Ainda sou do tempo

quinta-feira, 21 de junho de 2018

... do Vasco Granja

quinta-feira, junho 21, 2018 0
... do Vasco Granja

Já falei do programa que deu notoriedade a Vasco Granja, podem ler aqui, mas hoje recordo o homem, o comunicador, uma das personalidades mais marcantes do nosso país.

Vasco de Oliveira Granja nasceu a 10 de Julho de 1925, em Lisboa (Campo Ourique), e o gosto pela animação e BD foi cultivado desde muito cedo, com o pai a oferecer-lhe as revistas de banda desenhada que existiam nessa altura, e com as quais ele aprendeu a ler. Numa altura em que não existiam classificações etárias, os pais de Vasco Granja faziam questão de o levar ao cinema, e incutir assim desde cedo também a paixão por esta forma de arte.

Decidiu sair de escola muito cedo, começando a trabalhar nos Armazéns do Chiado com apenas 15 anos. Quando notaram como era a sua caligrafia, passou para o departamento de publicidade, tratando dos anúncios e cartazes da empresa. Mesmo a trabalhar, não perdia a paixão pelo cinema, e fazia questão de percorrer as salas da cidade, assistindo a sessões contínuas.com um gosto e entusiasmo que o acompanhariam para o resto da sua vida.

Arranjou depois trabalho na Tabacaria Travassos, na baixa lisboeta, onde confessa que aprendeu mais sobre a vida do que se tivesse continuado na escola. Um autêntico Autodidata, frequentava a Biblioteca Nacional, visitava museus e ia assim desenvolvendo o seu gosto e conhecimento por tudo aquilo que o apaixonava.


Aos 18 anos integrou a equipa de filmagens de um filme do realizador Santos Matos, integrando depois o Cineclube Imagem. No início da década de 50, era já membro da direcção do Cineclube, e aí aliou a paixão que tinha pelo cinema, à luta antifascista, isto depois de ter passado anos a conviver com poetas, pintores, romancistas, cineastas e muito mais, ao balcão da Travassos e em tertúlias que se realizavam por Lisboa.

Como membro clandestino do Partido Comunista, foi preso sem julgamento algumas vezes, devido a passar filmes proibidos pela censura, ou que incentivavam à luta contra o fascismo. Começa a tornar-se conhecido pelos seus artigos sobre cinema de animação, e no começo dos anos 60, visita o primeiro festival de animação do mundo, em Annercy, representando o cineclube.

Foi colaborador com a editora Arcádia entre 1958 e 1961, antes de começar a trabalhar na livraria Bertrand, e é nela que aprofunda a sua paixão pela banda desenhada, editando a revista Tintim (de 1968 a 1982). Já tinha escrito artigos sobre a 9ª arte, mas depois de ter visto uma exposição de banda desenhada no Festival de cinema de Annecy, decide dedicar a sua vida mais ao cinema de animação e à banda desenhada.


A prova como teve importância no nosso país, é facilmente demonstrado em diversos exemplos, e um dos maiores, foi o facto de ter sido ele a primeira pessoa a usar o termo banda desenhada para se referir às revistas em quadradinhos, e foi esta expressão que ficou para sempre, quando nos referimos a esta arte. Foi num artigo para o Diário Popular, intitulado "O maravilhoso mundo da banda desenhada" que isso aconteceu, suprimindo do nosso léxico o termo histórias aos quadradinhos, e adaptando assim o termo francês "bande dessinée".

Infelizmente continuava a sofrer com a perseguição da PIDE, sendo detido de novo em 1963, passando por diversas cadeias do estado, sendo vítima da tortura do sono entre outras coisas nada agradáveis. No final da década, integra a revista Phénix, e entra assim na década de 70 como uma das personalidades mais importantes deste género, representando o nosso país no Salone Internazionale dei comic em Itália.

Animou um dos primeiros fanzines de Portugal, o Quadrinhos, e editou a segunda série da revista Spirou, sendo ainda convidado para o júri do Salão Internacional de BD em Angoulême, em 1974 e 1975.  Foi nessa altura que acabou por aparecer na RTP, a apresentar o programa sobre cinema de animação que teve mais de mil emissões, e divulgou junto de todos nós as mais diferentes escolas de cinema de todo o mundo.


A sua preocupação em passar uma mensagem de paz, fez com que desse prioridade às animações da Europa de Leste, mas não deixava de apresentar desenhos vindos de países como o Canadá ou os Estados Unidos. Daí os destaques eram dados aos cartoons de Tex Avery e à Pantera Cor de Rosa, tendo sido o primeiro a mostrar-nos esta animação, ficando conhecido por cá como o pai da pantera cor de rosa.

