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A consola Mega Drive foi A consola de todos os tempos, isto porque o objectivo dela era fazer jogos que nos divertisse e que não conseguíamos largar por mais reles que o jogo fosse. Velhos tempos em que a preocupação não era o realismo dos gráficos e ficarmos abismados a olhar porque a lágrima na cara do personagem do jogo parece real. Sou um acérrimo fã de Mega Drive, tendo sido dos pioneiros da mesma por cá (sócio 120 do clube Sega), ao ponto de estarmos em 2012  e eu continuar a dar uso a ela.

A consola chegou à Europa no final de 1990 e em 1992 eram muitos os rapazes em Portugal que  possuíam uma e organizavam campeonatos com os seus vizinhos e os colegas de escola. No Brasil o aparelho também teve o seu sucesso chegando a atingir 75% do mercado ultrapassando o seu antecessor (com muito sucesso no Brasil) o Master System. Esta máquina utilizava a tecnologia arcade de 16 bits e os jogos que a Sega tinha ajudado a popularizar nas máquinas arcade. Os responsáveis da Sega eram pessoas que pensavam bastante no Marketing e por isso demoraram a implementar um nome e uma mascote, até que alguém deu a ideia para que existissem 2 nomes para a consola, um mais para o mercado nipónico/norte-Americano e outro para o Europeu, enquanto que na mascote pensou-se mais em conquistar o público Ocidental que era fundamental para o sucesso do aparelho.

 Hayao Nakayama foi fundamental na escolha do nome da consola e mais importante ainda, na mascote para a mesma e assim como a história do Mega Drive se confunde com a da Sega, tal a importância desta consola na companhia, também a existência do Sonic se confunde com a Mega Drive tal a importância que teve. Yuji Naka foi quem concebeu a idéia de uma personagem realmente rápida mas que ao mesmo tempo devia poder enfrentar os seus inimigos, por isso que decidiu tornar o mesmo num porco-espinho- A cor azul foi escolhida pois era a mesma cor do logotipo da .

O ouriço acabou com um cabelo espetado e um par de ténis de corrida vermelhos, saindo assim da parte animalesca e ganhando um aspecto humanóide. Depois de mostrar aos seus colegas protótipos do jogo, um deles ficou espantado com a velocidade super sónica do mesmo e Naka aproveitou essa ideia para dar nome à mascote.





Uma música animada e mexida combinava com as cores vivas e velocidade do jogo deixando rendidos toda uma geração de crianças e adolescentes. Era um jogo ideal para quem queria descarregar um pouco de energias negativas e só apanhar um bocado de aneis, divertir-se um pouco antes de sair de casa para a escola ou outro local. Enquanto este jogo deixou a empresa com um símbolo para que todo o mundo reconhecia, o acordo efetuado com inúmeras empresas de videjogos (como a Capcom e a Electronic Arts) deixavam a consola ficar com um bom catálogo que permitia agradar a gregos e troianos. A falta de RPG's, motivo para a mesma não ter tido muito sucesso no Japão, era ultrapassado com a abundância de jogos de Desporto, Arcade ou de marcas conhecidas como Moonwalker de Michael Jackson, os da Disney etc.

Uma prática utilizada entre vizinhos/familiares/amigos, era combinarem que jogo iam comprar e isso porque havia um hábito de empréstimo de jogos, o que ajudou também ao sucesso do aparelho em diversos países e era algo muito útil em franchises como as da Electronic Arts com os constantes Fifas, NHL, Maddens etc. Havia jogos ridículos? Havia, dando sempre o exemplo do Altered Beast, um jogo com gráficos super banais, música entediante mas que quase todos jogaram e se divertiram a jogar o mesmo. Até há um episódio de Parker Lewis em que o amigo Jerry estava viciado em jogos da Genesis (nome da consola por lá) e era sempre esse que ele aparecia a jogar. O jogo permitia transformar-se de humano em animal algo que parecia emocionante mas no jogo não tanto.

