Outubro 2017 - Ainda sou do tempo

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

... do Pantógrafo Pigon

quinta-feira, outubro 19, 2017 0
... do Pantógrafo Pigon

Alguém chegou a utilizar um Pantógrafo? O aparelho que servia para copiar alegremente as nossas personagens preferidas, e elas aparecerem "desenhadas" quase na perfeição. Podia ser uma batota, mas muitos não se chateavam com isso, e outros até mentiam a dizer que tinham sido eles a desenhar.

O Pantógtafo foi um objecto criado pelo Astrónomo Alemão Christoph Scheiner, constituído por quatro barras, duas pequenas e duas maiores, que estão paralelas duas a duas. Será com as duas réguas menores que iremos passar por cima do desenho original, enquanto que as maiores nas extremidades servirão para reproduzir o desenho, num formato um pouco maior se assim o desejarmos.

Quem fez disto?








Primeira e última imagem retiradas do blog nanossainfancia.blogspot.pt



quarta-feira, 18 de outubro de 2017

... do Diário de Maria

quarta-feira, outubro 18, 2017 0
... do Diário de Maria

Diário de Maria foi uma série que passou na RTP no final dos anos 90, com Dalila Carmo como protagonista de um elenco que contava com nomes como Cristina Carvalhal, Paula Neves ou João Didelet, entre outros.

A série foi criada por Leah Laiman, uma argumentista experiente com trabalho feito em Hollywood, com textos de autoria de Luís Rangel, Luísa Correia, Paulo Aires e Vítor Bandarra, mostrando-nos a vida de uma jovem mulher em Lisboa, alternando situações dramáticas com momentos de humor.

Transmitida entre 1998 e 2000. a série tinha co-produção da RTP e da FIT (produtora dos Riscos), e começou por ser emitida em horário nobre, mas a dada altura começou a ser empurrada para horários mais tardios, tendo os últimos episódios sido transmitidos já de madrugada. O programa teve algum impacto, em especial pelo facto de ter sido o primeiro a mostrar um beijo lésbico, mas a troca de escritores e mudança constante de actores no elenco, fez com que a série não tivesse um fim condigno.

A série começa logo com um caso polémico, mostrando a irmã de Maria (Paula Neves) de apenas 21 anos, a ter um caso com o noivo da sua irmã, de 27, despoletando os acontecimentos que levaram Maria a querer mudar o seu modo de vida.

Vai trabalhar para a redacção de uma revista, onde o sua educação (vinha de um meio conservador), choca um pouco com o estilo de vida liberal dos seus colegas. Mas as coisas vão-se alterando com o tempo, e na série isso é-nos mostrado de uma forma interessante, uma pena a meio as coisas terem perdido um pouco o rumo.












terça-feira, 17 de outubro de 2017

Entrevista Rui Zink

terça-feira, outubro 17, 2017 0
Entrevista Rui Zink

O Ainda Sou do Tempo retorna às entrevistas, desta feita a Rui Zink, que recorda um pouco do seu passado, a sua passagem pelo programa da Noite da Má língua, e ainda a sua obra literária.

Rui Zink nasceu a 16 de Junho de 1961, em Lisboa, começando a publicar livros na década de 80, e colaborando com vários projectos jornalísticos nos anos 90, fazendo parte de redacções como a do Independente ou a revista K. Na televisão ficou conhecido como participante na Noite da Má Língua, sendo um dos integrantes originais e ficando por lá até ao final.

Eis a entrevista possível:

Ainda Sou do Tempo: O Rui já uma vez falou de como existe uma geração, a minha, apelidada de geração Dartacão, como chamaria a sua?

Rui Zink: Geração Feliz. Deu mesmo um documentário sobre um grupo de teatro de guerrilha que um grupo de amigos criámos, «Felizes da Fé». O documentário da Leonor Areal está no youtube. 

AST: Pode dizer-nos um pouco de como era a sua infância? Qual era o seu tipo de brincadeira preferido?

RZ: A volta a Portugal em bicicleta. Era com caricas, nas bordas dos passeios em torno do bairro e durava semanas. Mas nunca consegui ser mais rápido que o Joaquim Agostinho. 

AST: Recordando a sua infância/adolescência, e o começo da TV, qual era a sua série/desenho animado de eleição?

RZ: O Bip Bip, perseguido pelo Willy Coyote. O rufião (ou bully, como agora se se diz) perdia sempre. 

AST: Como foi viver o período da revolução, como é que uma criança via as mudanças ao seu redor?

