Ainda sou do tempo

domingo, 7 de julho de 2019

... do Vento nos Salgueiros (Wind in the willows)

domingo, julho 07, 2019 0
... do Vento nos Salgueiros (Wind in the willows)


Tivemos sempre acesso às produções de qualidade que vinham de Inglaterra, como é o caso do Vento nos Salgueiros.

Wind in the Willows (Vento nos Salgueiros), foi um livro infantil escrito por Kenneth Grahame em 1908, mostrando as aventuras de 4 animais antropomórficos numa Inglaterra bucólica, de outros tempos e com outra classe e encanto. Grahame tinha escrito a história em diversas cartas para o seu pequeno filho, Anos mais tarde lembrou-se de as reunir, e editar um livro que lhe rendeu uma fortuna, dando-lhe a oportunidade de deixar o seu emprego e tudo.

Começou a ficar mais famoso ainda quando a obra começou a ser adaptada para o teatro, dando um maior destaque ao sapo, algo que continuou a acontecer aquando das adaptações para TV. Em 1983 a Cosgrove Hall films produziu para a Thames Television um filme em stop motion, que veio a ganhar um Bafta e um Emmy. O filme de 80 minutos foi transmitido pela iTV, com alguns actores conhecidos a emprestarem as vozes a estas personagens carismáticas, e com música de artistas de bandas como Herman's Hermits.

Com o sucesso do filme produziu-se uma série que teve 5 temporadas e 65 episódios, transmitida entre 1984 e 1987 (a 5ª em 89), e que passou na RTP. Já não me recordo se dobrada em Português se no seu original e com legendas, mas sei que a música do genérico era em Português e pela voz de Jorge Palma, eis a letra da música:




VENTO NOS SALGUEIROS

Enquanto eu seguia caminhando
Em uma manhã na primavera
Eu encontrei alguns viajantes
Em uma velha estrada rural

Um era um homem velho
O segundo uma moça
O terceiro era um jovenzinho
Que sorriu enquanto disse

REFRÃO:
"Com o vento nos salgueiros
Os pássaros no céu
Há um sol radiante para nos aquecer
Onde quer que deitemos...
Nós temos pão e peixes
E um jarro de vinho tinto
Para dividir em nossa jornada
Com toda a humanidade."

Então eu lhes pedi
Que me dissessem seus nomes e sua raça
Assim eu poderia me lembrar
De cada sorriso em seus rostos

"Nossos nomes, não querem dizer nada...
Eles mudam ao longo do tempo
Então venha se sentar ao nosso lado
E dividir nosso vinho"

REFRÃO

Então eu me sentei ao lado deles
Com flores por toda parte
Nós pegamos um manto
Estendemos no chão

Eles me contaram sobre os profetas
E povos e reis
E tudo de um Deus
Que tudo sabe

"Nós estamos viajando para Glaston
Sobre as estradas verdes da Inglaterra
Para ouvir sobre os problemas dos homens
Para ouvir suas dores
Nós viajamos o mundo todo
Sobre terra e mar
Para dizer a todas as pessoas
Como elas podem ser livres..."

REFRÃO

Tão tristemente eu as deixei
Naquela velha estrada rural
Pois eu sabia que nunca mais os veria
Um era um homem velho
O segundo uma moça
O terceiro era um jovenzinho
Que sorria enquanto dizia...

No filme foram omitidos alguns capítulos do livro, e tinh uma ou outra diferença, mas a série já foi bastante mais fiel à fonte. Vemos assim como uma Toupeira cansa-se das limpezas da Primavera e decide ir apanhar ar e passear, indo parar a um local onde encontra o Rato e o seu barco, depois de alguns passeios trava amizade com ele, e começam a andar muito tempo juntos. No verão decidem visitar o Sapo, um animal rico que vive num salão imponente. O sapo por norma é sempre bastante animado e divertido, e está sempre a trocar de hobbys e de passatempos.

Mais tarde conhecem o Texugo, completando assim o grupo de animais que vai viver as aventuras juntos e se tornam bons amigos. Aparecem mais animais nas histórias e capítulos, mas este grupo torna-se aquele de onde parte toda a acção.

Nunca fui muito fã deste tipo de programa, feito por stop-motion mas este realmente tinha um encanto especial e lembro-me de gostar de ficar a ver com encanto aquelas paisagens todas e as aventuras que eles viviam.











segunda-feira, 1 de julho de 2019

... dos X-Files (Ficheiros Secretos)

segunda-feira, julho 01, 2019 0
... dos X-Files (Ficheiros Secretos)

Foi uma das séries de mais importantes da década de 90, com as frases "I want to believe" e "The truth is out there", a aparecerem um pouco por todo o lado.

