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O final de tarde dos Domingos ficou muito mais aborrecido quando a RTP deixou de transmitir a série O Justiceiro, mas o canal estatal rapidamente resolveu este problema e os Domingos do final da década de 80 começaram a ser a casa de outro herói, o MacGyver. Foi daquelas séries que nos conquistou logo com o genérico, uma música animada a acompanhar umas imagens com muita acção numa série que ia conquistar o coração de todos e ser mais uma daquelas que iria ficar para sempre na nossa memória.

Lembro-me que, da parte masculina, a discussão era sobre os méritos deste herói que se tinha que desenvencilhar sem a ajuda de nenhum carro milagroso, enquanto que a parte feminina discutia sobre como este penteado era mais sexy do que os caracóis do outro actor. Desde o começo que a série provocou logo frenesim por essas escolas fora, e 1987 ficou mesmo como o ano do MacGyver.

A série teve 7 temporadas com 139 episódios, de 1985 a 1992, e tornou o actor Richard Dean Anderson uma estrela a nível mundial. Os episódios começavam na sua grande maioria com o nosso herói já no meio de uma missão, e enquanto víamos ele a desembaraçar-se com coisas tão simples como uma pastilha e um elástico, ouvíamos ele a narrar algo da sua infância que de alguma forma se adequava à situação em que ele se encontrava. Era uma história à parte do episódio, esse só começaria depois dos créditos que nos deixavam logo entusiasmados para o que aí vinha.

MacGyver era um agente secreto que se recusava a usar armas, e nas suas missões metia-se sempre em sarilhos os quais resolvia com engenhocas inventivas que ele produzia com artigos do dia-a-dia que se encontravam ali à mão. Um resto de um sumo de limão, um elástico de cabelo e um sabonete eram o suficiente para que este conseguisse escapar de algum sítio ou evitar algum conflito com o seu adversário. Assim como a série que o precedia, também ele trabalhava para uma fundação, a Phoenix Fundation, presidida por Pete Thornton (Dana Elcar), que era o melhor amigo de MacGyver e que se preocupava sempre com o bem estar deste nas suas missões.

Para além de usar da sua inteligência em combinar os diversos objectos que encontrava para conseguir ultrapassar o perigo que corria, ele tinha sempre a companhia do seu fiel canivete Suíço que o ajudava a preparar esses objectos e a torná-los mais importantes do que eles normalmente são. Em alguns episódios aparecia um amigo maluco de Mac (o qual também não achava muita piada), mas felizmente, assim como no caso de Michael Knight, esta série era focada basicamente no seu protagonista e era dado pouco destaque ao elenco coadjuvante a não ser em algumas excepções.

Apesar de tudo fartei-me mais depressa desta série do que me tinha fartado do Justiceiro, e isso era muito por causa dos objectos ridículos que eram utilizados constantemente para escapar de todo o tipo de situações. Era algo que enjoava a dada altura, ao nível de brincarmos com essa habilidade e troçarmos daquilo tudo, afinal custava a engolir como uma pastilha o ajudava a impedir um reactor nuclear. Um dos meus episódios favoritos envolve pouco dessas engenhocas, mostra o MacGyver num deserto a lutar contra umas formigas perigosas e que este com a ajuda do fogo destrói elas dando até para ouvir elas "gemerem" enquanto morrem.

Apesar de tudo a série não envelheceu muito mal e continua a ser algo que se vê bem. Na altura foi um sucesso absoluto, existiu muito merchandising da série e uns especiais para tv chegando inclusive a falar-se de um filme no cinema que nunca chegou a ser feito.









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