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Sou um fã da dupla de criadores William Hanna e Joseph Barbera pelas diversas horas de diversão que me proporcionaram ao longo dos anos, sendo que muitas dessas horas pertencem a uma das suas melhores criações, a dupla Tom & Jerry.

Em 1940 começaram a surgir as primeiras curta-metragens pelos estúdios Metro-Goldwyn-Mayer e aquilo começou a pegar de tal forma que era um dos principais motivos para as pessoas irem ao cinema ver um filme, o de poderem ver uma animação onde um gato e um rato protagonizavam uma divertida luta. A dupla Hanna-Barbera realizou 114 curta-metragens entre 1940 e 1958, sendo que sete ganharam o Óscar da academia de melhor curta de Animação igualando assim o recorde das Silly Simphonies de Walt Disney. Eles moldaram a dupla de tal forma que a evolução que tiveram nesses 18 anos pouco se alterou nos restantes anos, Tom (o gato) mudou a sua aparência e forma de estar e foi o que sofreu mais alterações da dupla. Ele era bastante mais peludo e quadrúpede nas primeiras aparições, algo que se foi alterando e o mesmo foi ficando mais dependente de se apoiar em 2 patas como o seu adversário.


Era impressionante a forma como algo tão básico como a perseguição entre um gato e um rato conseguia virar uma experiência intensa e divertida. Existia sempre algo diferente em cada episódio e as variantes eram mais que muitas de algo que parecia ter uma premissa tão simples. A dada altura notou-se um aumento na velocidade e energia dada em cada curta-metragem, levando até a um aumento na violência das perseguições (o que muitos atribuem à entrada para os estúdios de um tal de Tex Avery).

Em Agosto de 1958 com o abrandar do interesse das pessoas nas curta metragens cinematográficas e com o sucesso da produções televisivas, os estúdios cortaram drasticamente os orçamentos para que se mantivesse uma qualidade aceitável nos episódios levando assim à saída dos talentosos autores e a consequente mudança destes para que começassem a criar programas televisivos.

Foi a fase de ouro das personagens e alguns dos meus episódios favoritos saíram destas 114 curta-metragens. O pequeno sobrinho de Jerry como Mosqueteiro, o cão Spike e mais tarde o seu filhote, a dona de Tom e os seus ultimatos para que este apanhasse o rato, e em especial um pequeno patinho que dava cabo da paciência a ambos os protagonistas, tudo isto chegava a atingir para mim píncaros de genialidade.

Em 1960 a MGM decidiu reviver a dupla do Gato e do Rato de modo a tentar aproveitar a onda de sucesso que as curtas dos Looney Tunes iam tendo, e encomendaram a um estúdio do outro lado da cortina de ferro (em Praga) 13 curtas-metragens. Gene Deitch entregou umas animações que podiam ser consideradas, no mínimo, bizarras com a típica imagem acelerada e efeitos sonoros algo atribulados tão típicos das animações de Leste (que podíamos comprovar no programa do saudoso Vasco Granja).

Apesar de não terem a qualidade anterior quer na animação quer na escrita, estes episódios atingiram o seu objectivo e destronaram os Looney Tunes do primeiro lugar das bilheteiras. Não consegui gostar muito desta fase, odeio o novo dono do Tom, a animação usada e os constantes diálogos em algo que devia ser quase mudo.

Em 1963 é dada a oportunidade a um dos melhores realizadores da Warner e dos Looney Tunes, Chuck Jones. Até 1967 e em 34 curta-metragens não há dúvidas que ele deixou a sua marca no legado Tom & Jerry, seja no estilo de histórias produzidas seja pelo factor de que introduziu mudanças bastante significativas no visual das personagens, especialmente em Jerry que ganhou uma cabeça muito mais expressiva em conjunto com os seus olhos. O estilo psicótico e psicadélico de Jones deu azo a algumas das minhas histórias preferidas como o episódio na praia ou o da ópera.


Em todo o caso esta dupla continua a ser dos melhores desenhos animados que já vi na minha vida, é impossível ainda hoje não soltar uma ou outra gargalhada e fiquei para sempre fã incondicional desta dupla. A dada altura a editora Abril lançou por cá também a revista em banda desenhada que ambos estrelavam e apesar de longe do glamour destas produções, tinha os seus bons momentos.

Por cá vimos isto pela primeira vez no programa do Vasco Granja e depois virou um dos cartoons preferidos da RTP para dar naqueles momentos mortos entre um programa e outro ou quando a emissão parava por algum problema inesperado.











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