terça-feira, 29 de dezembro de 2020

... do Porta-Chaves Executor com sons

 





Uma das melhores memórias da minha infância, adorava brincar com este porta-chaves que emitia sons de tiros e de bombas.

Quando era criança a ida à Praça de Cascais, vulgo mercado, às Quartas de manhã eram sempre uma boa notícia. Podia ser que conseguisse cravar um brinquedo ou uma bugiganga electrónica baratinha, e quando assim era já sabia que tinha diversão garantida. Numa dessas viagens consegui um porta-chaves electrónico que emitia sons diferentes, desde algo tipo tiros de metralhadora, ao silvo de uma bomba a cair, aqueles pequenos botões coloridos davam bom material de entretenimento para uma criança de 7 anos.

Uma das minhas brincadeiras preferidas, era agarrar nos meus soldadinhos (também comprados nessa praça) e fingir uma guerra com a banda sonora a cargo do porta chaves. Sempre que um amigo nosso tinha um porta-chaves igual era garantida uma barulheira desgraçada em guerras imaginárias com muitos tiros e bombas à mistura.

Uma das piores sensações vinha quando as pilhas começavam a chegar ao fim e o som começava a aparecer de uma forma muito manhosa. Em todo o caso é uma das melhores recordações que guardo da minha infância.














segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

... do programa Perdoa-me

 


Um dos programas que marcou o começo da SIC, conquistando audiências e lançando para o estrelato uma jovem Fátima Lopes.

Em 1994 estreava na SIC o Perdoa-me, um programa que visava conquistar uma fatia do público ainda um pouco distante da estação, o público feminino. A estação era já conhecida pela sua irreverência e originalidade, sendo por isso era um sucesso entre o público mais novo, mas o mais velho ainda estava um pouco distante do canal, e por isso decidiram enveredar pelos programas que apelavam à emoção e ao espectáculo que queria fazer chorar as pedras da calçada.

O programa foi transmitido em horário nobre a um dia da semana, e tinha como objectivo tentar reconciliar pessoas que estavam desavindas, ou até mesmo reaproximar familiares que não se falavam devido a alguma discussão do passado. O programa foi apresentado por Alexandra Lencastre e foi um sucesso absoluto, tinha público ao vivo e um cenário simples, com cores fortes como se fosse saído de uma revista Sabrina ou algo do género, juntamente com uma música calma, que ajudava a puxar pelo sentimento das pessoas de modo a realçar o que acontecia no ecrã.

Por vezes eram situações amorosas, um casal que estava chateado e um dos membros pedia ajuda então ao programa para pedir perdão à sua cara metade. Isso por vezes originava situações como alguém a cantar uma música para outra pessoa no meio do trabalho desta, ou uma entrega de ramo de flores e um pedido de joelhos por exemplo. tudo coisas que começavam a agradar às mulheres do outro lado do ecrã e assim a ajudar o canal a cimentar a liderança.

Poucos anos depois Alexandra Lencastre foi substituída por uma cara nova na estação, a Fátima Lopes, que se mostrou muito mais à vontade com o que o programa pretendia e tornou-se um dos rostos mais fortes do canal ao longo do tempo. Esteve no ar apenas 2 anos, mas foi um dos programas mais marcantes da história da estação sendo que continua a ser algo lembrado nos programas da manhã que utilizam por vezes a mesma premissa deste programa.









segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

... do filme Lagoa Azul

 

Um clássico da sessão da tarde, um filme que encantava pela sua simplicidade e que reunia a família em frente da televisão.

Lagoa Azul (The Blue Lagoon) é baseado no romance do mesmo nome de Henry De Vere Stacpoole, estreando em 1980 pelas mãos de Randal Kleiser, e lançando para o estrelato uma adolescente de 14 anos de seu nome Brooke Shields. Ela e o outro protagonista, Christopher Atkins, apareciam nus em muitas cenas, o que causou alguma polémica na altura, com a actriz a usar o cabelo dela sempre por cima dos seios, de modo a evitar mais problemas.

O filme é passado no período Vitoriano, e mostra o naufrágio de 2 primos que ficam isolados numa ilha enquanto crianças. O outro sobrevivente é o cozinheiro do navio, que ensina-os a sobreviver comendo algumas bagas e cozinhando alguns animais, para além de mostrar como podiam construir cabanas rústicas que os abrigassem dos elementos. Quando este morre, os 2 primos encaram esta aventura sozinhos e crescem juntos ali na ilha, com os desejos de adolescentes a tomarem conta deles e entregam-se um ao outro a nível sexual, apaixonando-se e tendo inclusive um filho.