RZ: Criança?! Eu não vim aqui para ser ofendido... Eu tinha quase 13 anos quando se deu a revolução. Ou seja, já tinha olhos de ver. E a minha casa ficava a dois minutos do Rossio, era só descer a calçada. Comecei a viver o 25 de Abril às 10h da manhã, portanto. E em minha casa havia tradição de resistência, lia-se a República de Raul Rego, havia um olhar crítico. Vi também a contra-revolução começar cedo, pois um dos centros da intriga era precisamente o Rossio, onde as pessoas se juntavam em magotes para dizer mal do regime. Do novo, que no anterior estavam satisfeitos, esses que vociferavam «contra a nova ditadura». Penso sempre nesses energúmenos, quando agora oiço lancinâncias contra a terrível «ditadura do politicamente correcto».  

AST: Tudo fala sempre dos míticos anos 80, já era um jovem formado por essa altura, como viveu essa década? Porque acha que todos ainda se recordam da mesma com carinho?

RZ: Não havia sida. Havia liberdade, havia ânsia de liberdade, havia um descobrir caótico e anárquico da liberdade e não havia sida. Foi o nosso período de amor livre, tipo anos 60. Uma festa. E não havia sida até que, a meio da década, passou a haver. 



AST: O Rui teve sempre ligado de alguma forma ao mundo da banda desenhada, já criou algumas obras neste género de literatura, tendo feito uma tese sobre o assunto na faculdade. O que o levou a escolher esse tema? Quais as BD's que lia na sua infância/adolescência?

RZ: A minha geração teve, graças a Vasco Granja, Dinis Machado e à Bertrand (salvo erro), acesso ao melhor da BD que se fazia então e uma coisa única: uma revista Tintin com o melhor (ou quase) das duas então melhores revistas do mundo: o Tintin e o Pilote franco-belgas. A variedade que a revista trazia era incrível, e creio que o dedo de Vasco Granja foi essencial.   

AST: Também fez uma tese sobre o grande José Vilhena, foi um autor que o marcou muito? Podia só dizer-nos um pouco sobre o impacto que esse autor teve no nosso país?

RZ: Vilhena foi para o humor escritor, entre 1960 e 1974, o que a Gulbenkian foi para a cultura: supriu um vácuo. Outros poderiam fazer melhor? Talvez. Mas não fizeram. 

AST: O Rui é também um autor, já publicou obras que vão desde a banda desenhada a romances, passando por contos e até incursões por peças de teatro ou óperas. Qual o que lhe dá mais prazer a escrever? Ou o que sente mais afinco.

RZ: Topo tudo. Sou um grafómano, até no Facebook tenho prazer em escrever. 

AST: Existem obras suas que tiveram bastante sucesso, mas muitos até desconhecem esta sua faceta. Sente que podia ser mais publicitado, ou é algo que também não lhe interessa muito?

RZ: Só um idiota responderia que não interessa chegar a mais gente e, pelo caminho, ganhar mais direitos. Acho que alguns livros meus - O Anibaleitor, A Palavra Mágica, O Suplente, A Instalação do Medo, o Halo Casto (com o Louro), Rei (com António Jorge Gonçalves), O Bebé que não gostava de televisão (com o Manuel João Ramos) foram óbvia e descaradamente injustiçados ao não receberem um prémio em Portugal no ano em que o podiam ter feito. E reparo, por vezes com sórdida alegria, o modo como rapidamente apodreceram outros mais laureados, enquanto que os meus livros viajam no tempo e no espaço. Devagarinho, mas viajam. Qual a importância dos prémios? Nenhuma, mas ajudam o texto a circular melhor. Um exemplo: A Instalação do Medo podia estar neste momento a ser útil a leitores em 20 países, em vez de em apenas seis.A pergutna atrás desta pergunta é: «Está disposto a ceder na forma e no conteúdo - isto é, a abardinar - para chegar a mais gente?» Aí a resposta é não. 



AST: Do que se trata o seu mais recente trabalho, O Livro sagrado da Factologia?

RZ: Falai de livros falhados... Trata da não-verdade e de um futuro que, não nos pomos a pau, será sórdido: tribalista e sectário. 

AST: Como foi a participação na Noite da Má língua? Recorda-se de como era a reacção do público e das figuras públicas?

RZ: A minha memória já não é o que era. Foi uma honra ter integrado aquele elenco e ser ainda hoje amigo dos meus compinchas. Acho até que somos família. Só esse espírito solidário permitiu aguentarmos a borrasca das reacções diárias. Muita gente gostava de nós, mas muita gente não gostava mesmo nada. Muitos dos programas polémicos de hoje têm a nossa marca, são de alguma forma nossos herdeiros - para o bem ou para o mal. O que nós fazíamos era free jazz, rock sempre a abrir, circo-ópera, aristografia punk. As figuras públicas, o mais das vezes, percebiam que a melhor forma de nos vencer era tentar seduzir-nos. Alguns conseguiam, o azar deles é que - sem maldade - nós não conseguíamos resistir à volúpia do directo e de uma boa piada. A mim só me tentaram bater um par de vezes, mas ao Manuel, à Júlia, ao Miguel e à Rita por vezes tinha a sensação de que passava a vida a livrá-los de caldinhos. 

