2020 - Ainda sou do tempo

terça-feira, 31 de março de 2020

... da série Sarilhos com elas

terça-feira, março 31, 2020 0
... da série Sarilhos com elas

Uma série bem divertida, com um elenco diferente do habitual.

Susan Harris criou a série Golden Girls, que mostrava que os mais velhos também podiam ser divertidos.Durou sete temporadas, que foram transmitidas entre 1985 e 1992, ajudando a quebrar alguns preconceitos que existiam acerca de personagens da terceira idade nas séries televisivas. Deu no horário nobre da RTP na segunda metade da década de 80, com o nome Sarilhos com Elas, mas tenho ideia que também cheguei a ver isto por volta da hora de almoço (ou pelo início da tarde).

Era frequente abordarem temas sexuais no programa, mostrando que apesar da idade que tinham, viviam uma vida activa e acreditavam, e que ainda tinham muito para dar e a sua vida não estava terminada. Todas as protagonistas venceram pelo menos um Emmy, e o programa foi também alvo de vários Emmys e Globos de Ouro.

A série mostrava quatro mulheres acima dos Cinquenta anos que viviam juntas na mesma casa, cada uma com a sua personalidade própria, mas unidas por uma grande amizade. Apesar de haver muitas discussões, devido a essas personalidades diferentes, acabavam quase sempre a abraçar-se ou a comer um bolo na cozinha.

Dorothy Zbornak (Bea Arthur) tinha um temperamento muito complicado, divorciada de Stanley (que tentava várias vezes a reconciliação) era um pouco amarga e algo desconfiada das coisas. Era a mais inteligente do grupo, e por vezes a voz da razão.

Sophia Petrillo (Estelle Getty) era a mãe de Dorothy que acaba por ir viver com ela e com as suas companheiras depois de um incêndio no lar onde vivia. Apesar da sua aparência frágil e idosa, esta era bastante desbocada, e tinha sempre uma resposta na ponta da língua. Criticava constantemente as companheiras da sua filha, com comentários mordazes e certeiros, que era raro não arrancarem uma gargalhada do público.

As duas companheiras de Dorothy não podiam ser mais diferentes, Blanche Deveraux (Rue McClanahan) era uma típica beldade sulista, toda atiradiça e extrovertida, que depois de enviuvar, decidiu viver uma vida sexual muito activa, e aparecia com um namorado novo em quase todos os episódios. 

Já Rose Nylund (Betty White)  era mais calma e ingénua, cheia de histórias estranhas sobre a sua terra natal, e sem o mesmo interesse por uma vida sexual activa que as suas companheiras tinham.

As atitudes exageradas de Sophia eram o que atraía muitos de nós nesta série, se bem que agora é das coisas que se calhar menos gostamos de ver, pelo exagero típico dos anos 80, que eram somente para provocar shock value, e que afastavam por vezes um pouco a atenção dos assuntos abordados nos episódios  que eram até bastantes interessantes e pertinentes.

Uma série de alguma qualidade, e que provou que não precisamos de ter só séries juvenis na nossa televisão Chegámos a ter uma versão Portuguesa das Golden Girls, que também era interessante e com um elenco de qualidade.





terça-feira, 24 de março de 2020

... do Fort Boyard

terça-feira, março 24, 2020 2
... do Fort Boyard

Um programa interessante, lembro-me de ver e ficar entusiasmado com as provas e os enigmas.

O Canal 4 (como era conhecida a TVI) transmitiu em
 1994 o Fort Boyard, aos Sábados depois da hora de almoço, numa tentativa de combater a jovialidade da SIC. Mas como sempre, optavam pela versão original, e com legendas. A língua francesa, em conjunto com um velho de barbas longas a ajudar nos enigmas, dava um ar  solene a tudo, apesar de ter também muita emoção, com as provas físicas.

