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quinta-feira, 6 de setembro de 2018

... da Novela Salsa e Merengue

quinta-feira, setembro 06, 2018 0
... da Novela Salsa e Merengue


Nos anos 90 ainda existiam telenovelas com muito humor, e um dos maiores exemplos disso é a Salsa e Merengue, transmitida pela SIC no nosso país.

Transmitida pela Rede Globo entre 30 de Setembro de 1996 e 2 de Maio de 1997, foi mais uma novela das 19h, que foi colocada cá noutro horário, e neste caso até teve a particularidade de ser emitida ao fim de semana. Foi essa a decisão da SIC, dando assim a conhecer aos portugueses o primeiro trabalho escrito de Miguel Falabella, em parceria com Maria Carmem Barbosa e sob a supervisão de Gilberto Braga.

Com 177 episódios, a novela dirigida por Wolf Maya, teve um pouco longe dos números de outras produções transmitidas no mesmo horário, mas ainda assim teve uma boa perfomance, e o público reagiu bem ao humor apresentado na história e da boa interpretação de Arlete Sales. No elenco pontificavam nomes como Marcos Palmeiras, José Wilker, Walmor Chagas e Stella Miranda entre outros, que davam apoio ao casal protagonista, interpretado por Patrícia França e Marcello Antony.

A banda sonora fez sucesso, com a particularidade de ter uma música estrangeira no genérico, a "1,2,3, Maria" de Ricky Martin. A trama apresentava um triângulo amoroso, casos amorosos do passado a revelarem filhos bastardos, corrupção e muito humor. Quem viu?



















quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

... da Perpétua e o mistério da caixa

quinta-feira, janeiro 18, 2018 0
... da Perpétua e o mistério da caixa

Já aqui falei da novela Tieta, e hoje relembro aquela que é uma das personagens mais marcantes da história, a sua irmã Perpétua. Todos amavam odiar esta vilã, e tudo tentava adivinhar o que é que ela tinha numa caixa branca, que escondia no seu quarto.

O canal Globo está a repetir a novela neste momento em Portugal, e é um prazer rever a qualidade do texto, dos diálogos e das interpretações dos actores nela. Um dos grandes destaques é sem sombra de dúvida a actuação de Joana Fomm, que dava vida à irmã de Tieta, e que era o oposto da sua mana.

Sempre vestida toda de preto, por luto pelo seu marido falecido, Perpétua era uma daquelas típicas beatas de novela, uma falsa cristã que não tinha caridade para com os outros, e até tinha prazer em vê-los sofrer. Adorava espezinhar quem estivesse em baixo, pegava nos defeitos ou medo das outras pessoas e explorava isso a seu favor.


Era malvada mas rendia muitos momentos de humor, a actriz sabia mostrar também o lado humano da personagem, com sentimentos como a inveja, como fugia aos ensinamentos da igreja cometendo pecados como o da gula, ou quando mostrava amor e preocupação para com os seus filhos.

Era essa humanidade que fazia com que a odiássemos, mas ao mesmo tempo nos divertíssemos com as suas cenas. Depois existia o mistério sobre o que é que existia na caixa branca que escondia, uma caixa com a qual ela falava e desabafava várias vezes ao longo da trama, e que apesar das suspeitas, só no final descobrimos, ou percebíamos pela reacção dos outros, que se tratava do orgão genital do seu falecido esposo.

Um dos melhores momentos, é quando finge estar cega, enganando tudo e todos. Outro momento marcante, é quando arrancam a sua peruca, mostrando a todos a fragilidade daquela que era apenas mais um ser humano, mas que o medo que provocava, fazia ver de outra forma. Quem mais era fã?













quarta-feira, 14 de junho de 2017

... do Zé Carioca

quarta-feira, junho 14, 2017 0
... do Zé Carioca

Uma das figuras mais populares das revistas aos quadradinhos, o Zé Carioca foi um sucesso no Brasil e em Portugal, onde também éramos fãs das aventuras deste bom malandro. Uma criação do próprio Walt Disney, teve a sua primeira aparição numa curta metragem em 1942, tendo tido depois uma longa vida nas revistas da editora Abril.

Numa altura em que se vivia sob o espectro da Segunda Guerra Mundial, personalidades como Nelson Rockefeller sugeriram a Walt Disney criar algo que ajudasse a granjear aliados, surgindo assim em 1943 o filme Saludos Amigos, que mostraria o Pato Donald com um amigo do México, chamado Panchito, um da Argentina com o nome Gauchinho voador e do Brasil, surgia o Zé Carioca, Com aquela simpatia típica do brasileiro, a personagem sobressaiu mais do que as outras, mostrando aquele jeitinho desenrascado de quem tentava evitar ao máximo o trabalho, e privilegiasse mais o Samba e o Futebol.

Trajando paletó castanho, gravata preta e umas calças azuis, ficou conhecido também pelo seu chapéu palheta e guarda chuva preto, estando sempre prevenido para se proteger das chuvas tropicais. Começou a aparecer em tiras de jornais. com histórias de artistas e argumentistas americanos, sendo logo criadas personagens como o Rocha Vaz e a sua filha Rosinha, o seu amigo Nestor e o seu primeiro rival, Luís Carlos.


Deixou de ser publicado em 1945, mas conheceu nova vida no seu país, quando a editora Abril começou a publicar as revistas da Disney. Foi o co-protagonista da primeira capa do Pato Donald no Brasil, em 1950, mas só teve direito a revista própria em 1961, com histórias desenhadas por artistas brasileiros, neste caso Jorge Kato. Morando no Rio, começou logo a mostrar todas as suas características, de um bom malandro que filava refeições em diversos locais, que pedia fiado em todo o lado e que evitava o trabalho a todo o custo, preferindo paquerar as garotas que lhe apareciam à frente.

