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O Sítio do Picapau Amarelo foi um dos melhores programas infantis já produzidos, ainda hoje é lembrado com saudade pela qualidade das histórias de Monteiro Lobato e do elenco que interpretou este fantástico universo.

A série que nos lembramos melhor foi a quarta tentativa de colocar na Televisão todo o imaginário de um dos melhores escritores de livros infantis do Brasil, o autor Monteiro Lobato. Teve produção da Rede Globo que teve o programa no ar durante 9 anos, desde 1977 a 1986, com 1.436 episódios produzidos e que foram transmitidos pela RTP a partir de 1981 e ao longo da década de 80.



O elenco teve diversas alteração ao longo do tempo, mas isso não impediu o sucesso e a química que existia entre grande parte do elenco. Lembro-me de ver isto aos Sábados de manhã na RTP 1, de achar que a Dona Benta era uma Avó para todos, que o Visconde Sabugosa era como um tio porreiro e que a Cuca metia um medo do caraças.

A acção desenrolava-se no Sitio do Pica-Pau Amarelo, onde viva a Dona Benta (Zilka Salaberry), uma velhota simpática e muito acessível . Mas ela não é a única habitante do Sítio, também podíamos ver lá a Tia Anastácia (Jacyra Sampaio), que tratava dos cozinhados da casa, e a sua neta ,Lúcia, mais conhecida como Narizinho (Rosana Garcia até 1980, Daniela Rodrigues de 81 a 82, Izabella Bicalho de 83 a 84 e Gabriela Serra de 85 a 86). Para além delas também viviam por lá o velho Tio Barnabé (Samuel dos Santos) e os seus ajudantes Zé Carneiro (Tonico Pereira) e Malazarte (Canarinho), responsáveis pela manutenção do sítio.

A Narizinho era uma criança que se sentia muito sozinha mas que tinha muita imaginação, e por isso cria um mundo de fantasias, no qual a personagem principal é a sua boneca Emília (Dirce Migliaccio em 1977, Remy de Oliveira de 78 a 82 e Suzana Abranches de 83 a 86), feita pela Tia Anastácia com restos de panos.

Um dia Narizinho conhece o Príncipe Escamado do Reino das Águas Claras, que fica encantado com a menina e a convida para conhecer o seu reino, que por coincidência, fica localizado no ribeirão do sítio. No reino, Narizinho conhece entre outras personagens o Doutor Caramujo, um cientista, que dá a Emília a pílula falante que a permite falar depois de a ter ingerido.

Uma das melhores coisas da série, ou seriado já que os episódios eram apresentados em vários arcos com as histórias a começarem e a terminarem num determinado número de episódios, era de que a realidade e fantasia se confundiam e ali tudo era possível. Não conseguíamos perceber o que era real ou fruto da imaginação já que por vezes as coisas pareciam se fundir e colocar mesmo em perigo diversas personagens.

O primo Pedrinho (Júlio César até 1980, Marcelo José de 81 a 84 e Daniel Lobo de 85 a 86), que estuda na cidade grande onde vive com a sua mãe, vinha nas suas férias escolares para brincar com a sua prima Narizinho. O Menino também tem um amigo feito pela tia Anastácia, o Visconde de Sabugosa (André Valli), feito de uma espiga de milho velha que também ganha vida, e que tinha uma admirável sabedoria, por ter sido esquecido durante muito tempo no meio dos livros, tornando-se assim intelectual e cientista.



Duas grandes personagens tomavam conta da série, o Saci Pererê (Romeu Evaristo) e a maligna Cuca (Dorinha Duval em 1977 e alguns episódios em 1980, Stela Freitas de 78 a 80, Catarina Abdala de 81 a 84 e Rosana Israel em 1986), que nos assustava a todos com os seus planos para maltratar os dois meninos. A Cuca Vai pegar e o Minotauro são dois dos melhores episódios da série, e foram repetidos diversas vezes pela Globo e pela RTP, devido ao sucesso desses episódios junto do público.

Em 1979 a Unesco elegeu o programa com um dos melhores programas infantis do mundo, e a Globo editou alguns dos episódios mais populares (como os que falei acima) em DVD sendo sempre um sucesso absoluto em vendas. Havia algumas diferenças em relação aos livros, como os cabelos da boneca Emília e o facto de na TV não usarem o pó perlimpimpim, que era o que as crianças utilizavam para navegar de um mundo para o outro na versão escrita da obra.

 Uma série brilhante que puxava pelo nosso imaginário e nos divertia como muitos programas de maior orçamento não o conseguiam.








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