quarta-feira, 25 de julho de 2018

... de Hanna Barbera


Já falei por aqui de vários desenhos animados da Hanna-Barbera, hoje falarei um pouco da história do estúdio que criou todo um universo fantástico.

O nome Hanna-Barbera, foi parte integrante da nossa infância, já que aparecia em muito dos desenhos animados que víamos. O nome era nada mais nada menos, que os apelidos dos 2 visionários que criaram a companhia, William Hanna e Joseph Barbera, que em conjunto deram cartas durante grande parte do século XX.

Foi no final da década de 50 que estes 2 directores saíam da então forte divisão de animação da MGM para criarem a sua própria companhia, que ganhou maior impulso no começo da década de 60 com o fecho da divisão da MGM. Nas três décadas seguintes, o estúdio deu ao mundo uma enorme variedade de personagens que acompanharam toda uma geração sedenta de entretenimento televisivo. Eles foram os primeiros a criar, com sucesso, cartoons exclusivamente para TV que até então mostrava apenas aqueles que eram exibidos nas salas de cinema.

Animação para todos era assim criada. Enquanto que um cartoon de Tom e Jerry para Cinema custava 35,000$, os cartoons da HB ficavam pelos 3000$. Para isso era usado e abusado truques como designs muito simples, backgrounds despidos e repetições extremas de coisas como cenários em corridas e afins, que assim ajudavam a manter o orçamento.


Huckleberry Hound foi o primeiro sucesso da então H-B productions, com segmentos criados para a televisão de um cão com um forte sotaque sulista e que não devia muito à inteligência, sendo intercalada por cartoons de outras personagens como um certo urso ladrão de cestas de piquenique e outro com 2 ratos muito danados, Pixie e Dixie. O segmento que apresentava o urso, Yogi Bear, chegou a ter mais sucesso do que Huckelberry e assim em 1960 ganhou o seu próprio show.

Mesmo assim esta primeira estrela chegou a ganhar um Emmy, e fez com que ainda no final da década de 50 eles criassem outro show no formato syndicated, Quick Draw Mcgraw, com um cavalo como estrela, um sheriff no velho oeste com o seu parceiro Babalu. Ambos os programas tinham o patrocínio da Kellogs o que lhes dava bastante destaque e força junto do público infantil.

Mas foi no começo da década de 60 que a companhia cresceu ainda mais, e logo com uma oportunidade numa estação de TV importante como a ABC em horário nobre, com a animação The Flintstones. O desenho era vagamente baseado numa série de sucesso de então, mas rapidamente criou uma identidade para si mesmo. Os temas abordados, os plots e alguns diálogos, não ficavam a dever nada a outras séries de imagem real que apareciam na tv de então.


Durou 6 anos, gerou 2 parques de diversões que ainda se encontram activos, e várias tentativas de revival ao longo dos anos ,quer com spin offs quer com séries derivadas do tema. Também fizeram filmes fosse em formato animado, fosse para cinema com actores de carne e osso.

Foi uma das poucas séries animadas da dupla que não tinha como protagonista um animal com roupa de pessoa. Porque fosse para a MGM, onde ajudaram Tom e Jerry a chegar aos píncaros com alguns dos cartoons mais memoráveis da dupla de gato e rato, fosse na sua própria companhia, os animais eram sempre os protagonistas do seu próprio cartoon. E muitos deles em horário nobre, como Top Cat em que os seus argumentos também eram mais do género de uma série e não de um desenho animado.

Claro que nem todos eram geniais ou de qualidade, a companhia era conhecida pelos seus backgrounds básicos e com repetição dos mesmos ad nauseaum e por algum humor básico, conhecido como slapstick. Mesmo assim quase todos atingiram algum sucesso: Magilla Gorilla, Secret Squirrel e atomic ant que muitos se lembram pela versão brasileira da formiga atómica.