Ficheiros Secretos (Arquivo X no Brasil, X-Files no original) foi um marco na Televisão, a série esteve no ar quase 10 anos, de 1993 a 2002 com 9 temporadas. Foram 202 episódios que deram origem ainda a 2 filmes anos mais tarde, e um regresso à televisão recentemente, num nova temporada. Em Portugal foi transmitido pela TVI na segunda metade da década de 90,, tornando-se uma das imagens de marca do canal, e no Brasil foi transmitido pela rede Record

A Segunda feira à noite era sagrada, todos sabíamos que era dia de X-Files, e por isso a seguir ao jantar, mudávamos para a TVI para assistir a mais um episódio desta série, que nos conquistava com as suas teorias da conspiração, a abordagem constante à possibilidade da vida Alienígena entre os Humanos, e o carisma dos seus 2 protagonistas.

David Duchovny era Fox Mulder, um agente do FBI que crê no Sobrenatural e na existência de vida Extra Terrestre, vivendo atormentado pelo rapto da sua irmã (segundo ele por aliens) e ganhando com isso inimigos, para além de ser alvo de gozo dentro do FBI. 
A sua parceira Dana Scully, interpretada por Gillian Anderson, servia como uma âncora para a realidade, com o seu sentido céptico da vida, a tentar encontrar sempre razões lógicas, e explicações científicas para as teorias de Mulder.




A série vivia do mistério nos seus plots, do suspense e de alguma acção temperada Q.B. com alguns momentos de humor, e até alguma química romântica entre os 2 protagonistas. Durante as primeiras sete temporadas, há uma evolução na história que permite descobrir que existia realmente uma invasão Alienígena, com a própria Scully a render-se às evidências que culminam no rapto de Mulder por parte desses aliens (uma forma de afastar o actor devido a conflitos em tribunal entre ele e os produtores), que é assim substituído pelo actor Rober Patrick (John Dogget) nas duas últimas temporadas, com Mulder a aparecer apenas esporadicamente.

Scully recebe ainda a ajuda de Monica Reyes (a actriz Annabeth Gish) que acaba por ficar como protagonista quando Scully abandona o FBI. A série tinha ainda 2 personagens muito importantes, o supervisor de Mulder e Scully, Walter Skinner(Mitch Pilegi) e o Smoking Man (William B. Davis), para além de outras que apareciam regularmente, como o grupo de geeks a quem os agentes pediam ajuda em alguns casos.

Uma série que marcou a cultura Pop e ainda hoje é referenciada como uma das melhores da televisão. Nem sempre tinha paciência para os constantes monstros diferentes todas as semanas, mas gostava de alguma das teorias e o fio condutor das histórias da série.












quinta-feira, 27 de junho de 2019

... da Mulher do Sr. Ministro

quinta-feira, junho 27, 2019 0
... da Mulher do Sr. Ministro

Um dos melhores programas de humor dos anos 90, Mulher do Sr. Ministro mostrou todo o talento de Ana Bola como autora e actriz.

A Mulher do Sr. Ministro podia-nos lembrar a britânica "Yes prime minister" mas era muito mais do que isso, tinha uma personalidade própria, e um humor que contava com a ajuda de um País ainda em plena era Cavaquista. Ana Bola foi uma das melhores aprendizes do mestre Herman José, e assim como nos seus programas, também Ana Bola soube reunir um elenco de extrema qualidade ao seu redor. 

Vítor de Sousa era o seu parceiro, o Ministro Rocha, a pessoa ideal para representar um ministro incompetente, ingénuo, que se deixava levar por alguém mais forte, como era o caso da sua esposa. Maria Rueff foi a revelação do programa, no papel da criada Rosa (a afilhada de Lola Rocha), uma pessoa simples, que vinha da terrinha, e 
que se apaixona pelo polícia Manuel, interpretado por João Cabral.

No escritório Miguel Melo era Alfredo, o fiel assistente do ministro, e que tinha pouca paciência para a falta de inteligência do mesmo, enquanto que Maria de Lima era Tita, uma secretária bonita e um pouco "tia".




A primeira temporada durou de 1994 a 96, e acompanhou a ascensão do ministro Rocha, sempre apoiado pela sua mulher Lola. O programa foi mudando com os tempos, até ao ponto que a própria Lola virou ministra, e o elenco foi sendo mudado (para pior) com a entrada de Cândido Mota e Alexandra Leite para os lugares de assistente e secretária.

O programa era bastante divertido, tinha diálogos inteligentes e engraçados, ao que se juntava um elenco que tinha uma grande química e se conheciam muito bem. Eu ria-me bastante com a figura de Ana Bola, em especial a enorme cabeleira que colocava na sua cabeça, e na interacção entre ela e a Maria Rueff. O ar clueless do Vítor de Sousa também ajudava ao sucesso do programa, que era sempre passado ou no apartamento do Rocha, ou no seu escritório.