O programa começava 
com uma música de genérico fenomenal, e víamos um grupo de concorrentes num bote a aproximar-se do forte, que se encontrava no meio do oceano. A sua missão era conquistar o ouro de Boyard, e para isso teriam que ir resolvendo os enigmas que ele lançava, ao mesmo tempo que tinham que ultrapassar algumas provas físicas. A emoção era intensa, com um cronómetro que mostrava o tempo limite que todos tinham para resolver cada prova/enigma.

O objectivo passava por apanhar várias chaves, que estavam em diversas celas pelo forte fora, existindo uma chave extra, no topo do forte, tendo que responder a um enigma para obte-la. Podia-se trocar concorrentes por chaves, ficando presos e impedidos de dar o contributo à equipa até o final do programa. Lembro-me que isto raramente dava bom resultado, já que era menos uma ajuda para as diferentes fases que o programa tinha. Um dos meus momentos preferidos era o do velho, as barbas compridas eram sinónimo de grande conhecimento e reverência nos anos 80, e adorava o seu tom de voz.

O programa teve várias versões nos mais diversos países, uma do Reino Unido alcançou bastante sucesso, e ainda hoje é lembrado com saudade por todos os que o viram. Por França costumam acontecer programas especiais com concorrentes famosos, sempre com sucesso.



















quinta-feira, 19 de março de 2020

... da Bia, a pequena feiticeira

quinta-feira, março 19, 2020 0
... da Bia, a pequena feiticeira

Recordo mais um daqueles desenhos animados que ficou na memória de todos.

Majokko Meg-Chan era o nome original do Anime, baseado num Manga criada por Akio Narita e Tomo Inoue, teve 75 episódios, entre 1974 e 1975. A RTP 2, na década de 80 e de 90. passou uma versão Europeia, neste caso da versão Italiana que tinha menos episódios, cerca de 65, ficando com o nome Bia, a Pequena Feiticeira.

A série era muito boa a nível gráfico, era um daqueles animes com inspiração europeia, mas mantendo a alma oriental. Neste desenho animado podemos ver as aventuras da Bia (Cláudia Cadina), uma jovem feiticeira que disputava o trono do reino da magia com a sua rival, Nádia (Helena Isabel). Uma particularidade engraçada era ver como as roupas reflectiam a personalidade das protagonistas, Bia estava sempre com cores suaves e leves, e Nádia tinha cores mais fortes, mais pesadas.


A Bia veio viver para a casa de Ana (Fernanda Montemor), uma velha feiticeira que decidiu viver no nosso planeta, e constituir família. Enfeitiçou o seu marido Paulo (António Semedo), e os seus filhos, para que estes considerassem a Bia como a filha/irmã mais velha da família. Existia ainda o bruxo Xoné (Adriano Luz) que devia vigiar o desempenho das pequenas feiticeiras, mas tinha na verdade outros planos.

Não me lembro de tudo dos episódios, nem via isto regularmente, mas lembro-me que me divertia com este desenho animado, e que ainda hoje consigo cantarolar a música do genérico, uma batida Italiana à Eurodance com uma letra Portuguesa divertida e interessante.

B - A
B - E - Ba Be
B - I - Ba Be Bi
B - O - Ba Be Bi Bo
B - U - Bu Ba Be Bi Bo Bu
B - A
B - E - Ba Be
B - I - Ba Be Bi
B - O - Ba Be Bi Bo
B - U - Bu Ba Be Bi Bo Bu

Assim também tu podes imitar a Bia
e fazer qualquer magia.
Aparecer desaparecer num sonho
e transformar a noite em dia.
Cavalgando uma estrela,
ou um arco íris sobre o mar.
Mas cantemos juntos a canção
da Bia para ajudar

B - A
B - E - Ba Be
B - I - Ba Be Bi
B - O - Ba Be Bi Bo
B - U - Bu Ba Be Bi Bo Bu
B - A
B - E - Ba Be
B - I - Ba Be Bi
B - O - Ba Be Bi Bo
B - U - Bu Ba Be Bi Bo Bu

B - A
B - E - Ba Be
B - I - Ba Be Bi
B - O - Ba Be Bi Bo
B - U - Bu Ba Be Bi Bo Bu
B - A
B - E - Ba Be
B - I - Ba Be Bi
B - O - Ba Be Bi Bo
B - U - Bu Ba Be Bi Bo Bu













segunda-feira, 16 de março de 2020

... do programa Não se esqueça da escova de dentes

segunda-feira, março 16, 2020 0
... do programa Não se esqueça da escova de dentes

Hoje recordo um dos programas mais divertidos da nossa televisão, um símbolo da SIC dos anos 90.

