Ainda sou do tempo

terça-feira, 11 de abril de 2017

... do Óleo de Fígado de Bacalhau

terça-feira, abril 11, 2017 0
... do Óleo de Fígado de Bacalhau


Não me recordo sinceramente de ter tomado disto, e por todos os relatos que já ouvi, estaria por certo nas minhas lembranças, já que todos que o tomaram, ainda hoje se lembram do seu horrível sabor. O Óleo de Fígado de Bacalhau, foi o terror de muita criança entre as décadas de 60 e 80, altura em que começou a deixar de ser usado com tanta frequência.

Existia na forma de xarope e de cápsulas, há quem diga que existiam variantes com sabor a banana (que atenuava o outro sabor), e que recebiam por norma uma colher de açúcar de seguida, para adoçar a boca. O sentido de em Portugal existir um consumo, quase obrigatório, do Óleo de fígado de bacalhau não fazia muito sentido, já que pesquisando sobre o assunto, constato que o seu uso deve-se sobretudo a quem tenha falta de Vitamina D, ou seja, pouca exposição ao sol.

Não se pode dizer que Portugal tenha por isso uma grande necessidade de tomar isto, mas o certo é que muitos tomaram e recordam-se com pavor desses tempos. As justificações eram as de sempre, "vai-te fazer bem", "ajuda-te a crescer", etc. Quem tomou disto?


















quinta-feira, 6 de abril de 2017

... do Bento

quinta-feira, abril 06, 2017 0
... do Bento

Uma das maiores figuras do futebol português, Manuel Galrinho Bento foi um guarda redes excepcional, que defendeu com qualidade as redes do SL Benfica e da selecção nacional. Em 2015 foi considerado por um painel da UEFA, o melhor guarda redes português de todos os tempos, uma prova incontestável da sua qualidade.

Manuel Galrinho Bento nasceu a 25 de Junho de 1948 na Golegã, e começou a dar nas vistas nos clubes da terra, antes de ingressar no Barreirense em 1966. Bento era uma pessoa humilde, todos sabem que era um aprendiz de pedreiro, antes de começar a vingar no mundo de futebol, e mesmo quando começou a dar nas vistas, manteve uma vida pacata, acabando por ser o "pai" de um grupo que começou a dar nas vistas no Benfica, o grupo do Barreiro.

Com o Barreirense foi à Europa, fruto do 4º lugar alcançado em 1968, e ficou na memória de todos uma exibição memorável em Alvalade, que fez com que o título acabasse assim por rumar para os lados da Luz. Foi por isso natural que em 1972 assinasse pelo Benfica, e fosse assim uma alternativa viável ao titular de então, José Henrique.

Durante 4 anos foram alternando na titularidade, e foi somente em 1976 que agarrou em definitivo a baliza dos encarnados, sendo a sua figura principal durante a década de 80. Um especialista em defender penaltis, ajudou com isso na conquista de um campeonato nacional, defendendo uma grande penalidade do bibota Fernando Gomes, e os que defendeu na eliminatória europeia que opôs os encarnados ao Torpedo de Moscovo, sendo que nesse jogo foi ele próprio que marcou o último penalty, selando a vitória do Benfica.


Dono de uns reflexos extraordinários, era conhecido pela sua elasticidade, sendo chamado de homem borracha por alguns, tal as exibições que fazia. Era um excelente guarda redes, tanto dentro dos postes como fora deles, fazendo daquelas defesas impossíveis, onde muito dos adeptos já estavam quase a gritar golo.

No Benfica ajudava a partilhar a famosa mística, chefiando o famoso grupo do Barreiro, ao qual dava boleia na sua carrinha de venda do peixe até aos treinos no estádio, onde encantavam depois multidões. Na selecção foi o titular entre 1976 e 1986, conhecido lá fora pelo seu sangue frio e coragem ao sair dos postes, e foi um dos principais responsáveis pela boa campanha no Euro 1984 e na campanha para o Mundial de 86 no México. Nesse mundial disputou apenas um jogo, partindo uma perna num treino e só voltando a jogar quase um ano depois, perdendo assim a titularidade no Benfica, onde ficou como suplente até 1991/92.

