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Passou-me despercebida quando passou pela primeira vez na RTP, há pouco tempo revi na RTP Memória e gostei, não é das melhores produções nacionais mas aguenta-se bem e tem algumas grandes interpretações no seu elenco. A novela Cinzas tem um argumento que revira em torno de uma família, de traições e de como não podemos escapar do passado.

A telenovela Cinzas foi escrita por Francisco Nicholson, e foi a primeira no horário das Sete da tarde na RTP 1, sendo emitida entre 14 de Setembro de 1992 e 9 de Abril de 1993. Foi a primeira grande produção da NBP, a mítica produtora de Nicolau Breyner que teve um dos seus melhores papéis como o bêbado Securas, uma personagem que deu nas vistas e foi uma peça fulcral em toda a história.

O maior elogio é o ritmo como tudo decorre, como foram só 130 episódios, aquilo não cai em períodos mortos e as coisas avançam de uma forma que nunca nos deixa aborrecidos. Antonio Montez está fenomenal como o asqueroso Amílcar Santos, e o casal constituído por Júlio César e Maria João Luís deram um verdadeiro show, especialmente a actriz que teve aqui um dos seus melhores desempenhos. Para além disso deram-se a conhecer actores como Julie Sergeant, Helena Laureano, Ricardo Carriço ou Sofia Sá da Bandeira, aprendendo com os veteranos Armando Cortez, Rui Mendes, Manuela Maria ou Mariana Rey Monteiro.


A familia Veiga é o ponto central para tudo o que decorre nesta história, com a sua Herdade de todos os Santos e o Pinhal de São Torcato a serem alguns dos locais mais importantes de toda a trama. O incêndio do pinhal é o que despoleta tudo aquilo que se viria a tornar uma verdadeira viagem ao passado, percebendo todos os podres da vida do patriarca da família. Desde o começo que o bêbado Securas ganha destaque, sendo acusado de ser ele a pôr fogo ao pinhal, e a relação que tinha com a polícia da localidade mostrou-se complicada, mas no final era completamente o oposto.

A evolução de Nicolau Breyner desde bêbado fétido e desgraçado para um ex-polícia inteligente como tudo é fenomenal, vemos como um homem pode descer mas se quiser recuperar de novo a sua vida. Por outro lado vemos a decadência de Rui Veiga, que quer ser o dono do mundo, e vê tudo a desmoronar até morrer e perder algumas das coisas que fez crescer. Foram os seus filhos a dar a volta à coisa e a fazer com que a família não perdesse tudo, mas os legítimos já que ao longo da história veio-se a saber que havia alguns que não tinham sido reconhecidos pelo patriarca e eram filhos de duas empregadas suas.

Carriço era o mais novo que toureava e adorava andar a cavalo, enquanto que André Gago era o mais velho e o que tomava conta da empresa da família e um verdadeiro mulherengo como o seu pai. Maria João Luís apresentava alguns problemas mentais e sofria num casamento conturbado com Júlio César, um sacana que queria apenas o dinheiro da família mas no final confessa o seu amor por ela e se redime perante todos.


O núcleo de empregados teve boas interpretações, especialmente dos novatos Rosa do Canto e Fernando Mendes, mais habituados à revista ou a registos cómicos. Eduardo Viana é mais uma vez um daqueles paus mandados do vilão maior da história, e os seus crimes abalam a terra dos Veiga, a mando de Amílcar Santos que odiava a família e queria a vingança. Veio-se a descobrir que a vida de todos estava interligada, um passado conturbado em África unia Securas, Santos e até alguns Veiga.

Podia-se ter explorado melhor um ou outro aspecto, a loucura de Maria João Luís merecia mais e teve um desfecho demasiado feliz, mas o mistério todo do primo desaparecido foi bem conduzido, assim como o desenrolar do passado do Securas e as ligações a várias pessoas.

Não entra no meu top 5 de novelas Portuguesas, mas fica no top 10 com certeza, gosto dos textos do Nicholson e aqui provou isso e é uma pena ser um autor um pouco desaparecido da nossa Televisão.


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