O filme mostra como eles crescem na ilha, com ele a querer sempre sair da Ilha, e ela já sem muito interesse nisso. O filme vive da imagem e a ilha é fantástica, a banda sonora ajuda a que o filme não saia muito daquele estilo de romance e aventura, o que agradava a quase todos menos aos rapazes. 

Eles acabam por ser salvos, e o filme continua ainda hoje como um daqueles marcos de filmes juvenis que todos devem ver em família.










sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

... da Novela Vamp

 


Uma novela que conseguiu conquistar o público adolescente, que já não estava muito interessado em novelas, misturando humor, acção e mistério.

Vamp foi mais uma produção da Rede Globo (de Antonio Calmon), que foi transmitida no horário das 19 horas entre 15 de Julho de 1991 e 8 de Fevereiro de 1992, num total de 179 episódios. Por cá só passaram 130 episódios no segundo canal da RTP, pelas 18 horas, um horário pouco comum por cá.

Em Armação dos Anjos, litoral do estado do Rio de Janeiro, o capitão reformado Jonas Rocha (Reginaldo Faria), viúvo com seis filhos, casa-se com a historiadora Carmem Maura (Joana Fomm), também viúva e com seis filhos. Eles vivem problemas inéditos após a chegada da famosa cantora Natasha (Claudia Ohana), para a gravação de um clipe.

Natasha, uma cantora de rock, vendeu sua alma ao terrível conde Vladymir Polanski (Ney Latorraca), chefe dos vampiros, para brilhar na carreira. Mas ele descobre que em encarnações passadas ela era Eugênia, o seu amor, que preferiu ficar com Rocha, a outra vida do capitão Jonas. O conde passa então a perseguir Natasha e a família do capitão, inclusive usando de seus poderes para envolver Carmem Maura.

Natasha, por sua vez, quer destruir Vlad para se livrar da maldição. A única arma de que dispõe para isso, é a Cruz de São Sebastião, que está escondida em algum lugar em Armação dos Anjos. A cruz deve ser manejada por um homem chamado "Rocha". O herói é portanto o capitão Jonas.

Também está em Armação o bandido Jurandir (Nuno Leal Maia), fugindo de Cachorrão (Paulo Gracindo), um líder de marginais que Jurandir assaltou por engano. Na cidade, ele se esconde nas vestes de um padre, fica amigo da garotada e recebe o apelido de "Padre Garotão". A batina, no entanto, não é tropeço para seu louco namoro com Marina, a protegida de Cachorrão.

Ohana está muito bem nesta novela, mas o que eu gostava mais era de ver o actor Otávio Augusto, que dava vida a um Vampiro frouxo só com um dente. Eram muito engraçadas as suas cenas, especialmente quando estava ao lado da actriz com quem ele fazia par amoroso. 

Em 2017 foi produzido um musical, que também teve sucesso entre os mais novos, e reunia os dois protagonistas. Lembro-me que havia muitos no Liceu a comentar esta novela, que nos conquistava com o seu tema sobrenatural, mas sobretudo por ter muita comédia à mistura.











segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

... do Wiily Fog

 


Mais um desenho animado da BRB, que fez sucesso no nosso país, adaptando a história de Júlio Verne.


Em 1983 foram produzidos 26 episódios de 
Willy Fog (A Volta ao mundo do Willy Fog), uma criação de Claudio Biern Boyd que se baseava no livro "A volta ao mundo em 80 dias" de Júlio Verne. A produtora Espanhola BRB  International S.A. uniu-se à Nipónica Nippon Animation para produzir esta série que teve assim realizadores Espanhóis e Japoneses.

Lembro-me de ver isto nos finais de tarde a um dia da semana, numa altura que também davam desenhos animados nesse horário, e de me divertir bastante com aquele genérico em Espanhol e com as vozes em Português de nomes como Irene Cruz (Tico e Romy), António Marques (Willy Fog), António Feio (Repelão), João Lourenço (Dick e Traful) ou João Perry (Buli).

Willy Fog é um abastado inglês que aposta metade da sua fortuna com os membros de um Clube a que pertence, em como é possível dar a volta ao mundo em 80 dias. Isto tudo em 1872, na cidade de Londres, algo que soava completamente louco e impossível de se concretizar.