Ainda com poucos artistas brasileiros, a editora Abril alternava as histórias originais com as que vinham dos Estados Unidos, ou então fazendo algo que era um pouco comum, pegar numa história de alguma personagem como o Mickey e alterar as coisas, fazendo com o que o carioca aparecesse em Patopólis ou em histórias com o Pateta e ganhando também dois sobrinhos, o Zico e o Zeca, que substituíam assim os sobrinhos do rato.

A sua personalidade foi se desenvolvendo, ganhando outros traços como o de mentiroso e preguiçoso, e os vários artistas brasileiros que se envolveram na criação das suas historias, começaram a desenvolver todo um meio ambiente ao seu redor, assentou a sua barraca num morro de Vila Xurupita, ganhou outras personagens coadjuvantes como Afonsinho e Pedrão, e deu-se destaque a um novo rival para a sua amada Rosinha, o Zé Galo. O desenhista Renato Canini levou a coisa mais além, começando a tradição de primos de várias partes do Brasil, começando com o Zé Paulista, e fez o papagaio abandonar o seu guarda chuva e começar com negócios como a mítica agência de detectives Moleza.



No final dos anos 70 a revista era um sucesso total, lembro-me dos diversos formatos, um pouco maior do que as outras revistas da Disney, com menos páginas, até assentar numa com um pouco mais de páginas e do mesmo tamanho das outras. Achava sempre piada à numeração alta da revista, chegou rapidamente aos milhares e era comum ver esses números estampados na capa. Começaram também a surgir muitos almanaques, edições especiais ou Disney Especiais onde o Carnaval tivesse destaque, e com isso o Zé Carioca também.

O argumentista Ivan Saidenberg começa a escrever para a revista, sendo responsável juntamente com Canini da criação de Morcego Verde. O casaco, guarda chuva e charuto desapareciam, dando espaço primeiro a uma camiseta branca, e mais tarde a umas camisas estampadas e boné, isto já nos anos 90. Curioso realçar que a Holanda publicou também aventuras desta personagem, sendo que são muito apreciadas por lá.

Foi sempre um dos meus preferidos, adorava as histórias com a Anacozeca, as disputas com Zé Galo eram sempre bem divertidas, assim como as suas artimanhas para ganhar algum dinheiro explorando os seus amigos. Não era muito fã dos seus sobrinhos, e a fase camisa estampada e boné afastou-me da personagem. Quem mais era fã?






















quinta-feira, 2 de março de 2017

... da Novela Tieta

quinta-feira, março 02, 2017 0
... da Novela Tieta

Tieta foi uma das melhores telenovelas de todos os tempos, e uma das minhas preferidas, conquistando tudo e todos com o seu bom humor, os seus excelentes diálogos e a qualidade de um excelente elenco.

Foi um dos maiores sucessos da Rede Globo, e por cá aconteceu o mesmo, com o público a ficar completamente fascinado com tudo, com os mistérios da caixa branca da Perpétua, ou da Mulher de Branco, a divertir-se com as malandrices de Osnar, os comentários de dona Milú ou então com os ataque de dona Amorzinho.

Baseado no romance Tieta do Agreste, de Jorge Amado, a telenovela foi escrita por Aguinaldo Silva, Ricardo Linhares e Ana Maria Moretzohn, que modificaram algumas coisas em relação ao livro, como a supressão de algumas personagens, a criação de outras (como a Mulher de Branco), e mudando a história por trás de outras, como no caso de Imaculada, que passa de prostituta a uma virgem ingénua e esperançosa. A caixa branca de Perpétua é outro exemplo da liberdade criativa dos escritores, tentando assim retirar alguma da carga adulta e mais pesada do romance.

Com 196 capítulos, apresentou assim uma trama leve e que se desenvolvia a bom ritmo, tendo sido transmitida no horário das 20 pela Rede Globo, entre 14 de Agosto de 1989 e 31 de Março de 1990, por cá a RTP emitiu a novela pelas 20h15, entre Outubro de 1990 e Maio de 1991. Na altura foi alvo de muita reclamação por parte de telespectadores mais conservadores, que chegaram a exigir a sua retirada do ar.


A história passa-se em Santana do Agreste, um vilarejo isolado, que vive alimentado por um gerador (que se desliga às 22h) e que recebe os seus visitantes e correio numa carrinha que nem sempre funciona a 100%.  No começo vemos vários flashbacks que mostram como Tieta (Claudia Ohana nos flashbacks e Betty Faria na trama principal), é escorraçada da cidade pelo seu pai Zé Esteves (Sebastião Vasconcelos), que odeia o seu modo libertino de viver a vida e que vai contra os seus princípios de vida, a pastorear as suas cabritas.

Aliás, a alcunha dela era de cabrita, a forma como os jovens do sexo masculino a tratavam, e mesmo quando regressou rica e poderosa, era assim desta forma carinhosa que personagens como Osnar (José Mayer) lhe chamavam. Osnar fazia parte dos 4 cavaleiros, um grupo de galãs divertido que incluía ainda Timóteo D'Alamberti (Paulo Betty) que se tinha casado com a irmã mais nova de Tieta (que adorava telenovelas e radionovelas), e que sofria muito do estômago, Reginaldo Faria dava vida a Ascânio de Trindade, um político sonhador e por fim tínhamos Amintas Feitosa (Roberto Bonfim), um comerciante da cidade que tentava dar sempre consolo a viúvas beatas como a dona Amorzinho (Lilia Cabral).

Amorzinho e Cinira (Rosane Gofman), eram duas beatas lideradas por Perpétua (Joana Fomm), a irmã mais velha de Tieta, que se veste toda de preto e tem esperança que o seu filho mais velho Ricardo (Cássio Gabus Mendes) se torne padre. Quando Tieta regressa à terra natal, rica e poderosa, vê-se envolvida numa família que saliva pelo seu dinheiro, e Perpétua não é excepção, empurrando o seu filho para a sua irmã, na esperança que esta se afeiçoe a este e lhe deixe tudo.

