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No começo do novo Milénio, as noites de Sábado da RTP 2 eram dominadas pelas melhores comédias das terras de sua Majestade, séries como Allo Allo ou Blackadder foram repostas nesse horário, e outras como Vigária de Dibley ou Absolutamente Fabulosas foram mostradas ao povo Português pela primeira vez nesse espaço de Britcom.

Fiquei fã da Vigária de Dibley, mais uma série da mente do brilhante Richard Curtis e escrita por ele, Paul Mayhem-Archer e pela actriz principal do programa, a divertida Dawn French. Como muitas das séries Britânicas, a mesma teve apenas 3 temporadas e um total de 20 episódios que se prolongaram de 1994 a 2007.. isso mesmo, mais de uma década. Devagar e bem, parece ser o mote por lá, e podemos censurá-los? Se for para coisas deste calibre, podem demorar à vontade que eu não me importo nada.

Apesar disto a série foi um sucesso, com os seus episódios a serem sempre dos mais vistos do ano em que passaram e nomeados para os mais diversos prémios. Foi votada a 3ª melhor comédia Britânica de todos os tempos, e ganhou 2 Emmys Internacionais mostrando que não são precisos muitos episódios para que a qualidade seja reconhecida. O melhor desta série para mim era o conjunto de personagens ali reunidos e a química entre eles, era notório o quão se divertiam com aquilo e eu adorava ver aqueles pequenos sorrisos que se via serem mais do actor do que da personagem.

Boadicea "Geraldine" Granger (Dawn French) era uma mulher liberal que veio substituir o Vigário da pequena aldeia de Dibley, e era uma mulher que se gostava de divertir e de dar uma boa gargalhada mas sem nunca descurar o povo que vinha ajudar, e com um enorme coração preocupado com tudo e com todos. Uma das melhores fase da série nasceu dos conflitos que ela teve com o presidente da Paróquia, o fazendeiro David Horton (Gary Waldhorn), um pilar da comunidade e com um feitio demasiado conservador para as ideias liberais da nova Vigária. Mais tarde apaixona-se por ela, e apesar de chegarem a marcar um casamento a coisa não se sucedeu.

Alice Springs Horton (Emma Chamber) foi uma das personagens mais adoradas da série, os finais de episódio entre ela e e Geraldine eram memoráveis, consistia sempre na vigária a contar uma anedota a qual Alice nunca entendia bem e gerava sempre discussões hilariantes. Ela era bastante ingénua e burrinha, acreditava no Pai Natal e no Coelho da Páscoa, e acabou por casar-se com o filho de David, o Hugo Horton (James Fleet), um rapaz que também não devia muito à inteligência e por isso tornaram-se num casal perfeito tendo 10 filhos no total.

Duas das minhas personagens favoritas consistiam num rústico Owen Newitt (Roger Lloyd-Pack), que tinha uma quinta na aldeia e não primava pela higiene pessoal para além de ter sempre problemas de estômago que se revelavam serem quase sempre gases. Ele era bastante franco, o que originava frases politicamente incorrectas, e tinha sempre atrasos que eram justificados por problemas com os seus animais (normalmente envolvendo acidentes gráficos com eles). A outra personagem era Jim Trott (Trevor Peacock) um membro da paróquia que respondia a quase tudo com a sua gaguez começando as frases com um "no-no-no-no-no.." que muitas das vezes culminava num "yes". Por fim havia ainda a personagem de Frank Pickle (John Bluthal), um homem tão aborrecido que existia o rumor de que tinham morrido 5 pessoas só a ouvir ele a falar.

2 dos meus episódios favoritos são um em que eles tentam criar um programa de rádio e um de Natal em que tentam recriar o nascimento de Jesus e que ganha outras proporções quando Alice acaba mesmo por ter uma criança durante a peça. E logicamente que os finais de episódio onde Geraldine contava anedotas a Alice constituíam como um ponto alto dos episódios e daquilo que mais recordo com saudades.











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