Foi treinador de guarda redes nos encarnados, chegando a embarcar na aventura de treinador principal em clubes como o Leça, mas voltando ao seu clube do coração, para treinar e incutir a mística nas camadas jovens. Faleceu vitima de enfarte, no dia 1 de Março de 2007, deixando saudades pelo ser humano que era, e pelo grande desportista que foi.

No Benfica fez 611 jogos, onde sofreu 447 golos, chegando a estar 1290 minutos sem sofrer um único golo. Venceu 16 títulos, 8 campeonatos, 6 taças de Portugal e 2 supertaças, enquanto que pela selecção chegou às meias finais do Europeu de 1984. Um dos melhores na sua posição, tanto a nível nacional como internacional.





















quarta-feira, 5 de abril de 2017

... do Jogo do Prego (ou Espeta)

quarta-feira, abril 05, 2017 0
... do Jogo do Prego (ou Espeta)

Hoje relembrar uma daquelas brincadeiras de outros tempos, um jogo que só seria possível naquela altura, e que implicava crianças andarem com pregos na mão.

O jogo do Prego, ou do Espeta, era jogado pelo Inverno, altura em que a terra estava mais propícia a deixar que um prego ficasse espetado, depois de atirado ao ar. Por norma era jogado por um grupo de rapazes (não digo que por vezes não houvesse raparigas lá pelo meio), mas era um daqueles jogos que bastava duas pessoas para a coisa se poder jogar, apenas não era tão divertido.

Só era preciso um prego para cada um dos jogadores, e depois eram desenhados semi-círculos no chão, também designados por castelos, um por cada um dos participantes. O objectivo era contornar todos, e regressar ao seu, espetando o prego no chão sucessivas vezes, bastava atirar o mesmo e esperar que ficasse pregado em pé.

Outra situação que me recordo, era de uma variante do jogo da malha, onde quem acertasse com o prego no prego adversário, eliminava este da partida. Quem mais jogava isto?














quinta-feira, 30 de março de 2017

... do Plinto

quinta-feira, março 30, 2017 0
... do Plinto


Hoje vou recordar um dos objectos que podíamos encontrar nas aulas de ginástica/educação física, o Plinto. Era algo já pouco usado na minha altura, mas mesmo assim recordo-me de ter aulas onde tinha que fazer o fatídico salto por cima disto.

A altura daquilo podia ser ajustada, mas a maior parte dos professores gostava de complicar a coisa, e deixava aquilo de uma forma que era complicado para muitos de nós efectuarem um salto em condições. Por norma, havia duas variantes, o irmos a correr, colocar as mãos em cima da almofada (cabeça) do Plinto, e saltar por cima deste, e a outra era dar uma cambalhota com o impulso da corrida.

Do outro lado estava quase sempre o mítico colchão, que mais parecia um tapete, tal a sua grossura, e que não nos inspirava grande confiança para grandes aventuras. Quem se recorda disto?

Foto retirada de Instituo de Odivelas









quarta-feira, 22 de março de 2017

... do View-Master

quarta-feira, março 22, 2017 0
... do View-Master


Lembro-me de ficar sempre entusiasmado quando apanhava um View-Master, achava piada ao conceito da coisa e quando havia "histórias" interessantes, ficava algum tempo com aquilo nos olhos, enquanto via os bonecos que apareciam.

O aparelho em si apareceu pela primeira vez em 1939, baseado numa ideia de Edwin Mayer que já tinha começado a recolher os materiais para a criação do produto em 1919. O View-Master era uma espécie de binóculos, hoje em dia pode-se comparar um pouco aos óculos de VR, onde colocávamos uns discos de cartão que continham umas imagens e podíamos depois ir clicando e ver a história a desenrolar-se.

Os cartões seguiam o mesmo conceito dos slides, eram a cores e tinham alguma qualidade, o disco tinha cerca de 14 imagens e depois íamos rodando e vendo a história completa. Existiam coisas mais "adultas", como imagens de cidades ou monumentos, mas o sucesso residia nos discos para os mais novos, com desenhos animados da Disney em grande destaque, mas existia de tudo um pouco.

Existiu sempre na nossa vida, mas como em tantos outros produtos, conheceu um pico de popularidade nos anos 80, com todos a quererem ter um e ver as histórias que podíamos ver por ali.

Quem teve um?


