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Volta-se hoje a uma Memória dos Outros, desta feita pelo Nuno Amado que nos vai ajudar a relembrar de uma série marcante da história televisiva, Star Trek. Existiram muitas inovações tecnológicas que usamos no nosso dia a dia, que eram já algo habitual entre a tripulação da Enterprise, e isso prova bem a força desta série.

Quem nunca ouviu pelo menos falar de “Caminho das Estrelas” (Star Trek)? Penso que ninguém dentro da cultura “ocidental”.Star Trek foi uma série de televisão que se tornou de culto mais do que qualquer outra. Porquê? Bom, para além de ter desbravado terreno virgem ao nível dos seriados de televisão, continha todos os ingredientes que nos fazem sonhar. O mistério do espaço profundo, raças alienígenas, ameaças distantes, singularidades espaciais, federações planetárias, guerra, luta pela paz, e belas naves espaciais. Para além disto foi reunido um conjunto de personagens com muito carisma! Penso que toda esta mistura fez com que esta série se tornasse incontornável na cultura pop ocidental.

Um pouco de História…
Star Trek foi criada por Gene Roddenberry em 1966 e contava as aventuras da tripulação da nave espacial terrena USS Enterprise com a “matrícula” NCC 1701. Mas a aventura começou no ano em nasci, em 1964, quando Roddenberry apresenta este projecto a Herb Solow, director da “Desilu Productions”, um canal independente de televisão. Durante 3 anos este projecto foi amadurecido por estes dois homens, com o nome “The Cage”. Mas nada é fácil e esta produtora recusou o projecto por já estar a desenvolver algo parecido: Lost in Space.

Finalmente o primeiro episódio piloto fica concluído e é apresentado à NBC, mas esta considera-o muito cerebral e recusa-o. Mas nem tudo é azar e a NBC tinha ficado impressionada com o conceito e paga um segundo piloto. Este sai com o nome “Where no man has gone before“. Como curiosidade a única personagem que fica em relação ao anterior piloto é Mr Spok interpretado por Leonard Nimoy!
Finalmente a NBC aceita este piloto e calendariza o início da série para 1966 com o nome Star Trek.



Esta primeira, chamada “série original” durou até 1969 com três temporadas (1966/67, 1967/68, 1968/69) com um total de 79 episódios.
Durante a primeira temporada a grelha de personagens foi a seguinte:  
Capitão  Kirk (William Shatner)
Oficial de Ciência e Segundo no Comando Mr Spock (Leonard Nimoy)
Oficial de Engenharia Scott (James Doohan)
Oficial Navegador Sulu (George Takei)
Médico Leonard McCoy (DeForest Kelley)
Oficial de Comunicações Uhura – (Nichelle Nichols)
Enfermeira Christine Chapel (Majel Barrett)
Oficial Administrativa Janice Rand (Grace Lee)
Durante a segunda temporada junta-se outro Navegador: o cómico Pavel Chekov interpretado por Walter Koenig.

A série acabou por ser um retumbante sucesso a todos os níveis criando toda uma sub-cultura associada ao seu nome. Desde o tema musical da série, criado por Alex Courage, aos aliens Klingons e Romulanos tudo era muito apelativo para a altura! Deu origem a mais séries com outras personagens (Star Trek: Next generation por exemplo), animação, Banda Desenhada, e muitos filmes.

Não há muitas criações em televisão que tenham tido uma longevidade de sucesso tão grande como o que Star Trek deu origem. Mais, muitos dos seus gadgets tornaram-se famosos como o Tricorder, o telemóvel que abria, e claro, o sistema de teleporte! As convenções tornaram-se famosas entre os fãs, apelidados de Trekkies (ou Trekkers) levando multidões a estes eventos. O cosplay nestas convenções foi frequente desde o início, e não só… muitos fãs protagonizando Klingons chegavam apenas a falar em klingon, conseguindo comunicar nesta língua alienígena!!
Esta série ganhou 31 Prémios Emmy…



Em Portugal começou a ser transmitido em Janeiro de 1978, substituindo outra série de culto: Espaço 1999. Os primeiros episódios foram emocionantes e levaram imediatamente a USS Enterprise para o coração dos portugueses. Apesar dos efeitos parecerem agora bastante maus, na altura eram mágicos para todos os que viam a série. Não me posso esquecer do primeiro combate da Enterprise com os Romulanos em que quando a nave “abanava” com os tiros, chegam a cair blocos tipo tijolo…

Para o sucesso contribuiu decididamente a tripulação da nave. Todos tinham personalidades bem diferentes e vincadas. A relação entre o Capitão Kirk e o vulcano Spock era sui generis, muitas vezes cómica. Spock foi uma das armas para este sucesso. Interpretado por Leonard Nimoy, falecido no passado dia 27 de Fevereiro, ficou na retina e memória de toda a gente, mesmo de quem não gostava da série. As suas sobrancelhas e orelhas em conjunto com um semblante que não demonstrava emoção eram a sua marca. Isso e sempre um discurso lógico muitas vezes politicamente incorrecto.

De notar que Nichelle Nichols foi a primeira actriz de etnia africana a conseguir um papel principal numa série de televisão deste género. A muito sexy Tenente Uhura. Juntamente com Shatner protagonizaram algo histórico, o primeiro beijo inter-racial da história da televisão.

Depois tivemos o cómico Chekov com a sua pronúncia russa, um desenrascado “Scotty” nas máquinas (a frase “Beam me up, Scotty” ficou para a posteridade), e o sempre pronto médico de bordo “Bones”…

Mas haviam alguns anónimos que ficaram famosos… os tipos de “camisola vermelha”! Eu e o meu irmão apostávamos a ver quais eram os que ficavam vivos no fim do episódio… por vezes não ficava nenhum!



Como adolescente “admirava” muito o trabalho da oficial administrativa do Capitão: Janice Rand! Interpretada por Grace Lee Whitney a sua carreira na série teve um final abrupto quando fez uma queixa de assédio sexual por parte de um dos executivos da série… claro que foi despedida, infelizmente, com uma desculpa esfarrapada!

Podia estar aqui a falar destas três temporadas originais de Star Trek indefinidamente, do Capitão Kirk como galã, dos dilemas morais, da lista de episódios, das vezes em que Spock teve emoções fortes, enfim, iria ser um post muito longo… assim ficamos por aqui!

Para finalizar, gostava muito de referenciar Leonard Nimoy. A sua personagem tornou-se icónica e teve um lugar importante na minha juventude. Foi “fascinating”!
Esta foi a minha maneira de homenagear este homem.
Que descanse em paz!


LIVE LONG AND PROSPER











Texto de Nuno Amado, autor do blog Leituras de BD

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