... do Totoloto - Ainda sou do tempo

quarta-feira, 18 de abril de 2018

... do Totoloto


Apesar de ter surgido bem depois do Totobola, o Totoloto era o jogo de eleição nos anos 90. Quase todos nós preenchemos alguns números nos boletins dos nossos pais, e lembro-me tanto de ir entregá-los ao café do bairro, como de ir levantar prémios a uma papelaria lá do bairro.

Com o Totobola a perder alguma popularidade, e por se tratar de um jogo de apostas que atraía maioritariamente só elementos do sexo masculino, urgia criar algo que atraísse mais apostadores e mais receitas. Em 1982 é feito então um decreto de lei, aprovando a criação do Totoloto, e em 1985 a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa começa então a sua exploração.

Foram distribuídos cerca de 15 milhões de boletins, que esgotaram e não foram suficientes para a procura que houve. O primeiro sorteio foi transmitido pela RTP, a 30 de Março de 1985, e tornou-se parte de uma tradição que perdurou por anos. Todos os Sábados, pelas 19h45, era transmitido o sorteio deste jogo, que teve um momento sui generis a 6 de Janeiro de 1996, quando saiu a bola 0, apesar de só deverem estar a sorteio as bolas de 1 a 49. Um ano antes, o mágico Luís de Matos apareceu no telejornal a adivinhar o sorteio da semana seguinte.

O primeiro prémio foi de 18.682.341,30 escudos, e tornou-se um jogo que encantou jovens e velhos, homens e mulheres, já que não era preciso nenhum conhecimento especial para poder jogar isto. O jogo era tipo Loto, e as probabilidades de vencer eram poucas, mas isso não impedia ninguém de apostar. O primeiro concurso saiu a um casal, que deu a cara, e a um anónimo.

Foto do blog capicuasdojota

O boletim foi sofrendo algumas alterações, as 10 grelhas foram-se mantendo, mas o esquema de 6 números passou de 45 números a escolher para 47 em 1988, e pouco tempo depois para 49. A dada altura podia também ser aproveitado para um sorteio à segunda-feira, e depois criou-se outro número, que era o Joker.

Nos anos 80 e 90 era o jogo mais popular nos cafés e papelarias, todos queriam fazer uma aposta, e era comum pedir aos mais novos para preencher alguns números. Lembro-me que o meu pai tinha um esquema, uma chave que ele usava de forma metódica e regular, e que lhe saíam bastantes 3, ou seja acertava 3 números, que dava um prémio sempre a rondar os 100 e tal escudos.

Sei disso, porque o meu pai deixava-me ir levantar isto à papelaria, e eu ia juntando e depois comprava algo para mim. Quem mais se lembra do sorteio? É fácil, é barato, e dá milhões.