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O pessoal dos anos 80 andava doido com as artes marciais, e Hollywood respondia a isso colocando cá fora filmes que mostravam de tudo um pouco relacionado com isso e nós ficávamos doidos com eles, desde o Ninja Americano ao Karate Kid, todos os filmes alcançaram sucesso entre o público infantil ou adolescente dessa década e o filme Best of the Best - Momento de Justiça não fugiu à regra.

O filme estreou no cinema em 1989, e no começo da década de 90 era uma das K7's de VHS mais trocadas pelo pessoal do recreio e o final do filme um dos mais falados e comentados por todos nós. Mas não se deixem enganar, o filme é xunga e cheio de clichés, existem pelo menos umas 6 montagens musicais com pessoal a treinar, más interpretações e coisas lamechas para agradar as meninas que fossem enganadas para ver este filme.

Dois nomes saltam para a frente neste elenco, o canastrão Eric Roberts e o mítico James Earl Jones. Um faz de herói underdog, um lutador veterano com uma lesão antiga mas que mesmo assim é escolhido pela selecção Norte Americana para o mundial de Karaté, e outro é o treinador mal disposto, duro mas com um coração mole que treina para a vitória mas que se derrete com os problemas pessoais dos seus lutadores.

O filme mostrava então a selecção da Koreia e dos Estados Unidos a escolherem os lutadores que as iriam representar num torneio histórico onde os orientais eram sempre vencedores nos últimos anos. Os clichés começavam logo na equipa dos EUA, tínhamos um Cowboy gordo e arrogante, Travis Brickley (Chris Penn), um Americano com ascendência oriental e um talento enorme para as artes marciais na pele de Tommy Lee (Philipe Ree), um Italo-Americano para cumprir as quotas das minorias num papel com poucas falas para Sonny Grasso (David Agresta) ou um intelectual calmo e espiritual na pele de Virgil Keller (John Dye).

Para completar a equipa tínhamos então o veterano Alexander Grady do Eric Roberts, que passa por uma tragédia pessoal a meio dos treinos e mesmo assim consegue uma brilhante exibição na final e mesmo com um ombro incapacitado consegue vencer o seu combate deixando-nos ao rubro.

Tommy Lee também é assolado pela tragédia, já que o seu adversário na final tinha morto o seu irmão num campeonato há muitos anos trás, e Tommy tinha assistido a tudo mesmo sendo ainda uma criança. Assistimos a diversos flashbacks e a um momento introspectivo em que ele anda de mota ao som de uma música lamechas, na final tem a hipótese de se vingar e matar o seu adversário mas resiste a essa tentação mesmo que isso signifique a derrota dos EUA.

Mas essa derrota ajudou a que o filme ficasse ainda mais épico, para além de ser o oposto do que esperávamos (a vitória clara dos Americanos), leva a um final emocionante onde os adversários Coreanos decidem entregar as suas medalhas de Ouro aos Americanos por causa da sua índole moral e comportamento durante as lutas. Aww...

O filme deu azo a 3 sequelas, uma pior que a outra. Na segunda ainda vemos 3 membros do elenco original, o Roberts, o Ree e o Penn, e o argumento deste segundo filme ainda é pior ao mostrar que existe um coliseu underground onde existem lutas até à morte e em que um lutador enorme e musculado acaba por matar o Travis numa dessas lutas. Mas isso não apaga o filme original, um daqueles filmes que é tão trash e mau que acaba por dar a volta e tornar-se interessante.










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