A RTP Memória repete bastante este programa que foi transmitido pelo Canal 1 entre 94 e 97 e as suas duas primeiras temporadas continuam a ser do melhor humor que já se viu por cá.

















segunda-feira, 24 de junho de 2019

... do Bronzaline

segunda-feira, junho 24, 2019 0
... do Bronzaline

Muitos devem ter usado este bronzeador, que garantia um belo escaldão em pouco tempo.

Era um produto da Nally, empresa sediada no Campo Grande, em Lisboa, fundada ainda nos anos 30 conhecida pelo seu creme Benamôr, usada por nomes importantes da nossa sociedade. Em 2009 foi comprada por 3 empresários que decidiram relançar alguns destes produtos, para um mercado de luxo.

O Bronzaline foi um dos seus sucessos, embora muitos se queixassem de não ser muito eficaz a evitar um escaldão.

Primeira e última imagem retiradas do Santa Nostalgia.















sábado, 22 de junho de 2019

... do Indiana Jones

sábado, junho 22, 2019 0
... do Indiana Jones

Lembro-me de ver o Indiana Jones pela primeira vez na televisão, devia ser entre 1986/88, e fiquei logo fã da personagem. 

Raiders of the Last Ark estreou em 1981, e foi uma prova do amor de Steven Spielberg pelos seriados de aventura, ressuscitando esse género em Hollywood, depois de Indiana Jones ser um sucesso de bilheteira

O filme começava mostrando um aventureiro numa selva, entrando dentro de um templo para tentar roubar um ídolo de ouro. Este tem que enfrentar diversas armadilhas rústicas, com a ajuda da sua inteligência e do seu chicote, enquanto que ao fundo ouvimos uma música que dá ainda mais emoção à coisa toda. O que mais me recordo, foi do medo que tive quando o nosso herói e a sua parceira feminina se encontram num buraco escuro cheio de cobras, e tinham que arranjar forma de escaparem daquilo tudo e chegarem à superfície.

A história envolve ainda Nazis e a procura de uma arca sobrenatural que roça conteúdos religiosos, o que dá ao filme uma aura um pouco polémica para o que estávamos habituados a ver. Mas o que interessa é que aquilo tudo deu um excelente filme de aventuras, mais um belo filme da casa do Steven Spielberg e que rapidamente se tornou um marco e um dos nomes mais conhecidos da indústria cinematográfica. Um Harrison Ford em forma e carismático ajuda à coisa toda, as suas tiradas cómicas ajudavam a aliviar a acção da coisa, e nos prendia ainda mais à personagem.

Cenas como a bola de pedra a rolar para cima do Indiana ficaram na nossa mente e tornaram-se um ícone do cinema, assim como a troca do ídolo de ouro por um saco cheio de areia. O filme é cheio de peripécias, que acaba com elementos sobrenaturais a eliminarem os vilões da história e a pregarem-nos um grande susto

Foi uma pena o segundo filme seguir uma toada muito mais sombria, muito mais sóbrio e perder assim muito do espírito do primeiro. Enquanto que nos Salteadores da Arca Perdida os elementos sobrenaturais eram apenas um complemento ao plot, com a aventura em primeiro plano, no Templo Perdido a coisa inverte-se, e afasta assim aquele público adolescente e pré adolescente que tanto tinha vibrado com o primeiro filme.




Spielberg apercebe-se disso, e decide então terminar a trilogia com um filme mais leve e de regresso à toada de aventura, regada com humor, do primeiro filme. E foi assim que no final da década de 80 e começo da década de 90, todos nós vibrámos com o Indiana Jones e a grande Cruzada, um filme que tinha o bónus de ter o James Bond Sean Connery no papel de pai do nosso herói.

Tive algum material de merchandising deste filme, como um Dossier para a escola e um estojo, e gostei muito de ver o filme, já que este foi regado com muita acção, com aquela música maravilhosa sempre em destaque, e com bons momentos de humor. É impossível não rirmos com a cena em que Ford encontra-se com Adolph Hitler, e este autografa o seu livro, ou com os diálogos entre pai e filho que têm momentos bem engraçados entre os dois, enquanto trocam farpas sobre o passado do nosso herói.

Esta é outra coisa interessante do filme, temos muitas cenas que nos mostram mais sobre o passado do nosso herói, mostrando como ele usou o chicote pela primeira vez, como recebeu o chapéu de aventureiro ou como ficou com o medo patológico de cobras. O papel de Indiana Jones jovem era desempenhado pelo actor River Phoenix, e as cenas agradaram tanto o público que se produziu uma série de TV que mostrava as crónicas de um jovem Indiana Jones e várias graphic novels. Um herói que atravessou várias vertentes da comunicação social, já que até uma série de banda desenhada teve direito, publicado pela editora Marvel Comics e que teve algum sucesso.