AST: Apesar da hora que era transmitida, lembro-me de na manhã a seguir no liceu, muitos ficarmos a falar do que tinha acontecido no programa. Tinham noção de que estavam a chegar a uma geração mais nova, que ainda nem idade para votar tinha por vezes?

RZ: Não. E ainda bem que não tínhamos. É como dizer a uma pessoa que o que mais apreciamos nela é a sua espontaneidade. Durante um pedaço vai ficar constrangida. 

AST: Sofriam algum tipo de pressões, ou era imposta alguma limitação, sobre o que podiam ou não falar?

RZ: Não. Pressões devia haver, mas não chegavam até nós. O Emídio Rangel durante dois anos defendeu-nos sempre, tanto quanto sei. Depois, a natureza da relação da SIC com o poder institucional mudou (e é normal, c'est la vie) e aí não me custa a admitir (embora não tenha provas) que um programa cujos participantes eram livres, independentes e indomáveis ficasse implícito que tinha de cair. É a diferença, digamos, entre nós e programas tipo o Eixo do Mal (que dura á bué bué mas não tem um décimo do nosso impacto) ou o Governo Sombra: eles também não são completamente burros, mas nós éramos leões, eles são gatinhos fofinhos. 

AST: Qual a memória mais marcante de ter feito esse programa para a SIC? Encararia com bons olhos um regresso?

RZ: A memória mais marcante é a de um almoço em Buarcos há uns dez anos, quando fomos fazer ao Casino da Figueira uma sessão única. Rimos tanto ao almoço e estávamos tão felizes de nos rever e foi tão divertido que, à noite, só o Manuel Serrão estava em forma. Eu passei o show todo a tentar não vomitar, a Rita estava em coma, o Miguel tinha feito uma operação e mal se podia mexer, a Júlia volta e meia adormecia. 

AST: Como acha que esta geração actual irá ser apelidada no futuro?


RZ: Eu sabia que chegaria o momento de pagar a factura da impressora que me ofereceram para aceitar esta entrevista. Ok, então aqui vai: Geração Worten. Mas eu preferia Geração Aifónica... 








... da Petite da Concentra

terça-feira, outubro 17, 2017 0
... da Petite da Concentra


Lembram-se de um anúncio com uns quantos miúdos, vestidos a rigor, a tocar em máquinas de escrever como se estivessem numa orquestra? Era assim o anúncio da máquina de escrever Petite da Concentra, uma marca bem nossa conhecida por causa dos brinquedos que tínhamos, mas que apresentava agora algo que nos podia preparar para o mercado de trabalho. Fica aqui algumas versões do anúncio.






Imagens retiradas do blog enciclopediadecromos




domingo, 15 de outubro de 2017

... da Canada Dry

domingo, outubro 15, 2017 0
... da Canada Dry

Foi a primeira bebida "Cola" em Portugal, desaparecendo depois nos anos 80, esmagada pela concorrência. A Unicer deu a conhecer-nos os sabores Ginger Ale, Spur Cola e Água Tónica desta empresa canadiana.

A Canada Dry surgiu pela mente do farmacêutico John Janes McLauglhin, de Ontario, Canada, que desenvolveu nessa altura uma bebida gaseificada com sabor de gengibre, e em 1904 depois de vários anos a aperfeiçoar a sua fórmula, lançou-a com o nome de Canada Dry Ginger Ale. A empresa, que ficou conhecida também por ser a primeira a lançar refrigerantes em lata e também os sem açúcar, entrou em Portugal nos anos 60 e as suas garrafas eram bastantes populares entre os mais novos.

A versão Spur cola era a mais popular, mas existia quem gostasse muito da versão ginger ale. Aos poucos foi perdendo terreno para a Coca-Cola e Pepsi, que apareceram no nosso país no final dos anos 70.
















segunda-feira, 9 de outubro de 2017

... do Jogo do Galo

segunda-feira, outubro 09, 2017 0
... do Jogo do Galo


Tenho boas memórias de infância, devido a ter jogado muito isto com a minha Mãe. O jogo do Galo era um dos mais populares entre os mais novos, enquanto não sabíamos bem os truques para poder vencer logo e os jogos não acabavam sempre em empate, como acontecia ao envelhecermos.