O pior foi quando um dos membros do Clube, o Sr. Sullivan, decide estragar os planos de Willy Fog e contrata um bandido (o Traful) para seguir Fog e atrapalhar de tal modo a sua viagem de forma a impedir este de fazer a volta ao Mundo. Para além disso, Willy Fog é suspeito de roubar um banco em Londres e acaba por ser seguido durante a sua viagem pelos agentes Dick e Buli. Mas Fog conta com a ajuda dos seus amigos e empregados Repelão e Tico. Fog passa por vários Países como a França, Itália, Japão,e é na Índia que conhece a princesa Romy que acaba por se tornar mais tarde na sua noiva.

A série estreou em Portugal em Outubro de 1984, dobrada em português com direcção do actor e encenador João Lourenço. A série voltou a repetir mais tarde e durante alguns anos nos dois canais da RTP, divertido diversas gerações com as aventuras e desventuras de mais um grupo de animais antropomórficos em que Fog era um Leão, e muitas das personagens eram outros animais de origem felina.

Gostava do estilo calmo e ponderado de Fog, que ao mesmo tempo era muito corajoso e não se deixava abater pelos obstáculos que lhe surgiam. Depois era sempre divertido ver as tropelias dos seus empregados, que funcionavam ali como alívio cómico e ajudavam a aligeirar a série. Em 1993 foram produzidos mais episódios baseados em outros livros de Verne, mas não tinham o mesmo carisma e encanto desta primeira tentativa.










segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

... da série Sandokan

 


Uma das séries com mais sucesso no nosso país, conquistando tanto o público feminino como o masculino.

Havia séries que se tornavam tão populares que davam origem a brincadeiras no recreio da escola, e Sandokan é uma dessas séries. A história do Pirata charmoso e aventureiro agradava ao público feminino mais velho, e apelava também ao público masculino mais novo, que via ali um exemplo a seguir e uma boa ideia para brincadeiras de recreio.

Sandokan era baseado nos livros de Emílio Salgari, conseguindo captar o espírito dos livros e levando assim as aventuras do Tigre da Malásia para o pequeno ecrã. Kabir Bedi foi o actor que deu vida ao pirata, o actor Indiano foi escolhido pela RAI para estrelar a mini-série que estavam a produzir para as estações de Televisão de toda a Europa. A série teve 6 episódios, produzidos em 1976 e transmitidos pela RTP por diversas ocasiões na década de 70 (ainda a preto e branco) e na de 80 (a P&B e a Cores também), na sua versão original e com legendas em Português.

A série foi gravada em localidades de extrema beleza na Malásia e no Bornéu (como eram descritos nos livros), e mostravam as aventuras de Sandokan, um membro da realeza que vítima de uma traição vê-se fora do seu trono, e vira então um pirata aventureiro que todos temiam. Foi mais uma daquelas séries com um genérico fenomenal, que marcou todos os que a viram e que ainda hoje a sabem cantar mal ouvem os primeiros acordes.

Para além de tudo isto foi editada uma caderneta (com 300 fotogramas da série), que ajudou a popularizar ainda mais a personagem junto dos mais novos que para além de quererem brincar como se fossem este temível Pirata, sabiam também cantarolar uma cantilena infantil a brincar com o Sandokan e o facto de não usar cuecas nem sutiã.











segunda-feira, 30 de novembro de 2020

... dos Gummi Bears

 


Hoje recordo um desenho animado da Disney, bem divertido e cheio de acção.


Michael Eisner não é uma figura consensual, mas teve algumas ideias interessantes quando no comando da Disney, e uma delas foi quando olhou para uns Ursinhos de Gomas que comprou para o seu filho, e decidiu que aquilo podia dar um bom desenho animado, e aassim nasceram os Ursinhos Gummi (Gummi Bears).

O programa foi idealizado em 1985, Jymn Magon e Art Vitello foram as mentes à frente da animação, desenvolvendo uma bela mitologia, que acabou por nos dar algo que pouca semelhança tinha com esses ursinhos de gomas. Era um reino medieval e mitológico, mostrando um grupo de 6 Ursos que eram os sobreviventes de uma raça que tinha de tudo um pouco, desde Feiticeiros a Conselheiros Reais, que foram caçados e perseguidos pelos homens que queriam os segredos do Grande Livro dos Gummi.

