quinta-feira, 15 de abril de 2021

... dos Cigarrinhos de chocolate

 



Quem nunca fingiu fumar com um destes? Parecíamos todos mais cool, com mais estilo. Mas eram outros tempos.

O tempo do politicamente incorrecto, onde era possível colocar uma criança a fingir que fuma num pacote de cigarrinhos de chocolate, para aliciar a sua compra.

Nos anos 70 ainda era considerado chique fumar, era ver os homens um pouco por todo o Mundo (Portugal e Brasil não foram excepção) a fumar em cadeia. Foi por isso normal que ninguém levasse a mal quando alguém se lembrou de colocar no mercado uns cigarrinhos de chocolate de leite, para qualquer criança poder imitar o seu pai (e quem não gostava de fazer isso?) mas em vez de colocar um cigarro na boca, podia então "deliciar-se com este pedaço de chocolate enrolado e fingir que fumava. As aspas são por causa da qualidade deste chocolate, que não era da melhor.

No Inverno lembro-me de tudo fingir que soprava o fumo deste "tabaco", usando a condensação do hálito que o ar frio permitia, o que nos fazia ter mais pinta. Era comum ficarmos com este cigarro na boca quase até o chocolate derreter, só para o estilo, e só depois é que comíamos. A marca PAN foi uma das mais populares, com as suas embalagens com um menino negro e outro branco a darem um ar de fumantes e a entusiasmarem-nos a usá-lo daquela forma.

Curiosamente nem todos os que andavam com isto viravam fumadores, provando por isso que o politicamente incorrecto dos anos 70 e 80 não era assim tão descabido, dependia um pouco da educação e do bom senso incutido em nós pelos nossos progenitores.







quinta-feira, 8 de abril de 2021

... da série Pretender

 


Era a minha série preferida, todas as sextas eu fazia de tudo para não perder um episódio, já que adorava o seu conceito.


TVI (ou o 4º canal como era conhecido na altura), no seu começo enchia o horário nobre com séries, todos os dias da semana era uma diferente e à Sexta-Feira era o dia do Pretender. Era completamente viciado nesta série, com um protagonista cheio de carisma, já que não é qualquer um que vende a ideia de todas as semanas ser um Ás nas mais diferentes profissões, desde Médico a piloto de carros de corrida.

Jarod (Michael T.Weiss) era um jovem que tinha sido raptado enquanto criança por uma organização chamada The Center. Esta impediu-o de ter uma infância normal, fechando-o num quarto e criando-o para que este se tornasse um Pretender, alguém com capacidade de integrar qualquer tipo de personalidade, tornando-se um expert em qualquer tipo de área profissional. Com o seu elevado QI e capacidades acima da média, ele revelou-se uma escolha ideal para este tipo de trabalho desde tenra idade.

Quando ele descobre que as suas habilidades eram usadas para experiências com um objectivo maléfico, decide fugir do Center e começar uma viagem pela América, ajudando pessoas no seu caminho, tentando descobrir o destino de seus pais e redescobrindo a infância que tinha perdido. Alguns dos momentos mais engraçados dos episódios, eram quando Jarod encontrava alguma criança a brincar e ficava fascinado com aquele brinquedo, mesmo que fosse algo básico como aquela típica mola elástica para colocar a descer escadas, e viciava-se nele com os olhares espantados pelas suas reacções.


A série tinha bastante acção e um feeling "Fugitivo", já que era mostrada a perseguição de agentes do Center, com a Miss Parker (Andrea Parker) à cabeça, a um dos seus activos mais valiosos e onde tinham gasto tanto tempo e dinheiro no seu treino. O maléfico Mr. Raines (Richard Marcus) era uma figura assustadora, completamente careca e tendo que transportar uma garrafa de oxigénio consigo devido a problemas de saúde, que queria a todo o custo Jarod de volta.

A ajudar a Miss Paker encontrávamos o típico sidekick cómico, um nerd inteligente viciado em computadores chamado Broots (Jon Gries) que morria de medo de Miss Parker, mas que gostava do seu trabalho, e ainda o psiquiatra Sydney (Patrick Bauchau), que tinha sido como um pai para Jarod e que mantinha contacto às escondidas com o seu protegido que o procurava para conselhos. Sydney tem sentimentos paternalistas e nunca se esforça muito nesta procura pelo regresso de Jarod, embora no fundo também queira isso no começo.

As duas primeiras temporadas são bem interessantes, mostram profissões interessantes para o Jarod, a sua loucura sempre que encontra um brinquedo novo e o gosto que lhe dá escapulir e brincar com a vontade de Miss Parker o prender. A série depois complica um pouco, com twists sobre quem é mau e é bom, sobre relações familiares com descobertas de irmãos e afins, e começa  ter muitas pessoas no elenco, o que numa série com feeling "Fugitivo" nunca é boa coisa.