Foram muitos os jogos a deixar história na consola: Golden Axe, Comix Zone, Virtua Racing, Sensible Soccer, Super Kick Off, Micro Machines, Spot, Mortal Kombat, Street Fighter, Pete Sampras Tennis, Columns, Super Hang On, Monaco GP (sendo que o 2 foi com o nome de Ayrton Senna), Outrun, Desert Strike, entre tantos outros.




Lembro-me que os da Disney eram sempre muito divertidos de jogar porque tinham a ver com o filme, ou seja tínhamos que ver o mesmo para perceber como ultrapassar certos níveis (por exemplo no final de Lion King tinha que se deitar no chão e enviar o Scar por cima de nós), além de serem sempre muito coloridos e com boas músicas. O Grande Prémio do Mónaco II com a chancela Ayrton Senna, melhorou muita coisa em relação ao primeiro como, por exemplo, poder chover durante um grande prémio. Claro que, como no primeiro, depois de um certo tempo a jogar podia-se começar no último lugar que se vencia na mesma mas era divertido subir naquela hierarquia de nomes adulterados a imitar as escuderias de então.

O meu primeiro jogo, junto com o Sonic que vinha na consola claro, foi o Toki, um macaco que cuspia bolas de fogo.. come on como não ficar logo viciado nisso? E para variar claro que a música era o máximo e ajudava à longevidade do jogo. Outro jogo que me foi muito querido foi o Pete Sampras Tennis onde passava horas a fazer torneios e o Virtua Racing que foi o último jogo que comprei (na altura da febre da consola claro hoje em dia se vir algum a bom preço compro na mesma). Os mais frustrantes foram os Madden do qual pouco entendia da táctica do futebol americano, e o Eco que prometia muito e era sim senhor muito bonito nos gráficos mas aborrecido como tudo em jogabilidade já que o Golfinho não permitia que se fizesse muita coisa com ele.

Passei horas em Sensible Soccer e em Super Kick off com as revistas de futebol, a copiar os nomes dos jogadores, para criar as equipas na base de dados do jogo e a criar equipamentos o mais parecidos possíveis com os originais. Em ambos os jogos o golo com um remate enviesado a partir da saída da grande área na diagonal era golo quase sempre certo, assim como o cruzamento na linha final para uma cabeçada vitoriosa nos Fifas. Antes disto tudo tínhamos o fiel à máquina arcade Itália 90 que nem árbitro tinha e assim permitia carrinhos constantes. Outros de desporto que me prendiam era os NHL e os NBA assim como o ocasional Madden apesar de não perceber nada das regras. Também tive o David Robinson Basketeball que era bem divertido para fugir um pouco dos NBA da EA.


Lembro-me de jogos maus como o Rambo, ou o Spot que me faziam na mesma perder tempo a jogá-los e a querer passar os níveis e ainda do primeiro jogo que cheguei ao fim, que foi o Moonwalker, e aquele que me custou mais a chegar ao fim que foi o Micro Machines II (com um final de jogo muito frustrante para tantas horas perdidas). Lembro-me do espanto que foi quando se viu pela primeira vez o Desert Strike/Jungle Strike, isto porque para além do cartucho enorme, tinha aquele feeling de jogo de PC com um noticiário e tudo. E que divertido era matar quem tínhamos que salvar... 


Lembro-me ainda que a pessoa que descobriu pela primeira vez o código de poder ver sangue em Mortal Kombat,  virou um Deus na escola e corremos todos para casa para podermos experimentar isso. Mortal Kombat juntamente com Street Fighter eram jogos dos quais o pessoal, na sua ânsia juvenil, podia fazer campeonatos com os amigos de modo a estarmos todos a dar porrada uns nos outros mas com objectivos.


Foi com jogos destes que a Nintendo, chateada pelo sucesso da sua concorrente, se juntasse a grupos de pais para lançar uma campanha de "os jogos violentos dão cabo das crianças", o que levou a lançar um sistema de classificação etária de jogos e tudo o mais.

Foi sem dúvida A consola e tudo nela desde os sons às músicas dão uma tremenda nostalgia.










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