3

Ainda sou do tempo em que uma simples caneta servia de joystick e uma folha de papel como uma consola, era assim que um grupo de amigos se conseguia divertir numa aula chata (normalmente de Matemática) ou num dia chuvoso e que tínhamos que ficar fechados em casa.

Um dos jogos mais jogados era o do STOP, normalmente jogado por um grupo de 4/5 pessoas e que consistia em criarmos categorias numa folha de papel onde colocaríamos depois a palavra que começasse pela letra que um jogador tinha dado previamente. A palavra STOP era usada em 2 ocasiões, primeiro quando se pedia a um jogador que começasse a pensar no Alfabeto e quando outro gritasse Stop, ele daria a letra onde ia e todos começariam então a escrever sem parar.

A outra altura era quando alguém terminava de escrever em todas as categorias, obrigando assim os outros a pararem e assim a perderem pontos por cada categoria que não tivessem feito. Quem tinha conseguido escrever, teria pontos extra. O que acontecia habitualmente era sempre um "estava a acabar de escrever" ou aquele que escrevia enquanto se via as outras categorias. Também havia discussões quando não se conhecia a palavra que alguém tinha escrito e se contestava a mesma. Lembro-me de sofrer quando colocava "Marta" nos Animais e muitos não conheciam o mesmo. Os pontos eram 5 por cada palavra repetida por outro jogador, 10 por "original" e 20 quando alguém não tinha feito.

Pelo que me lembro as categorias eram as seguintes:
Países, Animais, Nomes, Cores, Flores, Objectos e Profissões. Lembro-me de existirem variantes, mas estas são as categorias base. Este jogo era usado só no recreio, ou em casa já que implicava barulho e várias pessoas. Nas salas de aula, em especial de matemática era o jogo da Batalha Naval.

Esta imagem mostra as regras e os elementos que compunham o jogo, numa grelha de 10x10 distribuía-se pequenos quadrados que seriam como  Navios e que o jogador adversário teria que tentar acertar com palpites do género "b-7" que podiam receber como resposta "água" "navio em questão" e o malfadado "afundaste".

Os "navios" não podiam estar pegados, se bem que não evitava que batoteiros (como eu) fossem mudando alguns de lugar enquanto era humanamente possível.

Era jogado por 2 pessoas e demorava ainda algum tempo. O "tabuleiro" era feito por nós, ou então usava-se cartões como o da imagem que eram dados em ocasiões como as eleições na escola por exemplo. Havia alguns que tinham um jogo em casa, onde se colocava pequenos barcos nuns aros com buracos. Tenho boas recordações deste jogo que era bem divertido e que até obrigava a alguma estratégia.

O outro jogo para 2 pessoas, que também era muito usado nas salas de aula mais chatas, era o jogo da Forca. Este era mais um jogo de conhecimento geral e que obrigava a conhecermos várias coisas de modo a adivinhar-mos o que nos era dado. Basicamente o jogo tinha o desenho de uma Forca e um tracejado com o número de letras que a palavra levava.

O jogo podia ter algumas pistas, como o que a palavra era (País, Profissão) ou uma e duas letras. Depois íamos pedindo letras e caso não acertássemos era desenhada uma parte do nosso corpo na forca. Era como uma versão rudimentar da Roda da Sorte, e como nesse programa as vogais eram sempre a nossa primeira escolha. A maior lembrança que tenho era do constante uso da palavra "otorrinolaringologista".

Muitas horas passei com estes jogos tão simples entre os meus amigos, e me diverti tanto ou mais do que a jogar um PES ou um Fifa.




Enviar um comentário Blogger