Criou o curso de cinema, que ficaria mais tarde conhecido como Associação Portuguesa de Cinema de Animação e esteve ligado à fundação da primeira livraria especializada de BD em Lisboa, O Mundo da Banda Desenhada, em 1978. Nos anos 80, com a sua presença regular na Televisão, torna-se uma das personagens mais conhecidas e queridas tanto pelos mais novos, como pelos mais velhos. Foi também convidado para ser membro do júri de um festival de animação na antiga Jugoslávia, provando o respeito que tinha por todos neste meio, por cá e lá fora.

É membro activo da RTP e da editora Bertrand até começo da década de 90, altura em que começa a dar aulas de Cinema de animação na Escola profissional de Imagem em Lisboa. As Edições Asa lançam um livro biográfico sobre a sua vida em 2002, e no ano seguinte é alvo de uma merecida homenagem no Festival Internacional de Banda Desenhada de Lisboa, na Amadora.

Faleceu a 4 de maio de 2009, aos 83 anos, vítima de uma doença respiratória. Deixou uma filha, Cecília, que mantém viva a memória do pai e a sua importância nesta Página do Facebook, de onde tirei as fotos aqui presentes. Um homem inteligente, bom comunicador, bom professor e de bem com a vida, sabendo o que queria desta e o que queria ensinar aos outros.










quarta-feira, 20 de junho de 2018

... deste expositor de cassetes

quarta-feira, junho 20, 2018 0
... deste expositor de cassetes

Tive um expositor de cassetes igual a este. Não sei como ficou tão comum, mas o certo é que se via disto em várias casas, com as k7's (como se escrevia na altura) mais populares lá arrumadas. Quem mais teve?












sábado, 16 de junho de 2018

... do Drakkar Noir

sábado, junho 16, 2018 0
... do Drakkar Noir
Apesar de ser um produto que ainda é vendido nos dias de hoje, foi nos anos 80 e 90 que este perfume teve o seu pico de popularidade.

Pierre Wagnye criou a fragrância que ficaria conhecido como Drakkar Noir. Comercializado por Guy Laroche, foi lançado para o mercado em 1982, e passado 3 anos venceu um dos prémios mais conceituados da indústria, sendo considerado a Fragrância masculina de maior sucesso. Tornou-se um caso de sucesso na Europa, e associado a homens que queriam ir se divertir e conquistar mulheres.

No começo da década de 90, era o perfume mais vendido em todo o mundo, começando a conquistar também o mercado Norte-Americano. O seu cheiro intenso, visava realçar a masculinidade do utilizador, e por isso era associado a homens na procura de algo mais.

Foi uma daquelas marcas que ficou para a história, e ainda hoje é recordada em diversos programas de televisão que se debrucem sobre os anos 80. Os seus anúncios eram admirados pela qualidade, e sentido cinematográfico, dando uma aura mais elitista ao produto, isto apesar do preço ser bastante em conta.
















quinta-feira, 14 de junho de 2018

... dos papelinhos com pedido de namroo

quinta-feira, junho 14, 2018 0
... dos papelinhos com pedido de namroo

Era um clássico da escola, volta e meia alguém recebia um papelinho com uma singela pergunta, a de se queriam namorar com o autor da pergunta. No papel vinha ainda as duas respostas possíveis, Sim e Não, para que não houvesse qualquer dúvida. Desse lado receberam, ou enviaram um papelinho destes?













segunda-feira, 11 de junho de 2018

... da Maga Patalógika

segunda-feira, junho 11, 2018 0
... da Maga Patalógika

Era uma das minhas vilãs preferidas, uma das personagens mais interessantes da Disney e era sem sombra de dúvida o maior inimigo do Tio Patinhas.

A Maga Patalógika (Magica de Spell) foi mais uma criação de Carl Barks, que decidiu dar ao Tio Patinhas um inimigo mais interessante do que os Irmãos Metralha. A sua primeira aparição foi em 1961, e logo aí disse ao que vinha, ela queria roubar o maior tesouro do Patinhas, a sua moeda número 1.

Barks inspirou-se na actriz Sophia Loren, dando um aspecto mais sensual à personagem, fugindo do visual básico de bruxa feia com verruga no nariz. As suas histórias foram evoluindo, passou de um aspecto mais vilanesco, para um mais "simples", mais de desenho animado e as próprias aventuras também começaram a reflectir isso. Mesmo assim, foi dos piores inimigos do Patinhas, sempre muito perto de roubar a moeda e de a derreter no vulcão do monte Vesúvio.

Até chegou a viajar no tempo, para roubar a um Patinhas criança a sua primeira moeda, falhando por pouco no seu intento. O seu maior obstáculo aparecia na figura dos sobrinhos, especialmente os do Donald. que ajudavam a impedir a bruxa de conseguir aquilo que queria. A sua primeira aparição no Brasil foi na revista Pato Donald nº568, de Setembro de 1962.

Foram raras as histórias de Maga que não gostei, a personagem começou a aparecer para além das histórias do Patinhas, especialmente na companhia da sua amiga Madame Min. Eram engraçadas as histórias em que a Maga tinha que reportar a um conselho de bruxas, que achava que ela falhava no seu trabalho, porque ficava só concentrada no roubo da moeda.

