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Sempre fui fã do Natal, vou aqui partilhar um apanhado do que foi alguns dos meus Natais nos anos 80 e uma altura em que se vivia ainda de forma intensa esta época tão agradável.

A minha família nunca foi de grandes posses, vivíamos num T0 apertadinho mas que se tentava sempre transformar na época natalícia. No começo do mês de Dezembro ia com o meu Pai para um pinhal perto de nós, onde iríamos procurar o ramo ideal para servir de nosso Pinheiro. Era sempre uma emoção andar ali pelo mato (onde agora é as Varandas de Cascais), e tentar escolher algo que servisse como árvore de Natal, raramente era um "Pinheiro" mesmo mas sim um belo ramo que servia perfeitamente para o seu intento.

Depois de cortado, trazia-se para casa onde se punha num vaso cheio de terra (e normalmente forrado com papel de embrulho) e deixavam-me a cargo da decoração. Os enfeites que usávamos tinham anos, lembro-me da luta que era sempre ao tirar a caixa de cima do nosso guarda fatos, de lutar para desembaraçar as fitas e as luzes para a árvore e de esperar que não estivesse nenhuma bola partida para assim estar tudo pronto para decorar o pinheiro.

As mãos cheias de resina era algo que se podia esperar nesta aventura, mas eu não me importava e gostava de inventar pequenas coisas como colocar bolas de algodão nos ramos para fingir que era neve. O lugar onde ela ficava variava sempre de ano para ano, e depois começava a colocar-se por baixo os embrulhos, caso já houvesse alguns.

Ainda sou do tempo de percorrer várias casas da viznhança e da família para se distribuir prendas, era uma viagem agradável num final de tarde friorento mas cheio de amor no ar, as pessoas cumprimentavam-se e desejavam Feliz Natal uns aos outros mesmo sem se conhecerem bem. A minha mãe também costumava ter o hábito de ir deixar óleo e outros ingredientes na casa de algumas amigas para estas fazerem doces de Natal para nós (presumo terem mais jeito ou como iam fazer várias faziam para nós também).

Só abria as prendas no dia 25 de Manhã, estas ficavam na minha mesa de cozinha por baixo de uma janela que tínhamos para fingir que o Pai Natal tinha vindo por ali deixar as mesmas, era uma bela ilusão e que me aquecia bem nesta altura. O carinho e o amor suplantavam os poucos brinquedos que recebia, ou a roupa que recebia e que não era fã, e esta era sem dúvida uma das melhores alturas para mim.









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