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Continuo a adorar o mundo da Disney, afinal é impossível esquecer aquelas personagens que me fizeram companhia na infância, e hoje falo de uma das minhas favoritas, o Peninha. O mais desajeitado e divertido da família dos patos e que tinha ainda uma série de alter egos bastante interessantes.

Fethry Duck foi criado por Dick Kinney e Al Hubbard em 1964, aparecendo numa história do seu primo, o Pato Donald, e mostrando logo a sua natureza descontraída e atrapalhada, tendo estreado no Brasil no ano seguinte onde esta história apareceu na revista do Mickey. Curiosamente também em Portugal a estreia da personagem iria ocorrer numa revista do rato, mas no nosso caso era uma história que trazia também o Tio Patinhas e o Urtigão, datada de 1969 e escrita e desenhada pelos criadores de Peninha.

Não foi amado por Carl Barks, que nunca o utilizou, e também não teve muita sorte com Don Rosa, que mesmo assim ainda deu uso a este simpático pato, chegando inclusive a incluir ele na árvore genealógica que criou retratando a família de patos da Disney.Nos EUA no entanto havia sempre alguma curiosidade em relação ao potencial de Peninha, e este foi sempre aparecendo amiúde nas publicações Disney até começo do Século XXI.

O Brasil soube explorar bem a personagem, muitas vezes era apenas apresentada como quase uma cópia do Pateta, tal a sua atrapalhação e confusão armada sempre que aparecia junto do seu primo Donald, mas ao mesmo tempo com outro tipo de carisma, já que demonstrava ter alguma inteligência e vontade de se safar nos diversos empregos que conseguia. O mais famoso foi sem dúvida o de repórter no jornal A Patada do seu tio Patinhas, onde para além de reportagens escrevia histórias de um dos seus alter ego, o Pena Kid. O Peninha foi mais um (de muitos) que beneficiou dos estúdios Disney do Brasil, que conceberam histórias muito divertidas e lhe deram múltiplos alter egos, cada um mais divertido que o outro.


O Brasil tinha nos anos 70 e 80 um mercado Disney cada vez mais em expansão, com um estúdio próprio a criar histórias com algumas das personagens mais carismáticas da companhia e que os tornaram ainda mais divertidos aos olhos de todos nós. Autores como Ivan Saidenberg ou Carlos Edgard Herrero ajudaram a criar os alter egos do Peninha, personagens que existiam na sua imaginação, muitos para existir em poucas histórias isoladas mas que acabaram por ganhar outra dimensão, tal o seu carisma e o carinho com que o público os recebeu.

Isso aconteceu não só no Brasil mas também em Itália, país onde Peninha é muito querido, que ficaram contentes e importaram estas histórias com todo o prazer. Tínhamos o Pena Kid, o cowboy (ou caubói) que se acompanhava pelo seu cavalo Azalão (que o safava muitas vezes) e cantava muito mal, mesmo tocando o seu violáo (que também estava sempre presente). Sabíamos que era um produto da imaginação do Peninha, porque muitas das histórias mostravam ele a escrever as aventuras do cowboy para o jornal da Patada, que depois as publicaria.

Mas tínhamos também o Pena das Selvas (imitando o Tarzan), um dos mais divertidos, especialmente por que nenhum animal o respeitava, o Pena Submarino (uma espécie de Aquaman), Pena das Cavernas ou ainda Pena Rubra, um Viking em histórias de aventura. Para além destes alter egos, em 1970 surgia a paródia ao Batman que era o Morcego Vermelho, que se tornou um dos principais heróis do Universo Disney e um dos preferidos de todos.


Tão desastrado como o Peninha, o Morcego Vermelho tinha um carisma extraordinário e para isso muito ajudava às gerigonças que utilizava para combater o crime, muitas da autoria do Professor Pardal, que até a lata de lixo que era usada como quartel general alterou, tornando-a mais do que ela aparentava. Muitas da suas histórias envolviam um pobre Coronel Cintra, que tinha que ter uma saudável dose de paciência para suportar as trapalhadas deste herói.

Graças a todos estes alter egos, Peninha esteve presente em mais de 12 edições Extra da editora Abril, algumas dedicadas ao Morcego Vermelho, e uma teve até o nome "Peninha das Mil Faces" reunindo histórias de todos os seus alter egos e mais alguns, como o Pena Vaz de Peninha O sucesso da personagem era tanta, que foi a primeira no Brasil a ganhar um Almanaque, que teve as suas primeiras duas edições entre 1981 e 1982, apresentando assim somente histórias de Peninha, ao contrário das revistas mensais que traziam sempre no mix histórias com outros nomes da Disney.

A segunda edição teve 9 números, entre 1986 e 1993, que a dada altura sofreu uma mudança no seu nome, incorporando também o seu sobrinho Biquinho, que se tornaria também bastante popular. A popularidade de Peninha estava em alta, ele aparecia até em edições Extra dedicadas à Patada, jornal onde trabalhava com o seu primo Donald e onde enfrentavam as constantes ameaças do seu tio Patinhas. Ali surgiram histórias bem engraçadas, que envolviam a cobertura de eventos onde os dois faziam trapalhadas ou então promoções do jornal, que nunca davam bom resultado.


A revista do Peninha teve duas séries, a primeira que durou de 1982 a 1984 e teve 56 edições que tinham a periodicidade quinzenal, e em 2004 apareceu uma mensal que teve 19 edições. Na primeira série era comum ver Peninha a estrelar as suas aventuras sozinho, ou com o seu sobrinho Biquinho, a sua namorada Glória ou ainda o seu cão, que sofria bastante naquela casa. Peninha fez parte também da mítica Série Ouro, onde representou a realidade alternativa onde ele era o Prefeito.

Sempre gostei bastante do Peninha, lembro-me como sofria a tentar educar o seu sobrinho Biquinho (adoro especialmente uma história onde ele tenta que o pequeno deixe de responder não, ou outra em que tenta que escolha a sua profissão no futuro), ou então quando invadia a casa do seu primo Donald porque alguma das suas profissões tinha corrido mal.

Divertia-me muito quando tinha que ir ao sítio do Urtigão, pela Patada ou sozinho, e fui fã de todos os alter egos, em especial o Pena das Selvas e o Pena Submarino.No caso do Morcego Vermelho, apreciava as histórias em que não se levavam a sério, e não as que o tentavam parecer um herói com pouca comédia e trapalhada à mistura. Havia histórias isoladas que me ficaram na memória, como a paródia a Indiana Jones em Caçadores de Penas Perdidas ou então Sancho Pena a acompanhar o Dom Gansote.

Assim como os Irmãos Metralha, também Peninha teve as cores da sua roupa modificadas, passando do vermelho para um amarelo com risca preta na horizontal, mas mantendo o gorro vermelho que o identificava logo. Um pato bem querido e que ficará para sempre na nossa memória.




Texto da minha autoria, originalmente publicado no Leituras BD e aqui exposto por se adequar ao espírito do Ainda sou do tempo.

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