Eles são descobertos por um pequeno rapaz, Calvin, que tem um medalhão pertencente à raça dos Ursos, e que ajuda a abrir o Grande Livro. O problema vem do Duque Igthorn e dos seus Ogres, que querem apanhar os ursos remanescentes e descobrir os seus segredos.

Isto foi transmitido pela RTP no final da década de 80, no mítico espaço do Clube Amigos Disney aos Domingos à tarde, na sua versão original e legendada em Português. Desta forma conhecemos um genérico fantástico e muito divertido, com uma excelente música e uma boa animação, que nos deixava logo excitados para o episódio que aí vinha.

Foram 6 temporadas com 94 episódios, de 1985 a 1991, em que nos podíamos divertir com as aventuras destes 6 ursos, dois já com alguma idade, 1 cria, 1 adolescente, uma pré adolescente, e um adulto sempre mal humorado. A cria era a animação do programa, sonhava ser um grande guerreiro e procurava sempre as aventuras, encontrando quase sempre grandes sarilhos.

O que me lembro era de quando bebiam o sumo especial que a matriarca preparava, isto dava a eles a habilidade de saltarem até grande altura a uma grande velocidade, e assim conseguirem escapar dos ogres ou dos outros vilões da série. Lembro-me também de fazer a caderneta de cromos, e de ler algumas histórias nas revistas da editora Abril, não foram muitas mas lembro-me de algumas. Continua a ser um desenho animado interessante com uma boa animação, histórias engraçadas e personagens carismáticas. Um dos bons produtos da Disney, sem sombra de dúvidas.













quinta-feira, 19 de novembro de 2020

... do Tahiti Duche

 

foto da Primorosa colecção


Quem não se lembra do mítico anúncio deste gel duche?

Falar hoje de uma marca que já não é comercializada no nosso país, um gel de duche que tinha um anúncio cativante, e que deixava todos a cantarolar a música desse reclame. O Tahiti Duche fez parte assim do banho de muitos de nós que começavam a deixar os sabonetes, e abraçar o mundo dos sabonetes líquidos.

Uma pequena caixa aparecia nos supermercados e prometia revolucionar a higiene diária de muitos de nós, um gel de duche que cativava pelas suas embalagens originais e cheiros activos. Nos finais dos anos 80, um anúncio ajudou a promover ainda mais esta marca por cá. Nele apareciam imagens de uma paisagem paradisíaca, com as pessoas à espera que começasse a chover, a seguir vinham jovens desnudadas a tomarem duche e a lavarem-se com este gel, enquanto uma música repetia constantemente "Tahiti duche.." ficando tudo a cantarolar isso durante uns dias.

Ele fazia muita espuma, e isso em conjunto com os seus fortes cheiros faziam as delícias dos mais novos, que achavam piada àquela forma diferente de tomar banho, nada a ver com o que se estava habituado até então. Continua a ser fabricado e comercializado na França, mas há muito que abandonou os escaparates do nossos super e hipermercados.












segunda-feira, 16 de novembro de 2020

... da série Riscos

 


Boas memórias desta série juvenil, que apesar de algumas falhas, conquistou uma geração.

A RTP já tinha tido algo direcionado aos adolescentes , Os Melhores Anos, e em 1997 decidiu voltar a arriscar com algo que se pode considerar o primeiro "Morangos com Açúcar", a série Riscos. Ao contrário da antecessora, tinha mais cor e movimento, para além de investir muito mais no melodrama e nos temas fortes, como gravidez na adolescência, toxicodependência ou o bullyng.

Rapidamente se tornou tema de conversa no liceu, mas não pelos melhores motivos, e sim porque o acting era um pouco exagerado, o elenco juvenil tinha grandes lacunas nesse aspecto, se bem que viu nascer algumas caras que nos iríamos habituar a ver pela Televisão como a Paula Neves. Apostou-se num elenco adulto com nomes consagrados para contracenar com os novatos, assim podíamos ver nomes como Canto e Castro, Virgílio Castelo ou João Lagarto a ensinar miúdos como Ana Rocha, Paula Neves ou Joana Seixas.

