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Foi o filme que relançou o género de super-heróis no cinema, e que originou uma verdadeira Bat-Mania a nível mundial. O Batman de Tim Burton foi um sucesso de bilheteira, originou 3 sequelas e deixou a sua marca na história do cinema.

A Warner Brothers esteve sempre interessada em produzir um filme do Batman, e calhou ao novato Tim Burton (que tinha tido algum sucesso com o filme Pee Wee) a tarefa de o realizar. Burton começou logo por rejeitar o script que existia da autoria de Tom Mankiewicz, por o achar muito alegre e parecido com o que se fazia nos anos 60 em relação à personagem. Apesar de não ser fã de comic books, Burton ficou admirado quando lhe entregaram em mãos as sagas Killing Joke e Dark Knight Returns e a Warner chamou o escritor Steve Englehart para ajudar na criação de um novo argumento.

As ideias dele envolviam no começo Joker, Rupert Thorne, Silver St. Cloud, Dick Grayson e o Pinguim, mas apesar da aprovação da produtora, o próprio escritor achou que eram personagens a mais só para um filme e retirou alguns nos papeis que entregou em Maio de 1986. Burton no entanto tinha outras intenções e chamou Sam Hamm para fazer um script que lhe agradasse, e no final desapareceram muitas das ideias de Englehart, já que Hamm não queria apresentar a origem da personagem (apenas em flashbacks), substituiu Silver St. Cloud por Vicki Vale e Thorne por uma criação sua, Carl Grissom. Apesar do desinteresse da Warner, o criador Bob Kane deu a sua aprovação à história e a mesma avançou para produção após o sucesso comercial de Burton em 1988 com o filme Beetlejuice.

A escolha do actor principal foi bastante atribulada, foram muitos os nomes lançados e todos eles de grandes estrelas de Hollywood, nomes como Mel Gibson, Kevin Costner ou Bruce Willis foram considerados, com o estúdio a preferir uma estrela de acção no papel principal. O produtor Jon Peters sugeriu o nome de Michael Keaton, por achar que este podia representar o ar atormentado e sombrio desejado para a personagem, algo que Burton (que já o tinha dirigido) concordou, muito para o horror de Bob Kane, Sam Hamm ou o produtor original e dono dos direitos Michael Uslan. Como podem imaginar, também o público desconfiou desta escolha, pensando nas comédias do actor e no filme Pee-Wee do realizador, achando que isto ia ser de novo uma versão como aquela dos anos 60.



Para o papel de Joker (que ia ter pela primeira vez a sua origem retratada numa adaptação) também foram considerados alguns nomes conhecidos, como William DaFoe, Tim Curry ou James Woods com Robin Williams a fazer uma campanha muito forte para conquistar o papel. Mas desde o começo da década de 80 que a escolha de Uslan recaía em Jack Nicholson, e depois de umas árduas negociações o actor foi convencido a assinar com algumas regalias que poucos podiam se gabar. Tinha direito a escolher as folgas e a ficar sempre livre quando os Lakers jogavam em casa, para além de ter exigido parte da bilheteira como seu salário o que fez com que levasse para casa mais de 60 Milhões de dólares o que até 2005 constituía ainda um recorde em Hollywood.

Eu gostei bastante de ver ambos os actores, achei que Keaton ficou muito bem como um Bruce Wayne distraído, atormentado e intelectual e Nicholson (apesar de ser muito como ele é na realidade) interpretou um Joker fora do comum, completamente alucinado e muito a ver com o que conhecíamos da banda desenhada. Houve cenas fantásticas (como ele a entrar no museu) e que expunham uma loucura que casava muito bem com a personagem. A parte física foi a que mais sofreu com estas escolhas, mas mesmo assim acho que as coisas correram bem e não foi por isso que deixámos de vibrar e gostar delas.

Os restos das escolhas não foram tão atribuladas, no papel de Vicki foram consideradas Sean Young e Michelle Pfeiffer mas acabou por ser Kim Basinger a ficar com o papel, Michael Gough foi escolhido para representar o mordomo Alfred pensando já no futuro da franquia, assim como Billy Dee Williams como Harvey Dent para no futuro ser um Duas-Caras (algo que não aconteceu como sabemos). Pat Hingle ficou como Jim Gordon (num papel muito reduzido para o que muitos esperavam), William Hootkins como Tenente Eckhardt, o veterano Jack Palance como Grissom e Robert Wuhl como o repórter Alexander Knox, que ia morrer no começo do filme mas gostaram tanto do seu desempenho que o deixaram ficar até ao fim.

