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Sou grande fã do tipo de humor que aparecia nos Trapalhões, um programa de enorme sucesso com 4 humoristas de grande qualidade e sketches com imensa piada. Infelizmente conheci isto muito tarde, mas ao mesmo tempo deu para apreciar ainda mais o humor do programa e de me rir muito ao ver o programa.

Não me lembro de isto ter dado na RTP, mas quando a SIC transmitiu isto no seu começo, fiquei logo fã e tentei logo saber mais deste fantástico grupo de comediantes. O programa dos Trapalhões entrou para o livro do Guiness como o programa humorístico de maior duração, com trinta anos no ar, chegou a estar em três estações diferentes antes de ser transmitido pela Rede Globo e foram protagonistas de inúmeros filmes que tinham tanto sucesso como o programa de Televisão.

Começou em 1966 com o nome Adoráveis Trapalhões na TV Excelsior de São Paulo, foi nesta estação que se juntaram todos aqueles que iriam ser o centro do programa, Didi, Dédé, Mussum e Zacarias. Quando passaram para a TV Record ficaram com o nome de Os Insociáveis, algo que desagradou Renato Aragão e que o fez que aquando da mudança para a TV Tupi registasse o nome de Trapalhões como nome do grupo também.

Quando começaram a ser campeões de audiência (destronando o líder Fantástico), o director de operações da TV Globo, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho (ou Boni), começou a assediar o grupo para mudar de estação, aproveitando as dificuldades financeiras da Tupi para concretizar os seus desejos.

Mas Renato Aragão tinha medo dessa mudança, afinal ali ele tinha toda a liberdade para ser irreverente o quanto quisesse, e o humorista não tinha certeza se os Trapalhões se encaixariam no padrão da Globo. Para não ter que recusar formalmente a proposta, ele chegou a fazer uma lista de exigências de três páginas na qual determinava quais seriam o director, redactor e o horário do programa. Para sua surpresa, Boni aceitou sem questionamentos as exigências.

E assim depois de uns testes, o programa estreou a 13 de Março de 1977, aos Domingos antes do Fantástico.

O quarteto era composto pelos seguintes elementos:

Didi (Renato Aragão): Um esperto cearense com uma aparência bastante cómica e com umas expressões faciais que chamavam a atenção do público e o faziam rir mesmo antes dele falar. Ele era um daqueles espertalhões que raramente se dava mal e apesar de ser o líder do grupo, em certas cenas é considerado pelos seus três companheiros como o membro de menor importância.

Dedé (Dedé Santana): Era o elemento sério do grupo, sendo uma espécie de "segundo no comando", sempre muito sereno e tentando mostrar assim todo o exagero que decorria à sua volta. Sua masculinidade era sempre ironizada por Didi, que criava apelidos como "Divino".

Mussum: Um bem-humorado carioca negro que tinha orgulho de dizer que era natural do Morro da Mangueira, uma comunidade do Rio de Janeiro. Foi a personagem que saltou do grupo, aquele com que todos se identificavam e achavam piada já que possuía um linguajar bastante peculiar, sempre empregando o "is" no final de quase todas as palavras, criando assim os bordões "cacildis" e "forévis". Sua maior paixão é a cachaça, a qual ele chama de "mé" (ou "mel"). Devido ao fato de ser negro, era sempre alvo de piadas e apelidos, como ser chamado ironicamente de Maizena por Didi, ou mesmo "azulão", "Mumu da Mangueira" ou "cromado". Faleceu em 1994.

Zacarias: Um tímido e baixinho mineiro com personalidade infantil e voz bastante fina, como a de uma criança. Por ser calvo, sempre usava uma peruca. Faleceu em 1990.

A química entre todos era inegável, assim como o facto de uns terem mais piada que outros devido ao carisma, qualidade e entrega no texto. Para além deste quarteto existia um grupo de actores regulares no elenco, com especial destaque para Roberto Guilherme que esteve quase sempre presente em todos os programas de Aragão.

Humor físico, com trocadilhos fáceis e por vezes algo malandrecos, era uma comédia do povo para o povo, simples e directo. A dada altura começou a ser transmitido em frente a uma plateia, fazendo com que os sketchs ganhassem outro efeito com as gargalhadas do público a dar outro ênfase a tudo o que acontecia à nossa frente.


Como tinham grande sucesso junto do público infantil, o grupo começou então a produzir quadros de propósito para esse segmento, sendo que com o passar dos anos isso começou a ser cada vez mais comum no grupo que abraçava isso sem problema nenhum. Essa paixão das crianças pelo grupo era demonstrada no cinema também, 7 dos filmes dos Trapalhões estão no top 10 dos filmes mais vistos no Brasil, muito por culpa disso e de parcerias com outras personalidades famosas como a Xuxa.

O começo dos anos 90 foi abalado com a morte de Zacarias, e apesar do grupo ter ainda assim continuado com o seu programa, a morte de Mussum em 1994 foi uma machadada da qual nunca mais recuperaram. Tanto Aragão como Santana continuaram durante algum tempo o programa, mas estava à vista de todos que uma era tinha chegado ao fim e que seria melhor terminar aquilo.

Os 2 vieram então para Portugal, já que a SIC decidiu apostar num programa com eles os dois (devido ao sucesso que estava a ter as transmissões dos Trapalhões originais) e estiveram assim quatro anos no ar num programa onde contracenavam com actores Portugueses e outros do seu País, como o já habitual Roberto Guilherme. Nunca teve o mesmo sucesso nem a qualidade no humor apresentado, uma pena para quem como eu só os conheceu tarde e viu depois aquela decadência.

As cenas de Mussum nos cafés ou na rua a reclamar do Governis, as risadas de Zacarias, o estilo Zé Carioca de Didi e o estilo galã de Dédé faziam-me sempre rir e vou guardar para sempre na memória mais um excelente programa de humor que o Brasil nos proporcionou depois de termos passado uma década a rir com o programa do Gordo ou com o Agildo.












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