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Esta foi daquelas séries que marcou a minha vida, quando a vi pela primeira vez achei-lhe logo piada, mas era muito novo para entender os pormenores e perceber tudo aquilo que a rodeava. All in the Family quebrou barreiras com os temas que abordava, mas principalmente como os abordava, tendo como protagonista alguém racista e antiquado, que não tinha problemas em dizer o que pensava.

Criado por Norman Lear, All in the Family (Uma Família as direitas em Portugal e Tudo em família no Brasil) estreou em 1971 e esteve no ar até 1979, num total de 9 temporadas, sendo que existiram ainda mais 4 temporadas de uma série chamada Archie Bunker's Place, que continuava as coisas como se fosse a original. Por cá foi transmitida pela RTP por diversas vezes na década de 70 e 80, e sendo repetida na SIC Gold anos mais tarde e na RTP Memória.

O programa conquistava logo o público pelo seu genérico, com a voz estridente da mulher a chamar logo a nossa atenção. Foi durante cinco anos consecutivos o líder de audiências, recorde absoluto, e ultrapassou largamente em popularidade o original britânico onde se baseava. Era um prato cheio para os fãs do politicamente incorrecto, mas as histórias eram sempre apresentadas de uma forma que não dava para ter raiva das tiradas racistas e cheias de preconceito que por lá apareciam.


Archie Bunker (Carrol O'Connor) era o patriarca da família, um veterano da II Grande Guerra que trabalhava como despachante nas docas e que não tinha problema nenhum em vociferar as suas ideias e opiniões sobre as minorias e os democratas, que só atrapalhavam o crescimento do seu país. A sua mulher Edith (Jean Stapleton) era o oposto, afável e simpática para todos, evitando ver o mal nas pessoas e apesar de ingénua, conseguia perceber quando a tentavam enganar (ou ao seu marido).

Na casa deles viviam ainda a filha e o genro, Gloria (Sally Struthers) tenta com que as coisas entre o seu pai e o seu marido corram bem, já que Archie não é nada fã de Michael Stivic (Rob Reiner), um polaco liberal com ideias muito diferentes do seu sogro, para além de ter um apetite voraz e não ter um emprego para ajudar nas despesas, já que andava a tirar um curso superior. Apesar disso mais tarde, Archie fica orgulhoso dele terminar os estudos e ser alguém.

Existiram muitas personagens regulares, mas as mais marcantes foram sem sombra de dúvida os Jefferson, uma família Afro-Americana que teve direito a uma série própria anos mais tarde. George e Louise (Sherman Hemsley e Isabel Sanford) tinham uma química fantástica, ele tinha o mesmo feitio de Archie, apesar de mostrar ser mais astuto que o vizinho, enquanto que Louise era bastante inteligente e tornou-se uma grande amiga de Edith, assim como o filho Lionel (Mike Evans) se tornou amigo de Michael.



Tivemos de tudo um pouco, desemprego, violação, cancro, roubos ou tentativas de burla várias. Tenho vários episódios de eleição, num é mostrado (através de um jogo) que o Michael não é assim tão diferente do Archie, com o seu próprio amigo Lionel a chamá-lo a atenção sobre isso. Gosto de um em que uma nota falsa lança a confusão entre os Jefferson e os Bunkers, ou então um em que Archie aceita que a sua casa se transforme numa casa modelo, e depende da ajuda de todos para que isso se resolva.

Há um episódios em que dois ladrões negros acabam por não roubar a casa devido a terem gostado muito da alma de Edith, e tendo gozado com os ideias de Michael e Archie. E claro que o episódio com o Sammy Davis jr é espectacular, com o beijo final a ser algo completamente inovador e com todo o diálogo nesse episódio a ser uma coisa fantástica de se ver.

Aliás esse é para mim um dos maiores factores de sucesso, os diálogos da série foram sempre de extrema qualidade e a realçar o melhor das personagens. Quem mais era fã?














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