segunda-feira, 2 de março de 2020

... da Novela Cambalacho


Recordo aqui uma novela divertida, que tornou a palavra parte do vocabulário popular tanto no Brasil como em Portugal. 

Sílvio de Abreu aproveitou a oportunidade de não ter a censura, e já não estar sobre uma ditadura militar, para criticar alguns valores ainda presentes na sociedade Brasileira, usando para isso dois anti heróis, dois vigaristas que tiveram bastante destaque na trama.

A Novela Cambalacho esteve no ar entre 10 de Março e 3 de Outubro de 1986, no horário das sete da tarde, com o público a apaixonar-se pelo bom humor e divertimento presente na história. Em Portugal foi transmitido pela RTP pouco tempo depois, à hora de almoço, tornando-se também uma das preferidas do público Português, que adoptou (assim como o brasileiro) o termo Cambalacho, usando-o para definir tramóias ou trapaças.


Jorge Fernando dirigiu a novela, e soube conciliar a forte crítica de Sílvio de Abreu à condição "vergonhosa" (segundo ele) que o Brasil vivia, criticando o comportamento condescendente de pessoas em altas instâncias com os subornos recebidos. Para isso colocou dois "trambiqueiros" em grande destaque, Fernanda Montenegro interpretou Naná e Gianfrancesco Guarnieri era Jejê.




Estes dois actores, em conjunto com Natália do Vale, protagonizaram alguns dos melhores momentos da novela, que tinha também Regina Casé como Tina Pepper, uma fã enorme de Tina Turner que estava constantemente a imitá-la.

O par romântico da história fugia um pouco ao habitual também, Edson Celulari era Thiago, um bailarino apaixonado por Ana Machadão (Débora Bloch) que era uma mecânica de automóveis. Uma inversão nas profissões, aproveitando assim para abordar o preconceito que acontece nessas inversões de papéis entre elementos do sexo Masculino e Feminino.

A novela sofreu com as mudanças que o governo de José Sarney implementou no Brasil, em especial com a entrada do Plano Cruzado e desta nova moeda, que complicou assim todas as cenas que envolviam ainda a moeda antiga Cruzeiro, forçando a que tivessem que colocar a conversão de valores no ecrã.

A cidade São Paulo, onde se filmou, fazia tanto parte da história que era quase como uma personagem. No final tivemos um número enorme de bailarinos pelas ruas da cidade, e formavam a palavra Cambalacho em plena metrópole Brasileira, sendo mostrado ao filmar a cena de um helicóptero.


Uma novela divertida e interessante, uma trama que merecia até um remake aproveitando a onda actual que a Globo tem optado, em adaptações de algumas das suas novelas mais emblemáticas.















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