... dos Pink Floyd - Ainda sou do tempo

quinta-feira, 29 de março de 2018

... dos Pink Floyd



Volto a ceder o meu lugar a outra pessoa, para mais um Memórias dos Outros, neste caso para falarem de um dos maiores grupos da história da música, os Pink Floyd. A Fernanda Fontes é uma fã hardcore da banda, e por isso é a pessoa ideal para nos conduzir nesta memória, fornecendo-nos até algumas fotos da sua colecção pessoal, como esta do topo. Vamos então a isso?

Dizermos que ainda somos do tempo dos Pink Floyd não faz muito sentido, tendo em conta que são uma banda intemporal. Mas dizer que ainda sou do tempo em que os Pink Floyd faziam tournées mundiais que esgotavam em minutos, ou que somos do tempo em que ainda lançavam álbuns, isso sim. Ainda sou desse tempo. Muitos de nós somos.

Banda formada nos míticos anos 60, mais propriamente 1965 em Londres, teve como alinhamento original Roger Waters (baixo e voz), Nick Mason (bateria), Richard Wright (teclado e voz) e Syd Barrett (guitarra e voz principal). David Gilmour (guitarra e voz) juntou-se à banda em 1967. Syd Barrett saiu oficialmente em 1968 e faleceu em 2006 com 60 anos. Gilmour tomou o seu lugar como vocalista da banda.

Devido a “diferenças criativas” (muito eles gostam de usar este termo), Richard Wright deixou a banda em 1979 e Roger Waters em 1985. Ao contrário de Waters, que nunca mais voltaria a criar nova música com os restantes membros, uns anos depois Wright juntou-se aos colegas para tocar em sessões de estúdio e, mais tarde, voltou como membro da banda. De acordo com Gilmour, Wright foi dos membros mais importantes na criação dos 2 últimos álbuns oficiais da banda.



Na sequência do evento de beneficência Live 8 realizado em 2005 no Hyde Park em Londres, Waters uniu-se aos restantes 3 membros para um pequeno concerto. Há mais de 24 anos que os 4 elementos não tocavam juntos e, depois disto, não o voltariam a fazer.

Chegaram a participar no concerto de tributo a Syd Barrett, em 2007. Mas Waters tocou a solo, enquanto os restantes tocaram juntos várias composições de Barrett. Gilmour e Waters deixaram bem claro, em várias entrevistas, que não tinham interesse numa reunião e chegaram a recusar um contrato no valor de 150 milhões de euros para uma tournée mundial. 

Portugal teve o prazer de os receber a 23 de setembro 1994, no antigo estádio José Alvalade, com a tournée Division Bell. Mais de 85 mil pessoas se deslumbraram com aquilo que foi considerado, por muitos, o melhor concerto que Portugal já presenciou até aos dias de hoje.


15 álbuns de estúdio. The Endless River, lançado em 2014, não contém música nova mas sim música gravada nas sessões de estúdio durante a criação do álbum Division Bell (1994). Muito trabalho ficou de parte e não foi colocado nesse álbum. Apesar de grande maioria se tratar de música ambiente ou instrumental, não foram feitas muitas alterações ao que já tinha gravado com Wright porque, de acordo com Gilmour, “esta música é para a geração que quer colocar os headphones, deitar-se, ou qualquer coisa, e curtir uma peça de música por um largo período de tempo”.

Gilmour e Mason iniciaram este projeto em 2013 com o objectivo de lançar um álbum dos Pink Floyd no século XXI e, também, como tributo a Richard Wright.

É muito difícil identificar qual o melhor álbum. Depende do gosto de cada um, depende da mood em que estamos no momento, depende das recordações que a música nos traz. Depende de tanta coisa.
Pessoalmente, o meu favorito é o Wish You Were Here (1975). Porquê? Porque me traz tantas, mas tantas recordações boas. Há quem diga que o melhor é o Dark Side Of The Moon (1973) que, durante alguns anos, foi dos álbuns mais vendidos do mundo. Ou The Wall (1979), de onde saiu uma das músicas mais conhecidas no mundo: Another Brick In The Wall (part 2). E há quem prefira o trabalho menos conhecido para o público em geral. Todo o trabalho musical dos Pink Floyd merece destaque. Merece reconhecimento.


Roger Waters continuou a solo e ainda esgota concertos com a sua actual tournée Us+Them.
David Gilmour também lançou vários trabalhos a solo, mesmo quando a banda ainda estava no activo e, de igual forma, esgota concertos com a maior facilidade. Mas Gilmour prefere tocar em espaços mais pequenos para manter contacto com o público.

Com o falecimento de Richard Wright em 2008, morreu também a última hipótese de uma tournée final. Ou de uma última reunião com Waters. Para Gilmour, não faria qualquer sentido tocar sem Wright, que ele considera ser grande parte da alma dos Pink Floyd.

Nick Mason referiu várias vezes que adoraria voltar a tocar com os colegas. Gilmour opõe-se a essa hipótese, dizendo que já fez tudo o que podia fazer como membro dos Pink Floyd. Pessoalmente, acho que ainda teriam muito para nos dar.


Mas ainda nos deixaram muita coisa. E, como refiro no início do texto, Pink Floyd são uma banda intemporal que irá permanecer como uma das melhores bandas que alguma vez existiram ou existirão.