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Volto ao saudoso mundo da F1, numa altura em que ainda seguia com algum interesse este desporto, para falar de um dos nomes que marcou a década de 90, o piloto Damon Hill. Foi daqueles campeões que nunca conseguiu conquistar por completo todos os fãs da modalidade, mas como outros pilotos Britânicos nunca deixou de sorrir e acabar por agradar pela sua forma de estar no circo da F1.

Damon Graham Devereux Hill nasceu a 17 de Setembro de 1960 perto de Londres, Inglaterra e o seu pai era outro campeão da modalidade, Graham Hill. Ele é aliás o único filho de um campeão que conseguiu também ser o primeiro entre os outros pilotos, um feito que vale o que vale mas não deixa de ser assinalável. Começou a carreira em modalidades inferiores, como tantos outros, e apesar de ser um piloto competente e até interessante de seguir, nunca venceu uma corrida ou conseguiu algum título na Fórmula 3000, facto que não impediu de ser chamado para piloto de testes da Williams em 1992 depois de estes se terem sagrado campeões.

Quando Riccardo Patrese deixou a escuderia para se juntar à Benetton, Hill passou à frente de outros pilotos experientes como Mika Hakkinen e foi o escolhido para se juntar ao tri-campeão Alain Prost. Como Nigel Mansell abandonou a competição após ser campeão, a escuderia ficou então com o número 0 e o número 2, calhando ao novato o 0 sendo o segundo piloto na história da F1 nessa situação (após Jody Schecker em 1973).

Aprendendo com a experiência do seu colega de equipa, Hill demonstrou uma evolução agradável conduzindo o monolugar da Williams, passando por um começo atribulado mas que rapidamente ultrapassou e começou a terminar as corridas num lugar do pódio, para além de conseguir a sua primeira pole position no Grande Prémio de França e depois a primeira vitória no da Hungria.


Na época de estreia viu o seu colega de equipa ser campeão e ficou atrás de Senna que ficou em segundo, aquele que curiosamente viria a se tornar o parceiro de Hill na Williams-Renault em 1994 após a retirada de Prost, que tornaria o britânico a ser o primeiro piloto a ficar com o número 0 em 2 anos consecutivos. Infelizmente o piloto Brasileiro morreu no acidente fatídico no Grande Prémio de San Marino, correndo sozinho no do Mónaco e tendo a companhia do piloto de testes David Coulthard na corrida de Espanha onde se sagrou vencedor, com a curiosidade histórica de seu pai ter vencido o mesmo grande prémio 26 anos antes, depois de também ter morrido o seu companheiro de equipa.

Começou então a lutar com o Germânico Michael Schumacher (que dava nas vistas na Benetton) em algumas corridas, sendo que a do Reino Unido saltou para todas as primeiras páginas quer pela vitória de Hill (numa pista onde seu pai nunca venceu), quer pelo comportamento do Alemão que foi castigado por tentar prejudicar o seu adversário e ficou de fora algumas corridas. Durante esse castigo, afirmou ainda que Hill não tinha a classe para ser um piloto campeão, mas o certo é que foram para a última corrida com apenas um ponto de diferença, e foi só após uma colisão ainda polémica que Schumacher pôde festejar o título.

Muitos dizem que foi totalmente acidental, outros que o Alemão fez de propósito sabendo que assim manteria o primeiro lugar no campeonato de pilotos. Isto fez com que muitos passassem a encarar com outros olhos o piloto inglês, que entraria na temporada seguinte como um dos favoritos e com a vantagem de conduzir um carro da melhor escuderia do circuito. Mas mesmo assim ele não conseguiu nada, ficou em segundo e fez também com a sua equipa perdesse o título de melhores construtores o que fez com que muitos na equipa começassem a preferir que este se fosse embora e desse lugar a outro piloto.


Ao volante do Williams FW18, Hill teve a sua melhor temporada na Fórmula 1 e acabou por se sagrar campeão à frente do seu colega de equipa Jacques Villneuve, Com um dos carros mais rápidos do circuito, não foi de admirar que ele nunca se qualificasse abaixo do topo da grelha de partida, igualando assim recorde de outros pilotos como Senna e Prost. Mas mesmo após essa excelente temporada, acabou por ser corrido da Williams e substituído por Heinz Harald Frentzen.

Hill prosseguiu assim a tradição da Williams, sendo o quarto piloto a sagrar-se campeão e não competir pela escuderia na época seguinte (isto apenas em nove anos), e acabou por ingressar na Arrows por não gostar das propostas financeiras das outras equipas do topo. Logicamente que numa escuderia de pouca tradição e pouco desenvolvida tecnicamente, a defesa do título não correu lá muito bem e fez com ele ficasse apenas um ano na equipa, passando depois para a Jordan (apesar de proposta da Prost) em 1998, tendo como parceiro Ralf Schumacher o irmão do seu antigo rival. Apesar de tudo deu algumas vezes nas vistas, especialmente no Grande Prémio da Hungria onde quase venceu a corrida.

Por lá acabou também por não ter muito sucesso, e só deu nas vistas quando começou a dar trabalho a Michael Schumacher, mas não no aspecto de correr lado a lado com ele, e sim de lhe bloquear o caminho e impedir que o Alemão fosse mais rápido. Ainda durava um pouco de ressentimento sobre os acontecimentos entre os dois, e na imprensa trocaram acusações um pouco fortes sobre o que cada um já tinha feito nos seus confrontos.

Acabou por se retirar em 1999, sem pompa nem circunstância, um piloto que nunca deu muito nas vistas e que muitos acharam que foi campeão mais por causa do carro que conduzia do que pela sua capacidade. Acabou por mesmo assim conseguir ultrapassar alguns recordes do pai, apesar de manter a sua memória usando um capacete como o dele com as cores do clube de remo de Londres. Fora das pistas ficou conhecido por pertencer à banda de Eddie Jordan, sendo um competente guitarrista.








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