O jogo era extremamente simples, numa folha de papel iria-se desenhar 4 linhas, 2 na vertical e 2 na horizontal de modo a formar uma espécie de tabuleiro 3x3, onde ficariam assim 9 quadrados para podermos jogar. Um jogador iria escolher o X e outro o O, e tentariam fazer uma linha completa, na diagonal, horizontal ou vertical. Tínhamos que ter em atenção o adversário e ir impedindo que este fizesse o mesmo, nem que para isso tivéssemos que sacrificar a jogada que tínhamos em mente.

O conceito do jogo remonta até ao antigo Egipto, segundo alguns historiadores, provando que para além de boa diversão era algo que servia também para exercitar a mente. Afinal tínhamos que perceber a melhor combinação, entre as milhares possíveis. para levar a nossa avante e não deixarmos o nosso adversário conquistar a vitória.

A dada altura lembro-me de existirem uns brindes. uns pequenos quadrados azuis, ou brancos, com buracos nas extremidades da tabela 3x3 que apresentava, onde poderíamos colocar uns pequenos pins brancos e vermelhos e jogar como fazíamos no papel.


Foto da colecção pessoal de Ana Trindade










sábado, 7 de outubro de 2017

... destes Puzzles de deslizar

sábado, outubro 07, 2017 0
... destes Puzzles de deslizar

Ainda existem, mas lembro-me de serem muito mais populares nos anos 80, e ser rara a criança que não tinha um puzzle destes. Era algo pequeno, prático para ter no bolso, e que trazia imagens diversas (normalmente de personagens de desenhos animados) e com os quais nos divertíamos a tentar colocar a imagem da forma correcta. Lembro-me de brincar bastante com isto, de gostar o desafio que aquilo proporcionava, e de que nem sempre era fácil colocar aquilo da forma correcta. Quem teve?




Primeira e última foto da colecção pessoal de Ana Trindade









terça-feira, 3 de outubro de 2017

... do GeoCities

terça-feira, outubro 03, 2017 0
... do GeoCities

Quem não criou uma página no GeoCities? No final da década de 90, e começo do Século XXI, era o portal que todos usavam para criar o seu próprio "site", tudo de uma forma relativamente simples e que originava páginas sobre tudo e mais alguma coisa.

David Bohnett e John Rezner criaram este portal de hospedagem em 1994, e em 1999 foram adquiridos pelo gigante Yahoo!, que deu um boost ao serviço e o tornou um dos mais populares em todo o mundo. No Japão ainda existe, mas desde 2009 que foi encerrado tanto nos Estados Unidos, como na Europa.

No começo, o portal era dividido por vizinhanças, cada uma correspondente a um tema/assunto e no qual se encontrariam as páginas relacionadas com isso. Mais tarde, optou-se por criar urls, como se de sites se tratasse e fez com que todos que utilizassem a internet, quisessem criar a sua própria página.

Os designs eram sempre básicos, e os utilizadores abusavam sempre nos extras que podiam colocar, criando páginas entulhadas de lixo visual, mas que na altura se considerava giro e divertido. Alguém por aí criou alguma?













segunda-feira, 2 de outubro de 2017

... do programa Cadeira do Poder

segunda-feira, outubro 02, 2017 0
... do programa Cadeira do Poder

Em 1997, a SIC continuava a surpreender os portugueses com programas fora do comum, e a Cadeira do Poder foi um bom exemplo disso. Apresentado por Artur Albarran, o programa tinha uma vertente de entretenimento, misturada com alguma crítica política, dando destaque a Pedro Santana Lopes, que mostrava ali todos os seus dotes de orador.

Tenho uma vaga memória disto, vi alguns, mas não me consigo recordar de tudo relacionado com a Cadeira do Poder. Infelizmente na internet também não há muita informação, tenho ideia de ter visto debate Sócrates vs alguém, mas no vídeo que existe, menciona apenas o Santana Lopes como líder da oposição, e que qualquer um podia ser o 1º Ministro.

ADENDA: em conversa com o Paulo Neto, colaborador ocasional do blog, os debates eram contra Torres Couto, que fazia de primeiro ministro. O Paulo lembra-se que o programa teve um impacto tão forte, que duas notícias (falsas) dadas por lá, foram tidas como verdade cá fora. Uma mencionava a filha do primeiro ministro a experimentar drogas (uma fictícia no programa), e outra sobre um acidente de carro envolvendo o secretário de estado da juventude (na altura António José Seguro).

Em todo o caso, era algo interessante de se ver, o espalhafato de Artur Albarran (confesso que não sou fã dele em entretenimento), com seguranças ao seu redor, tinha tudo a ver com o espírito da SIC, e pessoas como Artur Semedo e Santana Lopes, garantem um bom espectáculo. Alguém se lembra mais sobre isto?