O problema é que começa aqui uma relação incestuosa, muito polémica para a altura que passou por cá, e uma das tramas principais da novela. Mas existiam outras histórias interessantes, tínhamos o capitão Dário (Flávio Galvão) que adora viver naquela paz, e fará tudo para a conservar, sem saber que a sua mulher era a misteriosa mulher de branco, que fazia suspirar todos os homens da cidade.


  Armando Bógus dava de novo vida a um vilão asqueroso, de seu nome Modesto Pires, que mantinha uma amante chamada Carol (Luiza Tomé), e que deram nas vistas com os seus momentos "Senta aqui Carol, upa la la". O veterano Ary Fontoura era o Coronel Arthur da tapitanga, que mantinha um harém de rolinhas, para satisfazer os seus prazeres sexuais, mas que encontrou alguns problemas quando acolheu Imaculada (Luciana Braga), que conseguiu permanecer virgem e driblar as intenções do velho coronel.

Carmosina (Arlete Salles) era a funcionária dos correios, e solteirona, que juntamente com a sua mãe Dona Milu (Miriam Pires) sabiam logo de todas as novidades da cidade, e quando não sabiam, opinavam  e ficou famoso o bordão de dona Milu, o "Mistériooooo...". Entre outras personagens tínhamos ainda o Bafo de Bode, que era o bêbado da cidade, o motorista da Marinete Jairo (Elias Gleizer), o Turco dono do boteco onde iam beber, a enteada de Tieta, que se decobriu ser na verdade uma ex prostituta, ou ainda as prostitutas da cruz vermelha.

Diverti-me muito com esta novela, revendo com prazer quando foi repetida pela SIC (no final da tarde, já noutros tempos menos conservadores) e no canal GNT. Uma maravilhosa banda sonora, um genérico sedutor e uma história fantástica e bem divertida.

Quem mais foi fã desta grande novela?



                    

               

               

                 

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

... da Novela Ti-Ti-Ti

terça-feira, fevereiro 07, 2017 0
... da Novela Ti-Ti-Ti

Ti-ti-ti foi uma novela de relativo sucesso no nosso país, estreou em 1990 no segundo canal e sofria forte concorrência da Roda da Sorte, o programa que dava no primeiro canal no mesmo horário.

Ti-ti-ti é mais uma telenovela da Rede Globo, tendo sido exibida no horário das 19 horas, entre 5 de Agosto de 1985 e 7 de Março de 1986. sendo transmitida no nosso país pelo mesmo horário, na RTP2, entre Agosto de 1990 e Março de 1991. Escrita por Cassiano Gabus Mendes,foi um dos maiores sucessos da Globo nesse horário, com uma trama leve e divertida, centrada no mundo da moda e carregada de diálogos cheios de ironia, como era apanágio do autor. Por cá o sucesso foi mais moderado, mas devido mais ao factor de ser transmitida no segundo canal, e sofrendo forte concorrência de um programa apresentado pelo Herman José.

Reginaldo Faria e Luíz Gustavo protagonizavam a história (que assentava no duelo entre dois amigos de infância, agora adultos e competindo no mundo da moda), que tinha ainda no elenco nomes como José de Abreu (que roubou a cena no papel do divertido chico), Aracy Balabanian, Claudia Jimenez, Malu Mader e Yara Cortes entre outros. Não segui a novela regularmente, preferia a Roda da Sorte, mas mudava de canal em momentos mais chatos do outro programa, e cheguei a rir-me com alguns momentos e algumas interpretações, especialmente de Reginaldo Faria, que era bastante exagerado no seu papel, mas de uma forma positiva.

Em 2010, foi feita uma nova versão desta novela pela Globo, que misturava esta historia com outra do autor, já que essa assentava também no mundo da moda, que foi transmitida por cá pela SIC. Quem viu a primeira versão?












sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

... dos Cartoons Amar é...

sexta-feira, janeiro 27, 2017 0
... dos Cartoons Amar é...


Estes pequenos cartoons fazem parte da memória de todos nós, e apesar de existirem desde a década de 60, foi mais uma daquelas coisas que atingiu outras proporções nos anos 70/80. Amar é chegou a ter vários livros, e até uma caderneta, publicados pela Editora Abril, que ajudaram a popularizar estes dois meninos no Brasil e em Portugal.

O nome original do cartoon é Love is..,, sendo que ficou como Amar é.. no Brasil e em Portugal, que penso que não chegou a ter edição nenhuma nacional, mas sim as importadas do nosso país irmão. A cartoonista Kim Casali deixava pequenas notas de amor ao seu marido, que decidiu depois compilar e publicar no final dos anos 60. Primeiramente em pequenos panfletos, e mais tarde na forma de tira de jornal.

O cartoon tem sempre só uma imagem, de um casal completamente nu, numa qualquer situação amorosa que será retratada numa frase no canto inferior direito, completando o "Amar é,.." da parte superior direita dessa mesma imagem. O homem tem o cabelo preto, e a mulher o cabelo louro, e é isso (em conjunto com algumas expressões faciais) que ajuda a distinguir os dois, já que apesar de estarem nus, não existem orgãos genitais, e todo o desenho apresenta sempre tudo de uma forma simples, ingénua e amorosa.


Começou a ser publicada em diversos jornais, mas o sucesso veio em 1972, quando decidiram aproveitar a boleia do filme Love Story, e aproveitando uma das frases do filme, publicam um cartoon que faz com que isto se torne uma febre mundial. No auge da popularidade, com todo o tipo de merchandising envolvido, o casal chegava a ganhar mais de 5 milhões de Libras por ano.