A série teve 4 temporadas e foi cancelada sem ter tido um final certo, foram então filmados dois telefilmes que ajudaram a pelo menos fechar as storylines da série. Foram 86 episódios, de 1996 a 2000, tendo sido transmitidos pela TVI às Sextas pelas 21h30 começando em 1997. Mais tarde o canal voltou a transmitir isto de madrugada.











sexta-feira, 2 de abril de 2021

... da Nota de 5.000 escudos Antero de Quental

 


5 Contos era já uma pequena fortuna nos anos 80, e ainda era assim na década de 90, quando surgiu esta.


A primeira nota saiu de circulação em 1992, entrando para o seu lugar esta com o Antero de Quental. Esta nota era do mesmo tamanho da sua antecessora, 170 mm x 75 mm, mantendo assim a imponência que o seu valor exigia, e no verso tinha algo que algo simbolizava o esforço conjugado da Liberdade e Trabalho. Tinha uma cor esverdeada, e apesar de continuar a ser muito valiosa quando apareceu pela primeira vez, a 7 de Agosto de 1987, esta já não era tão rara de aparecer nas mãos dos adultos, e em algumas raras ocasiões até podíamos ter a sorte de receber uma.

Lembro-me bem de um dia em que ao andar na rua com os meus pais no típico passeio de Domingo, encontrei uma toda enrolada no passeio e a qual me deixaram ficar com ela para poder gastar como quisesse. Isto em 1988 fazia-me sentir como o homem mais rico do mundo.

A nota só foi retirada de circulação em 1996, quando infelizmente pegou a moda em Portugal de se ter notas muito pequenas e com aquela coisa de terem um símbolo que brilhava aquando se aproximava da luz.












quinta-feira, 25 de março de 2021

... da Heidi

 


Um dos desenhos animados de maior sucesso no nosso país, apaixonando miúdos e graúdos

A escritora Suiça Johanna Spyri criou esta personagem num livro editado em 1880, e em 1974 o conhecido estúdio Nippon Animation, em conjunto com a Eizo Zuiyô, adaptou a história para um desenho animado que foi um sucesso internacional. Foram 52 episódios de mais um anime de fazer chorar as pedras da calçada, com cenários lindíssimos de Hayao Miyazaki (que viajou do Japão para os Alpes Suiços para desenhar os fundos da série) e banda sonora a cargo de Takeo Watanabe.

Portugal rendeu-se aos encantos de uma pequena menina que vivia nos Alpes Suiços com o seu Avô, a Heidi. Foi presença constante na RTP durante as décadas de 70 e 80, cativando assim diversas gerações de meninos e meninas com a história enternecedora desta pequena Orfã.

Para terem uma pequena noção, a  RTP transmitiu isto pela primeira vez em 1976 (na versão Japonesa legendada em Português), mas na sua primeira repetição (pouco tempo depois) já a apresentou com a dobragem Portuguesa que a ajudou a ficar famosa e a ser repetida por diversas vezes ao longo de toda a década de 80.

Heidi (Carmen Santos) é uma menina órfã que vive com sua Tia Dete (Isabel Ribas) desde pequenina. Um dia, a Tia arranja trabalho em Frankfurt e decide deixar Heidi aos cuidados do seu Avô paterno (Canto e Castro) que vive nas montanhas. Nunca se soube o nome do Avô, e ele no começo impunha bastante respeito e até algum medo, mas com o tempo começamos (assim como a pequena orfã) a gostar daquele velhote, que começou ele também a gostar muito da sua neta. Um pequeno pastor chamado Pedro (Irene Cruz) vira o maior amigo de Heidi, e brincava sempre com ela nas montanhas onde viviam.

O problema foi quando um dia a Tia Dete regressa às montanhas para levar Heidi para Frankfurt. A menina vai viver para a casa de uma família rica, onde conhece Clara (Ana Madureira), uma jovem muito só e parapelégica. Apesar de ficar amiga de Clara, Heidi não é feliz, pois tem saudades das montanhas, do avô e do seu amigo Pedro.

Via isto com uma vizinha amiga, nunca fui muito fã do programa devido ao excesso de carga emocional deste e de ter um ar muito "para menina". Mas confesso que me emocionei e até me diverti em alguns episódios. Logicamente que gostava mais de cantar a versão da música do Avozinho inventada nos recreios das escolas.














quarta-feira, 10 de março de 2021

... dos filmes com a dupla Bud Spencer e Terence Hill

 


O que me diverti a alugar filmes desta dupla, onde podia ver porrada e rir-me com tudo o que acontecia neles.


Sábado era dia de alugar um filme da dupla Bud Spencer e Terence Hill do video clube, o meu pai assim o exigia e eu também não me chateava nada com isso. Era certo e garantido que nos iríamos rir e nos divertir com os filmes de estes dois, e por isso era uma tradição que era cumprida à risca.

Carlo Pedersoli Mario Girotti eram dois actores Italianos, que no final da década de 60 alteraram os seus nomes para Bud Spencer Terence Hill e começaram a protagonizar filmes em conjunto, que iam deste o Western Spaghetti ao género acção-comédia, todos eles com algum sucesso pela Europa e não só.

