A década de 80 foi atribulada para o Sporting, já começava a ser penoso a quantidade de anos sem vencer um título, e existiu um período atribulado nas direcções eleitas pelos sócios. Mas quando apareceu Sousa Cintra, ele começou a construir uma equipa com jovens talentos, e procurava um treinador à altura dos seus objectivos, o Brasileiro Marinho Peres.
Nascido a 19 Março de 1947, Marinho começou a dar nas vistas como um bom defesa central no começo da década de 70, na Portuguesa dos Desportos, conseguindo assim um contrato com o Santos do Pélé em 1972. Foi titular e capitão da selecção campeã em 1974 , embarcando numa aventura Europeia, sendo contratado pelo Barcelona onde jogou 2 épocas, mas mais tarde voltou ao Brasil, actuando por vários clubes e terminando a carreira no começo da década de 80.
Foi no seu País que ele começou a carreira como treinador, mas foi em 1986 quando assinou pelo Vitória de Guimarães que ele começou a demonstrar o seu valor e qualidade nesta nova etapa de sua carreira futebolística. Na sua estreia por cá, conseguiu levar o clube do Minho a um histórico 3º lugar e aos Quartos de Final da Taça Uefa, mas não resistiu ao temperamento instável do Presidente do clube.
Outro histórico clube de Portugal decidiu apostar neste treinador, o Belenenses, que assim alcançou também um 3º lugar e venceu uma Taça de Portugal. Voltou ao Brasil de onde foi resgatado por Sousa Cintra em 1990 de modo a treinar uma equipa cheia de jogadores jovens e talentosos onde teve direito apenas a 2 reforços, Careca e Bozinoski.
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| Venâncio (cap.), Leal, Carlos Xavier, Luisinho, Douglas e Ivkovic. Cadete, Fernando Gomes, Filipe, Balakov e Oceano. |
Comecei a ir ao estádio por esta altura, tive uma camisola da Umbro com o mítico patrocínio da Bonança, e lembro-me de ver o velhinho Estádio de Alvalade completamente cheio, apesar dos anos sem vitórias, e as claques completamente rendidas ao carisma e simpatia do treinador Brasileiro gritando o seu nome de forma constante.
Para além da colecção normal de cromos, lembro-me de ter uma de calendários (numa altura que isso também era moda) e consegui completar o desta equipa da qual tenho boas recordações. O dono das redes era o Croata Ivkovic, que ia do 8 ao 80 nas suas exibições, e quando estava engrenado era um Guarda Redes acima da média. Luisinho brilhava na defesa com um mítico Capitão de equipa ao seu lado, o constantemente fustigado pelas lesões Venâncio.
Leal e Carlos Xavier eram os outros habituais titulares, regulares e que cumpriam o seu papel dentro de campo sem muito alarido. Nesta equipa estiveram presentes 2 dos maiores, e melhores, Estrangeiros que passaram pelo nosso clube, o Douglas e o Balakov. A qualidade técnica de ambos era muito acima da média, os seus passes levavam quase sempre o selo de golo, assim como os livres do Búlgaro, e eles próprios marcavam com alguma regularidade. Oceano era o médio trabalhador do conjunto, enquanto que Filipe foi a eterna promessa sempre contrariada pelas lesões contraídas. No ataque tínhamos o veterano Fernando Gomes que tinha um futuro capitão do clube a seu lado, o jovem Cadete. Essa era a prova de como esta equipa foi importante para o nosso clube, Oceano, Cadete e Venâncio foram três dos maiores capitães que já tivemos.
João Luis, Amaral, Careca e Litos eram outros dos nomes que despontaram no plantel deste ano.
O futebol do Sporting de Marinho Peres era bonito e contagiante, primava pela qualidade técnica e pela quantidade de golos marcados. Eram constantes as goleadas com Cadete, Gomes e Careca a serem os marcadores de serviço e na Europa tivemos uma caminhada triunfante onde se destaca a goleada ao Timisoara por uns claros 7-0 e nos levou quase à final dessa competição onde fomos travados na meia final pelo Inter dos alemães Matthaus e Klinsmann.
Foi devido a essa caminhada Europeia que a equipa começou a ressentir-se no Campeonato Nacional, depois de 11 vitórias consecutivas a equipa começou a sofrer com as lesões físicas terminando num inglório 3º lugar devido a não termos um banco à altura do que a equipa estava a lutar para.
Lembro-me de um jogo mítico para a Taça de Portugal onde defrontámos o Porto e fomos roubados à grande pelo Sr. Carlos Valente e que terminou com a claque a gritar por Marinho reconhecendo assim o bom trabalho do treinador.
A época seguinte foi mais irregular, começaram a despontar outros jovens na equipa como Peixe e Paulo Torres, e estrangeiros como Guentchev e Iordanov. mas o futebol não era tão espectacular e o treinador não chegou ao final da época.
Mesmo assim deixou boas recordações, foi um futebol como há muito não víamos e os golos contagiavam a equipa e os adeptos com uma energia positiva que só voltou a acontecer 2 anos mais tarde quando Bobby Robson pegou o comando do clube.



Foi um grande e saudoso Sporting!
ResponderEliminarGostava que se repetisse uma equipa com uma qualidade daquelas, mas com outro resultado no final do campeonato...
:D
Abraço
AInda tivemos uma equipa maior depois, que também falarei, mas o sultado não foi melhor lol
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