sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Entrevista a Paula Neves


Volto às entrevistas, desta feita a uma das actrizes mais talentosas da nossa televisão, a Paula Neves. Iremos saber um pouco sobre a sua infância e adolescência, e sobre os seus trabalhos na TV, como Riscos ou Anjo Selvagem.

Paula Neves nasceu a 17 de Novembro de 1977, brincou como tantas outras crianças na década de 80 e começou a ficar conhecida logo no seu primeiro trabalho de Televisão em 1997. Foi na série Riscos da RTP que Paula se estreou nos nossos ecrãs, começando assim uma carreira que continuaria a crescer, participando regularmente em novelas e séries, tanto na RTP como na SIC, e teve o papel da sua vida quando interpretou a "trinca-espinhas" Mariana em Anjo Selvagem.

Foi protagonista, ou parte do elenco principal, em uma série de novelas da TVI, e paralelamente pisou diversos palcos de teatro do nosso país, fosse em comédias, fosse em dramas. Vamos então conhecer um pouco melhor Paula Neves:

Ainda Sou do Tempo - A Paula é, como eu, da geração que cresceu tanto na década de 80, como na de 90. O que era um dia normal para a jovem Paula, e para a adolescente? 

Paula Neves - Passei a juventude de uma forma bastante normal. A escola era importante, sempre estudei de manhã e assim ficava com muito tempo livre para a diversão. Gostava muito de andar na rua e de estar com amigos. Na altura andávamos em bando, éramos muitos, percorríamos as ruas e passávamos horas à porta dos cafés a conversar. É curiosos como as pessoas de que nos
rodeamos tendem a ser cada vez menos à medida que vamos crescendo.

AST - Quais são as suas melhores memórias desses dias? Fez coisas como criação bichos da seda, trincar azedas, tocar campainha e fugir e tantas outras, um pouco impensáveis nos dias de hoje?

PNPenso que fiz as coisas todas normais dessa época, Claro que fiz a criação de bichos de seda com a sua caixinha e folhas de árvore e quem é que não trincou azedas? Faz tudo parte de aprender a lidar com o mundo. No entanto cresci na cidade, aquela coisa de subir às árvores passou-me ao lado. O meu contacto com o campo aconteceu muito mais tarde. Lembro-me que fazíamos muitas partidas pelo telefone, algo que hoje seria impensável porque só atendemos os números que conhecemos, mas naquela altura os telefones eram fixos e atendiam-se sempre.

AST - Estreou-se na mítica série Riscos da RTP, em 1997, o que a Paula, e o resto do elenco, sentiam ao contracenar com alguns nomes bem conhecidos da televisão?

PNSentimos uma grande emoção! Era algo completamente diferente, estarmos só nós, os putos ou estarmos com os mais velhos, os atores consagrados, era outra realidade. Sentíamos uma grande responsabilidade e emoção por estar a trabalhar com eles. Para mim foi decisivo pois foi ao
contracenar com a Alexandra Lencastre ( que fazia de minha mãe) que percebi que queria muito ser atriz, que podia ser um caminho profissional possível para mim.



AST - Percebiam o impacto que tinham junto do público? Que cá fora repetia-se coisas ouvidas na série, e comentava-se o que tinha acontecido?

PNNa altura dos Riscos apercebemo-nos que era um projeto com um grande impacto, tínhamos muita atenção por parte da imprensa, o projeto era muito arrojado para a altura, era algo diferente que se estava a fazer em Portugal e isso atraiu a atenção, mas o impacto que teve junto dos espectadores só o percebemos mais tarde. Gostava muito que repetissem a serie, julgo que ainda seria bem atual para os dias de hoje.

AST - Há pouco tempo revi, pela terceira vez, a sua prestação como Milu na novela os Lobos. Como foi estar assim pela primeira vez numa telenovela?

PNFoi maravilhoso, foi emocionante! Era algo que queria muito fazer, queria continuar a trabalhar como atriz, crescer e evoluir, aprender mais e perceber se aquela poderia ser a minha profissão. Lembro-me que fazia de amante do Diogo Infante, adorei trabalhar com ele, e no fim fugíamos de helicóptero e aquilo foi uma emoção para mim!

