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Fialho Gouveia era um daqueles comunicadores natos, uma pessoa com um carisma acima da média e uma simpatia contagiante que fazia com que gostássemos de ver os seus programas, que ficássemos interessados no que tinha para nos dizer.

José Manuel Bastos Fialho Gouveia nasceu a 30 de Abril de 1935 no Montijo, e foi enquanto estudava na Faculdade que começou a dar os primeiros passos como apresentador de rádio demonstrando logo uma grande facilidade de comunicação e empatia com os ouvintes, fazendo com que várias pessoas lhe sugerissem tentar entrar para o canal de Televisão que se começava a criar no nosso País.

Fez parte dos pioneiros da RádioTelevisão Portuguesa em 1957, aparecendo normalmente no Telejornal como apresentador ou entrevistador. Apesar disso nunca deixou a rádio, sendo uma das principais figuras das emissões da tarde da Rádio Renascença, com o programa Diário do Ar, estando envolvido sempre de alguma forma em vários programas de rádio ao longo da sua vida.

No final da década de 60 a sua carreira estava em alta, na rádio protagonizava uma revolução ao lado de nomes como Carlos Cruz, José Nuno Martins ou Adelino Gomes que em 1968 lançavam o programa PBX na Renascença com produção dos Parodiantes de Lisboa. Um ano depois era uma das caras do talk show que apaixonou o País, o Zip-Zip que apresentou ao lado de Carlos Cruz e Raul Solnado. Era algo completamente novo, um programa de variedades e com entrevistas gravado ao vivo no Teatro Villaret e que chegou a incomodar muita gente com o que este trio falava ali com uma grande coragem.


Foi um dos primeiros a ler o comunicado do Movimento das Forças Armadas no 25 de Abril de 1974, e foi das principais caras na inauguração da RTP 2, apresentando os primeiros programas noticiosos desse canal enquanto que no primeiro apresentou outro marco da história televisiva em Portugal, a Visita da Cornélia.

Continuou a dar cartas nos anos 80, década em que o conheci na Televisão fosse a apresentar o Festival da Canção fosse em concursos como o Par ou Ímpar ou a Arca de Noé. Sempre gostei de o ver, sentia empatia com o que dizia, gostava da sua forma de estar sempre com um sorriso no rosto e com o seu cabelo "prateado" a dar-lhe um ar sóbrio. Era como se fosse um tio do qual gostamos e respeitamos pela sua experiência de vida.

O Gesto é Tudo, Prata da Casa, E o Resto são Cantigas, Vamos Caçar Mentiras foram alguns dos outros programas em que esteve presente na década de 80, enquanto que na de 90 apareceu no Entre Famílias, A Filha da Cornélia ou o Com Pés e Cabeça. Só abandono a Estação do estado em 2002, falecendo dois anos depois a 2 de Outubro de 2004 com problemas cardiovasculares. Uma das maiores figuras da história da nossa Televisão, um apresentador que todos nos habituámos a ver à noite na nossa televisão e um rosto que deixa saudades.










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