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Ainda sou do tempo em que tínhamos que ter um espírito super MacGyver, qualquer coisa servia para nos divertirmos e passarmos horas bem divertidas entre um grupo de amigos.

Um pau podia ser uma metralhadora, pistola, espada, Sabre à lá Star Wars, etc. Uma caixa de cartão podia ser um castelo, um foguetão, um carro de corridas. Canudos brancos das obras serviam como armas numa guerra entre 2 "exércitos", e se houvesse walkie talkies ao barulho ainda melhor, uma pista desenhada no alcatrão ou na terra para brincarmos às corridas com umas simples caricas  ou verdadeiros campos de batalha com os pequenos soldados de plástico que nos compravam em sacos nas praças eram garantia de brincadeiras que a nossa imaginação levava a um nível que nenhum brinquedo electrónico conseguiu.

Havia sempre pequenos truques para levar a brincadeira a novos "níveis". Nas corridas com caricas por exemplo, metia-se umas lombas ou outros obstáculos que criavam outra dificuldade na já de si complicada missão de conseguir uma boa curva com a carica. Também havia os truques para as caricas correrem melhor, e a acusação que isso gerava.

Nas batalhas com soldadinhos, podia-se usar as bombinhas de carnaval (em especial dentro de um tacho) para criar a ilusão do barulho de guerra. Até se atava a um soldado ou tanque para gerar um maior realismo nas "baixas" da guerra e outra solução era colocar os soldados contra "monstros" como peluches ou bonecos maiores como os do He-Man.

Lembro-me de inventar um jogo de tabuleiro com um amigo meu, baseado numa rubrica popular na altura, o jogo do Tesouro com o Luis de Matos nas manhãs da RTP. E a diversão daquilo durou semanas até à próxima invenção. O crossover de personagens era algo que me agradava muito também, lutas entre personagens de He-Man e Transformers eram constantes no meu quintal, assim como as batalhas entre os vasos de plantas e afins.

E não pensem que abandonámos logo a nossa imaginação. Quantos de vocês não usavam a mesma em jogos simples de Spectrum, Mega Drive e afins? Ou seja íamos além do que a TV e os gráficos nos mostravam... enfim era a prova que a imaginação era mesmo a nossa arma mais poderosa.

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