Como bons empresários, tanto William como Joseph, sabiam que não podiam manter-se somente na fórmula animalesca, e o final da década de 60 trouxe uma variedade de desenhos animados na companhia, de fazer inveja a muitas outras do meio. A primeira tentativa foi com Space Ghost, quase um super-herói na verdadeira acepção da palavra, e Impossibles, que misturava acção e aventura com o tradicional humor da dupla Hanna-Barbera. Mais se seguiram, como Birdman, Herculoids ou até mesmo os heróis da Marvel, o Quarteto Fantástico. Infelizmente devido a diversas pressões, eles tiveram que abandonar toda essa gama de acção/aventura, e voltar a algo mais infantil.

Foi então que apareceu o seu novo grande hit, mesmo no final da década de 60, com o show Scooby Doo, que mostrava um cão e um grupo de adolescentes a resolver mistérios e crimes por todo o país e que tinha uma das melhores músicas de genérico da  história da televisão. O sucesso foi tanto, que rapidamente surgiram outros cartoons com animais e adolescentes a resolver mistérios, como Josie and the Pussycats ou Jabberjaw, como eram todos da mesma companhia, as semelhanças entre as personagens eram mais que muitas. Era a prova de que na década de 70, o domínio da Hanna Barbera no mercado da animação era avassalador. Eles produziam quase tudo o que ia para o ar.

Os concorrentes apareciam aos poucos mas ainda de uma forma muito tímida, nomeadamente via alguns cartoons especiais, como os Peanuts de Lee Mendelson-Bill Meléndez, ou produções do Chuck Jones. As companhias que começavam a surgir com algum destaque eram a Ruby Spears, DePatie-Freleng Enterprises e Filmation, que conheceriam melhores dias nos anos 80.


Hong Kong Phooey, um cão lutador de Kung Fu, e Harlem Globe Trotters foram dois programas de sucesso, devido a explorarem ao máximo 2 das maiores febres dos anos 70. Era como se fizessem um cartoon com Disco. Mas a companhia fazia coisas novas também, como os cartoons da personagem popular Popeye, e um com os heróis da DC, em Superfriends.

Devido ao número elevado de trabalho que produziam, críticas surgiam de todo o lado, em especial da Disney e de Chuck Jones, por causa da qualidade do aspecto visual. Chuck Jones chegou mesmo a chamar os dois artistas de "dupla da rádio" já que era dado mais ênfase ao som, efeitos sonoros e diálogos do que à própria animação.

E a década de 80 começou com o abrandar da popularidade da HB e com o surgimento em força de companhias como a Filmation e o uso de personagens com base em action figures como He-Man and the masters of the universe ou Thundercats. Mas a dupla correu atrás do prejuízo e fabricou produtos baseados em marcas conhecidas com coisas tão variadas como The Smurfs, The Snorks, Pac-Man, Shirt Tales, Happy Days.


Não foi o melhor período da companhia, que começou a ver até algumas estações de TV a produzirem êxitos, como a ABC com os Muppet Babies. Isso fez com  que a Hanna Barbera produzisse coisas baseadas em personagens próprias, como os Flintsones Kids ou a pup named scooby doo, ou agarrando em personagens de outros, como Pink Panther and Kids ou Popeye and son.

Depois vieram os problemas financeiros que assolaram muitos na altura, e fizeram a companhia ir produzir o seu material no estrangeiro. A situação só melhorou na década de 9,0 com a aquisição pelo multi milionário Ted Turner, que apesar de ter salvo a companhia, foi a razão pela qual a mesma acabou anos mais tarde, sendo substituída pelos Cartoon Network Studios.

Animação básica, bastantes efeitos sonoros, animais com gravatas e chapéus... tudo isso fez parte da nossa infância, fosse na TV, fosse na Banda Desenhada nos livros que a editora Abril colocava ao nosso dispor. Quem mais cresceu a ver Hanna Barbera?








2 comentários:

  1. Nos dia de hoje até os amadores podem fazer cartoons e podem até arranjar apps de instrumentos musicas para criarem as músicas.

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  2. Nos dia de hoje até os amadores podem fazer cartoons e podem até arranjar apps de instrumentos musicas para criarem as músicas. Hoje´só é preciso um computador para ter tudo.

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