Pouco tempo depois, o marido de Kim descobre que tem cancro, e a autora decide parar com a produção do desenho, autorizando o cartoonista britânico Bill Asprey a tomar conta do cartoon, e assim é desde 1975. Nos anos 80 a editora Abril lançou alguns livros ilustrados, que compilavam vários cartoons, e até uma caderneta, fazendo com que estes desenhos ficassem conhecidos e populares para toda uma nova geração.























































































quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

... do Caco Antibes

quarta-feira, janeiro 18, 2017 0
... do Caco Antibes

Já fiz um post do Sai de Baixo, mas hoje irei falar da minha personagem favorita nesse programa, o grande Caco Antibes. Interpretado pelo fantástico Miguel Falabella, era conhecido pelo seu "domínio" da língua inglesa, pelo seu horror a pobre e por tentar ser rico a qualquer custo.

Carlos Augusto Vasconcellos Antibes, vulgo Caco Antibes, foi um dos protagonistas do programa humorístico Sai de Baixo, um ex membro da alta sociedade de São Paulo, que se vê na penúria depois de ser alvo de uma auditoria federal. Caco vê-se assim obrigado a deixar a mansão onde vivia mais a sua mulher e a sua sogra, para ir viver para o apartamento do irmão da sua sogra.

O actor Miguel Falabella (do qual eu já era fã) faz um dos seus melhores papéis de sempre, sabendo encarnar uma pessoa que tinha tudo para ser detestável, mas que acabava por cair na boa graça das pessoas. Na tradição de outras personagens do género, como Archie Bunker, Caco alternava entre o obnóxio e o divertido, sempre numa linha ténue, nunca fincando o pé por completo em nenhum dos lados, mas com o evoluir do programa, era claro a predilecção pelo lado divertido.



Eu era fã das discussões dele com Cassandra ou com Edileuza, em ambos os casos, gostava ainda mais quando fazia referências a coisas pessoais , especialmente com Aracy Balabanian. Quem não se ria com o termo "cabeção"? Ou quando ele fazia menção a quantas pessoas tinham que tratar do cabelo dela nos bastidores, ou ainda a falar da idade dela e dos programas onde esta já tinha entrado.

Ele, como bom burguês decadente que era, odiava a criadagem, e com Claudia Gimenez a química era inegável, com ela a responder à letra às suas provocações. Há uma campanha eleitoral, onde o debate entre os dois faz-me chorar a rir. Com Ribamar, vivido por Tom Cavalcante, a coisa era diferente mas também dava belos momentos humorísticos.

A sua relação amorosa teve grandes momentos nas primeiras temporadas, com as referências constantes ao canguru perneta e a ele vociferar bem alto um "Cala a boca, Magda!", sempre que ela cometia um daqueles erros inacreditáveis. Com o dono do apartamento, as melhores cenas vinham dele a querer aproveitar-se da ingenuidade deste, ou de quando Luis Gustavo não conseguia conter o riso quando Caco começava a falar em inglês, ou atrapalhava-se com o texto.


O inglês de Caco, que dizia ser fluente na língua, era sofrível e dava momentos fantásticos no programa, especialmente porque os outros membros do elenco caíam quase sempre na risada quando este começava a falar. Há um episódio onde ele dá uma aula a todos, e impossível não rir à gargalhada com tudo aquilo.

Mas o que catapultou a personagem para a fama, e até para os memes na internet muitos anos mais tarde, era o seu horror a pobre. A coisa funcionava de forma orgânica, ou pegava-se numa parte do texto e ele depois aproveitava para falar de como o pobre vivia essa situação, ou então ele entrava logo a falar de algo que tinha visto, e era quase sempre algo levado ao extremo e que provocava risada geral tanto no público ao vivo como no que estava por casa.

Aliás o carisma e o à vontade dele a meter-se com o público presente no teatro, e a mandar indirectas para os que estavam por casa, tornava tudo aquilo ainda mais divertido. Quem mais era fã da personagem?






                          


                      


quarta-feira, 28 de outubro de 2015

... da Novela Pantanal

quarta-feira, outubro 28, 2015 0
... da Novela Pantanal

Recordar mais uma novela da Rede Manchete, que foi um sucesso no Brasil e em Portugal. Pantanal cometeu a proeza de bater a Rede Globo em audiências e tornar-se um sucesso a nível mundial.

Escrita por Benedito Ruy Barbosa, a telenovela Pantanal foi produzida pela Rede Manchete e transmitida em 1990 pelas 21h30, batendo recordes de audiência e ultrapassando a Globo, que começou a produzir mais novelas depois das 21, para ver se combatia este sucesso. Por cá passou na RTP em 1995, e no Brasil foi repetido pelo canal SBT em 2008 pelas 22h, tendo conseguido algum sucesso nas audiências.

Marcos Winter era o protagonista da trama, que contava ainda no elenco com Cristiana OliveiraMarcos Palmeira, Jussara Freire, José de Abreu e Elaine Cristina entre outros. Uma história que consagrou o seu autor, que quando regressou à Globo, deixou de escrever para as novelas das 18 horas e foi-lhe dado o horário nobre das 20 horas.

Imagens belas da natureza, uma forte mensagem ecológica, cenas ousadas sexualmente e um elenco com algumas revelações, ajudaram a que isto fosse um sucesso.














sexta-feira, 16 de outubro de 2015

...do Bebeto

sexta-feira, outubro 16, 2015 0
...do Bebeto

Recordar hoje um dos jogadores mais importantes na conquista do Tetra pela selecção Brasileira em 1994, o avançado Bebeto. Fez parte do Super Corunha dos anos 90, e jogou pelo Flamengo e pelo Vasco, sendo sempre um dos preferidos da torcida.