Com Danny Elfman como responsável pela música, estava tudo preparado para entrar em acção e a Warner Brothers rapidamente fabricou um trailer para afastar todas as dúvidas das pessoas em relação a algumas escolhas. Esse trailer, mostrado em algumas salas sem conhecimento prévio das pessoas que assistiram, teve enorme sucesso e tornou-se um bootleg muito desejado nas convenções de então. O fato de Batman ficou meio "esquisito", já que era de uma borracha rígida, apesar de ao mesmo tempo impor algum respeito e ajudar na falta de imponência física do actor Keaton, que nele parecia muito mais ameaçador e dono de um físico impressionante.



Existiram cenas de acção que demonstravam alguma lentidão, tanto devido ao facto como a falta de jeito mas não prejudicou em demasia o divertimento do filme. Para mim foi muito pior a escolha do nome para o alter ego de Joker, Jack Napier, e estabelecer que tinha sido ele o assassino dos pais de Bruce Wayne e que como tinha sido este (como Batman) a deixar Jack cair para o ácido, ambos tiveram influência na criação um do outro. Outra coisa que não concordei foi no facto de Alfred deixar Vicki entrar na batcaverna, algo impensável na realidade dos comics.

No filme vemos como Batman ataca os vilões e faz com que estes espalhem o mito no meio do submundo, de que ele é uma personagem mais que humana, muito ameaçadora e muito perigosa. A própria polícia não sabe como encarar, e a imprensa tenta descobrir mais sobre este vigilante. Vemos como o Joker era um simples bandido ao serviço de um barão do crime, e que quando fica desfigurado vira algo que estava já meio presente na sua mente psicótica. Como Joker ataca todos em Gotham com um produto que mata as pessoas e as desfigura, deixando ao cargo do nosso herói descobrir como evitar isso. Vicky Vale para além de interesse romântico para Wayne, atrai as atenções do vilão também que a corteja e a tenta conquistar em algumas das cenas mais interessantes do filme.

O final também não foi muito do meu agrado, fazendo com que Joker morresse numa queda de helicóptero, depois de uma luta entre os dois protagonistas. Mas mesmo assim fui mais um membro da Bat-Mania, com dossier do filme, caderneta completa, camisola, algo para cozer no blusão com o símbolo do morcego e outras coisas relacionadas com a personagem. Sempre fui fã dela e este filme ainda contribuiu mais para isso, deixando-me completamente extasiado e interessado em ver outros filmes do realizador (que se tornou um dos meus favoritos).

O marketing assentava basicamente no simbolo do morcego dentro da elipse amarela, mas foi mais do que suficiente para se tornar uma febre mundial e tudo querer algo onde ele estivesse assinalado. Ainda antes do filme sair já tinham sido vendidos uns fantásticos 750 Milhões só em merchandising, algo que provava quer a força da personagem, quer o interesse do público. A própria DC Comics aproveitou isso para relançar as vendas nos livros, ficando todos a ganhar com esta Bat-Mania como ficou conhecido esse verão de 1989.

No seu fim de semana de estreia fez mais de 42 Milhões de Dólares, destronando Caça-Fantasmas II do topo de filmes mais rentáveis do ano, foi o primeiro filme a conseguir 100 Milhões nos primeiros dez dias de exibição e no geral conseguiu mais de 410 Milhões de dólares em bilheteira. Quando foi lançado em VHS, bateu novos recordes conseguindo mais de 150 Milhões de dólares em vendas, sendo um sucesso no aluguer de filmes e na venda directa de k7's.

Adorei todo o ar sombrio do filme, o ar clássico do Batmobile e as cenas de Nicholson como Joker. Continuo um dos defensores do Wayne de Keaton, apesar de não ser tão fã dele como Batman e para mim o filme continua como um dos melhores de Super-Heróis apesar de sofrer muito com a greve de argumentistas que assolou Hollywood nessa altura.






Texto meu já publicado no Leituras BD, aqui com algumas alterações.


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