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Chuck Jones foi um dos maiores génios da animação, e um dos seus melhores trabalhos é sem sombra de dúvida a dupla Coiote e Bip-Bip (Coyote and Road Runner/Papa Léguas) dos segmentos Looney Tunes e Merrie Melodies, que pudemos ver por cá na RTP como tapa buracos, no programa do Vasco Granja ou naquele período que antecedia o filme na Lotação Esgotada.

O design de Chuck, em 1948, foi levado a píncaros de loucura pelo escritor Michael Maltese que escreveu  os primeiros cartoons transmitidos no cinema, e os ocasionais especiais para a televisão, onde podíamos ver as tentativas frustradas de um Coiote, que tentava apanhar uma ave super veloz por meio de armadilhas extremamente elaboradas ou planos complexos que davam sempre mau resultado para este carnívoro.

Foram 48 curtas, quase todas de Chuck Jones, e passadas num deserto que podia ser super realista ou bastante abstracto, dependendo de quem trabalhou nesse episódio. A companhia ACME foi presença quase constante em todos os episódios, era de lá que o Coiote encomendava as peças para as suas armadilhas, assim como a violência nas situações pós armadilha falhada, era impossível não sentir pena em cada queda do penhasco do Coiote, ou então dar uma sonora gargalhada.

O mais engraçado nessas situações era quando o Bip Bip desafiava as leis da física, como quando conseguia entrar num falso buraco pintado numa parede pelo coiote, ou quando este último fica a pairar em pleno ar até se aperceber disso e cair sem dó nem cerimónia.

Também me divertia sempre quando ele montava uma armadilha, a ave passava por ela sem se magoar porque esta não disparava/funcionava, mas depois ele ia todo furioso saltar em cima da mesma e claro que esta funcionava deixando ele de novo humilhado e sem conseguir apanhar o Bip Bip.

Aliás ele parecia sempre mais humilhado que magoado, e é por isso que quase todos gostam da personagem, têm simpatia por ela devido à frustração de não conseguir o seu objectivo e saciar a sua fome.

As animações não tinham mais que 8 minutos, mas era algo que nos enchia de divertimento de tal modo que nem parecia ter sido tão curto. Achava piada ao facto de que no começo do episódio aparecia o nome dos animais, e entre parêntesis aparecia um nome "científico" das espécies enquanto aparecia também os nomes dos artistas envolvidos no episódio. Foi mais um desenho animado cheio de violência que podíamos ver enquanto crianças e nos divertirmos, sem terem medo que fossemos imitar as peripécias ali demonstradas.







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