José Roberto Gama de Oliveira nasceu a 16 de Fevereiro de 1964, ficando conhecido no mundo do futebol como Bebeto, começando a sua carreira profissional no Flamengo em 1983, ficando no clube até 1989, marcando 34 golos em quase 80 jogos. O começo não foi bom, mas passado uns tempos demonstrou o faro pelo golo e conquistou a torcida, fazendo parte de um dos grandes times dos rubro negros, jogando ao lado de Zico, Edinho, Leonardo, Renato Gaúcho e Zinho entre outros.

Em 89 protagoniza uma transferência polémica para o rival Vasco da Gama, sagrando-se campeão Brasileiro na estreia e conquistando rapidamente os adeptos, marcando golos importantes e ficou no clube até 1992, ano em que formou grande dupla com Edmundo. Bebeto era um exímio cabeceador, sendo também conhecido pelos seus golos sem deixar cair a bola no chão, num perfeito vólei.

Em 1992 vem para a Europa, onde alinhou pelo Desportivo da Corunha, fazendo parte de um plantel muito forte, mas ele rapidamente se destacou e foi o artilheiro do campeonato Espanhol em 1992/93 com 29 golos. O Deportivo quase se sagrou campeão, acabando o campeonato empatados em primeiro lugar com o Barcelona, que venceu por causa do melhor saldo de golos marcados e sofridos.


No ano seguinte voltaria a ser vice campeão, desta feita num combate menos dramático e ficando atrás do Real Madrid. Venceram no entanto a Taça do Rei, provando que conseguiam também conquistar títulos. Na selecção do seu país, começou a ter algumas oportunidades no final dos anos 80, dando nas vistas nas Olimpíadas de 88, formando dupla no ataque com Romário, algo que viria a acontecer muita vez na equipa principal do Brasil.

Foi o principal marcador da Copa América no ano seguinte, que o Brasil venceu após um jejum de mais de 50 anos, mas foi em 1994 que teve o seu melhor desempenho, marcando golos importantes e formando boa dupla com Romário, sendo parte fulcral na conquista do Tetra. Teve ainda algum destaque no Campeonato do Mundo de 1998, onde foi um pouco contestado por causa de já ter alguma idade, mas mostrou nos relvados onde continuava a marcar, conseguindo três golos nessa competição. Abandonou a selecção como o sexto melhor goleador de todos os tempos.

Saiu de Espanha em 1996, como o melhor marcador da história do clube e completo ídolo dos adeptos, algo que se provou quando voltou para os festejos do centenário, sendo recebido em apoteose. Em 1996 voltou ao Brasil, para o Flamengo onde as coisas não correram muito bem, sendo que no ano seguinte esteve no Sevilha de Espanha e alinhou ainda pelo Vitória e o Cruzeiro no seu país natal, virando depois um viajante, jogando no México, Japão e Médio Oriente onde iria terminar a carreira em 2002.

Gostava de o ver jogar, e achei que em 1994 foi um dos jogadores mais importantes no Brasil e adorava ver as suas comemorações, embalando as mãos e braços como se tivesse lá um bebé.












segunda-feira, 31 de agosto de 2015

... da Novela Xica da Silva

segunda-feira, agosto 31, 2015 0
... da Novela Xica da Silva

Antes de ser a fábrica de novelas Portuguesas que é hoje, a TVI no seu começo apresentou algumas novelas vindas do continente Sul Americano, e a Xica da Silva foi uma das que chamou mais a atenção.

Xica da Silva foi uma telenovela Brasileira da Rede Manchete, escrita por Walcyr Carrasco e com a direcção de Walter Avancini. Exibida entre Setembro de 1996 e Agosto de 1997, A novela teve a curiosidade de ser baseada em factos verídicos e em pessoas reais, e de ter a primeira protagonista negra da história da televisão brasileira. Taís Araújo com apenas 17 anos deu azo a muita polémica, por aparecer várias vezes seminua e quando fez os 18 anos a estação fez um grande anúncio de que iria transmitir um episódio em que ela apareceria completamente nua.

Por cá foi transmitida pela TVI (na altura ainda era conhecida como Quatro) em 1997, recebendo também muitas críticas por causa das cenas de nudez, já que aquele ainda era considerado como o canal da Igreja. O facto de ter um núcleo de actores Portugueses ajudava também a que muitos a quisessem ver, Lídia Franco teve algum destaque e foi muito elogiada pela sua prestação na trama. Em 2003 a SIC repetiu Xica da Silva, provando que a mesma era ainda muito apreciada por cá, aliás foi um caso de sucesso em outros países como os Estados Unidos da América.

Levou também a Rede Manchete ao segundo lugar, recuperando assim o investimento de 6 Milhões de Dólares nesta novela de cariz histórico, com muito erotismo e violência explícita como na cena em que Maria, mãe de Xica, é morta tendo seus braços e pernas amarrados a quatro cavalos que, assustados por um tiro, correm em direções contrárias, esquartejando o corpo dela em praça pública


A novela mostrava uma a escrava que virou rainha em pleno século XVIII. Atrevida e muito inteligente, Xica deixou de ser escrava e escandalizou a sociedade hipócrita de sua época, movida pela cobiça do diamante, ao casar-se com um homem rico e poderoso.

No Brasil daquela época, o homem mais importante era o Contratador Felisberto Caldeira Brant, encarregado pelo rei do manejo das minas de diamantes do Arraial do Tijuco. Quando o contratador decide vender Xica, sua escrava e filha (segredo escondido há anos) ao Capitão do Mato Jacobino, para torná-la prostituta, a jovem se vinga roubando-lhe toda a sua fortuna em diamantes guardada num baú, ainda mais porque é rejeitada pelo contratador, que nega ser seu pai. O plano, executado por Xica com a cumplicidade do seu melhor amigo, escravo Quiloa, apaixonado pela escrava, arruína seus senhores que são enviados à prisão em Portugal. Com a fortuna em mãos e, para não levantar suspeitas, Xica e Quiloa decidem esconder o baú recheado de diamantes para que, mais tarde, tivessem dinheiro bastante para comprar as suas cartas de alforria. Com isso, Xica se vinga de seu pai, deixando-o na miséria por todo mal que ele fez a ela, a sua mãe e a seus amigos.

