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Ainda sou do tempo em que os próprios adultos davam às crianças brinquedos que hoje em dia, no meio de toda a preocupação que existe sobre a criança poder-se aleijar, seria impensável de ver à venda ou de ver crianças pequenas a brincar com eles. No entanto nos anos 70 e 80, muita criança recebeu de algum adulto o jogo Mikado, um conjunto de varetas de plástico afiadas que no calor do momento e na mão de um mau perdedor podia ajudar a furar o olho de alguém.

Não ouvi nada sobre casos desses, o que também só abona à minha geração, brincávamos com coisas perigosas mas não nos aleijávamos por aí além. O jogo tem séculos de existência, e na década de 80 estava em grande sendo que a Majora lançava para o mercado uma versão multicolorida de varetas de plástico ou uma versão mais adulta, com varetas de madeira e riscas de cor. O jogo consiste em várias varetas de cerca de 20 cm, podendo ser jogado por 2 ou mais jogadores (normalmente 4) e que consiste em atirar as varetas todas para uma superfície sólida (normalmente jogava isto no chão) de modo a que elas ficassem amontoadas em cima umas das outras e que obrigasse a uma ginástica mental e física para que retirasse uma vareta sem fazer mexer as outras.

Elas tinham diversas cores e cada uma correspondia a um certo número de pontos. Existia uma Branca (MIkado) que era a mais valiosa, 20 pontos, havia 5 Amarelas (Mandarin) que valiam 10 pontos, 5 Azuis (Bonzen) que valiam 5 pontos, 15 Verdes (Samurai) que valiam 3 pontos e 15 Vermelhas (Kuli) que valiam 2 pontos. O jogo foi um dos mais vendidos pela Majora, assim como no Brasil era dos mais vendidos pela Estrela, que produzia o jogo desde 1961 renovando sempre o seu aspecto visual mesmo com a concorrência de marcas mais baratas que fazem várias versões deste mesmo jogo.

Divertia-me muito a jogar isto com os meus primos na casa da minha avó, o chão de cimento era o ideal para agarrar nas varetas e passarmos ali uns bons momentos.










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