É uma daquelas sagas históricas de Hollywood e que deve ser visionada por todos os fãs de bom cinema para se deliciarem com umas películas bem divertidas e cheias de acção.










domingo, 16 de junho de 2019

... do Art Attack

domingo, junho 16, 2019 0
... do Art Attack

Pedro Penim apresentou a versão portuguesa do programa Art Attack, sendo um dos principais responsáveis pelo sucesso que teve no nosso país.

O programa teve origem na Inglaterra, criado por Neil Buchanan para a Independent Television em 1990. A ideia era mostrar às crianças como podiam criar "arte" a partir de objectos que tinham lá por casa, ensinando-os também a reciclar. Podiam ser quadros, brinquedos, esculturas, valia tudo, utilizando coisas como massa, cartolina, cola ou elásticos.

Em 1998 a Disney comprou os direitos para transmitir o programa internacionalmente, e criou versões próprias, com apresentadores nativos desses países. algumas com muito sucesso, como a do Brasil, Espanha e Portugal. Pedro Penim foi o apresentador escolhido, e o seu passado como actor ajudou a que tivesse um grande à vontade com a câmera, e nem precisasse de teleponto.

Os ingleses adoravam-no, chegou a ir várias vezes aos estúdios em Londres, e em 2005 chegou a apresentar também o do Brasil. Em estúdio Penim era acompanhado pelo cabeçudo, e o "mãozinhas" (que era o próprio Buchanan). Juntos encantaram uma geração, que sabia assim aproveitar coisas como rolos papel higiénico, e fazer brinquedos que podiam usar.

Em 2012 é substituído por Salvador Nery, mudando também o cenário e genérico.











terça-feira, 11 de junho de 2019

... do Lecas (José Jorge Duarte)

terça-feira, junho 11, 2019 0
... do Lecas (José Jorge Duarte)

José Jorge Duarte é um actor conhecido da nossa televisão. a sua voz é reconhecida por muitos, pelos seus trabalho de dobragem, mas para uma certa geração, ele é simplesmente o Lecas.

José Jorge Marques Duarte de Jesus nasceu a 7 de Abril de 1963 em Almada. e ficou conhecido no mundo artístico quando venceu o concurso Écran Mágico da RTP 2 em 1979. Artur Semedo, que era júri no programa, decidiu apostar nele e o actor começou a aparecer em sketchs de diversos programas. Em 1984 era já uma presença constante nos nossos ecrãs, colaborando em programas como Eu Show Nico e Zarabadim.

Eduardo Gomes, director de programa da RTP na altura, convida-o para apresentar o programa que dava aos Sábados de Manhã, onde eram transmitidos os desenhos animados para os mais novos. Com liberdade total para criar a personagem, deu-lhe um cunho próprio e esta tornou-se um enorme sucesso. O nome Lecas veio do coelho de Eduardo Gomes, mas tudo o resto foi criação do actor.

Foi então no Juventude e Família que estreia a personagem, que teve direito a um background e tudo, José Duarte deu-lhe o nome de Idalécio Completo Sepúlveda, que em pequeno era chamado de "meia-leca", e a alcunha ficou. Até teve direito a família, a sua namorada era a Lola (interpretada por Paula Fonseca), e tinha um primo chamado Desatino (José Pedro Gomes).



O modo original e castiço como apresentava o programa depressa conquistou-nos a todos, os mais novos deliravam com o seu à vontade e forma de falar. e os pais até lhe achavam alguma piada, tornando-o um dos rostos mais populares da RTP. Alguma crítica não era fã do seu modo de apresentar, e só o do Expresso elogiou a sua forma de estar, algo que deu força ao actor nesta nova carreira.

Confesso que no começo não lhe achava muita piada, mas depois comecei a engraçar com ele, e houve outros programas onde gostei mais de o ver. Começou a ser a principal cara de programas infanto-juvenis, apresentando "A hora do Lecas" e o "Lecas, mais certo que sem dúvida", e não estava só limitado aos Sábados de manhã.

Os seus programas tinham uma constante, divertir a ensinar, com canções e passatempos didácticos, tudo de uma forma irreverente e muito divertida. Foi por isso que sempre agradou a pais e filhos, e começou a ter outras oportunidades na TV, noutro tipo de programas, isto para além de ser uma presença regular em peças de teatro.

Foi um dos primeiros rostos da SIC, mas depois decidiu dedicar-se à dobragem, tornando-se um dos maiores nomes do meio, e um dos melhores directores de dobragem do nosso país. Ainda hoje é reconhecido na rua como o Lecas. algo acabou por aceitar na sua vida.