Por cá eles foram um sucesso das k7s VHS, todo o mundo alugava-as e por vezes combinava-se uns encontros para se ver os filmes em grupo de amigos. No Brasil para além de também serem um sucesso nas locadoras, eram uma constante nas sessões da tarde de alguns canais de TV, ajudando a que esta dupla fosse bem sucedida também nesse País. O facto de Bud Spencer também falar Português, por ter trabalhado no consulado Italiano no Brasil, ajudava a esse sucesso já que fez a dupla visitar o País por algumas vezes e aparecer em programas de TV como os Trapalhões, onde foram entrevistados.



Um dos meus filmes preferidos da dupla é A Super Patrulha, filme que mostra alguns dos clichés habituais nos filmes não western com estes dois actores, desde mostrar que Bud não gosta de Terence mas tem que o aturar porque alguém fez deles uma dupla, à pancada forte e feia que distribuíam pelos vilões da trama, até à menina bonita pela qual o Hill engraça e promete ajudar num problema que a aflige.

O engraçado nos filmes era perceber que eles eram dobrados em Inglês (no Brasil então eram dublados de novo para o Português do Brasil), já que os actores falavam Italiano e por isso para terem sucesso nos Estados Unidos (e outros Países), procediam a essa dobragem. Só descobri isso muito tarde, apanhando um choque. O barulho exagerado nas cenas da pancadaria ajudava à coisa também, os murros de Bud (ou as suas estaladas com toda a força) eram quase sempre acompanhados por um efeito sonoro de grande intensidade.


Para além destes filmes com uma temática comum, passadas na cidade ou em locais exóticos, existiam também os Western, onde o maior sucesso da dupla veio com os filmes com Trinitá no seu título. Confesso que não era tão fã destes filmes, mas eram um grande sucesso entre os Pais que gostavam de ver uma boa cowboyada.

Revi há pouco tempo 2 filmes com esta dupla e posso dizer que ainda nos conseguem divertir bastante, as situações absurdas onde os dois se metiam, as picardias fraternais entre os dois com o Hill a conseguir sempre chatear o Spencer ou o enervar de tal modo que acabava por bater em alguém, ou a loucura nas cenas da pancada continuam a ser uma boa escolha para ver numa tarde chuvosa ou num dia solarengo também.










segunda-feira, 8 de março de 2021

... do jogo Road Rash

 


Um dos jogos mais divertidos para a Mega Drive, afinal envolvia conduzir motas e andar à porrada  e qualquer criança no começo da década de 90 vibrava com isso.

Road Rash foi criado pela Electronic Arts em 1991 para a consola da Mega Drive da Sega, Neste jogo para além de conduzirmos a mota, podíamos também andar à pancada utilizando pés de cabra, nunchakus, bastões de basebol e outras coisas mais, que nos deixavam extasiados e tornava a coisa ainda mais emocionante, do que apenas o simples objectivo de cortar a meta em 1º lugar.

A história consistia em corridas de motos ilegais,, em cada nível havia uma corrida e tínhamos que terminar num certo lugar para avançarmos para a próxima. Em cada novo nível a corrida ficava mais difícil e mais violenta de modo a dificultar a coisa. Com o dinheiro que ganhávamos em cada corrida, podíamos melhorar a nossa mota para que esta ficasse mais rápida e mais resistente, para além de conseguirmos melhor armas também.

No ano seguinte houve uma sequela que foi ainda melhor. Os menus do jogo eram mais fáceis de navegar, e a pancada em cima das motas tornou-se mais fluída e rápida ,o que tornava a coisa ainda mais divertida.







quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

... das Petas Zetas

 


Uma guloseima futurista, que todos queriam experimentar para ouvir o barulho que ela fazia na nossa boca.

Era incrível as coisas que podíamos comprar para comer durante a década de 80, guloseimas para todos os gostos e feitos que dependiam muitas vezes de um marketing inteligente para sobreviverem nas prateleiras. As Peta Zetas são um bom exemplo disso, era vendido como algo "espacial", aprovado pelos Astronautas e afins.


Foi um Químico que inventou esta guloseima ainda nos anos 50. William A. Mitchell concebeu este produto que era uma mistura de Açúcar, Lactose, Xarope de Milho e alguns condimentos em 1956, sendo patenteada pela General Foods Americana mas sem grande sucesso comercial. Não ajudou a criação de um mito urbano, em que se comessem esta guloseima e bebessem Coca-Cola ao mesmo tempo, podia haver uma explosão no estômago.

A empresa Espanhola Zeta Espacial compra então os direitos de produção e muda o nome de Pop Rocks para Peta Zetas começando a exportar para outros Países como Portugal, onde fez um sucesso tremendo. Apareceu em todo o lado e na publicidade mostrava um Astronauta todo contente a recomendar a ingestão deste produto, dizendo que é algo espacial e recomendado por todos os que andam pelo Espaço.

Curiosamente quando começaram a importação para os EUA, as Peta zetas chegaram a ter mais sucesso que o seu predecessor, provando que um bom marketing faz toda a diferença. Aquilo tinha vários "sabores", mas a piada era que quando metíamos aquilo na boca aquilo começava a fervilhar e "ardia" um pouco, era logo pura diversão para toda a criançada dos anos 80.

Quem não tentou falar com a boca cheia de Peta Zetas e ouvir aquele barulho estrilhante?