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Eu achava alguma piada à série Sarilhos com Elas (Golden Girls no original, Supergatas no Brasil), mostrava que os mais velhos também podiam ser divertidos, e tinha uma daquelas personagens que saltava do ecrã com a sua personalidade desbocada e nada a ver com a idade que tinha.

Foi mais uma criação de Susan Harris (Já responsável por outras séries famosas como Soap), tendo tido sete temporadas que foram transmitidas entre 1985 e 1992, ajudando a quebrar alguns preconceitos que existiam acerca de personagens da terceira idade em séries televisivas. Deu no horário nobre da RTP na segunda metade da década de 80, mas posso dizer que também cheguei a ver isto por volta da hora de almoço (ou pelo início da tarde) na rtp 1 ou 2.

Era frequente abordarem temas sexuais no programa, ou outros temas que mostravam que apesar da idade que tinham, viviam uma vida activa e acreditavam que ainda tinham muito para dar e a sua vida não estava terminada. Todas as protagonistas venceram pelo menos um Emmy, e a série foi também alvo de vários Emmys e Globos de Ouro que atestaram da qualidade da mesma e do sucesso que teve em todo o mundo.

A série mostrava quatro mulheres acima dos Cinquenta anos vivendo juntas na mesma casa, cada uma com a sua personalidade e filosofia em relação à vida mas unidas por uma grande amizade. Apesar de haver muitas discussões devido a essas personalidades diferentes, acabavam quase sempre a abraçar-se ou a comer um bolo na cozinha.

Dorothy Zbornak (Bea Arthur) tinha um temperamento muito complicado, divorciada de Stanley (que tentava várias vezes a reconciliação) era um pouco amarga e algo desconfiada das coisas. Era a mais inteligente do grupo e por vezes a voz da razão.

Sophia Petrillo (Estelle Getty) era a mãe de Dorothy que acaba por ir viver com ela e com as suas companheiras depois de um incêndio no lar onde vivia. Apesar da sua aparência frágil e idosa, esta era bastante desbocada e tinha sempre uma resposta na ponta da língua. Criticava constantemente as companheiras da sua filha, com comentários mordazes e certeiros que era raro não arrancarem uma gargalhada do público.

As duas companheiras de Dorothy não podiam ser mais diferentes, uma era toda atiradiça e extrovertida, Blanche Deveraux (Rue McClanahan) era uma típica beldade sulista, que depois de enviuvar decidiu viver uma vida sexual muito activa e aparecia com um namorado novo em quase todos os episódios. Já Rose Nylund (Betty White)  era mais calma e ingénua, cheia de histórias estranhas sobre a sua terra natal e sem o mesmo interesse por uma vida sexual activa que as suas companheiras tinham.

As atitudes exageradas de Sophia eram o que atraía muitos de nós nesta série, se bem que agora é das coisas que se calhar menos gostamos de ver, pelo exagero típico dos anos 80 dessas mesmas atitudes que eram somente para provocar shock value e que afastavam por vezes um pouco a atenção dos assuntos abordados nos episódios que eram até bastantes interessantes e pertinentes.

Uma série de alguma qualidade e que provou que não precisamos de ter só séries juvenis na nossa televisão, aliás chegámos a ter uma versão Portuguesa das Golden Girls, que também era interessante e com um elenco de qualidade.











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