Em 1995 a SIC ia para o seu terceiro ano de existência, continuando a afirmar-se como uma estação televisiva rebelde e animada, contra o conservadorismo do canal 4, e a estagnação da RTP. Os seus programas eram originais, divertidos e movimentados, e um dos melhores exemplos disso era o Não se esqueça da escova de dentes.

O programa consistia em jogos animados, que habilitavam a diversos prémios, entre os quais viagens, sendo por isso obrigatório terem consigo o passaporte e a escova de dentes. Teresa Guilherme era a apresentadora, mostrando aqui um registo mais moderno do que nos havia habituado, e a química que tinha com o seu parceiro, Humberto Bernardo, ajudava ao sucesso do programa.

As noites de terça ganhavam assim uma animação extra, o público estava sempre bastante animado (há rumores que a produção dava bastante álcool ao público), e existia até um jogo de strip-tease, o que garantia a atenção de todos.

Lembro-me que o programa era longo, tendo por isso alguns momentos mortos, como no caso dos convidados musicais, mas no geral era bastante divertido e engraçado de se ver. Foi o começo de uma Teresa Guilherme cheia de empatia para com os concorrentes e o público.










sexta-feira, 13 de março de 2020

... dos Jovens Heróis de Shaolin

sexta-feira, março 13, 2020 0
... dos Jovens Heróis de Shaolin

Uma série que deixou todos a quererem ser mestres do Kung-fu.

O nome da série no original era Ying hung chut siu nin, ficando conhecida por cá como Jovens Heróis de Shaolin. produzida em 1981 e transmitida pela RTP a meio da década de 80 (86 presumo) aos Sábados à tarde, para gáudio de miúdos como eu que deliravam com os efeitos especiais manhosos da série que na altura eram mais que suficientes para nos conquistar.

Foi transmitida na sua língua original e com legendas em Português, com um genérico fantástico numa língua completamente estranha, mas que tinha tudo a ver com o programa e o que este nos queria dar. 
Ficávamos vidrados na TV a ver as aventuras de 3 amigos que falavam numa linguagem muito estranha, que tinham aventuras fantásticas, e que davam uns saltos fantásticos antes de andar à porrada.

A série tinha bastante humor (algo que ajudou ao sucesso dela), mas as artes marciais eram tratadas com respeito, mostrando-nos o quão difícil eram os treinos de Kung-Fu para todos aqueles que estavam no templo de Shaolin. A história focava-se em 3 amigos, Hung Hei Goon, Fong Sai Yuk e Woo Wai Kin, que tentam tornar-se mestres do Kung Fu enquanto tentam colocar a Dinastia Ming no poder, destronando a Dinastia Ching.

















segunda-feira, 2 de março de 2020

... da Novela Cambalacho

segunda-feira, março 02, 2020 0
... da Novela Cambalacho

Recordo aqui uma novela divertida, que tornou a palavra parte do vocabulário popular tanto no Brasil como em Portugal. 

Sílvio de Abreu aproveitou a oportunidade de não ter a censura, e já não estar sobre uma ditadura militar, para criticar alguns valores ainda presentes na sociedade Brasileira, usando para isso dois anti heróis, dois vigaristas que tiveram bastante destaque na trama.

A Novela Cambalacho esteve no ar entre 10 de Março e 3 de Outubro de 1986, no horário das sete da tarde, com o público a apaixonar-se pelo bom humor e divertimento presente na história. Em Portugal foi transmitido pela RTP pouco tempo depois, à hora de almoço, tornando-se também uma das preferidas do público Português, que adoptou (assim como o brasileiro) o termo Cambalacho, usando-o para definir tramóias ou trapaças.