Ela também tinha pouca paciência para a paixoneta da Min pelo Mancha Negra, e em algumas histórias interagiu também com outros vilões das revistas Disney, nunca correndo muito bem para as outras personagens. Não tardou para aparecerem histórias produzidas no Brasil, algumas pela mão de Ivan Saidenberg, e como era comum ao autor, o humor estava bem presente nessas aventuras.

Especialmente pelo destaque se dava ao seu corvo, o Laércio, que não tinha o mesmo destaque do gato da Min, mas nestas histórias dava o ar da sua graça. Quem mais era fã da Maga?









Já aqui falei dos Vilões da Disney e dos Irmãos Metralha podem verificar nos links. As imagens de histórias foram retiradas do excelente blog Histórias Comentadas.

domingo, 10 de junho de 2018

... do FIFA para Mega Drive

domingo, junho 10, 2018 0
... do FIFA para Mega Drive

Foi um dos títulos mais importantes no Mega Drive, uma pedrada no charco nos jogos de desporto, especialmente de futebol, e tornou-se rapidamente um dos favoritos dos utilizadores desta consola.

Comecei a jogar futebol no Mega Drive com o Itália 90, depois passei para o Sensible Soccer (que se tornou o meu favorito), e tive também o Super Kick off, sendo por isso normal o meu interesse quando saiu o primeiro FIFA International Soccer. Criado pela Electronic Arts, o jogo foi lançado em Dezembro de 1993, quando a Genesis/Mega Drive estava em alta, e foi um sucesso absoluto, tanto por parte do público, como por parte dos críticos.

Só saiu para outras consolas em 1994, e começou assim um reinado que perdura ainda nos dias de hoje. O jogo surpreendia por apostar numa vista isométrica, fugindo do género que estávamos habituados, que era a vista de cima. Também podiam estar 4 jogadores numa mesma equipa, algo que era um pouco confuso, mas também muito divertido e interessante.

Com nomes fictícios, sem possibilidade de edição, o mais interessante era mesmo as jogadas que podíamos fazer, os passes, os dribles e os golos especiais, tudo muito diferente daquilo que estávamos habituados. O sucesso foi tanto que foram vendidas mais de 500 mil unidades em apenas 4 semanas, e apesar de ter saído só em Dezembro, tornou-se o jogo mais vendido de 1993.


Foi por isso normal que saísse uma nova versão em 1994, intitulado FIFA 95 e feito exclusivamente para a Mega Drive. O jogo foi aplaudido pela crítica, e as mudanças foram todas para o melhor, conseguindo corrigir os erros apontados na primeira versão, melhorando o sistema de passe, e de posicionamento táctico dos jogadores. O único senão vinha na redução dos cânticos das claques e do som em geral durante o jogo, algo muito elogiado na primeira versão.

Mas estava assim iniciado o primeiro passo no império FIFA, que continuou com a edição do FIFA 96, o primeiro a ter um maior destaque fora do Mega Drive, devido à versão em 3D para a Sega Saturn e Playstation One, com as consolas da Nintendo e da Sega a manterem os motores de jogo das anteriores versões.

Quando chegamos ao FIFA 97, era a versão da Playstation a merecer as melhores críticas, com a  versão de PC a ser criticada pela sua lentidão, e a da Sega a não ser muito apreciada pelos fãs devido a não ser muito diferente das outras versões. Com a própria consola a perder popularidade, a saga chegou ao fim na edição de 1998, com o Road to Wotld Cup a fechar o reinado do futebol da EA nas consolas da SEGA.


O primeiro FIFA tinha só selecções, 48 cada uma com 20 jogadores, enquanto que a versão seguinte já tinha 8 campeonatos, 6 europeus (França, Itália, Espanha, Holanda, Inglaterra e Alemanha) e 2 americanos (Brasil e EUA). Cada equipa tinha 16 jogadores, o mesmo número utilizado nas selecções desta versão, que passavam para 58 disponíveis.

No FIFA 96, apareciam mais alguns campeonatos, mas o que o fazia destacar-se era sem sombra de dúvida vir com os nomes reais, fruto da licença que obtiveram para esse efeito. Já o 97, trouxe apenas o extra de podermos jogar Futsal, o que provocou algum desânimo para quem coleccionava estes jogos.

Quem mais era fã? Lembram-se de fugirmos dos árbitros? E da jogada típica de cruzar para a grande área e marcar depois de cabeça?







sexta-feira, 8 de junho de 2018

... destes Despertadores

sexta-feira, junho 08, 2018 0
... destes Despertadores

Tive um verde como o da imagem, e nos dias de escola lá era ele que me acordava de manhã. Lembro-me de acordar à noite, e conseguir ver as horas, por causa dos ponteiros que brilhavam um pouco no escuro. Tenho ideia de ter sido comprado numa loja dos 300, mas eram muito comuns a dada altura. Quem teve?