O problema maior do programa era a choradeira constante, existiam sempre grandes dramas, familiares ou escolares, que combinados com um excesso na representação e, por vezes, uma má realização, davam origem a algo um pouco doloroso de se ver. Ao mesmo tempo era esse o principal interesse para ver a coisa, o poder comentar a porcaria que tinha sido transmitida naquele episódio. Ocasionalmente existiam daqueles momentos "tão mau que dá a volta e fica bom".

Havia uma rebelde, com o cabelo colorido e atitudes extremas que iam desde as relações sexuais de uma forma regular (sim, naquele tempo era rebeldia), a experimentações lésbicas, passando por envolvimento com marginais. Mesmo assim tinha amigos no grupo dos betinhos,  e era isto que apimentava a vida na escola  A banda sonora era o melhor do programa, passavam sempre músicas actuais e de qualidade que iam de Primitive Reason a Cardigans.

Foram 70 episódios, entre 1997 e 98, com a realização de Manuel Amaro da Costa e Santa Martha. Era transmitido ao final da tarde no Canal 1, e como já disse, era depois motivo de conversa no liceu.









segunda-feira, 9 de novembro de 2020

...do TV Rural

 


Um programa mítico, que nos deu a conhecer tudo sobre a agricultura, apresentado por uma personagem carismática que todos aprendemos a adorar.

TV Rural foi um daqueles programas que marcou gerações de Portugueses, mais que não fosse por ser aquele que ficávamos a ver enquanto esperávamos que começassem os desenhos animados. Muita criança ficou a saber termos agrícolas e como cuidar de uma colheita ao ver este programa.

Foi dos primeiros programas da RTP, e também um dos que teve vida mais longa (até mesmo na Europa) com mais de 30 anos de antena (entre 6 de Dezembro de 1960 e 15 Setembro de 1990). Na apresentação tínhamos uma personalidade simples mas carismática, o Engenheiro Sousa Veloso. Foi idealizado pelo ministério da Agricultura (onde o engenheiro trabalhava), procurando dar a conhecer ao público tudo relacionado com a agricultura, os problemas e nuances deste sector, acabando também por ser uma ferramenta útil para o próprio agricultor, com conselhos úteis e notícias sobre o que de novo se fazia nesta área.

Foram mais de 1500 emissões, em que o carismático apresentador viajava por todo o País, falando-nos de locais tão distintos como uma simples quinta, ou uma qualquer convenção agrícola ou feira internacional. Por mais de três décadas podemos assim saber qual a melhor forma de combater o Oídio, ou como preservar milho durante muito tempo, entre outras coisas. O programa teve vários horários na televisão estatal, mas para o fim dava ao Domingo de manhã, logo antes dos desenhos animados, deixando muitas crianças ansiosas para que o programa terminasse, para poderem ver as aventuras das suas personagens favoritas.

O apresentador parecia-nos castiço, um qualquer agricultor de uma aldeia, ali com sobrancelhas bem grossas, umas patilhas bem alinhadas e uma voz que nos cativava pela sua simpatia e sabedoria. Mostrava que sabia do que falava, e todos adorávamos a sua despedida padrão "senhores tele-espectadores despeço-me com amizade até ao próximo programa". Até a música do genérico era-nos querida, ela foi mudando ao longo dos anos, mas durante muito tempo era um clássico do Folclore Português "A Tirana".












quarta-feira, 4 de novembro de 2020

... do Candeeiro a Petróleo


Um objecto muito útil, e uma presença constante em muitas casas portuguesas.
 

Candeeiro a Petróleo, foi um objecto muito importante nas casas Portuguesas, em especial no interior e nas Aldeias, até a década de 70 onde começou a cair em desuso e a perder terreno, quer para a electricidade, quer para outros meios de iluminação.

A minha avó entrou no Século XXI ainda a usar candeeiros a Petróleo, nunca chegou a ter electricidade, e por ela tudo bem, aquilo até dava um ar acolhedor quando nos sentávamos todos ali no sofá à conversa, iluminados apenas pela luz desse candeeiro. Mesmo o cheiro que o mesmo emitia não era incomodativo, e a parte mais chata era apenas o cuidado que se tinha que ter ao encher o mesmo com Petróleo, para que não se entornasse nada.

Uma das grandes vantagens deste objecto, era o ser fácil de transportar de divisão para divisão, e podia-se regular a intensidade da luz, mexendo no regulador que puxava para cima ou para baixo a faixa que estava embebida em petróleo, e que dava a luz necessária a todos nós. O aparelho em si chega a ser económico, já que dura muito mais que umas velas (e ilumina mais que elas também), e lembro-me de ir comprar o petróleo à drogaria em períodos de tempo bem espaçados, apesar de ser um produto usado todos os dias logo a partir das 18h (horário de inverno).

