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Nos anos 90 o nosso campeonato era fértil em equipas que deixaram a sua marca nas memórias de todos os fãs de futebol, o Farense de Paco Fortes era um bom exemplo disso. Um treinador castiço e carismático, acompanhado por jogadores de qualidade ou também eles de alguma forma carismáticos, ou vá "cromos", que fizeram a equipa chegar à Europa e à final da Taça de Portugal.

Paco Fortes chegou a Faro para acabar a sua carreira de jogador, algo que fez em boa forma e conquistando os adeptos do Sporting Clube de Farense, abandonando os relvados em 1988/89 e começando logo de seguida a carreira como treinador no clube Algarvio. Os Leões de Faro equipavam de branco com algum preto nas suas camisolas, faziam campeonatos de uma forma modesta mas estavam prestes a ficar na história do nosso campeonato nacional.

Cimentou a sua posição no campeonato da primeira divisão, ajudado por alguns jogadores que também eles ficaram na história do clube. Nas suas primeiras épocas tinha na baliza o talentoso Guarda Redes Montenegrino Lemajic e na defesa despontavam Sérgio Duarte (que virou figura no clube) e Miguel Serôdio. O show que o treinador Espanhol dava no banco era um espectáculo à parte, todos começaram a gostar desta figura e de como ele se portava dentro de campo. Em 89/90 levou à final da Taça de Portugal, perdendo com o Estrela da Amadora.



Lemajic acabou por ir para o Boavista, perdendo o plantel que se começou a formar em 1992/93, com Jorge Soares, Nuno Amaro e Portela a juntarem-se a Duarte e Serõdio e ao Brasileiro Stefan, garantindo uma defesa algo sólida e experiente para o guardião Candeias. No meio campo Barrigana e Hajry alimentavam um ataque de luxo com o Marroquino Hassan a dar nas vistas ao lado do Sérvio Djukic.

Hassan era um avançado potente e foi uma verdadeira dor de cabeça para as defesas dos clubes, mesmo os chamados Grandes, já Djukic tinha uma boa técnica e dava outro ar ao futebol praticado pelo clube Algarvio. Paco Fortes não era adepto de jogar pelo empate e para resultados que não fosse a vitória e especialmente se isso fosse através de um jogo fluido e de ataque.

Em 1994/95 o estádio de São Luis, conhecido pela quantidade de bolas que iam para fora devido ao tamanho do mesmo, viu um plantel que chegou à melhor posição de sempre, o 5º lugar que os levou às competições Europeias. O internacional Nigeriano Peter Rufai tomou conta das redes Algarvias e King pegou de estaca na defesa, o que juntando aos outros jogadores que já se conheciam e tinham qualidade levaram a que o clube fosse pela primeira vez à Uefa.

Como em tantos outros casos, essa boa campanha levou a que perdessem alguns dos seus melhores jogadores, basicamente ficaram Rufai, Candeias, Barrigana, Djukic e Jorge Soares, aos quais se juntaram alguns nomes bem conhecidos, como Idalécio, Caccioli, Paiva, Paixão ou Tozé.

O carisma do seu treinador Espanhol continuava a deixar o clube nas bocas do povo, lembro-me que não gostava quando o meu Sporting tinha que ir jogar lá abaixo, mas ao mesmo tempo gostava de ver o show que Fortes dava de um lado para o outro.

O seu bigode foi uma imagem de marca tanto para si como para a sua equipa, já que praticava um futebol de homens como nem sempre se via e como se praticava noutros tempos.

Nessa altura começaram a aparecer várias equipas "Europeias", Marítimo, Guimarães, Boavista que tinham mais dinheiro para gastar e a equipa Algarvia começou a perder algum fôlego nesse aspecto. Mas continuou sempre na primeira parte da tabela e a apresentar boas equipas.

Paco Fortes abandonou a equipa após 10 anos à sua frente, em 1999. O Farense nunca mais foi o mesmo, perdeu um pouco a sua identidade e os problemas financeiros fizeram com que passasse algum mau bocado chegando a desaparecer do mapa do futebol profissional.

Voltou a aparecer e a animar as tardes de futebol da gente Algarvia, sonhando voltar ao escalão máximo do nosso futebol. Já Paco Fortes teve um período muito mau na sua vida, passando dificuldades e chegando a viver na rua até que uma associação de futebolistas veteranos do Barcelona (clube onde jogou), deu-lhe a mão e arranjou um emprego no qual ele ainda se encontra e espalha a sua boa disposição.

Saudades de ver equipas como esta no nosso futebol, praticava um bom jogo e tinha jogadores de extrema qualidade.








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