Jorge Fernando dirigiu a novela, e soube conciliar a forte crítica de Sílvio de Abreu à condição "vergonhosa" (segundo ele) que o Brasil vivia, criticando o comportamento condescendente de pessoas em altas instâncias com os subornos recebidos. Para isso colocou dois "trambiqueiros" em grande destaque, Fernanda Montenegro interpretou Naná e Gianfrancesco Guarnieri era Jejê.




Estes dois actores, em conjunto com Natália do Vale, protagonizaram alguns dos melhores momentos da novela, que tinha também Regina Casé como Tina Pepper, uma fã enorme de Tina Turner que estava constantemente a imitá-la.

O par romântico da história fugia um pouco ao habitual também, Edson Celulari era Thiago, um bailarino apaixonado por Ana Machadão (Débora Bloch) que era uma mecânica de automóveis. Uma inversão nas profissões, aproveitando assim para abordar o preconceito que acontece nessas inversões de papéis entre elementos do sexo Masculino e Feminino.

A novela sofreu com as mudanças que o governo de José Sarney implementou no Brasil, em especial com a entrada do Plano Cruzado e desta nova moeda, que complicou assim todas as cenas que envolviam ainda a moeda antiga Cruzeiro, forçando a que tivessem que colocar a conversão de valores no ecrã.

A cidade São Paulo, onde se filmou, fazia tanto parte da história que era quase como uma personagem. No final tivemos um número enorme de bailarinos pelas ruas da cidade, e formavam a palavra Cambalacho em plena metrópole Brasileira, sendo mostrado ao filmar a cena de um helicóptero.


Uma novela divertida e interessante, uma trama que merecia até um remake aproveitando a onda actual que a Globo tem optado, em adaptações de algumas das suas novelas mais emblemáticas.















quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

... da Formiga Ferdy

quarta-feira, fevereiro 26, 2020 0
... da Formiga Ferdy


Hoje recordo mais um daqueles desenhos animados surreais, que divertiram as crianças da década de 80 e 70.

A formiga Ferdy já existia em livros, criada pelo autor Checo Ondrej Sekor na década de 30, mas foi só em 1984 que alguém decidiu transpor a personagem para o pequeno ecrã, numa parceria entre Ingleses e Checos através da European Cartoon Production. A RTP transmitiu este desenho animado em 1985, na sua versão Alemã (que ajudava a que ficasse ainda mais surreal) com legendas em Português, tendo sido repetida por diversas vezes ao longo dos anos.

A Formiga Ferdy vivia num vale com os seus amigos, o seu cão Snuffer, o TollPatsch, a joaninha Gwendoline (a sua grande paixão), o Caracol Oscar, a aranha Arambula, entre outros. Ela era uma formiga aventureira e que gostava sempre de tocar a sua viola, para assim apimentar as suas aventuras com alguma música.

Chegou a haver uma segunda série em 1996 (que também foi transmitida por cá, desta vez dobrado), mas que não teve o mesmo impacto. Não que a primeira tenha sido um desenho animado de grande sucesso, mas há muitos que se recordam bem das aventuras desta formiga.
























terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

... do programa Isto Só Vídeo

terça-feira, fevereiro 18, 2020 0
... do programa Isto Só Vídeo

Um programa que nos apresentava vídeos caseiros, uns divertidos, outros nem por isso. Uma espécie de youtube, que fez algum sucesso nos anos 90.

Foi em 1992 que Virgílio Castelo apareceu nos nossos ecrãs, apresentando o Isto Só Vídeo em pleno horário nobre da RTP 1. Um programa simples que vivia dos vídeos caseiros Nacionais e Internacionais, sempre com a voz off do apresentador, que atirava uma ou outra chalaça relacionada com o que víamos no vídeo. Era transmitido às Terças-Feiras, e tenho ideia que a dada altura começou a ter público ao vivo, com os vencedores do prémio da semana passada a receberem a sua recompensa.

Mas não era só de vídeos caseiros nacionais que o programa era feito, imitando os inúmeros programas que existiam no Estrangeiro (um ou outro já tinha passado fugazmente pela nossa TV), iam buscar também de outros países. Uma espécie de avô do Youtube, com a diferença de ter um apresentador, e quase sempre uma narração com piada (ou sem) durante a transmissão desse vídeo.

Passado três anos saiu do ar, e quando voltou, tinha a apresentação de Rute Marques, que para além de não ter o mesmo carisma do seu antecessor, sofreu com o facto das pessoas começarem a ficar algo cansadas com o programa. Este não evoluía muito e a dada altura o interesse esmorecia. 


















quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

... dos ténis Reebok Pump

quarta-feira, fevereiro 12, 2020 0
... dos ténis Reebok Pump

Foram uns dos artigos mais desejados dos anos 80, todos queriam andar a carregar no botão que "enchia"os ténis..

Os Reebok Pumpe surgiram no final dos anos 80, com o intuito de ajudar a melhorar o desempenho de um jogador de basquetebol, com o seu sistema de inflação. Foram um sucesso na NBA, e apesar do  seu valor alto, existia um público sedento para os comprar.

Para isso a Reebok começou a fabricar ténis úteis para outros desportos também, como o ténis ou o futebol. Michael Chang começou a utilizar um modelo que variava do original pum nos seus jogos, e ajudou assim a que este tipo de modelo se tornasse popular junto de todos. No Wrestling, John Cena utilizava um modelo Pump quando tinha uma gimmick mais urbana e hip-hop, chegava a utilizar o bombear dos sapatos como parte do seu ataque, quando queria finalizar com um adversário já caído no chão.

Portugal não foi excepção e os sapatos fizeram algum sucesso por cá também, e nas Praças e Feiras do nosso País começaram a surgir n imitações para as pessoas com menos posses. Eu tive um desses modelos da feira, e podia não ter todas as funcionalidades do modelo original mas servia o seu propósito, o de dar um ar mais "cool" ao nosso vestuário. Os originais custavam cerca de 30 contos em 1991, o que era mesmo muita massa para gastar nuns ténis.

Os Reebok Pump eram macios e confortáveis (além de terem um ajuste personalizado), feitos em cabedal e malha, que conferia apoio e respirabilidade, enquanto a palmilha em espuma proporciona uma grande tração para os utilizadores, algo possível graças à sua tecnologia única.

Confessem que dava um gozo do caraças baixar-mo-nos e bombar a língua do ténis, era só tentar arranjar uma situação em que parecesse que ao fazer aquilo iríamos ter mais sucesso em algo. A Reebok tem lançado de novo este modelo, com um design mais moderno mas pensando sempre no conforto do utilizador.















quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

... dos Livros da Anita

quarta-feira, fevereiro 05, 2020 0
... dos Livros da Anita


Quantos dos que estão a ler isto não receberam como prenda um dos livros da Anita? Desde os anos 60 que são uma prenda comum para os mais novos (principalmente para as meninas) e continuam a ser publicados até aos dias de hoje, mesmo já não tendo o apelo de outrora. Um mundo simples e inocente, tentando mostrar a pureza do mundo aos olhos de uma criança.

Gilbert Delahaeye escrevia os textos que eram ilustrados de forma fantástica por Marcel Marlier, começando em 1954 com o livro Anita na Quinta, e no mesmo ano o Anita aprende a ler. Após a morte de Gilbert (em 1977), o seu filho Jean-Louis continuou o legado, escrevendo as aventuras desta petiz. que tinha o nome original de Martine.

A editora Verbo foi a responsável pela publicação destes livros, tanto em Portugal como no Brasil. Chegou a 
Portugal em 1965,  rapidamente se tornou um sucesso e começou a ser uma prenda comum que as Avós ou Tias compravam para as meninas mais novas da família (e por vezes aos rapazes também).