Tinha um na minha casa, mas só era usado quando faltava a luz mas lembro-me de passar alguns serões a ler apenas com a luz deste candeeiro, e de alguma forma aquilo melhorar a experiência toda, e parecer que o livro sabia-me melhor lido daquela forma.















quinta-feira, 29 de outubro de 2020

... da série Modelo e detective

 


Hoje relembrar uma série de bastante sucesso no nosso país, que misturava acção, comédia e romance.

Nos anos 80 era comum existirem séries no horário nobre da RTP, e muitas vezes nem as podia ver, já que passava hora de me deitar, mas em algumas noites conseguia apanhar um bocado, e ficar interessado na mesma. Modelo e Detective foi uma dessas séries, uma comédia que nos deu a conhecer aquele que se viria a tornar uma estrela dos filmes de acção, o Bruce Willis.

Modelo e Detective (Moonlighting no original e A Gata e o Rato no Brasil) teve 5 temporadas, entre 3 de Março de 1985 e 14 de Maio de 1989, com 84 episódios que ajudaram a consolidar e lançar as carreiras de Bruce Willis e Cybill Shepperd. É considerada a primeira série do género Dramedy (Comédia e Drama).

Foi transmitido pela RTP a um dia qualquer da semana na segunda metade da década de 80, na sua versão original e com legendas em Português, tendo algum sucesso entre o público Português.. No Brasil fez um enorme sucesso na sua versão dobrada e com um nome muito caricato, A Gata e o Rato, que acaba por se adequar bem ao que acontecia no decorrer da série.

Afinal foi a relação entre os 2 protagonistas que tornou o programa um sucesso junto do público, existia sempre uma tensão romântica, e até sexual, entre os 2 actores, sempre com algum humor à mistura.

A série mostrava como a ex-Modelo Maddie Hayes (Cybill Shepperd) dava a volta à sua vida depois de ir à falência, e como começou a olhar melhor para algumas empresas que detinha, como a agência de Detectives chefiada por David Addison (Bruce Willis).

Para além destes dois, o programa dava destaque ainda a Agnes DiPesto (Allyce Beasley), a recepcionista tímida e leal e a Herbert Viola (Curtis Armstrong), um temporário algo desastrado que acaba por ganhar um espaço próprio na agência. Os dois acabaram por se juntar, isso foi usado pelos argumentistas como forma de dar mais destaque aos dois, e a evitar a tensão que existia no estúdio devido à má relação pessoal entre Willis e Shepperd, que começava também a notar-se na química entre os 2 no pequeno ecrã.

A Fantasia era algo comum nesta série, vários episódios foram produzidos de forma elaborada para representar uma fantasia com o elenco do programa. Para além disso era também comum o quebrar da barreira com o público, várias vezes fazendo alusões à vida pessoal do elenco, de problemas com a produção ou canal, etc.

O tema de Al Jarreau tornou-se um hit, ajudando ao sucesso do programa, adequando-se na perfeição ao espírito que se queria transmitir, algo leve e descontraído. Uma pena que o mesmo não acontecia nos bastidores da série, os problemas entre os protagonistas davam azo a muitas discussões, que provocavam mau estar no elenco.

Quando os dois protagonistas consumaram a relação a coisa piorou, e o facto de Willis estar mais preocupado com a sua carreira cinematográfica e Shepperd com o nascimento dos seus 2 gémeos, foi natural que o cancelamento da série fosse inevitável.

Mesmo assim marcou uma época na televisão e muitos de nós continuamos a recordar com saudades as peripécias deste casal.








quinta-feira, 15 de outubro de 2020

... das Fábulas da floresta verde

 


RTP esmerava-se nas suas dobragens em todos os seus desenhos animados nas décadas de 70 e 80, e As Fábulas da Floresta Verde foram mais um brilhante exemplo de como isso podia ajudar ao sucesso do programa.

Era mais um produto vindo de estúdios Japoneses de animação, e que eram baseados nuns livros do escritor Norte-Americano, Thorton W,Burgess,  editados entre 1910 e 1930. Foram apenas 52 episódios, produzidos entre 1972 e 1973, mas que marcaram toda uma geração. A RTP transmitiu isto pela primeira vez em 1985, mas (como em outros casos) foram repetidos por diversas vezes ao longo dessa década, chegando inclusive a ser transmitido pela RTP2 em 1994.


No Brasil foi transmitido também na segunda metade da década de 80, no canal SBT (após o programa do Bozo) e também na TV Record.

As Fábulas da Floresta Verde mostravam as aventuras de um grupo de animais de ar fofinho que viviam numa floresta, todos tentavam fugir do Raposinho (João Perry) que os queria sempre caçar e era por isso o maior inimigo do grupo. Era um bando bastante animado, e tinha entre outros as Marmotas Joca (Luisa Salgueiro) e Marta (Isabel Ribas), o Coelho Pompom (Irene Cruz), o Rato Rodolfo (José Gomes), o Esquilo Quico (José Gomes) ou o Pássaro Avelar (António Feio).

Tinha mais um daqueles genéricos que ficavam no ouvido, com uma música animada e uma letra que ainda hoje sabemos de cor..


É bom ver na floresta o sol nascer,
é bom imaginar o que irá acontecer,
são tantas amizades,
são histórias de amizades,
que vão nossos amigos animais viver.

São mil aventuras entre os animais,
fabulosas fábulas de encantar!
São mil aventuras tão sensacionais,
fabulosas fábulas que nos fazem sonhar,
que nos fazem sonhar,
que nos fazem sonhar.













quinta-feira, 8 de outubro de 2020

... dos Onda Choc

 


Uma das minhas bandas preferidas, ainda hoje sei as músicas de cor.

Ana Faria foi um nome marcante para as pessoas que cresceram nas décadas de 80 e 90, os seus projectos musicais conheceram sempre o sucesso, e era rara a criança que não teve um vinil ou um cd dela, dos Queiinhos Frescos, ou da banda que ela criou na segunda metade dos anos 80, os Onda Choc.

Foi em 1986 que surgiu esta banda infanto-juvenil, constituída por rapazes e raparigas entre os 10 e os 15 anos de idade, que cantavam basicamente covers de músicas conhecidas, muitas delas no top desse ano. Nacionais ou Internacionais. As k7's dominavam todas as praças e feiras do nosso País, e eles eram presença constante de diversos programas televisivos, sendo que a aparição anual na grande gala do Natal dos Hospitais, era um dos momentos mais aguardados pelo público infantil que seguia o programa com a sua família.

O primeiro LP saiu com o nome da banda em 1987, e atingiu logo o Disco de Ouro por vendas superiores a 20 mil unidades. Também saiu em k7, e o seu maior êxito foi a adaptação do "in the army now", chamado "Vais p'rá tropa pá" que tinha a participação da antiga banda de Ana Faria, os Queijinhos Frescos. Coloco aqui a info desse primeiro álbum retirado do excelente blog http://ondachoc.blogspot.pt

1-Azul(True Blue)-Luísa
2-Onda Choc(Letra e Música:Ana Faria)-Patrícia
3-Vais p'rá tropa, pá(In the army now)-Cecília, Maria João, Margarida, Nuno e Pedro(Participação especial dos Queijinhos Frescos)
4-Ao meu lado(Don't leave me this Way)-Ruth e Tiago
5-Contagem final(The final countdown)-João(Participação especial dos Queijinhos Frescos)

Lado B
1-Ser artista não é fácil(You keep me hangin' on)-Tiago, Margarida, Cecília, e participação especial da cantora Dora
2-Rock à moda da casa(Inclui os temas:Chiclete, Chamem a Polícia, Se cá nevasse..., Um café e um bagaço, Olha o Robot, Amor e Efectivamente)-Todos
3-Coisas com que me sinto bem(Letra e Música:Ana Faria)-Patrícia
4-Férias no Algarve(Holiday)-Pedro e Tiago
5-A nossa moda(Thorn in my side)-Cristina

Versões Portuguesa de Ana Faria
Participações especiais da Dora e dos Queiinhos Frescos

Arranjos instrumentais dos temas "Onda Choc" e "Coisas com que me sinto bem":Namouche
Coreografias:Fernanda Martins
Fotografia:Octávio Diaz
Produção:Heduíno Gomes
Editora:CBS Portugal

Elementos dos Grupo:
Cecília, Cristina, Luísa, Margarida, Maria João, Patrícia, Pedro, Ruth e Tiago. 