AST - A sua carreira deu um grande salto na viragem de século, quando interpretou a Mariana em anjo selvagem. O que sentiu ao ver a imensa popularidade da sua personagem?

PNA Mariana foi das personagens mais especiais e impactantes na minha vida, não só pela duração e intensidade do projeto, como pelas pessoas com quem contracenei e que conheci, como pela reação do público. A duração e intensidade (2 anos a gravar 12 horas por dia, mais uma hora de estudo diário, mais a preparação ao fim-de-semana, enfim..) foi algo que se faz quando se é jovem e um pouco inconsciente. Não era um ritmo de trabalho normal, seria difícil de aguentar para qualquer pessoa, mas a pessoa é jovem, enérgica e vai fazendo. Foi uma personagem muito intensa e a relação entre ela e a avó (interpretada pela Isabel de Castro) saltou do ecrã para a vida real. A Isabel foi
das pessoas mais importantes na minha vida, o nosso laço de afeto era real, era forte, durou até ao fim, até à morte dela, para mim ainda dura. A reação do público foi algo de inacreditável, algo que ainda hoje me custa a acreditar. Foi uma reação forte e em massa. Lembro-me de enchermos a Praça da Figueira com milhares de pessoas que queriam ver as personagens ao vivo, fizemos um
episódio de uma hora em direto, o que foi das coisas mais loucas e emocionantes que já fiz! O mais incrível é que a reação do público a esta novela e a esta personagem dura até aos dias de hoje, falam-me dela com muito carinho, como se fizesse parte da vida e da história daquelas pessoas, das suas famílias, ainda não parou e isso é das coisas que mais me deixa feliz e orgulhosa.



AST - Também foi Maria rapaz na sua infância? Ou na adolescência?

PN - Não! Nunca fui maria-rapaz, era até bastante feminina, andava sempre de saltos, toda produzida. Usei os meus primeiros ténis com a Mariana, no início nem sabia andar de ténis, parecia uma pata. Confesso que depois desta personagem não voltei aos saltos, descobri toda uma outra vida de conforto e descontração ;)

AST - A Paula é bastante activa nas redes sociais, acha que estas podem ser um excelente meio de contacto com os fãs, ou um mundo meio complicado com as tensões actuais em relação a tudo o que se diz e publica-se? 

PNPenso que é sempre um pau de dois bicos. Uso diferentes redes sociais para diferentes coisas. No twiter é onde me sinto mais à vontade, onde sou mais eu, onde interajo com os outros, onde me sinto mais acompanhada por “amigos virtuais”, no instagram ou facebook é onde vou pondo um registo da minha vida e das minhas vontades, mais virado para um lado profissional. As redes sociais têm um impacto enorme na nossa vida e podem ser usadas das formais mais variadas, eu evito ter discussões ou grandes defesas de causas nas redes socias, uso-as mais como conversa de café, as minhas discussões gosto de as ter noutro sítio e de saber com quem as estou a ter ;)

AST - Vamos a um pequeno jogo:

Bota botilde ou limão? 
Revista bravo ou super jovem? 
Onda choc ou ministar? 
Jogo elástico ou corda? 
Amigos do Gaspar ou Árvore dos patafurdios? 

PN - Ui, vamos a isto:
Bota botilde
Revista Bravo
Onda Choc
Jogo elástico
Árvore dos Patafurdios

AST - A Paula é também uma excelente actriz de teatro, algum trabalho actual, ou futuro, que queira anunciar?

PN - Neste momento estou na fase final da digressão da peça “5 Lésbicas e Uma Quiche” e vou iniciar os ensaios da peça “Muito Barulho Por Nada” de William Shakespeare que será apresentada no Teatro do Bairro em Janeiro.

AST - Agradeço imenso a sua disponobilidade e votos de felicidades.

PN - Eu é que agradeço a entrevista. Beijos grande e até breve!












0 blogger-facebook:

Publicar um comentário