ana Faria)-Filipa
5-Feitiço(La Luna)-Margarida
6-O que hei-de ser?(Sempre, Há sempre alguém)

Mini K7

Lado A

1-Bikini Pequenino às Bolinhas Amarelas(It's bitsy teenie weenie yellow polkadot bikini)-Andreia
2-Eu já Dancei o Twist(Letra e Musíca:Ana Faria)-Filipa
3-Ri-te, Ri-te...(Reet Petite)-Filipa

Lado B
1-Oh! Eh! Oh!(Cantando pela praia e dançando)(Letra e Musíca:Ana Faria)-Margarida
2-Porque é que me mentiste?(Eternal flame)-Andreia


Versões Portuguesas:Ana Faria
Arranjos de Mike Sergeant excepto "Nada e Ninguém" "Tão Pouco Tempo!" e "Saco Cheio"
Produção e Fotografias:Heduíno Gomes
Participação Especial:Susie Gonçalves
Editora:CBS Portugal


Com o segundo disco desse ano, os Onda Choc voltaram ao disco de platina com o sucesso do álbum "Feira Popular" mostrando assim que o seu sucesso iria continuar nesta nova década apesar da constante mudança de elementos do grupo devido ao factor "idade".

Em 1991 houve o mega êxito "Ela só quer, só pensa em namorar" enquanto que em 1993 ainda acompanhei e cantei um dos seus maiores sucessos "Ele é o Rei".

A banda continuou a editar discos até o fim do Milénio, mas nunca mais atingiu nenhum grande sucesso como os das décadas passadas. Tenho 2 k7's, um vinil e o cd dos grande êxitos que foi editado pelos anos 2000, e continuo a gostar de ouvir alguns dos temas devido a levarem-me numa viagem pelas memórias de um tempo melhor da minha infância onde os ouvia em conjunto com a outra banda infanto-juvenil do momento, os Ministars. Como curiosidade existem algumas personalidades do nosso tempo que começaram a sua carreira nesta banda, Pedro Camilo, Micaela e Donna Maria são alguns dos mais conhecidos. É impossível não pensar nesta banda devido ao sucesso da mesma e a constante passagem das suas músicas, no conjunto venderam mais de um milhão de discos, o que no nosso país é algo digno de registo.


Eis a discografia da banda com links para os álbuns no blog dedicado aos Onda Choc: