terça-feira, 31 de março de 2020

... da série Sarilhos com elas


Uma série bem divertida, com um elenco diferente do habitual.

Susan Harris criou a série Golden Girls, que mostrava que os mais velhos também podiam ser divertidos.Durou sete temporadas, que foram transmitidas entre 1985 e 1992, ajudando a quebrar alguns preconceitos que existiam acerca de personagens da terceira idade nas séries televisivas. Deu no horário nobre da RTP na segunda metade da década de 80, com o nome Sarilhos com Elas, mas tenho ideia que também cheguei a ver isto por volta da hora de almoço (ou pelo início da tarde).

Era frequente abordarem temas sexuais no programa, mostrando que apesar da idade que tinham, viviam uma vida activa e acreditavam, e que ainda tinham muito para dar e a sua vida não estava terminada. Todas as protagonistas venceram pelo menos um Emmy, e o programa foi também alvo de vários Emmys e Globos de Ouro.

A série mostrava quatro mulheres acima dos Cinquenta anos que viviam juntas na mesma casa, cada uma com a sua personalidade própria, mas unidas por uma grande amizade. Apesar de haver muitas discussões, devido a essas personalidades diferentes, acabavam quase sempre a abraçar-se ou a comer um bolo na cozinha.

Dorothy Zbornak (Bea Arthur) tinha um temperamento muito complicado, divorciada de Stanley (que tentava várias vezes a reconciliação) era um pouco amarga e algo desconfiada das coisas. Era a mais inteligente do grupo, e por vezes a voz da razão.

Sophia Petrillo (Estelle Getty) era a mãe de Dorothy que acaba por ir viver com ela e com as suas companheiras depois de um incêndio no lar onde vivia. Apesar da sua aparência frágil e idosa, esta era bastante desbocada, e tinha sempre uma resposta na ponta da língua. Criticava constantemente as companheiras da sua filha, com comentários mordazes e certeiros, que era raro não arrancarem uma gargalhada do público.

As duas companheiras de Dorothy não podiam ser mais diferentes, Blanche Deveraux (Rue McClanahan) era uma típica beldade sulista, toda atiradiça e extrovertida, que depois de enviuvar, decidiu viver uma vida sexual muito activa, e aparecia com um namorado novo em quase todos os episódios. 

Já Rose Nylund (Betty White)  era mais calma e ingénua, cheia de histórias estranhas sobre a sua terra natal, e sem o mesmo interesse por uma vida sexual activa que as suas companheiras tinham.

As atitudes exageradas de Sophia eram o que atraía muitos de nós nesta série, se bem que agora é das coisas que se calhar menos gostamos de ver, pelo exagero típico dos anos 80, que eram somente para provocar shock value, e que afastavam por vezes um pouco a atenção dos assuntos abordados nos episódios  que eram até bastantes interessantes e pertinentes.

Uma série de alguma qualidade, e que provou que não precisamos de ter só séries juvenis na nossa televisão Chegámos a ter uma versão Portuguesa das Golden Girls, que também era interessante e com um elenco de qualidade.





terça-feira, 24 de março de 2020

... do Fort Boyard


Um programa interessante, lembro-me de ver e ficar entusiasmado com as provas e os enigmas.

O Canal 4 (como era conhecida a TVI) transmitiu em
 1994 o Fort Boyard, aos Sábados depois da hora de almoço, numa tentativa de combater a jovialidade da SIC. Mas como sempre, optavam pela versão original, e com legendas. A língua francesa, em conjunto com um velho de barbas longas a ajudar nos enigmas, dava um ar  solene a tudo, apesar de ter também muita emoção, com as provas físicas.

O programa começava 
com uma música de genérico fenomenal, e víamos um grupo de concorrentes num bote a aproximar-se do forte, que se encontrava no meio do oceano. A sua missão era conquistar o ouro de Boyard, e para isso teriam que ir resolvendo os enigmas que ele lançava, ao mesmo tempo que tinham que ultrapassar algumas provas físicas. A emoção era intensa, com um cronómetro que mostrava o tempo limite que todos tinham para resolver cada prova/enigma.

O objectivo passava por apanhar várias chaves, que estavam em diversas celas pelo forte fora, existindo uma chave extra, no topo do forte, tendo que responder a um enigma para obte-la. Podia-se trocar concorrentes por chaves, ficando presos e impedidos de dar o contributo à equipa até o final do programa. Lembro-me que isto raramente dava bom resultado, já que era menos uma ajuda para as diferentes fases que o programa tinha. Um dos meus momentos preferidos era o do velho, as barbas compridas eram sinónimo de grande conhecimento e reverência nos anos 80, e adorava o seu tom de voz.

O programa teve várias versões nos mais diversos países, uma do Reino Unido alcançou bastante sucesso, e ainda hoje é lembrado com saudade por todos os que o viram. Por França costumam acontecer programas especiais com concorrentes famosos, sempre com sucesso.



















quinta-feira, 19 de março de 2020

... da Bia, a pequena feiticeira


Recordo mais um daqueles desenhos animados que ficou na memória de todos.

Majokko Meg-Chan era o nome original do Anime, baseado num Manga criada por Akio Narita e Tomo Inoue, teve 75 episódios, entre 1974 e 1975. A RTP 2, na década de 80 e de 90. passou uma versão Europeia, neste caso da versão Italiana que tinha menos episódios, cerca de 65, ficando com o nome Bia, a Pequena Feiticeira.

A série era muito boa a nível gráfico, era um daqueles animes com inspiração europeia, mas mantendo a alma oriental. Neste desenho animado podemos ver as aventuras da Bia (Cláudia Cadina), uma jovem feiticeira que disputava o trono do reino da magia com a sua rival, Nádia (Helena Isabel). Uma particularidade engraçada era ver como as roupas reflectiam a personalidade das protagonistas, Bia estava sempre com cores suaves e leves, e Nádia tinha cores mais fortes, mais pesadas.


A Bia veio viver para a casa de Ana (Fernanda Montemor), uma velha feiticeira que decidiu viver no nosso planeta, e constituir família. Enfeitiçou o seu marido Paulo (António Semedo), e os seus filhos, para que estes considerassem a Bia como a filha/irmã mais velha da família. Existia ainda o bruxo Xoné (Adriano Luz) que devia vigiar o desempenho das pequenas feiticeiras, mas tinha na verdade outros planos.

Não me lembro de tudo dos episódios, nem via isto regularmente, mas lembro-me que me divertia com este desenho animado, e que ainda hoje consigo cantarolar a música do genérico, uma batida Italiana à Eurodance com uma letra Portuguesa divertida e interessante.

B - A
B - E - Ba Be
B - I - Ba Be Bi
B - O - Ba Be Bi Bo
B - U - Bu Ba Be Bi Bo Bu
B - A
B - E - Ba Be
B - I - Ba Be Bi
B - O - Ba Be Bi Bo
B - U - Bu Ba Be Bi Bo Bu

Assim também tu podes imitar a Bia
e fazer qualquer magia.
Aparecer desaparecer num sonho
e transformar a noite em dia.
Cavalgando uma estrela,
ou um arco íris sobre o mar.
Mas cantemos juntos a canção
da Bia para ajudar

B - A
B - E - Ba Be
B - I - Ba Be Bi
B - O - Ba Be Bi Bo
B - U - Bu Ba Be Bi Bo Bu
B - A
B - E - Ba Be
B - I - Ba Be Bi
B - O - Ba Be Bi Bo
B - U - Bu Ba Be Bi Bo Bu

B - A
B - E - Ba Be
B - I - Ba Be Bi
B - O - Ba Be Bi Bo
B - U - Bu Ba Be Bi Bo Bu
B - A
B - E - Ba Be
B - I - Ba Be Bi
B - O - Ba Be Bi Bo
B - U - Bu Ba Be Bi Bo Bu













segunda-feira, 16 de março de 2020

... do programa Não se esqueça da escova de dentes


Hoje recordo um dos programas mais divertidos da nossa televisão, um símbolo da SIC dos anos 90.

Em 1995 a SIC ia para o seu terceiro ano de existência, continuando a afirmar-se como uma estação televisiva rebelde e animada, contra o conservadorismo do canal 4, e a estagnação da RTP. Os seus programas eram originais, divertidos e movimentados, e um dos melhores exemplos disso era o Não se esqueça da escova de dentes.

O programa consistia em jogos animados, que habilitavam a diversos prémios, entre os quais viagens, sendo por isso obrigatório terem consigo o passaporte e a escova de dentes. Teresa Guilherme era a apresentadora, mostrando aqui um registo mais moderno do que nos havia habituado, e a química que tinha com o seu parceiro, Humberto Bernardo, ajudava ao sucesso do programa.

As noites de terça ganhavam assim uma animação extra, o público estava sempre bastante animado (há rumores que a produção dava bastante álcool ao público), e existia até um jogo de strip-tease, o que garantia a atenção de todos.

Lembro-me que o programa era longo, tendo por isso alguns momentos mortos, como no caso dos convidados musicais, mas no geral era bastante divertido e engraçado de se ver. Foi o começo de uma Teresa Guilherme cheia de empatia para com os concorrentes e o público.










sexta-feira, 13 de março de 2020

... dos Jovens Heróis de Shaolin


Uma série que deixou todos a quererem ser mestres do Kung-fu.

O nome da série no original era Ying hung chut siu nin, ficando conhecida por cá como Jovens Heróis de Shaolin. produzida em 1981 e transmitida pela RTP a meio da década de 80 (86 presumo) aos Sábados à tarde, para gáudio de miúdos como eu que deliravam com os efeitos especiais manhosos da série que na altura eram mais que suficientes para nos conquistar.

Foi transmitida na sua língua original e com legendas em Português, com um genérico fantástico numa língua completamente estranha, mas que tinha tudo a ver com o programa e o que este nos queria dar. 
Ficávamos vidrados na TV a ver as aventuras de 3 amigos que falavam numa linguagem muito estranha, que tinham aventuras fantásticas, e que davam uns saltos fantásticos antes de andar à porrada.

A série tinha bastante humor (algo que ajudou ao sucesso dela), mas as artes marciais eram tratadas com respeito, mostrando-nos o quão difícil eram os treinos de Kung-Fu para todos aqueles que estavam no templo de Shaolin. A história focava-se em 3 amigos, Hung Hei Goon, Fong Sai Yuk e Woo Wai Kin, que tentam tornar-se mestres do Kung Fu enquanto tentam colocar a Dinastia Ming no poder, destronando a Dinastia Ching.

















segunda-feira, 2 de março de 2020

... da Novela Cambalacho


Recordo aqui uma novela divertida, que tornou a palavra parte do vocabulário popular tanto no Brasil como em Portugal. 

Sílvio de Abreu aproveitou a oportunidade de não ter a censura, e já não estar sobre uma ditadura militar, para criticar alguns valores ainda presentes na sociedade Brasileira, usando para isso dois anti heróis, dois vigaristas que tiveram bastante destaque na trama.

A Novela Cambalacho esteve no ar entre 10 de Março e 3 de Outubro de 1986, no horário das sete da tarde, com o público a apaixonar-se pelo bom humor e divertimento presente na história. Em Portugal foi transmitido pela RTP pouco tempo depois, à hora de almoço, tornando-se também uma das preferidas do público Português, que adoptou (assim como o brasileiro) o termo Cambalacho, usando-o para definir tramóias ou trapaças.


Jorge Fernando dirigiu a novela, e soube conciliar a forte crítica de Sílvio de Abreu à condição "vergonhosa" (segundo ele) que o Brasil vivia, criticando o comportamento condescendente de pessoas em altas instâncias com os subornos recebidos. Para isso colocou dois "trambiqueiros" em grande destaque, Fernanda Montenegro interpretou Naná e Gianfrancesco Guarnieri era Jejê.




Estes dois actores, em conjunto com Natália do Vale, protagonizaram alguns dos melhores momentos da novela, que tinha também Regina Casé como Tina Pepper, uma fã enorme de Tina Turner que estava constantemente a imitá-la.

O par romântico da história fugia um pouco ao habitual também, Edson Celulari era Thiago, um bailarino apaixonado por Ana Machadão (Débora Bloch) que era uma mecânica de automóveis. Uma inversão nas profissões, aproveitando assim para abordar o preconceito que acontece nessas inversões de papéis entre elementos do sexo Masculino e Feminino.

A novela sofreu com as mudanças que o governo de José Sarney implementou no Brasil, em especial com a entrada do Plano Cruzado e desta nova moeda, que complicou assim todas as cenas que envolviam ainda a moeda antiga Cruzeiro, forçando a que tivessem que colocar a conversão de valores no ecrã.

A cidade São Paulo, onde se filmou, fazia tanto parte da história que era quase como uma personagem. No final tivemos um número enorme de bailarinos pelas ruas da cidade, e formavam a palavra Cambalacho em plena metrópole Brasileira, sendo mostrado ao filmar a cena de um helicóptero.


Uma novela divertida e interessante, uma trama que merecia até um remake aproveitando a onda actual que a Globo tem optado, em adaptações de algumas das suas novelas mais emblemáticas.