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Ainda sou do tempo de passar a hora de almoço do Domingo a ver Fórmula 1 na RTP, decorei o nome de muitos pilotos e fiquei fã de tantos outros, e Riccardo Patrese era um dos que eu mais gostava.

Riccardo Gabriele Patrese nasceu a 17 de Abril de 1954 em Itália, foi um dos pilotos mais fiáveis do grande circo, era considerado um dos melhores número dois e foi assim o fiel parceiro de três Campeões do Mundo e é o terceiro piloto com mais grandes prémios corridos.

Correu durante 3 décadas diferentes, de 1977 a 1993 num total de 256 Grandes Prémios, 6 vitórias, 37 pódios e 8 pole positions. Chegou a ser conhecido como um dos pilotos mais loucos na pista, mas rapidamente emendou o seu estilo e começou a conduzir de uma forma prática e segura, que o levou ao feito de ter conseguido pontuar em todas as temporadas que competiu excepto no ano de 1985 (quando representava a Alfa Romeo).

Estreou-se na escuderia Shadows em 1977, mas no ano seguinte seguiu o líder da equipa e juntou-se à então recém fundada Arrows. Em 1978 viu-se envolvido num acidente que resultou na morte do piloto Ronnie Peterson, e depois de algumas acusações chegou a ser julgado em tribunal e tudo, sendo absolvido de todas as acusações.

Em 1982 juntou-se à Brabham, onde conseguiu as suas primeiras duas vitórias, mas ficava completamente na sombra do seu parceiro Nelson Piquet, que se sagrou campeão em 1983 e levou a que Patrese procurasse melhor sorte noutro lado.

Na Alfa Romeo foi vítima da falta de qualidade da equipa técnica, muitas vezes tanto ele como o seu parceiro faziam boas corridas, mas não conseguiam terminar e pontuar por coisas tão básicas como a falta de gasolina.


Duas temporadas depois e volta para a Brabham, mas já esta era uma sombra do que fora e mesmo com um dos melhores motores do circuito (um BMW) nunca permitiu a vitórias por parte dos seus pilotos. Mesmo assim nunca se ouviu da boca do piloto Italiano qualquer reclamação acerca das incompetências técnicas dessas equipas, algo que fez ganhar o respeito das pessoas responsáveis deste desportos e dos seus colegas de corrida.

Foi na Williams que fiquei mesmo fã do piloto, entrou para a equipa em 1987, para o lugar de um  lesionado Nigel Mansell e depois de ter impressionado os donos da escuderia, assinou um contrato e em 1989 mostrava o seu valor ao conseguir um honroso 3º lugar no campeonato de pilotos, mesmo sem ter conseguido nenhuma vitória.

O regresso de Mansell à equipa em 1991, fez com que a Williams ficasse ainda mais competitiva e puxou Patrese para a sua melhor temporada, com duas vitórias e um 3º lugar no campeonato, atrás de Mansell e Senna. Adorava como ele conseguia sempre andar na luta por um lugar que lhe desse pontos, e odiava quando este era um bom jogador de equipa e deixava Mansell o ultrapassar para vencer algumas corridas onde o Italiano seria o vencedor.

Com o domínio da Williams, todos os grandes pilotos queriam assinar pela equipa, o que levou ao piloto procurar lugar noutras paragens, acabando por assinar pela Benneton. As suas qualidades como homem e piloto levaram a Williams a oferecer-lhe um lugar na equipa para substituir o falecido Ayrton Senna e após a recusa, voltaram a pedir a Patrese para experimentar o novo carro em Silverstone mas este continuou pela Benneton apesar das constantes dificuldades de relacionamento com o novo piloto dessa equipa, Michael Schumacher.

Chegava assim ao final a carreira de um piloto que todos respeitavam, que apoiou incondicionalmente três grandes campeões mundiais e um Alemão convencido achou que não seria suficientemente bom para o apoiar. Não satisfeito com isso, esse mesmo piloto voltou da reforma para roubar o recorde de longevidade de Patrese. Mesmo assim nunca se ouviu uma palavra menos digna deste grande piloto Italiano que deixou saudades no desporto e na competição que tanto amou.





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