Anita tem uns 5 ou 7 anos, e os títulos dos livros mostram as "aventuras" que alguém daquela idade pode ter, desde uma ida à quinta, ter aulas no Ballet ou até andar num balão. Também apareciam coisas "básicas", como o aprender a ler, o ir à escola, o estar com um burrito, basicamente tudo servia para escrever um livro. Anita estava quase sempre acompanhada pelo seu cão Pantufa, e por vezes pelo seu irmão.

Os textos nunca eram muito longos, serviam apenas de suporte para as magníficas ilustrações de Marcel. e era isso que "contava" a história. Chegaram-me a oferecer 2 livros disto, mas isto realmente era mais para menina e nada daquilo me prendeu muito. Ainda hoje podemos encontrar estes livros à venda e aposto que muita Avó continua a comprar para oferecer à sua netinha.

O maior problema é que, apesar de isto retratar a pureza com que as crianças encaram o mundo, aquilo tudo ficou muito preso noutros tempos, é demasiado inocente e castiço para os dias de hoje, as coisas já não são assim tão surpreendentes ou básicas. Mesmo assim continua a ser editado e alvo de procura, logo há crianças ainda fascinadas com o mundo da Anita. Hoje em dia decidiram adoptar por cá o nome Martine.










segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

... dos Ursinhos Carinhosos

segunda-feira, fevereiro 03, 2020 0
... dos Ursinhos Carinhosos

Mais um desenho animado dos anos 80, também ele baseado numa linha de brinquedos. Por cá não teve muito sucesso, mas lembro-me de ler as revistas e ver os vhs.

Os Care Bears (Ursinhos Carinhosos) foram uma criação da artista Elena Kucharik, para uma linha de postais e cartões da American Greetings. A linha teve uma boa aceitação no seu lançamento em 1981, e 2 anos depois a Kenner começou a criar uma série de peluches, cada ursinho com uma cor diferente e uma insígnia própria na barriga. Mais tarde foi criada uns especiais para TV que deram origem à série de desenhos animados, transmitida entre 1985 e 1988.

A família dos Ursinhos Carinhosos habita na Nuvem Rosa (no original, "Care-a-Lot"), repleta de nuvens e arco-íris. Lá encontramos o Templo dos Corações, um salão em forma de coração vermelho, além da Casa da Vovó e o "Carinhômetro", que avisa de problemas relacionados aos sentimentos. Eles protegem a terra das sombras do mal e do vilão Coração Gelado, que quer acabar com o amor todo no mundo.

Existiam outros animais também, os "primos" que vivem na Floresta dos Sentimentos e com as mesmas características dos Ursinhos, apenas eram outros animais como Leões, Coelhos, Macacos e afins. Ternura, Fiel, Dorminhoco, Amizade e Campeão eram alguns dos ursinhos mais comuns nos episódios da série.

Não me lembro se isto deu na TV por cá, se foi algo que só vi em VHS, sei que a dobragem era Brasileira, e que era um daqueles Desenhos Animados cheios de cor e animação no estilo do Meu Pequeno Pónei. Vi na segunda metade da década de 80, e lembro-me de ler algumas revistas da Abril também, e de ter a mesma sensação de quando via ou lia o Moranguinho, dava para passar o tempo e me divertir mas somente isso. Nos anos 90 lembro-me de ver isto na RTP com dobragem em Português.










quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

... do programa Portugal Radical

quinta-feira, janeiro 30, 2020 0
... do programa Portugal Radical


A SIC primava por marcar a diferença com uma programação original e irreverente, e isso foi levado a outro nível quando em 1992 estreou o Portugal Radical.

O programa era apresentado por Raquel Prates e Rita Mendes, tendo como repórter e apresentadora ocasional, 
Rita Seguro. Os desportos radicais, com uma grande incidência sobre o Surf, eram os protagonistas deste Portugal Radical, com  vídeos cheios de cor e movimento, acompanhados por reportagens que explicavam mais sobre o assunto em questão, e assim ajudavam quem quisesse começar nesse desporto.

