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O jogo em si ainda existe, e bastante popular em alguns países, mas aqui vai-se falar de quando existiu uma febre no nosso país, ali na segunda metade da década de 90. É mais um Memórias dos Outros, com o jogador Nuno Gomes a recordar-nos um pouco de como é este mundo e do que acontecia por cá. Lembro-me de existirem eventos no Dramático de Cascais, e de nunca ter podido jogar isto, porque era demasiado caro para o meu bolso.

A primeira vez que ouvi falar em Magic the Gathering (MtG) foi em 1996, quando o Alta Voltagem rodava na RTP1. Criado por Richard Garfield em 1993 nos Estados Unidos da América, chegou a Portugal apenas uns anos depois, mas ganhou imensos adeptos. Trata-se de um jogo de cartas coleccionáveis e é altamente customizável, técnico e muito competitivo. A premissa é que o jogador é um feiticeiro (mais precisamente um Planeswalker), em que o objectivo é eliminar o adversário (ou adversários), reduzindo o seu total de vida (inicialmente vinte pontos) a zero. Existem cinco cores que reflectem diferentes poderes e fraquezas de cada uma.

A razão de ter tido tanto sucesso nos finais da década de 90 deveu-se ao facto de estar constantemente em expansão. Novas cartas eram imprimidas e cada pessoa costumizava e ajustava o seu baralho de acordo com as suas preferências. Eu caía sempre para a combinação de preto e vermelho, por vezes combinando azul :). Inicialmente dedicado a atingir consumidores entre os 15-20 anos, depressa se tornou um jogo caro e para audiências mais abonadas. Devido à raridade de algumas cartas, era preciso investir algum dinheiro para as comprar (ou trocar muitas cartas por uma só). Ao mesmo tempo, a sorte podia calhar a qualquer um: ao comprar boosters (equivalente a uma saqueta com cromos) podia calhar a carta rara que faltava para completar o tão desejado baralho.



Devido à competitividade do MtG, depressa se converteu de jogo casual na mesa da cozinha para torneios sancionados com prémios monetários e acima de tudo, prestígio. No início do século XVI, a razão do sucesso acabou por ter a reacção inversa: com as constantes expansões de cartas, muitos jogadores abandonaram o MtG. Apenas os melhores jogadores com acesso às cartas que precisavam, continuaram a jogar.

No entanto, com a popularização da internet, em 2008 sai uma versão online do MtG. A partir daí, semelhante à Fénix, o jogo renasce das cinzas e mais forte que nunca. Desde as suas raízes e com quase 25 anos de idade, MtG conta actualmente com mais de 20 milhões de jogadores (mais do que na década de 90), 16,678 cartas diferentes em 11 línguas e mais de 100 expansões!

Outras empresas tentaram criar a sua versão de jogos de cartas coleccionáveis (Star Wars, Dune, X-Files, Legend of Five Rings, etc), mas poucos sobreviveram. Hoje em dia MtG continua a ser o jogo do género com mais jogadores, mas outros se avizinham na competição, tais como Pokemon e Yu-Gi-Oh. Há uns anos atrás, decidi retomar a minha jogatina e apesar de não ser um jogador extraordinário, continuo a gostar de entrar esporadicamente em torneios para atirar uns quantos raios e feitiços a outros planeswalkers. E perder. Muito. Talvez demasiado.

Psst: se tiverem cartas de MtG esquecidas nalgum sótão, dêem uma vista de olhos nelas. Muitas cartas antigas nunca mais foram imprimidas e valem umas boas centenas de Euros no mercado secundário. O exemplo mais extremo é a primeira edição da Black Lotus, que vale actualmente €8928.38!!!!





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