È violada pelo seu novo dono e sofre horrores com a filha deste, a Violante, mas tudo muda quando é comprada pelo noivo desta. Ela conquista o seu coração e este decide casar com ela, rompendo o noivado e fazendo com que Xica sofra com os ataques da nobreza e de Violante, que tenta por via da bruxaria impedir aquela felicidade toda. No final tudo corre bem, nascendo dois filhos e com a vilã a enlouquecer completamente.














quinta-feira, 25 de junho de 2015

... da música Tic Tic Tac

quinta-feira, junho 25, 2015 0
... da música Tic Tic Tac

Recordar aqui uma daquelas músicas que marcou o verão de muitos, a Tic Tic Tac, que dominou os tops de vários países europeus e Portugal não foi excepção, com todos a saberem que batia forte o tambor.

Tic, Tic Tac é originalmente uma canção do Boi Garantido do ano de 1993, mas só alcançou o sucesso quando foi gravada pelo grupo amazonense Carrapicho, tornando-se o hit número um em várias partes do mundo em 1996, destacando-se na França onde vendeu quase 1 milhão de singles e estando entre os mais bem-sucedidos singles da história daquele país.

Mas o grupo teve sucesso em diversos países Europeus, chegando ao primeiro lugar em Portugal e ficando no top 10 na Alemanha, Áustria, Suécia, Espanha, Bélgica e Suiça. Com uma batida animada e um refrão simples e repetido até à exaustão, era fácil dançar ao ritmo deste som e a banda acabou por conseguir ter algum sucesso no Brasil também, quando foram apresentados em 1997 no programa Domingo Legal do Gugu.

Eis a letra:

Bate forte o tambor galera!

Bate forte o tambor, eu quero é tic, tic, tic, tic, tac. (2x)

É nessa dança que meu boi balança e o povo de fora vem para brincar. (2x)

As barrancas de terras caídas faz barrento no nosso rio mar. (2x)

Amazonas rio da minha vida imagem tão linda que meu Deus criou.

Fez o céu a mata e a terra uniu os caboclos construiu o amor. (2x)

Bate forte o tambor, eu quero é tic, tic, tic, tic, tac. (2x)

É nessa dança que meu boi balança e o povo de fora vem para brincar. (2x)

As barrancas de terras caídas faz barrento no nosso rio mar. (2x)

Amazonas rio da minha vida imagem tão linda que meu Deus criou.

Fez o céu a mata e a terra uniu os caboclos construiu o amor. (2x)












domingo, 7 de junho de 2015

... do Peninha

domingo, junho 07, 2015 0
... do Peninha


Continuo a adorar o mundo da Disney, afinal é impossível esquecer aquelas personagens que me fizeram companhia na infância, e hoje falo de uma das minhas favoritas, o Peninha. O mais desajeitado e divertido da família dos patos e que tinha ainda uma série de alter egos bastante interessantes.

Fethry Duck foi criado por Dick Kinney e Al Hubbard em 1964, aparecendo numa história do seu primo, o Pato Donald, e mostrando logo a sua natureza descontraída e atrapalhada, tendo estreado no Brasil no ano seguinte onde esta história apareceu na revista do Mickey. Curiosamente também em Portugal a estreia da personagem iria ocorrer numa revista do rato, mas no nosso caso era uma história que trazia também o Tio Patinhas e o Urtigão, datada de 1969 e escrita e desenhada pelos criadores de Peninha.

Não foi amado por Carl Barks, que nunca o utilizou, e também não teve muita sorte com Don Rosa, que mesmo assim ainda deu uso a este simpático pato, chegando inclusive a incluir ele na árvore genealógica que criou retratando a família de patos da Disney.Nos EUA no entanto havia sempre alguma curiosidade em relação ao potencial de Peninha, e este foi sempre aparecendo amiúde nas publicações Disney até começo do Século XXI.

O Brasil soube explorar bem a personagem, muitas vezes era apenas apresentada como quase uma cópia do Pateta, tal a sua atrapalhação e confusão armada sempre que aparecia junto do seu primo Donald, mas ao mesmo tempo com outro tipo de carisma, já que demonstrava ter alguma inteligência e vontade de se safar nos diversos empregos que conseguia. O mais famoso foi sem dúvida o de repórter no jornal A Patada do seu tio Patinhas, onde para além de reportagens escrevia histórias de um dos seus alter ego, o Pena Kid. O Peninha foi mais um (de muitos) que beneficiou dos estúdios Disney do Brasil, que conceberam histórias muito divertidas e lhe deram múltiplos alter egos, cada um mais divertido que o outro.


O Brasil tinha nos anos 70 e 80 um mercado Disney cada vez mais em expansão, com um estúdio próprio a criar histórias com algumas das personagens mais carismáticas da companhia e que os tornaram ainda mais divertidos aos olhos de todos nós. Autores como Ivan Saidenberg ou Carlos Edgard Herrero ajudaram a criar os alter egos do Peninha, personagens que existiam na sua imaginação, muitos para existir em poucas histórias isoladas mas que acabaram por ganhar outra dimensão, tal o seu carisma e o carinho com que o público os recebeu.

Isso aconteceu não só no Brasil mas também em Itália, país onde Peninha é muito querido, que ficaram contentes e importaram estas histórias com todo o prazer. Tínhamos o Pena Kid, o cowboy (ou caubói) que se acompanhava pelo seu cavalo Azalão (que o safava muitas vezes) e cantava muito mal, mesmo tocando o seu violáo (que também estava sempre presente). Sabíamos que era um produto da imaginação do Peninha, porque muitas das histórias mostravam ele a escrever as aventuras do cowboy para o jornal da Patada, que depois as publicaria.