O público aderiu bem ao conceito, especialmente o mais jovem que queria assim fugir ao cinzentismo típico do nosso país. Chegou a existir uma revista com o mesmo nome, tal o sucesso que isto atingiu, e não tardou a aparecer cadernetas de cromos, cadernos escolares e outro tipo de merchandising. O programa esteve no ar até 2002 com bons resultados a nível das audiências, chegando a transmitir competições importantes de Surf, BMX e Skate, que de outro modo não veríamos.

Ocupava as manhãs da estação, e apesar de não ser nada fã deste tipo de desportos, eu ficava a ver o programa, contagiado pelo carisma, entusiasmo e beleza das apresentadoras (apesar de me rir com a linguagem algo exagerada para ser "buéda fixe"), além da boa música que acompanhava as imagens. Era algo com a cara da SIC da altura, e que lançou 3 apresentadoras, que continuaram a marcar presença no audiovisual Português.

















quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

... da série Doido por ti - Mad about you

quinta-feira, janeiro 23, 2020 0
... da série Doido por ti - Mad about you

Ainda sou do tempo em que o horário da Madrugada na TVI era mais visto do que o horário nobre. Todos falavam das séries que davam nesse horário, e tudo começou com uma comédia, a Doido por Ti (Mad about You) entre 1996 e 1999.

Paul Reiser e Helen Hunt eram
 Paul e Jamie Buchman, um casal moderno, que vivia num apartamento de Nova Yorque com o seu cão Murray. Como vinham de mundos um pouco diferentes, ele era um cineasta e tinha uma filosofia mais de "deixa andar", ela era mais executiva e pragmática com empregos de escritório, tinham uma relação muito peculiar.

A família de ambos era um excelente elenco secundário, Ira (John Pankow) era o primo de Paul que vivia com esquemas para ganhar mais dinheiro, e que acaba por ficar com o negócio dos seus tios, os pais de Paul, Burt (Louis Zorich) e Sylvia (Cynthia HarrisBuchman. Burt era um velhote simpático e ingénuo, enquanto que Sylvia era a típica sogra que tratava a nora com uma hostilidade disfarçada com sarcasmo e bocas ocasionais.

Existia ainda a irmã de Jamie, Lisa Stemple (Anne Ramsay), que era uma cabeça no ar sempre a criar  problemas para o casal, o casal amigo constituído por Fran (Leila Kenzle) e Mark (Richard KindDevanow, ambos neuróticos mas sempre dispostos a ajudar os seus amigos, e a irmã de Paul, Debbie Buchman (Robin Bartlett) que acabaria por se assumir como lésbica a dada altura da série.



Os diálogos eram bem engraçados, e os argumentos deixavam sempre o casal em situações interessantes, em especial devido à teimosia deles em determinados assuntos. A série não envelheceu mal, mostra situações que podem acontecer a qualquer casal mesmo nos dias de hoje. Até quando chega um bebé à vida do casal, a comédia continua, como num episódio em que a criança não pára de chorar e têm que descobrir como evitar isso, acabando dentro de um Táxi para o bebé adormecer com o movimento.

Os convidados eram sempre divertidos, como o grande Mel Brooks que fazia de tio excêntrico do Paul, ou os ocasionais Hank Azaria, que passeava o cão dos Buchmans, e Lisa Kudrow como a empregada de café Ursula que seria aproveitada mais tarde em Friends.

O genérico da série assentava numa música escrita por Reiser, Final Frontier mostrando na letra muito do espírito do programa. Foram sete temporadas, de 1992 a 1999 e os 164 episódios mantiveram uma qualidade rara em séries do género. Ria-me bastante com a série, e ainda hoje consigo esboçar sorriso em algumas das situações que o casal se mete, devido a pensarem sempre de uma forma peculiar em relação aos outros ao seu redor.