Imagem retirada do blog Mybesttoys

Imagem retirada do blog My Best Toys












segunda-feira, 20 de março de 2017

... da Pipi das Meias Altas

segunda-feira, março 20, 2017 0
... da Pipi das Meias Altas

Voltamos ao Memórias dos Outros, desta vez com uma estreia, a da escritora Aida Teixeira, que nos vem dar a sua visão pessoal sobre uma personagem mítica da nossa infância, a Pipi das Meias Altas. Uma criação da autora Astrid Lindgren, esta menina sardenta e de cabelos ruivos conquistou o mundo, vivendo aventuras onde mostrava toda a sua força física e a sua simpatia.

Eu ainda sou do tempo em que nem todas as casas tinham electricidade. Quando mudei para uma casa que tinha, também ganhei uma nova amiga: a Televisão. E foi assim que conheci a Pipi das Meias Altas, ou se quiserem a Pippilotta Viktualia Rullgardina Krusmynta Efraimsdotter Långstrump.

Caramba, lembro-me bem que toda eu era inveja daquela catraia que tinha super poderes, e como se isso não bastasse também tinha o Herr Nilsson (macaco), e a liberdade de fazer tudo o que lhe apetecia. Reli a minha caderneta de cromos (sim, sim, ainda tenho a caderneta de cromos, já tem 40 anos, e está incompleta), e ri-me.

Uma coisa era a série de televisão, que nos fazia sonhar, e a víamos em acção a dar cabo do canastro ao Sven, o Sanguinário, e ao Jock, o Cutelo, a viajar de balão deitada numa cama, a apoderar-se dos barcos dos piratas com uma facilidade embaraçante (para os piratas, claro). Outra coisa era a história contada na caderneta de cromos, e foi por isso que me ri quando comecei a reler, 40 anos depois de a ter comprado.


A Pippi com as suas tranças cor de cenoura, marrafa toda incerta, e tão politicamente incorrecta, felizmente. Vi um episódio onde ela fumou um charuto, roubava barcos, agredia com a sua super força naqueles que se lhe atravessavam no caminho, andava com 2 crianças (Tommy, e Annika) que os pais tinham deixado consigo “um belo dia os pais de Tommy e Annika resolveram ter três semanas de férias e deixaram-nos entregues aos cuidados da vossa amiguinha Pippi meias altas”. Oi?? 3 semanas? Aqueles pais nunca ouviram falar de “abandono de menores”, e nós, na altura, também não.

Não se levantou uma hoste de justiceiros a pedir que aqueles pais fossem apedrejados em praça pública, quiçá até perderem o direito de serem pais, e as crianças serem entregues para adopção!
O cavalo foi abandonado, sozinho, com vários potes de comida, embora lhe tivessem recomendado para “repartir bem as rações”. Suponho que o Lilla gubben não foi glutão, e conseguiu gerir a ração e a água, até a sua dona super poderosa voltar. Cá estaria mais um motivo para os justiceiros actuais partirem numa demanda – abandono do animal.

A série teve 13 episódios, indo para o ar pela primeira vez em 1969, sendo transmitido pela RTP por diversas vezes nas décadas de 70 e 80, conquistando também por cá uma legião de fãs. No Brasil recebeu o nome de Pippi Meialonga, e também por lá teve um grande sucesso. Por cá tivemos revistas, livros e cadernetas de cromos, tudo para fazer as delícias dos mais pequenos.

Não pensávamos em nada que não fosse ver a série por aquilo que ela realmente era: uma série de entretenimento para crianças. Se gostava de a rever? Claro… que não!! Não gosto de estragar as minhas memórias.


Aida Teixeira é autora de livros infantis e agora também uma colaboradora ocasional do Ainda sou do tempo. Podem ver a sua obra aqui.










sexta-feira, 17 de março de 2017

... deste brinquedo dos anos 80

sexta-feira, março 17, 2017 0
... deste brinquedo dos anos 80

Hoje deixar aqui só a imagem destes brinquedos, que tiveram alguma popularidade nos anos 80 e 90. Consistia em personagens conhecidas de desenhos animados, eu tive um Snoopy, numa espécie de ginásio portátil, onde clicávamos nuns botões de lado e o boneco ia para cima e para baixo. Alguém se recorda do nome disto?