Mas tínhamos também o Pena das Selvas (imitando o Tarzan), um dos mais divertidos, especialmente por que nenhum animal o respeitava, o Pena Submarino (uma espécie de Aquaman), Pena das Cavernas ou ainda Pena Rubra, um Viking em histórias de aventura. Para além destes alter egos, em 1970 surgia a paródia ao Batman que era o Morcego Vermelho, que se tornou um dos principais heróis do Universo Disney e um dos preferidos de todos.


Tão desastrado como o Peninha, o Morcego Vermelho tinha um carisma extraordinário e para isso muito ajudava às gerigonças que utilizava para combater o crime, muitas da autoria do Professor Pardal, que até a lata de lixo que era usada como quartel general alterou, tornando-a mais do que ela aparentava. Muitas da suas histórias envolviam um pobre Coronel Cintra, que tinha que ter uma saudável dose de paciência para suportar as trapalhadas deste herói.

Graças a todos estes alter egos, Peninha esteve presente em mais de 12 edições Extra da editora Abril, algumas dedicadas ao Morcego Vermelho, e uma teve até o nome "Peninha das Mil Faces" reunindo histórias de todos os seus alter egos e mais alguns, como o Pena Vaz de Peninha O sucesso da personagem era tanta, que foi a primeira no Brasil a ganhar um Almanaque, que teve as suas primeiras duas edições entre 1981 e 1982, apresentando assim somente histórias de Peninha, ao contrário das revistas mensais que traziam sempre no mix histórias com outros nomes da Disney.

A segunda edição teve 9 números, entre 1986 e 1993, que a dada altura sofreu uma mudança no seu nome, incorporando também o seu sobrinho Biquinho, que se tornaria também bastante popular. A popularidade de Peninha estava em alta, ele aparecia até em edições Extra dedicadas à Patada, jornal onde trabalhava com o seu primo Donald e onde enfrentavam as constantes ameaças do seu tio Patinhas. Ali surgiram histórias bem engraçadas, que envolviam a cobertura de eventos onde os dois faziam trapalhadas ou então promoções do jornal, que nunca davam bom resultado.


A revista do Peninha teve duas séries, a primeira que durou de 1982 a 1984 e teve 56 edições que tinham a periodicidade quinzenal, e em 2004 apareceu uma mensal que teve 19 edições. Na primeira série era comum ver Peninha a estrelar as suas aventuras sozinho, ou com o seu sobrinho Biquinho, a sua namorada Glória ou ainda o seu cão, que sofria bastante naquela casa. Peninha fez parte também da mítica Série Ouro, onde representou a realidade alternativa onde ele era o Prefeito.

Sempre gostei bastante do Peninha, lembro-me como sofria a tentar educar o seu sobrinho Biquinho (adoro especialmente uma história onde ele tenta que o pequeno deixe de responder não, ou outra em que tenta que escolha a sua profissão no futuro), ou então quando invadia a casa do seu primo Donald porque alguma das suas profissões tinha corrido mal.

Divertia-me muito quando tinha que ir ao sítio do Urtigão, pela Patada ou sozinho, e fui fã de todos os alter egos, em especial o Pena das Selvas e o Pena Submarino.No caso do Morcego Vermelho, apreciava as histórias em que não se levavam a sério, e não as que o tentavam parecer um herói com pouca comédia e trapalhada à mistura. Havia histórias isoladas que me ficaram na memória, como a paródia a Indiana Jones em Caçadores de Penas Perdidas ou então Sancho Pena a acompanhar o Dom Gansote.

Assim como os Irmãos Metralha, também Peninha teve as cores da sua roupa modificadas, passando do vermelho para um amarelo com risca preta na horizontal, mas mantendo o gorro vermelho que o identificava logo. Um pato bem querido e que ficará para sempre na nossa memória.




Texto da minha autoria, originalmente publicado no Leituras BD e aqui exposto por se adequar ao espírito do Ainda sou do tempo.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

... da Novela Kananga do Japão

quarta-feira, maio 27, 2015 0
... da Novela Kananga do Japão

A RTP continuou a transmitir novelas Brasileiras mesmo sem poder contar com as da rede Globo, e uma das que teve mais sucesso foi a Kananga do Japão, da Rede Manchete.

Kananga do Japão foi uma telenovela da Rede Manchete, exibida entre Julho de 1989 e Março de 1990 e que pudemos ver na RTP no segundo canal aos Domingos, começando em 1995, tendo algum sucesso no nosso país, especialmente na Madeira, isto numa altura que o canal já não emitia novelas da Globo que tinham ido então para a SIC.

Escrita por Wilson Aguiar Filho, teve Christiane Torloni e Raul Gazzola nos principais papéis, numa história que relatava a vida no Brasil nos anos 30, falando da revolução e da intentona comunista por exemplo, abordando assuntos bem adultos e não muito comuns nas novelas de então como a homossexualidade. Uma novela mais adulta que recebeu bastantes prémios e teve boas críticas por parte da imprensa e uma boa aceitação do público.

Aguiar Filho tinha escrito o maior sucesso da Rede Manchete até então, Dona Beija, foi por isso normal que o presidente da estação o fosse contratar de novo quando as restantes novelas não atingiam os números desejados. Adolpho Bloch deu a ideia ao autor de fazer algo relacionado com o cabaré Kananga do Japão, e a trama foi tão intensa que o elenco teve que aprender dança de salão, samba de gafieira e foxtrote, além de capoeira, sinuca, etiqueta e noções de judaísmo. Uma maneira utilizada pela Manchete para conquistar o público foi narrar, dentro da história, partes do governo de Getúlio Vargas e Washington Luís e a prisão de Olga Benário. Conforme comentário do diretor artístico Jayme Monjardim, "se essa novela não der certo, a Manchete desistirá da dramaturgia"


A estação gastou 20 Milhões de Dólares na produção, a novela foi para o horário das 21h30 e alcançou algum sucesso, com uma média de 20 pontos na audiência e sendo altamente elogiada pelos cenários, pelas roupas e pelas cenas cinematográficas que compunham a trama, considerando uma concorrente à altura das telenovelas da Globo.

E a Globo achava o mesmo, especialmente quando o casal principal recebia também excelentes críticas pela sua interpretação, em especial Gazzola, que tinha a aparência de conquistador em conjunto com o jeito malandro que o papel requeria.

Uma história de amores e desencontros, de traições, mortes tudo numa altura muito conturbada do país irmão. Por isso mesmo há uma forte componente política na trama, uma quase aula de história por vezes. No final de cada episódio, eram exibidas imagens documentais sobre a época. A vinheta de abertura foi produzida por Adolpho Rosenthal e dividida em quatro temas: porto, guerra, baile e campo, baseados na obra de Cândido Portinari, O Lavrador de Café.Ela representa as danças e os eventos feitos no cabaré Kananga do Japão, sob o som de "Minha", executado pela cantora Misty.

Alguém seguiu esta novela?









quinta-feira, 21 de maio de 2015

... das Bolas Fluffy (ou Koosh)

quinta-feira, maio 21, 2015 0
... das Bolas Fluffy (ou Koosh)


Foi uma semi febre no nosso país estas pequenas bolas, por norma como porta chaves, que andaram pelas mãos de muitas meninas no final da década de 80, começo dos anos 90. Lá fora as bolas Koosh (ou Fluffy) eram pensadas mais como um brinquedo, algo que não acontecia por Portugal.

As bolas koosh (ou Fluffy) constituíam numa pequena bola com cerca de 2.000 filamentos de borracha, bem coloridos, que eram bastante agradáveis ao toque. Os fios de borracha eram fáceis de se retirar da bola de borracha a que estavam agarrados, e muitos rapazes adoravam fazer isso neste brinquedo que pertencia por norma às irmãs ou namoradas.

Foram criadas em 1986 por Scott Sallinger, que começou a sua própria companhia com o seu cunhado de modo a poder comercializar isto e rentabilizar ao máximo o seu invento. A ideia era ter uma bola diferente e colorida para as crianças brincarem entre elas, dava para atirar para o chão e ver ela a saltar, ou até para atirarem uns contra os outros sem aleijar muito. Alguns também usavam para brincar com animais, se bem que os pequenos fios de borracha não eram a melhor opção para isso.

Em Portugal lembro-me de ver isto mais como porta chaves, mas deveria haver quem usasse isso como brinquedo também. Sei que a dada altura era muito comum ver uma pendurada nas mochilas das nossas colegas. Era uma espécie de bola anti stress também, sabia bem estar ali a mexer naquilo.

Foi adquirido pela Hasbro, que mais recentemente fez uma linha baseada nestas bolas, criando algo tipo as pistolas Nerf, que dão para disparar várias destas bolas. E até houve algo do género Angry Bird. Quem teve uma destas?






quinta-feira, 14 de maio de 2015

... da Novela Fera Radical

quinta-feira, maio 14, 2015 0
... da Novela Fera Radical

Volto ao mundo das telenovelas da Rede Globo, desta feita para falar de Fera Radical, uma novela que passou por cá na hora de almoço, horário para onde iam normalmente as novelas das 18h da Globo.

Fera Radical foi uma novela da autoria de Walther Negrão, originalmente transmitida entre Março e Novembro de 1988 no horário das 18h da Rede Globo. sendo transmitida por cá pela RTP 1 no horário do almoço, pelo meio dia entre Dezembro de 1989 e Maio de 1990. Não foi das mais populares ou emblemáticas desse horário, mas mesmo assim a actuação de Malu Mader deixou muitos colados ao ecrã e interessados na trama ali apresentada.

Inspirada na peça A Visita da Velha Senhora, do suíço Friedrich Dürrenmatt, “Fera Radical” conta a história de Cláudia (Malu Mader), que deixa o Rio de Janeiro e retorna à pequena cidade de Rio Novo disposta a se vingar do extermínio de sua família, ocorrido 15 anos antes. A fera consegue trabalho como analista de sistemas na Fazenda Olho d’Água, cujos proprietários são os suspeitos da chacina de seus pais e irmãos.

Ela queria vingar-se de Altino Flores (Paulo Goulart), mas acaba por se envolver com os dois filhos dele, Heitor (Thales Pan Chacon) e Fernando (José Mayer), por quem se apaixona de verdade. O massacre da sua família continua vivo na sua mente, e ela quer-se vingar da família colocando um irmão contra o outro, muito para desespero da mãe adoptiva dela, Marta (Laura Cardoso) que a tenta demover dessa ideia.

Curiosamente ela tinha tido uma filha com Altino, mas ficou a cargo dele sendo criada pela mulher dele, Joana Flores (Yara Amaral) que é uma mulher forte e desconfiada com tudo, especialmente da chegada de Malu. Os dois irmãos Flores eram bem diferentes um do outro, Fernando adorava estar no meio dos bois e cavalos, enquanto que Heitor era mais dedicado aos escritórios.

Elias Gleizer interpretava o outro suspeito da morte da família de Malu, Donato Orisini, um estrangeiro bonacheirão que tentava se armar em fino mas era sempre bem engraçado e um pouco atrapalhado. Lembro-me bem do papel de Malu, obstinada e cheia de vontade de vingar a família, mas lembro-me pouco do resto da novela, talvez a prova que não tenha sido mesmo muito interessante.

Alguém por aí com opinião diferente?