Em 1988 não havia criança no País que não soubesse a letra do "Na minha idade", o maior sucesso do disco com o mesmo nome que a banda lançou nesse ano, e que chegou a disco de Platina com vendas acima das 50 mil unidades. Era já um dado adquirido que a banda tinha conquistado o seu espaço, apesar de optar por músicas por vezes mais calmas, e com uma letra mais "melosa" do que a sua banda rival, os Ministars.

No ano seguinte a banda lançou 2 álbuns e conseguiu a proeza de chegar ao disco de Platina em ambos os discos. Apesar disso só o segundo dominou as rádios e a TV com uma versão própria do mega hit "Lambada". No começo da década seguinte o sucesso continuou para a banda sediada em Oeiras e, apesar de ter chegado só ao disco de ouro, foi um dos maiores marcos da banda e aquele que muitos hoje ainda se lembram das letras das músicas. O maior sucesso foi aquele que muitos associam logo a banda, "Bikini pequenino às bolinhas amarelas" que era algo muito mais animado do que o habitual repertório dos Onda Choc e até mais na linha do que os Ministars cantavam.

LP e K7

Lado A
1-Bikini Pequenino às Bolinhas Amarelas(It's bitsy teenie weenie yellow polkadot bikini)-Andreia
2-Bater, Tocar, Chamar(I'm gonna knock on your door)-Joana

3-Nada e Niguém(Nothing Compares 2 U)-Susie
4-Oh! Eh! Oh!(Cantando pela praia e dançando)(Letra e Musíca:Ana Faria)-Margarida
5-Tão Pouco Tempo!(Tears on my pillow)-Vera
6-Salvar a Terra(Tossing and turning)

Lado B
1-Começaram as Férias(It's my party)-Margarida
2-Saco Cheio(Pump up the jam)-José Pedro, Sofia, Alexandra e Ana Luísa
3-Dona Elvia(Letra e Musíca:Ana Faria)-Bruno
4-Eu já Dancei o Twist(Letra e Musíca:Ana Faria)-Filipa
5-Feitiço(La Luna)-Margarida
6-O que hei-de ser?(Sempre, Há sempre alguém)

Mini K7

Lado A

1-Bikini Pequenino às Bolinhas Amarelas(It's bitsy teenie weenie yellow polkadot bikini)-Andreia
2-Eu já Dancei o Twist(Letra e Musíca:Ana Faria)-Filipa
3-Ri-te, Ri-te...(Reet Petite)-Filipa

Lado B
1-Oh! Eh! Oh!(Cantando pela praia e dançando)(Letra e Musíca:Ana Faria)-Margarida
2-Porque é que me mentiste?(Eternal flame)-Andreia


Versões Portuguesas:Ana Faria
Arranjos de Mike Sergeant excepto "Nada e Ninguém" "Tão Pouco Tempo!" e "Saco Cheio"
Produção e Fotografias:Heduíno Gomes
Participação Especial:Susie Gonçalves
Editora:CBS Portugal


Com o segundo disco desse ano, os Onda Choc voltaram ao disco de platina com o sucesso do álbum "Feira Popular" mostrando assim que o seu sucesso iria continuar nesta nova década apesar da constante mudança de elementos do grupo devido ao factor "idade".

Em 1991 houve o mega êxito "Ela só quer, só pensa em namorar" enquanto que em 1993 ainda acompanhei e cantei um dos seus maiores sucessos "Ele é o Rei".

A banda continuou a editar discos até o fim do Milénio, mas nunca mais atingiu nenhum grande sucesso como os das décadas passadas. Tenho 2 k7's, um vinil e o cd dos grande êxitos que foi editado pelos anos 2000, e continuo a gostar de ouvir alguns dos temas devido a levarem-me numa viagem pelas memórias de um tempo melhor da minha infância onde os ouvia em conjunto com a outra banda infanto-juvenil do momento, os Ministars. Como curiosidade existem algumas personalidades do nosso tempo que começaram a sua carreira nesta banda, Pedro Camilo, Micaela e Donna Maria são alguns dos mais conhecidos. É impossível não pensar nesta banda devido ao sucesso da mesma e a constante passagem das suas músicas, no conjunto venderam mais de um milhão de discos, o que no nosso país é algo digno de registo.


Eis a discografia da banda com links para os álbuns no blog dedicado aos Onda Choc: