0

Dallas foi uma soap opera que conquistou o mundo como poucas séries conseguiram, foi um sucesso arrasador que dominou a década de 80 e marcou tudo e todos quer pela história quer pelas roupas e penteados usados pelo elenco do programa.

A CBS transmitiu o programa entre 1978 e 1991 em 14 temporadas com mais de 357 episódios, que mostrava a vida dos membros da família Ewing e das suas disputas constantes com os seus rivais da família Barnes. A série conquistava as pessoas por mostrar personagens cheias de defeitos humanos como a sede pelo poder, a ganância, as constantes intrigas familiares, a constante vontade de vingança eram presentes em quase todos os episódios onde também havia lugar para o romance e os triângulos amorosos.


Jock Ewing (Jim Davis) era o patriarca da família, um grande magnata do petróleo texano que fez fortuna muito cedo na sua vida e nem sempre pelos caminhos mais correctos. Já Digger Barnes (protagonizado por 3 actores diferentes ao bom estilo das soap opera), alcoólico, nunca teve muito sucesso na vida e culpa os Ewing por isso e fez a cabeça de seu filho Cliff (Ken Kercheval), para ajudar ele na sua vingança.

A série começa quando o filho mais novo, Bobby (Patrick Duffy) chega em casa com uma surpresa, ele tinha-se casado com a filha de Barnes, Pamela (Victoria Principal), algo que não caiu bem no resto da família que nunca a aceitou e sempre criou muitas intrigas com ela.

A rica família vive na extensa fazenda Southfork cuja dona é a esposa de Jock, Ellie Ewing (Barbara Bel Geddes), mãe de Bobby, Gary, e J.R. (Larry Hagman).

J.R. era o filho mais velho e tinha um casamento miserável com Sue Ellen (Linda Gray), concentrando as suas energias no negócio da família e na tentativa de acabar com o casamento do seu irmão mais novo.

A rivalidade entre estes dois irmãos era o maior atractivo da série, eles não podiam ser mais diferentes, um era calmo, honesto, trabalhador e carinhoso com todos, o outro era antipático, manipulador e desonesto querendo sempre atingir os seus objectivos sem olhar a fins.

Desde as tentativas para acabar o casamento do irmão, às tentativas para ficar com o lugar de presidente da empresa da família, as duas primeiras temporadas centram-se muito na luta entre estes 2 irmãos. Na fazenda vivia ainda a filha do filho do meio, Lucy (Charlene Tilton), e o capataz  Ray Krebbs (Steve Kanaly) que anos mais tarde veio-se a descobrir que afinal era também um filho Ewing. Quanto às esposas dos 2 Ewing mais novos, elas começaram a dar nas vistas quando eram apanhadas no fogo cruzado desta guerra, quer interna quer externa. Isso veio-se a mostrar quando Sue Ellen se envolver com Cliff Barnes e fica grávida, ficando no ar a dúvida de quem poderia ser o pai.

Mas o mistério que colocou Dallas nas bocas de todo o mundo foi aquele que ocorreu no final da terceira temporada quando vemos JR Ewing ser atingido por dois tiros mas não percebemos quem é que atirou nele. Suspeitos não faltavam, as duas últimas temporadas mostravam falcatruas atrás de falcatruas deste empresário que enganava tudo e todos para conseguir os seus intentos, e por isso a personagem era odiada por todos na série e pelo público cá fora também. O actor chegou a ser agredido na rua por velhotas que odiavam os seus planos e as suas atitudes.

Era muito novo para ligar a este programa quando foi transmitido pela primeira vez na RTP, em pleno horário nobre, mas lembro-me de ter a minha família toda colada ao ecrã e de eu ficar entretido apenas com o genérico que tinha uma música imponente e imagens que mostravam toda a riqueza que aparecia depois na série.

Vi anos mais tarde na SIC Gold e pude confirmar a qualidade da mesma, e a razão pelo sucesso todo que teve já que me viciei também nestas aventuras e nos esquemas diabólicos do vilão do programa.

A série também teve sucesso no Brasil, onde foi transmitida pela Globo durante toda a década de 80 aos Domingos à noite a seguir ao Fantástico. Ao longo dos anos existiram muitas reviravoltas típicas das Soap Operas Norte-Americanas, morriam personagens que entravam e desapareciam em poucos episódios, vários actores interpretavam o papel duma mesma personagem de modo a que esta não seja excluída da série e esquemas mirabolantes para voltar com uma personagem da morte devido ao sucesso que tinha junto do público.

A história mais absurda foi aquela que eliminou por completo uma temporada, quando afirmaram que a mesma tratava-se apenas de um sonho de Pamela, e que afinal o Bobby estava ali vivo a tomar duche com ela. Outros problemas aconteciam com as disputas do elenco com os produtores do programa de modo a terem aumentos de ordenado, e nem sempre isso era resolvido da melhor forma.

Em todo o caso foi um programa que marcou uma década e uma geração e apesar de todas as temporadas não terem o mesmo fôlego e qualidade, as primeiras temporadas são de uma força impressionante e devem ser vistas por todos aqueles que gostam de uma boa história de intriga familiar e de disputas pelo poder.











Enviar um comentário Blogger